Don't Stop Dreamin'
16 Porta-retratos, parte I
Notas iniciais
Era segunda-feira.
Mas, não era uma segunda-feira normal. Bem, não para boa parte do Orfanato Raio de Luz...
As meninas haviam acabado de acordar. Para a surpresa das demais, Vivi fora a primeira a se levantar e quando as outras fizeram o mesmo esta já estava arrumada para ir para a escola;
‒ Vivi? ‒ chamou Tati ao ver a irmã sentada à penteadeira passando maquiagem. ‒ Você já tá pronta? ‒ perguntou sonolenta.
‒ Eu acho que você já está vendo isso, Tati. ‒ respondeu a morena rudemente. A mais nova deu a língua.
‒ Bom dia meninas! ‒ exclamou Mili se espreguiçando na cama. Esta tinha um sorriso estampado no rosto.
‒ Oi. ‒ respondeu Beatriz ao abrir os olhos. ‒ Que horas são?
‒ Dez pras sete. ‒ respondeu Vivi enquanto arrumava os cachos do cabelo com a ajuda de um babyliss.
‒ Affs! Vou voltar a dormir. ‒ disse Bia se virando para a parede.
‒ Seu mal humor é contagiante, Bia! ‒ ironizou Cris se levantando da cama. ‒ Vivi? Você já tá pronta? Meu Deus! Hoje vai chover. ‒ completou a mesma fazendo as amigas rirem.
‒ Qual é o problema afinal? ‒ perguntou Vivi. Esta estava intrigada com a surpresa das demais.
‒ Isso não é óbvio? ‒ disse Teca, que estava apoiada a proteção da cama de cima da beliche.
‒ A Teca tem razão. Você é sempre a que mais demora pra se arrumar. ‒ completou Tati. A menina procurava pelas pantufas debaixo da cama.
‒ Nada haver! ‒ exclamou Vivi se voltando para as outras. ‒ Eu só quis me arrumar mais cedo pra não ter que fazer vocês esperarem por mim.
‒ Ou por outro motivo... ‒ disse Cris se aproximando de Vivi.
‒ Tá. Tem outro motivo. ‒ se rendeu a morena colocando a prancha babyliss na penteadeira. ‒ HojefaztrêsmesesqueeueoJucaestamosjuntos. ‒ respondeu rapidamente deixando as garotas confusas.
‒ O quê? ‒ exclamaram em uníssono.
‒ Hoje eu e o Juca fazemos aniversário de namoro. ‒ disse mais calmamente.
‒ Três meses? Mas não tem duas semanas? ‒ perguntou Ana ainda mais confusa.
‒ Sim, Ana. Porém, tem três meses que eu e ele começamos a ficar. ‒ disse Vivi se levantando da cadeira. ‒ Dá pra acreditar? Hoje é o dia mais perfeito da minha vida!
‒ E você comprou algum presente pra ele? ‒ perguntou Pata.
‒ Sim. Anteontem eu fui numa lojinha comprar um porta-retratos. Foi a lembrancinha mais bonita de lá e... ‒ dizia ela quando Teca a interrompeu.
‒ Um porta-retratos? Sério? ‒ zoou a menina rindo sarcasticamente. ‒ Isso é presente?
‒ Teca! ‒ repreendeu Mili a encarando seriamente. ‒ Não liga pra ela, Vivi.
‒ Ela tem razão... ‒ disse a morena cabisbaixa.
‒ Não, não tem! ‒ exclamou Beatriz levantando da cama num pulo ‒ Ela é uma pirralha de doze anos de idade que nunca namorou. Você é três anos mais velha que ela e já namorou quinhentas vezes! É claro que você sabe o que é um bom presente.
‒ Não Bia... ‒ dizia Vivi quando foi interrompida por Cris:
‒ Mas se bem que o que faz um bom porta-retratos é a foto, certo? ‒ a garota sorriu para a amiga ‒ Qual você escolheu?
‒ Esta. ‒ exclamou Vivi mais entusiasmada. Esta pegou iPhone e mostrou a imagem da galeria para as meninas. Se tratava da foto que a mesma abrira no dia anterior.
‒ Que linda! ‒ disse Pata, que havia se levantado da cama para ver o retrato.
‒ Muito. Um fotógrafo quem tirou na praça pra gente. Foi a primeira vez que ele disse que me amava... ‒ a morena sorriu relembrando do momento.
‒ Quem? O fotógrafo? ‒ perguntou Maria ingenuamente.
‒ Não. ‒ disse Vivi tranquila ‒ O Juca.
‒ Ah. ‒ balbuciou a pequena. As meninas riram em conjunto.
‒ É melhor a gente ir se arrumar antes que a Ernê entre aqui! ‒ disse Mili pegando seu uniforme no guarda-roupas e deixando o quarto.
Um pouco longe dali...
‒ Moça! ‒ chamou a garota de cabelos escuros e magérrima. A jovem virou-se para trás de imediato. ‒ Você sabe onde fica o Orfanato Raio de Luz?
‒ Você pode pegar um ônibus aqui mesmo. São duas paradas até chegar no bairro. Depois você segue a rua e vira a primeira direita. ‒ informou a mulher e a garota fez uma mesura com a cabeça em agradecimento.
‒ Obrigada. ‒ disse antes se virar e continuar andando. Caminho até o ponto de ônibus e esperou até que um dos transportes aparecesse por ali...
No Orfanato...
Mili batera três vezes na porta da diretoria para abri-la. Esperou Carol dizer um “Entre” e adentrou a sala.
‒ Licença. ‒ disse a morena fechando a porta de madeira rija.
‒ Mili. O que a traz aqui? ‒ perguntou a diretora sem tirar os olhos da tela do computador. Esta refazia a lista de cada um dos órfãos a pedido de Dona Carmem.
‒ Eu queria te pedir uma coisa. ‒ disse Mili se sentando na poltrona.
‒ E o que seria?
‒ Eu posso faltar na escola hoje?
‒ O quê? ‒ perguntou Carol, surpresa. Mili nunca pedira algo como aquilo para ela. De fato, era uma surpresa.
Ao levantar a cabeça, Carolina percebeu que a adolescente não usava o uniforme da escola e, sim, um vestido de tule azul turquesa.
‒ Eu... Desculpa. Eu vou colocar o uniforme. ‒ disse Mili se levantando.
‒ Mili. ‒ disse Carol.
‒ Sim?
‒ Por que você quer faltar?
‒ Hum... Bem eu... Eu estive pensando em visitar o Mosca no hospital. E também levar alguns lanchinhos do Chico porque ele disse que estava com saudades da comida do Chico. Sabe? Tipo um piquenique.
‒ Então, você quer faltar para visitar o Mosca? ‒ perguntou Carol e a morena assentiu. ‒ É claro que pode, princesa! ‒ a diretora se levantou e segurou as duas mãos de Mili. ‒ Eu admiro muito tudo o que você tem feito pelo Mosca.
‒ É sempre um prazer ajudar...
‒ Mili, você sabe o que eu quero dizer. Eu percebo o jeito que você olha pra ele. Um brilho imenso tomo conta do seu olhar toda vez que ele está perto de você.
‒ Nada a ver, Carol...
‒ Você ainda gosta dele? ‒ perguntou Carol. Ela já sabia a resposta.
‒ Eu... ‒ dizia ela se lembrando dos momentos com o moreno. ‒ Sim.
‒ Eu vou sair daqui a pouco. Avisa pra Ernê que eu vou te levar pro Hospital. Saímos daqui a quinze minutos.
Continua...
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