Don't You Love Me Anymore?
6 Capítulo 6
A manhã daquele dia havia passado depressa. O sol já estava a pino e a pele de Tony Stark apresentava uma vermelhidão característica de quem se expõe ao sol, mas sem se prevenir. Bruce Banner também não ficava atrás.
Ambos já estavam vestindo suas roupas para logo em seguida deixarem a praia. Teriam que tomar um banho quando voltassem, mas o momento de diversão tinha valido a pena.
Um havia relaxado e o outro ficado mais apaixonado.
Tony e Bruce entraram na caminhonete e o cientista dirigia de volta, sentindo seu coração bater tão rápido que mal prestava atenção na via.
− Ei Bruce, não sei se percebeu, mas creio que acabou de avançar um sinal vermelho. – disse Tony, olhando para trás.
− Estava no amarelo, Tony. – Bruce falou, sem muita convicção. A voz do moreno ao seu lado tinha uma espécie de feitiço, e tudo o que ele conseguia pensar era como tinha sido maravilhoso passar aquela manhã ao lado de Stark.
Ambos fizeram coisas que há muito tempo não faziam. Bruce então, mal se lembrava de onde e quando havia se divertido assim com alguém pela última vez.
Não demorou muito e os dois chegaram em frente ao prédio das Indústrias Stark onde o laboratório de pesquisa estava instalado. Bruce girou a chave e desligou o motor do veículo. Ambos saíram da D20, com as roupas grudadas no corpo pela água do mar que não havia secado e muita areia impregnada em seus pés.
Caminharam os poucos metros que faltava para entrarem no prédio e Bruce achou que havia chegado a hora. A fase um da pesquisa estava prestes a ser encerrada e eles se separariam por um tempo. Fora a reunião agendada no novo QG dos Vingadores. Demoraria muito para Bruce ter um momento como aquele.
− Tony, espera – disse Bruce, segurando Stark pela mão – eu preciso lhe dizer uma coisa.
− Eu também, Bruce. Aliás, eu já devia ter agradecido antes. Essa saída foi providencial, estou totalmente relaxado e pronto para terminar o trabalho.
Stark era impossível às vezes, pensou Bruce. Mesmo agora ele não parava de tagarelar sobre o trabalho e a pesquisa. Ele não podia fazer silêncio uma vez na vida?
Sentindo que nunca teria a oportunidade de dizer, Bruce tomou a única atitude que faria Stark se calar de uma vez por todas. Puxou-o pela mão com força e silenciou os lábios de Tony com os seus.
Foi como se duas partículas de cargas iguais tivessem se encontrado. Stark estava repelindo Banner. O grande problema era que o cientista tinha mais força física que o moreno devido a sua condição genética, então abraçou Stark de uma maneira que o moreno não pode se desvencilhar do abraço.
Cansado de lutar, Tony se deixou levar. Os lábios de Bruce, a língua do cientista invadindo sua boca, era uma sensação agradável. Mesmo que algo em sua mente lhe disse que aquilo estava errado, ele não pode lutar. Bruce o estava devorando. Com alguma dificuldade levou uma das mãos até o ombro de Bruce, que com o toque afrouxou mais o abraço.
Quando o abraço deixou de ser algo forçado e passou a ser carinhoso, Tony se lembrou de alguém.
Steve.
Juntou todas as forças de que dispunha e encerrou o beijo, se desvencilhando do abraço e puxando Banner pela mão para dentro do prédio.
Andaram dessa forma até a sala da presidência.
− Você quer me fazer o favor de explicar que porra foi aquela lá fora?
− Tony, eu gosto de você. O que aconteceu só aconteceu porque você não parava de falar e não iria me escutar se eu não tivesse tomado uma medida drástica.
Tony achava que Bruce iria ser menos direto. Mas ele foi logo ao ponto. Pensando bem, agora, só agora, ele achava que não devia ter feito algumas coisas e falado tantas outras para Bruce.
− Você sabe que não vai rolar nada entre a gente. – disse Tony, muito seguro de si.
− Se tem algo que aprendi é que a paciência é uma virtude, Tony. Se me permite, irei tomar um banho. Também vou analisar o resultado do diagnóstico de Jarvis. Estarei no laboratório, se precisar.
–--
− Moço, o senhor está bem? Quer que eu o leve para um hospital?
O mundo parecia ter simplesmente evaporado. Nada mais existia. Não existia táxi, não existia rua, não existia nada.
A única coisa que existia era uma dor profunda no peito de Steve Rogers. O loiro custou a acreditar no que seus olhos acabaram de enxergar. Tony e Bruce. Abraço. Beijo.
Steve precisou de muito alto controle para não chutar a porta do taxi e quebrar os dois ao meio. Agora o loiro só sentia uma dor dilacerante dentro do seu peito.
− Como você pode fazer isso comigo, Tony? – perguntou Steve para si mesmo, já em frente à porta de entrada do prédio. Nem se deu conta de ter saído do táxi. Não tinha mais noção da realidade.
Infelizmente não havia ninguém para responder essa pergunta.
O Capitão olhou ao redor, sem realmente enxergar nada. Não havia mais nada para enxergar. Toda a cena se desenrolou diante dos seus olhos e por fim a dor só foi maior.
Agora, o local estava vazio.
Ele estava vazio também.
Pegou um chaveiro do bolso, uma grande letra A. Havia uma única chave nesse chaveiro, que abria a Mansão dos Vingadores, em Nova York. Tirou a aliança da mão direita. Ainda pode ler a mensagem que dizia “Always Yours”.
Que mentira, pensou o Capitão, rindo para si mesmo, uma risada fraca, forçada e triste.
Colocou-a na argolhinha, junto com a chave, e segurou forte contra a palma da mão. Depois de alguns instantes, deixou o chaveiro cair ao chão. Pode ouvir o tilintar da aliança contra o cimento.
Seu coração bateu um pulso mais fraco.
Uma lágrima teimosa escapou de seus olhos.
E tudo que ele pode fazer foi caminhar na direção oposta, saindo dali, secando essas lágrimas com as costas das mãos.
Steve achou que nunca sofreria como sofreu quando estava congelado, onde revivia sua vida antiga e todas as coisas que queria ter feito e não fez.
Nesse momento, Steve provou a si mesmo que estava enganado.
Havia no mundo algo pior que passar setenta anos congelado. Havia algo pior que se arrepender por nunca ter cumprido a única promessa que havia feito em vida: dançar.
Abrir o peito e o coração. Dar seu coração a alguém e tudo o que você tem por dentro. Deixar que o amor o fizesse refém. Para no fim o amor enfiar um caco de vidro em seu peito, rasgando-o por dentro.
Definitivamente, Steve sentia uma dor no corpo, mas não apenas física. Uma dor na alma. Steve sentia como era como morrer por dentro.
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