Don't Touch My Cookies
10 Capítulo 9 - Na dúvida, chute o saco
Notas iniciais
Amelia Del Crucci
Eu estava extremamente satisfeita. Tudo isso se deve aos fatos de que eu comi pizza e estava progredindo no trabalho de Artes.
Durante a minha aula de “História da Arte” eu tentava não dormir com a Sra. Renné. A francesa louca demorava duas horas para falar uma frase como “Van Gogh se suicidou com um tiro no peito”. Sinceramente, aquela mulher deveria já estar mumificada.
Ela parecia minha bisavó Nessie. E olha que eu nem tinha uma bisavó chamada Nessie.
— Então classe — pausa para colocar os pulmões falhos para funcionar — hoje vamos falar sobre o artista Gian Lorenzo Bernini — pausa novamente — sua escultura mais famosa é O Êxtase de Santa Teresa — pausa para arrumar os óculos — do século XVII.
Na aula dela, eu gostava de sentar na primeira carteira da janela. Primeira porque assim eu conseguia ouví-la e na janela para eu poder encostar e às vezes olhar a paisagem.
Eu podia jurar que ouvia roncos atrás de mim e ao meu lado.
— Bernini é um escultor barroco — roncos — então eu quero para a próxima aula que será... — três minutos para Sra. Renné achar a agenda com os horários e virar as folhas. Uma. Por. Uma — na segunda que vem... não não, espera... — roncos e barulho das páginas — na terça que vem. Então para terça que vem, quero que tragam uma folha com as características do barroco e seus principais artistas.
Na aula dela eu sempre fazia alguma coisa. Ou eu inventava um novo estilo de dança só com os meus pés, ou eu fazia um desenho melhor que Picasso (haha, só que não), ou eu ficava batucando a caneta várias vezes em cima do caderno.
O sinal bateu. Aleluia.
Peguei minha mochila e saí para tomar um café. Eu precisava de um. Urgente. Puro ainda por cima.
Eu estava com o celular na mão, avisando os gêmeos que eu iria tomar um café depois da aula da Sra. Sonífero. Infelizmente, eu não estava olhando para onde ia, fazendo com que eu batesse de frente com uma parede, ou melhor, com alguém.
Não preciso dizer que eu caí no chão.
Porque eu caí. E feio.
Ainda bem que eu não tinha uma bunda muito plana. Porque acho que se ela fosse reta eu provavelmente teria quebrado minha bacia inteira.
— Ouch... — eu comecei a massagear meu bumbum — ah, me desculpa — eu disse finalmente.
— Não. Eu que me desculpo.
Essa voz... eu conhecia de algum lugar...
Quando olhei para frente, deparei-me com olhos verdes um tanto quanto conhecidos...
— Ahh... Puta qual era o nome mesmo — murmurei para mim mesma. Comecei a balbuciar besteiras baixinho e a batucar minha própria cabeça para tentar lembrar.
Começava com J... e tinha um E...
Jerson?
Jeffrey?
Jermon?
Jermanes?
Jeren?
JEREMY!!!
Hahaha, lembrei.
— Jeremy? — perguntei como se eu nunca tivesse esquecido o nome dele.
O olhar dele encontrou o meu e transmitiu surpresa.
— Amelia! Que bom te ver... bem... não nessas condições novamente.
— Provavelmente é nosso novo tipo de saudação afetivo — eu disse com um sorriso — nós nos trombamos para dizer olá.
Ele riu e levantou-se. Antes que ele pudesse me ajudar eu levantei também, sabe só para não abusar da ajuda dele, já que eu sou muito legal.
— Eu não sabia que você estudava aqui.
— Bem... Eu vim para Oxford justamente para estudar.
Ele assentiu com a cabeça. Continuamos a conversar sobre coisas banais enquanto ele me acompanhava para a cafeteria.
Chegando lá, eu decidi pegar um café preto com uma mini torta holandesa enquanto Jeremy escolheu um suco de laranja e um chocolate. Ele tinha perguntado sobre minha vida lá nos Estados Unidos. É claro que deixei alguns assuntos a parte, tais como meus transtornos e algumas coisas do passado que eu faço questão de esquecer.
— Bem — eu disse quando terminamos de comer — vamos?
— Mas já? — ele perguntou, não de forma irritante, mas apenas curiosamente.
— É... — eu disse tentando abafar o caso — eu não gosto de ficar em pé por muito tempo.
Assim que eu disse isso, o sinal da quarta aula bateu. Eu teria aula com a Srta. Barbie. Ugh.
— Acho que já temos que ir — ele disse, lançando um sorriso em minha direção — foi bom te encontrar, nos vemos por aí.
E com isso ele saiu. Sem me dar conta pra onde que eu estava indo, eu acabei me encontrando com uma outra pessoa. Que infelizmente não era legal assim como Jeremy.
— Ora ora ora — uma voz masculina penetrou em meus ouvidos como um carrapato imundo — tome cuidado por onde anda, ruivinha.
Puta. Que. O. Pariu.
Na minha próxima reencarnação eu quero que todas essas pessoas que zombam com meu cabelo nasçam carecas. Aí vamos ver quem vai tirar sarro com quem, bolas de boliche!
— Me desculpe — falei num tom que mostrava que definitivamente eu não sentia nada — agora tchau.
Ele me segurou pelo braço. Ele deveria ter um metro e oitenta centímetros, olhos azuis e cabelos loiros. Ele era bonito e sabia disso. Merda. Era só o que me faltava. Um macaco branco com ego de Godzilla.
— Hey, espera ruiva...
— Olha — respira, Amy, respira, que Deus vai ser generoso com você e te dar muitos cookies — pra começar, meu nome não é ruiva e eu preciso ir para a aula porque diferente de vagabundos como você, eu preciso estudar.
Ele com certeza não estava esperando por essa.
Rá, toma vadia.
Tirando meu braço com tudo, eu fui andando em direção ao meu prédio.
E o que o retardado fez? Segurou meu braço de novo.
— O que? — perguntei impacientemente.
— Wow, calma, ruivinha. Esse fogo todo também predomina na cama?
É isso.
Adeus cookies dados por Deus por eu ter sido uma boa menina.
O que eu faria com ele? Arrancaria as unhas? Afogaria ele na fonte? Bateria sua cabeça no armário com tanta força para quebrar o crânico?
Que dúvida!
Pois é. Como diria meu pai, na dúvida, chute o saco.
Mirando suas bolas de ouro, chutei com tanta força que até Zeus no Olimpo deve ter rugido de dor. Ah, é.
O goiaba da frente gemeu de dor e caiu de quatro no chão.
— Beija o chão, seu babaca — eu disse entre os dentes logo antes de ir para minha aula.
*
A Srta. Barbie ou mais conhecida como Srta. Kelly Munez é uma quarentona que acha que está ainda no auge dos vinte e cinco e se veste como uma barbie.
Cabelo loiro oxigenado, pele cheia de creme rejuvelhecedor e base cor laranja.
Ela parecia uma laranja. Uma laranja podre.
Além do fato dela usar uma sombra azul turquesa que diz “Olá? Como está a queimação em seus olhos?” e um batom pink que diz “Eu não sou usado por palhaços, mas parece que vim de um circo”.
Pois é. Coisas assim.
Sem contar do salto alto rosa daqueles materiais que parece plástico, calça jeans apertada e uma blusa regata roxa com alças de renda.
Puteiro mandou um recado, diz que quer a fantasia de volta.
— Ruiva, presta atenção nisso aqui!
Aé, outro fato de eu odiá-la. Ela também me chama de ruiva.
Ah, qual é. Eu vou processar todos esses filhos de cabritas por me chamarem de ruiva. Devo ganhar umas dez mil libras só por isso. Danos morais está batendo na porta.
Ela tentava ensinar dimensão de desenhos. Os alunos tinham três opções na aula dela: ouvir música (para não ouvir o canto de seriema dela), dormir (mas era difícil já que ela geralmente não deixava os alunos dormirem), ou inventar uma nova doença e ir para a enfermaria para nunca mais voltar.
Acho que eu deveria fazer isso.
Vou dizer que sou alérgica a pessoas estúpidas.
Suspirando, peguei meu caderno e comecei a desenhar novamente.
Desenha desenha desenha
Porque os peitos da sua professora são mais duros que uma penha,
Desenha desenha desenha
Porque tu poderia estar lá na ilha de Sardenha.
Meu Deus.
Eu deveria ser poeta.
*
Voltando para a mansão, eu encontrei Adelina no caminho e decidimos parar numa confeitaria. Porque doce nunca é demais.
— Olá Siana — Adelina disse para a mulher que estava lá dentro da loja.
— Ah, olá querida.
— Essa é minha amiga Amelia.
Amelia não querer conhecer pessoas. Amelia querer docinho.
Conversa vai, conversa vem.
No fim, eu comi três cookies e tomei café com leite. Quando eu contei que eu não gostava de chá, Adelina quase teve um ataque cardíaco.
Puff, ingleses.
Logo depois de dizer isso, Adelina teve que voltar para a faculdade. Eu disse que não queria voltar, então fiquei na confeitaria mesmo, me esbanjando de doces e café.
Vinte minutos depois eu fiquei de saco cheio de ficar ali e decidi voltar para a mansão.
— Tchau, ruiva — Siana se despediu.
Seres diabólicos do novo círculo do inferno. SE ALGUÉM me chamar de RUIVA novamente, vai levar um castigo divino.
Batendo o pé, decidi pegar a rota mais curta. Peguei minha linda bicicleta e comecei a pedalar.
Quando cheguei na mansão, desci da bicicleta e a prendi ao lado da onde fica o carro de Alex.
Naquela mansão, quem tinha carro era: Alex, Sam, Drake, Ryde (consequentemente Damien) e Kyle.
Anna e Cassidy tinham motos. Adelina se recusava a usar esses meios de transporte. E o resto não tinha provavelmente porque era pobre ou ainda não tinha carta de motorista.
Eu estava perdida em pensamentos que não vi Drake na minha frente.
— Hey, ruiva...
— SERÁ QUE DÁ PRA PARAREM DE ME CHAMAR ASSIM?!
Ele se assustou com minha explosão, mas foda-se. Eu tinha motivos.
Entrei na mansão e logo subi as escadas pro meu quarto.
Tudo que a ruiva queria era ficar em paz por enquanto.
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