Outra vez Tony Stark acordava com a luz do sol lhe cegando as vistas. Sua cabeça latejava e sua garganta arranhava. Estava com sede. Espreguiçou-se mais na cama. Era dura, diferente da sua.

Abriu, definitivamente, os olhos e viu que não estava no seu apartamento. O pior é que ele não lembrava onde estava. Olhou para o próprio corpo, estava de calça, a mesma com o zíper aberto, mas sem camisa. Sentou-se tentando identificar algo que o fizesse lembrar-se de onde estava, até avistar, entrando pela porta, Bruce entrar apenas de bermuda, com uma xícara de café nas mãos.

− Bom dia, Tony. Tome, eu fiz pra você. Creio que vai precisar. – disse Bruce, entregando uma xícara de café bem quente para Tony.

O moreno tentava não pensar muito no que possivelmente ele fez com Bruce. Olhou para o café, assoprou, fazendo o vapor se dissipar momentaneamente.

− Está amargo.

− É com café amargo que se cura ressaca. – disse Bruce, sentando-se numa cadeira próxima a cama.

− Não me lembro de ter bebido tanto ontem.

− Não se esqueça de anteontem. Mesmo que tenha bebido uma dose de whisky, como ainda havia uma grande quantidade de álcool no sangue, você ficaria bêbado como se tivesse tomado a garrafa inteira.

− Certo. – disse Tony, olhando para a xícara.

Ele estava cansado. Seus braços doíam, seus olhos doíam, seu corpo inteiro doía. Ele só queria entender como foi parar lá, no apartamento de Bruce.

− Sabe Tony, eu, sinceramente, acho que você não está se esforçando muito.

− Me esforçando em que?

− Se esforçando para reconquistar Steve.

Tony quase engasgou com o café quente que tomava.

− Por que você acha isso?

− Simples. Ao invés de tentar consertar as coisas, você está saindo para vadiar, bebendo, virando notícia ruim nos jornais. Você está chamando uma atenção muito negativa para si mesmo.

Tony queria rir. Ele estava achando engraçado o fato do cara com quem ele provavelmente transou na noite passada e nem se lembrava de ter feito realmente isso lhe dar conselho sentimental. Ah, e o cara gostava dele.

− De repente você virou conselheiro amoroso? Não era você que me agarrou dizendo que era apaixonado por mim?

− Eu ainda sou.

− Então porque está falando essas coisas? Eu estou aqui agora, não estou? Na sua cama, seminu. Você devia era estar feliz.

Bruce respirou fundo. Olhou bem nos olhos de Stark.

− Você não se lembra?

− Não. Nem sei como vim parar aqui, pra ser bem sincero. – respondeu Tony, pousando a xícara vazia no criado mudo ao lado da cama.

− Tony, não rolou nada entre a gente. Nada sexual, para ser mais exato.

− Nada?

− Não. – confirmou o cientista. – Não que eu não quisesse, espero que isso fique bem claro. Você chegou aqui meio bêbado. Entrou, se sentou no meu sofá, me agarrou e quando eu me empolguei e já tinha tirado a sua camisa, você começou a chorar. – Tony ouvia aquele relato em silêncio – Você começou a falar que não podia fazer aquilo, que amava o Rogers, que ele era o milagre que havia salvado sua vida. Você estava chorando, Tony, e foi a primeira vez que vi isso. Em todo esse tempo que a gente se conhece. Depois de tudo, você apagou – prosseguiu Banner – e eu tive que te carregar até o quarto.

Tony não queria acreditar no que estava ouvindo, mas sabia que Bruce não mentiria para ele, naquele momento. E Stark sabia, era bem provável que tivesse feito isso mesmo.

− Não sei o que fazer. – disse Stark, por fim.

Ele realmente não sabia o que fazer para ter Steve de volta. Não havia dinheiro, lábia, nada que fizesse Steve aceitá-lo.

− Olha, eu entendo que cinquenta por cento disso ter acontecido na sua vida é culpa minha. Mas está na hora de você lutar. Faça todo esse amor que você sente por ele aparecer.

− Você não entende, Bruce. – disse Stark, fechando o zíper da calça e vestindo a camisa que repousava ao seu lado, na cama. – Não importa de quantas maneiras eu diga que o que aconteceu, o que Steve viu, não significou nada para mim. Porque foi para mim que não teve importância. Para Steve, foi como perder o chão.

“Sabe o que é pior? Eu o entendo. Porque se fosse eu no lugar do Steve, eu não teria me contentado em ir embora, apenas. Eu teria sido bem menos cortês.”

Bruce seguiu Stark até a porta da frente, abrindo-a para que ele pudesse sair.

− Me desculpe pelo que fiz você passar ontem. – disse Tony, já do lado de fora.

− Não se preocupe comigo, Tony.

Bruce percebia, já sentado em seu sofá, que Tony estava certo. Não havia nada que ele pudesse fazer que mudasse o que Stark sentia por Rogers.

******

Foi uma viagem longa demais para Stark. Apesar do seu jatinho particular deixar tudo mais prático, se tivesse voado com sua armadura teria chegado em sua casa mais cedo.

Fazia algum tempo que ele não entrava em Malibu. Tudo estava exatamente igual, como ele deixou ao sair. Pepper cuidou para tudo estar perfeito.

− Tenho que me lembrar de aumentar o salário dela.

Pegou uma garrafa de whisky do bar adjacente a sala e foi subindo as escadas com ela na mão. Abriu e bebeu um gole, do gargalo mesmo. Passou em frente ao quarto. Viu as malas de Steve no chão, próximo a porta.

Sentiu os olhos arderem. Ele devia ter chegado de Nova York naquele dia fatídico e nem desfeito as malas. Saído assim que chegou.

Bebeu mais um longo gole.

Caminhou mais, até chegar ao estúdio de desenho. Tocou a maçaneta com a mão vazia. Abriu. Acendeu a luz e constatou que o lugar estava limpo. Entrou. Viu muitos desenhos espalhados pelas paredes e pela prancheta.

Eram desenhos da Mansão dos Vingadores, dos quartos de cada um, cada ala daquela mansão. Tudo havia saído da mente de Steve, cada canto daquele lugar era o retrato do que o loiro havia pensado.

Dentre todos aqueles desenhos viu um que chamou a sua atenção. Reconheceu logo. Esvaziou a garrafa de whisky, que estava na metade. Sentiu o álcool queimar seu interior. Seu corpo queria jogar tudo para fora, mas ele não permitiu.

Queria álcool nas veias, no estômago, no cérebro, se pudesse.

Pegou o desenho com as mãos trêmulas e os olhos embaçados.

Eram os dois, ele e Steve, no píer da praia próxima a mansão.

− Olha, eu sei que sou um traste inútil em noventa por cento das vezes. Talvez você devesse arrumar alguém mais normal pra você. – disse o moreno, tocando a mão de Steve. – Eu até entendo se você quiser sair dessa roubada que sou eu. Deus, eu fico me perguntando todos os dias como foi que eu ganhei você de presente na minha vida.

− Você nã... – Steve tentou falar, mas foi interrompido por Stark.

− Mas antes você precisa saber que eu te amo e que eu não consigo viver longe de você. – disse Stark, tirando uma caixinha de veludo preto do bolso.

Steve quase teve uma síncope quando viu um par de alianças brilhantes dentro daquela caixinha.¹”

Stark segurou o desenho contra o próprio corpo, que tremia. Reviveu na memória o pedido que fez a Steve naquele píer. O pedido para que o loiro nunca se separasse dele. Deixou a garrafa vazia cair no chão, a seus pés.

− S-Steve...

Reinou escuridão a volta de seu corpo, e Stark caiu no chão, inconsciente.

Notas finais
¹ Citação de Happy Birthday, Cap., fic de minha autoria já postada. Olá gente *--* Trouxe hoje mais um capítulo de DylmA. Vou dedicar esse capítulo a @Yeahbigtime. Como ela não tem conta no Nyah, ela comenta os capítulos pelo twitter e sempre me mata de amor *abraça e não larga mais* Queria agradecer muito a vocês que acompanham essa história. Sintam-se amados, viu? Bjo =*