Don't You Love Me Anymore?
11 Capítulo 11
− Sério, como esse homem dá trabalho. – falou Steve, um pouco para si, um pouco para o homem deitado no leito de hospital, a sua frente.
Fazia dois dias que Stark estava assim, inconsciente, recebendo o soro que tinha a única função de limpar todo o seu organismo dos excessos dos últimos dias.
− Tony, você precisa se cuidar mais. O que você faria se a Pepper não tivesse te encontrado?
Steve olhava para Tony Stark, mas não esperava uma resposta. O moreno estava inconsciente desde que dera entrada no UCLA Medical Center, em Los Angeles. Foi diagnosticado com coma alcóolico. A sorte de Stark foi sua governanta, Pepper, estar em casa e tê-lo encontrado rapidamente.
Agora Stark estava fora de perigo.
Mas não quer dizer que Steve não estivesse preocupado. Na base do exército onde ele estava servindo, todos os dias chegavam aos seus ouvidos, sejam pelos comentários dos colegas, sejam pelos jornais, as façanhas de Tony Stark, na sua volta as manchetes dos jornais. Sempre com uma notícia pior que a outra.
Steve sabia, tinha plena consciência que era tudo uma forma de chamar sua atenção. Tony sabia ser uma criança mimada quando queria.
O loiro, que estava em pé ao lado da maca, levou a mão direita até os cabelos de Stark. A sensação de perder os dedos naqueles fios negros e rebeldes continuou a mesma.
Pelos céus, como Steve sentiu falta dele. Só de estar perto de Tony, todas as sensações voltaram, agora com o dobro de força. A distância só fez aumentar nele a saudade. A saudade só o fez constatar o que era muito claro dentro de Rogers: era impossível.
Era impossível arrancar de dentro dele o amor que sentia por Stark.
Steve pousou seus lábios, com cuidado, na testa do moreno. E desejou que ele acordasse logo.
****
“− Steve, chegou uma carta pra você. – disse o cabo responsável pela entrega das correspondências.
Rogers caminhou entre o alvoroço dos outros militares, que recebiam cartões postais e envelopes. Pegou o único que recebera, até meio desconfiado.
Não estava esperando nada. Nem tinha o que esperar.
Afastou-se, voltando para o seu dormitório com o envelope em papel pardo nas mãos. Sentou-se em seu leito e olhou o remetente. Era de Bruce Banner.
Uma raiva, ódio sem tamanho se apossou dele. Como Banner ousava mandar uma carta para Steve? Teve vontade de fazer uma fogueira e queimar o envelope com tudo que tinha dentro.
Até ler uma mensagem abaixo do endereço do remetente.
‘Não permita que a raiva o domine.’
− Mais essa agora. – resmungou Steve, respirando fundo.
Precisou de uma boa dose de paciência para abrir aquele envelope. Encontrou uma carta e um DVD.
‘Se você chegou a abrir o envelope, sem o destruir, devo te dar os parabéns. Isso prova que você superou grande parte do ocorrido.
Pois bem, vou ser simples e direto. O DVD contém algo que, talvez, o ajude a rever toda a situação envolvendo Stark e você. Se você o ama, sabe que ele não superou a separação e sabe também que por mim ele não sente nada, pois se sentisse estaria comigo e nós dois estaríamos em algum lugar do mundo vivendo nossas vidas.’
Steve parou de ler por um momento. Suas mãos tremiam, mas não sabia se era de raiva ou frustração.
‘E não, eu não vou me desculpar pelo que fiz. Da minha parte, meus sentimentos não mudaram. Mas é preciso reconhecer quando se perde uma luta. Eu perdi a minha. Tenho plena consciência disso.
Você, Rogers, mesmo eu não entendendo como, conseguiu entrar na mente, coração, o que quer se seja de Tony, de uma forma que eu nunca poderei, nem tentar.
Espero que leve isso em consideração. E termine o sofrimento dele. Porque esse é o único motivo para eu ter escrito essa carta.’
Steve colocou o DVD no aparelho, assim que terminou de ler a carta. O que viu foi uma cena no laboratório de Stark. Devia ser um vídeo de uma das câmeras de segurança do local.
Nele Stark dizia aquilo que Steve sabia, mas andava em dúvida no momento: que o amava. Mas mais que isso, Stark também disse que não havia nada que Bruce pudesse fazer que fosse mudar o que Tony sentia pelo loiro.
O vídeo era curto, mas ele pode ver toda a seriedade das palavras de Tony e isso mexeu com algo dentro do loiro. Mexeu com seu orgulho, mexeu com seu coração.
Ele teria que tomar uma atitude definitiva. Estava na hora, Steve pensou. Estava na hora de deixar seu coração falar.”
****
Stark abriu os olhos. Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha feito isso e sentido todo seu corpo doer. Mas aquela manhã ele não sentiu dor nos olhos, nem no corpo.
Só uma pontada forte no coração.
Ele abriu os olhos e viu Steve Rogers sentado na poltrona, ao lado da maca, com a mão escorando o queixo e de olhos fechados. Só aí se deu conta que estava num hospital. Não se lembrava como havia ido parar lá.
Sentiu seu coração bater feito um louco, e com isso o aparelho que mede as batidas aumentou o som de maneira considerável, fazendo Steve abrir os olhos e erguer a cabeça.
Finalmente seus olhos se encontraram. Como o aparelho não parava de apitar, Tony arrancou os eletrodos, deixando o quarto no silêncio.
− Oi, Tony. Como você se sente? – Steve foi o primeiro a falar. Levantou-se da poltrona e caminhou até a maca, ficando de pé ao lado dela.
− Bem, eu acho. Não estou sentindo dor em nada, o que já é muito bom. Quanto tempo eu apaguei?
− Dois dias. Você entrou em coma alcóolico.
− Hum... certo.
Um silêncio se abateu sobre os dois. Ambos tinham um milhão de coisas para falarem, mas estava difícil começar a conversar sobre o que realmente era importante.
− Você guardou por todo esse tempo? – Steve perguntou, tocando a aliança que pendia num colar sobre o peito de Stark. Permitiu-se sentar na maca, em frente à Stark.
− Eu nunca quis que você a tivesse tirado, para ser bem sincero. – respondeu o moreno, segurando a mão de Steve.
− Será que ainda dá tempo? De me aceitar de volta?
Stark segurou com força a mão de Steve. Era ele quem queria fazer essa pergunta. Queria pedir desculpas, implorar por perdão, queria ajoelhar e pedir novamente a mão do loiro a sua frente. Queria dizer que, sem ele, não havia vida.
− Só se você me disser uma coisa.
− O que?
− Se disser que me ama.
− Você tem que falar primeiro.
− Eu te amo. Tanto, mas tanto, mas tanto. – Stark dizia, deixando as palavras não ditas fluírem por sua língua, ganhando vida própria – Foi uma verdadeira tortura não acordar mais, pela manhã, sentindo o calor do seu corpo. Foi um suplício ver você indo embora tantas vezes e eu não ser capaz de dizer as palavras que fariam você ficar, Steve. Eu quero você. Quero uma vida com você. Quero você ao meu lado todos os dias. Com você, Steve, eu quero tudo.
O loiro ouvia aquilo, sentindo um choque percorrer o próprio corpo. Tudo o que fez foi vencer a distância que os separava e se permitir sentir os lábios de Stark outra vez.
Seus dedos tocando as costelas de Stark e suas bocas se redescobrindo. Steve sentia a mesma emoção que sentiu a primeira vez que beijou Stark. E sentia também que nunca, jamais, beijaria outros lábios que não fossem os do moreno.
Suas línguas se tocando, causando torpor no corpo inteiro. Era tudo, amor, saudade, tudo extravasando. O calor de suas peles em contato uma com a outra fazendo com que seus corpos se aproximassem mais, até que Steve deitou sobre Tony, na maca. Deixando todo seu corpo se aconchegar sobre o dele.
Deixou os lábios de Tony por um momento, para olhar nos olhos dele.
− Eu te amo, Tony. Sempre. Desde a primeira vez que eu te vi. Você me fez um refém. Refém do seu amor, do seu ser. Eu não quero viver longe de você. Nenhum dia. Nenhum minuto. Não mais. Todo meu ser, a minha vida só passou a ter algum sentindo porque você estava nela. Não quero me separar de você nunca mais.
Tornou a beijar o pescoço de Tony, sentindo o calor da pele dele, o arrepio que só seus beijos causavam na pele do moreno.
Voltaram a se beijar, agora de forma necessitada, urgente. Sua língua explorando todo o interior da boca de Stark, fazendo o moreno gemer baixo sob o corpo do loiro.
Separaram-se mais uma vez. Tony fez sinal para Steve sentar. Tirou a aliança do colar e segurou-a na própria mão.
− Está disposto a viver novas aventuras comigo, Cap? – perguntou Tony, colocando a aliança no anelar direito de Steve.
− Sempre.
Fale com o autor