Já havia dez dias que Bruce Banner estava “hospedado” num dos prédios de pesquisa das Indústrias Stark, prédio esse localizado numa parte afastada da Califórnia.

Bruce não era muito chegado a estar trancafiado em algum lugar. Ele gostava de estar em contato com a natureza, ao ar livre, de preferência em regiões do mundo onde as pessoas não sabiam quem ele era. Isso o deixava calmo. Nesses momentos, ele tinha plena consciência de si mesmo, dos seus limites e até onde ele poderia ir sem causar reações adversas no entorno.

Pois é, era difícil ser um doutor em Raios Gama mundialmente conhecido e ser um monstro que não podia ver gente que as jogava para o alto, como uma bola de basquete.

Lidar com o ser humano era complicado.

Exceto por um.

Bruce não achava que Stark fosse grande coisa, no princípio, quando o viu pela primeira vez na nave da S.H.I.E.L.D. Pelo que ele lia nos jornais, Tony era mais um exibicionista que um herói, propriamente dizendo. Gostava de se exibir para as câmeras. E havia revelado para o mundo inteiro que ele era o Iron Man.

Bruce pensava que esse homem não tinha limites.

Tanto que ficou realmente nervoso, no começo, com as tentativas do moreno multimilionário de forçar em Banner uma transformação.

O cientista agora achava graça das situações criadas por Tony. Não, Stark nunca conseguiria forçar que Bruce se transformasse. O cientista havia treinado direito, não era qualquer coisa que acontecesse que o obrigaria a mudar sua forma humana para a de monstro-gigante-verde.

E naquele dia não seria diferente.

− Tony, foco! Estamos fazendo algo sério aqui, quer parar com isso?

− Você é tão chato às vezes, Bruce. É só um choquezinho.

− Se eu te der um choque com uma raquete de mosquito enquanto está manuseando um braço robótico, creio que também ficará chateado.

− Mas você aguenta. – replicou Tony, guardando a raquete.

− Isso não quer dizer que não seja irritante em todas às vezes.

Bruce remexeu o pescoço, alongando-o. Precisava manter o foco e as mãos firmes. Eles estavam construindo um recipiente parar armazenar raios Gama em pequena quantidade. Seria para uso hospitalar, em substituição das grandes máquinas de radiação presentes nesse ambiente.

Como Stark disse: para otimizar os espaços e dar mais conforto aos pacientes.

Agora estavam na parte da construção do núcleo onde o elemento químico ficaria armazenado e, assim que acionado, liberaria a radiação eletromagnética necessária para o tratamento do câncer.

− Uma quantidade absurdamente pequena do elemento radioativo poderá ser usada Tony. Creio que está na hora de o colocarmos nesse núcleo. Acabei de montar a peça.

Bruce saiu da bancada onde os controles dos braços robóticos estavam e deu lugar a Stark, que assumiu a posição deixada pelo cientista. Agora viria a parte complicada: inserir o elemento no núcleo da peça.

Stark começou a mexer no computador e Bruce esticou os braços. Estavam doloridos e sua nuca estava enrijecida, devido ao tempo de manuseio da máquina. Ele sentou em uma poltrona ali perto e ficou observando Tony trabalhar.

Ele tinha um domínio completo de todos os comandos, e Bruce se pegou observando todos os movimentos de Stark.

Eram graciosos, pensou o cientista.

Quando Tony estava focado no trabalho, não havia quem desviasse a atenção dele. Bruce gostava disso em Tony. Seu foco quando algo realmente era importante para ele.

E Banner não podia negar que sentia uma pontinha de inveja de Steve Rogers. Até agora era um mistério para ele como um homem completamente fora de seu lugar no mundo havia conquistado alguém que transpirava século XXI.

Em sua mente, Rogers e Stark eram simplesmente incompatíveis.

Como água e óleo.

E Bruce ficava muito feliz em ver sua amizade com Tony aumentar exponencialmente. É, ele é o único naquele grupo de heróis que entende o que Stark fala.

Porque os dois falam a mesma língua, eles se entendem e se complementam. Nas reuniões d’Os Vingadores, eles passam a maior parte do tempo conversando sobre assuntos que ninguém lá compreende.

E ele tinha que ficar feliz por isso, ele tinha um lado de Tony que nenhuma pessoa, nem mesmo Steve, possuía. E era o lado mais importante, porque era o que caracterizava toda a existência de Stark sobre a Terra.

O conhecimento científico de Tony. Sua inteligência.

− Ei, Bruce, venha dar uma olhada nisso. – chamou Tony, sem tirar os olhos dos monitores.

Bruce caminhou em direção ao moreno já percebendo onde estava a falha nas ações dele.

− Tony, você precisa relaxar sua mão, senão você destruirá todo nosso progresso manuseando os controles como um troglodita.

− É que chegou a parte mais importante, quero que saia perfeito.

− Eu entendo. – disse Bruce, tirando a mão de Tony do controle.

Apertou as mãos do moreno em lugares muito específicos, pontos de pressão que relaxavam os músculos e diminuíam a tensão pelo resto do corpo.

− Onde você aprendeu a fazer isso?

− Na minha viagem para a China. É uma massagem bastante simples, que ajuda a relaxar os músculos das mãos. É bem eficiente em outras ocasiões também.

Bruce pegou a outra mão de Tony e massageou. Stark respirou fundo, sentindo os toques precisos de Bruce em sua mão. Aquela massagem era realmente boa, ele já se sentia completamente relaxado para continuar o trabalho, sem mais incidentes.

− Muito bem, Bruce, acho que consigo continuar daqui. Valeu pela ajuda.

− Disponha sempre que puder.

Tony voltou para os controles e seu trabalho.

Bruce apenas sorriu. Ele não tinha pressa, afinal, treinara para ser paciente. Ele saberia esperar o momento certo para agir, para tomar a iniciativa. O primeiro passo precisava ser dele, mesmo que ele não fosse assim tão espontâneo. Seria preciso treinar um pouco, mas não era impossível de se alcançar. Com alguma luta, era certo, ele conquistaria Tony Stark para si.

− Ah, Bruce, quando terminarmos aqui, poderíamos iniciar a outra parte da pesquisa.

− Qual?

− Aquela onde procuramos uma cura para você.

Bruce já estava apaixonado, agora ele só queria ser correspondido.

Notas finais
E então gente linda, gente maravilhosa. Tudo bem com vocês? Chegou o momento do conflito e eu espero ter feito um Bruce digno. Muito obrigada por estarem comigo, viu? Bjo =*