Don't Stop Dreamin'
43 Preparativos Para o Baile, parte I - Convites e Beijos
Notas iniciais
Segunda-feira...
A euforia do baile tomava conta dos corredores da Escola Dom João. Os preparativos para a grande noite andavam bem e logo começariam as votações para rei e rainha do baile. Alguns já haviam encontrado o seu par. Outros não.
***
― Vote em Vivi, para rainha! ― disse Tati entregando um broche para um dos muitos alunos que passavam pela entrada do refeitório. Estava ajudando a irmã mais velha com a campanha.
― Francamente, Vivi, eu não te entendo. Você poderia ter pedido uma festa ou uma baladinha para a Carol e o Júnior no seu aniversário e pede uma campanha para ser rainha num baile de primavera?! Você tem algum... problema? ― exclamou Liz, pausando a cada palavra, para praticar a nova língua. A menina estava com os braços cruzados sobre os seios, entediada.
― Vote em mim para rainha! ― disse a morena, sorrindo para um grupo que passava por ali. Sorriam, em respeito. A garota revirou os olhos, impaciente. ― Sim, Elizabeth! Eu tenho que ganhar a coroa! ― retrucou. Distante, viu Débora conversar com o mesmo grupo que acabara de passar por ali. A menina distribuía cupcakes para a sua campanha. Vivi bufou, desta vez, insatisfeita.
― Por que ela tem que concorrer? ― perguntou sem a intenção de obter uma resposta. Invejou, naquele momento, Débora. Ela tinha dinheiro, beleza e popularidade. Vivi tinha beleza, não era rica e seus quinze minutos de fama haviam acabado de repente.
― Não desanima, Vivi! Nós vamos conseguir! ― afirmou Tati, animada. Usava um dos broches com a foto de Viviane registrada.
― Claro que vamos. ― respondeu a mesma, cabisbaixa. Elizabeth encarou a nova amiga e revirou os olhos. Quanta frescura, pensou. Alguns dos meninos de sua sala entraram no refeitório e ela teve uma brilhante ideia
― SALUTE! ― gritou, em referência a música da girlband Little Mix. Algumas pessoas direcionaram o olhar a ela. Subiu num dos bancos e depois na mesa, para conseguir eficácia em seu plano. ― Todas as garotas que votarem na Viviane Jesus para rainha do baile ganharão um beijo do garoto mais gato da escola.
Logo, ela alcançou um “público” maior e sorriu.
― Liz, o que você...
― Shii! Estou salvando a sua campanha. ― sussurrou para Vivi. ― Se vocês votarem nela ― continuou apontando para a amiga, ― ganham um beijo de Thomas River! ― anunciou. Os gritinhos e suspiros ecoaram pelo grande salão.
― O quê? ― perguntou o menino, confuso. Liz sorriu irônica para ele. ― Elizabeth, eu vou... ― dizia quando a própria o interrompeu:
― Suas fãs te esperam! ― exclamou, empurrando-o para o meio de um grupo de garotas que formava-se ali. De todas as salas e da escola inteira. Virou para trás convencida. Vivi e Tati a encaravam surpresas. ― Disponha da minha ajuda! ― concluiu, apanhando a mochila e a colocando sobre o ombro antes de sair dali.
***
― Qual é o seu problema? De verdade, você tem alguma coisa contra mim, não é? ― exclamou Thomas entrando na sala do segundo ano B. Elizabeth arqueou a sobrancelha enquanto o observava se aproximar de sua carteira. ― O que eu te fiz?
― Nada. ― ela respondeu, indiferente.
― E por que diabos você fez aquilo? ― ele perguntou, impaciente com a atitude da menina.
― Achei que você gostasse de garotas e beijá-las também. ― ela respondeu, irônica. O moreno cerrou os punhos. ― It’s not serious! ― Isto não é sério. ― Vai me dizer que eu não sou brilhante?
― Você não é nada brilhante, Elizabeth. ― ele retrucou.
― Qual é!
― Tem noção de quantas garotas eu fui forçado a beijar hoje? Eu não sou assim, tá legal! Sem contar que metade delas acham que eu estou namorando com elas! ― exclamou, irritado.
― Olhe pelo lado bom Thomas: qualquer uma delas pode ir com você no baile! ― ironizou a menina, sorrindo maleficamente. Ele a fuzilou com os olhos e ela deu ombros.
Priiiiiiiiiiim.
― Isso vai ter volta, Elizabeth. ― o garoto afirmou por fim. A morena se levantou, apoiando-se na carteira.
― Estou ansiosa, River! ― respondeu, cortando-o. Levantou a sobrancelha de maneira provocativa, deixando o menino ainda mais furioso. Logo ele foi para a sua carteira, mas não sem antes encará-la.
Na sala ao lado...
― Ele te convidou para o baile? ― perguntou Giulia, desacreditada. Ana contava á ela e Tati que já tinha um par. A ruiva assentiu. ― Como você só contou isso pra gente agora, Ana? ― dramatizou a morena.
A menina riu com o gesto da amiga.
― Não queria que vocês ficassem pensando coisas que não são reais. ― justificou-se, fitando o caderno. Tati bufou e revirou os olhos.
― Que tipo de coisas Ana? ― perguntou, mesmo já conhecendo a resposta. Ana a encarou. ― Já sei. Do tipo: vocês são shippáveis!
― Cale a boca! ― Luciana deu um leve tapa no ombro da amiga. ― Nós somos apenas amigos.
― Muitos casais eram apenas amigos. ― disse Giulia. ― Selena e Niall eram apenas amigos. Taylor e Harry eram apenas amigos. A Tati e o Binho era apenas amigos.
― Ei! ― reclamou a garota de cabelos cacheados para a amiga, que sentava ao seu lado.
― A Tati e o Binho são um casal. Eu e o Thiago não. ― afirmou.
A conversa foi interrompida pela entrada da professora de História na sala. Apesar de tentar concentrar-se na matéria, Ana não conseguia deixar de pensar no que as amigas haviam dito. Não, eu e o Thiago não podemos ser um casal... Ou podemos?
***
Bia caminhava no corredor para voltar a sala de aula quando alguém a segurou pelo pulso. Ela virou-se e viu Janjão. Ele estava segurando uma carta na mão direita. O menino sorriu e ela retribuiu.
― Oi, senhorita Beatriz. ― cumprimentou, brincalhão.
― Oi, Janjão! ― ela disse, rindo. ― Tudo bem?
― Sim... ― respondeu. Sentiu a adrenalina correr por seu corpo, tomado pela ansiedade. ― Er... Então Bia... Pra você. ― exclamou, entregando a carta na mão da loira. Ela o olhou surpresa e confusa. O garoto engoliu seco. Estava nervoso. Bia estranhou a situação, mas ignorou.
― O que é isso? ― questionou, curiosa.
― Uma carta, oras! ― ele respondeu. Beatriz fechou a cara e revirou os olhos.
― Isso está bem claro! ― retrucou. ― Quero saber o que tem nela!
― Abra e veja. ― ele disse, dando ombros. A loira suspirou e destacou o adesivo que fechava a carta. ― Espera! ― exclamou, interrompendo-a. ― Abre só quando eu sair, Okay? ― propôs. Ela assentiu, ainda que soubesse que ele poderia estar aprontando com ela. ― Já estou saindo...
Ela gargalhou e esperou o menino entrar em sua sala. Apoiou-se na parede do corredor e abriu a carta. Para a sua surpresa, não havia nenhum texto e também não era uma pegadinha. Havia apenas uma simples frase. Uma frase que mexeu com o seu emocional.
Quer ir ao baile comigo?
Ass: João Pedro.
Continua...
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