Don't Stop Dreamin'
14 Pesadelo, Abraço e Melhoras
Notas iniciais
Era madrugada.
O orfanato estava em paz e pleno silêncio àquela hora. Beatriz e Eduardo já haviam desistido de acompanhar a maratona. Como acontecia em todas as noites, alguém já havia descido e visto ambos ali, na sala.
[Beatriz]
"Eu estava sozinha. Me vi em lugar desconhecido. Caminhei até uma árvore que surgiu misteriosamente em minha frente. Havia algo escrito nela... Não consegui identificar o que estava escrito. A minha visão começou a falhar. A árvore desapareceu.
Um ponto vinha correndo na minha direção, desta vez. Fiquei parada, talvez fosse alguém importante. Quando meus olhos decidiram que eu poderia voltar a enxergar, identifiquei a pessoa. Era um homem alto e forte. Ele usava uma máscara e carregava uma faca na mão.
– Você morrerá hoje!- ele disse e eu passei a correr, sem rumo.
Me sentia como se estivesse correndo a horas. Me sentei no gramado do que parecia ser uma casa. Respirei fundo tentando me acalmar.
– Bia. — chamou uma voz conhecida. Olhei para trás, para a frente, para os lados, para cima e para baixo: nada- Bia! — vinha dentro da fonte do Or... Eu estava no Orfanato!
Corri frenética até lá e me deparei com Mili ensopada de sangue. Foi quando percebi que ela estava morrendo! Havia um corte leve em seu pescoço e uma facada um pouco acima do estômago. Ela estava semi-nua e usava somente uma mini blusa e a calcinha.
– Mili! O que aconteceu?- perguntei tentando a ajudar.
– Ele... ele... Fuja! Se escon... conda... se.... sal... salve. — ela pronunciou com dificuldade.
– Ele? Ele quem?
– Ele... ele é... — ela tentou me dizer algo. E eu não fazia ideia do que aquilo significava. E então, ela parou de respirar. A abracei o mais forte que consegui.
– Cuidado! — gritou.... Duda. Me virei e o vi coerendo na minha direção. Não entendia. Ele tinha uma perfuração acima do ombro. Ele levara um tiro! — Atrás de você!
Me virei para o outro lado. O homem de máscara. Ele ainda segurava uma faca e.... queria me matar! Ele pulou em cima de mim. Eu tentei sair, mas ele era muito, muito pesado! Foi quando Eduardo o empurrou e o tirou de cima do meu corpo. O homem parecia furioso e enfiou a faca em sua barriga. E depois em seu pescoço.
– Eduardo!- ele dera a vida pela minha. O homem o soltou no chão. Eu engatinhei até lá e fiquei do seu lado — Acordar por favor!- implorei. As lágrimas tomaram meus olhos deixando tudo embaçado, mais uma vez.
– Eu... eu...- ele colocou a mão em meu rosto e me puxou para perto de si, me beijando. Era um beijo profundo e ousado. Ele não queria me perder — Corra.- foi a sua última palavra.
– Todos morreram: é a sua vez!- gritou o homem.
Ele veio na minha direção com aquela faca. Foi quando o analisei. 'Todas as mortes causarei.'. Estava escrito em sua faca... Uma adaga!
– Adeus, querida! — senti a faca entrar na minha barriga e tudo ficar escuro. Ele me chutou no rosto e pisou em minhas pernas..."
[Autora]
– Aah! — gritou Beatriz ao acordar de seu pesadelo. Sua respiração estava ofegante e o medo a dominava. Procurou por Eduardo ao seu lado no outro colchão e segurou a mão do garoto, o acordando.
– Bia? O que foi? — perguntou o loiro confuso ao abrir os olhos. O mesmo percebeu que a menina estava chorando — O que aconteceu?
– Ele... ele matou a Mili. A máscara. Eu. Você. Tinha uma adaga. Ele. Ele correu. Não, você! A morte. Pescoço. Você. Me... me salvou. — os pensamentos da loira estavam desordenados em sua mente.
– Um pesadelo. — concluiu o garoto aliviado- Tá tudo bem. Eu tô aqui! — consolou a menina trazendo a mesma para mais perto de si- Foi só um sonho. Calma.
Beatriz chorava baixo entre seus soluços. Estava se fato assustada. Já haviam algumas noites que ela tinha sonhos como aquele e acordava desolada.
Aconchegou-se nos braços de Duda e voltou a fechar os olhos. O menino, por sua vez, a abraçou maia forte na tentativa de acalmá-la.
– Apenas feche seus olhos...O sol está se pondo...Você ficará bem...Ninguém pode machucá-la agora...Ao chegar a luz da manhã...Nós ficaremos sãos e salvos — cantou o garoto ao pé do ouvido de Beatriz. A mesma já havia pego no sono.
Eduardo a envolveu mais entre os braços. Era a primeira e, talvez (TALVEZ), sua única oportunidade de estar assim, tão perto da loira.
***
O sol raiara belo naquela manhã. As meninas acordaram 'juntas' e o quarto passou a se encher de borburinhos. Mili e Pata ainda não haviam voltado do hospital e provavelmente ficariam lá mais pouco.
– Bom dia! — exclamou Ana se espreguiçando na cama. Esta foi a primeira à perceber a ausência de Beatriz no quarto.
– Bom dia, meninas! — disse Mili, em seguida — Dormiram bem? — perguntou se sentando na cama.
– Gente, cadê a Bia? — questionou a ruiva atraindo os olhares de todas as outras meninas para a cama vazia da loira.
– Agora que você disse Ana... Eu não lembro dela subir ontem a noite. — revelou Vivi.
– Isso explica o porquê dela estar na sala? — perguntou Tecca, já sabendo a resposta — Eu fui beber água de madrugada e ela estava lá em baixo, com o...
– "O"... — insetivaram as outras.
– Com o... Duda. — revelou a morena deixando as amigas de queixo caído.
– Tem certeza? — perguntou Vivi desconfiada.
– Se não acredita, vai lá ver!
– Ver o que? — perguntou Beatriz entrando no quarto — Não vão responder?
– Que você estava lá em baixo com... — antes que Teca pudesse continuar sua fala, Cris tapou a boca da garota com a mão.
– Nada. — respondeu a morena — A Teca disse que você durmiu na sala, é verdade?
– Sim. Ontem começou a maratona de Big Bang The Theory e eu resolvi assistir. Aconteceu que eu acabei adormecendo. — confirmou omitindo a parte de que dormira ao lado de Eduardo e que acordara abraçada ao loiro.
– Sozinha?
– Sim. — mentiu a loira confusa.
***
Uma semana se passara. Era sexta-feira. Após sair da escola, Milena decidira visitar Felipe no hospital. Carol estava ocupada e não poderia acompanhar a morena e, mesmo assim, Mili foi visitar o moreno. Fazia apenas um dia que não o visitara e ainda assim estava se sentindo mal por isso.
– Milena? — chamou uma enfermeira. A morena se levantou rapidamente.
– Eu?
– Você poderia repassar as situações do Felipe para a Carolina? — a garota assentiu — Ele vem apresentando melhoras! Felizmente! Posso completar que ele já acordou uma vez hoje, mas voltou a dormir por conta do efeito das injeções e analgésicos que vem tomando.
– Quer dizer que ele está bem? — apenas a notícia de que o moreno acordara uma vez fora o suficiente para preencher sua esperança por completo.
– Sim e fora do risco de morte! Você já pode vê-lo.
_Obrigada! — ela disse e em seguida entrou no quarto, que não era o mesmo de dois dias antes, e viu o garoto. Ele não precisava mais respirar com a ajuda de aparelhos mas ainda recebia soro — A enfermeira disse que você acordou hoje. Mas que logo voltou a dormir! Que bom que você está bem! — Mili o abraçou. E, para sua surpresa, o menino retribuiu.
– Mili? — perguntou.
– Mosca! — ela o abraçou mais forte e depois de um tempo o soltou_Como voce está?
– Fora essa dor de cabeça infeliz, eu tô bem, mas com um pouco de dores. O que aconteceu? Por que eu tô aqui?
– Você sofreu um acidente de carro e foi atingido, sabe Deus como, por uma bala entre o ombro e o peito. Foi um pouco depois da gente discutir.
– Estranho. Eu não me lembro disso. A gente discutiu?
– Na verdade, mais voce que gritou comigo do que eu com você.
– O quê? Você tá brincando, né? — ele perguntou confuso.
– Não. Você não se lembra? — isso significava que ele também não se lembrava que havia dito que a amava, o que deixou a menina um pouco triste.
– Não. Só lembro de ter te visto lendo e puxar assunto.
– Nem da parte que você bateu no Duda e na Bia?
– Eu bati neles?
– Infelizmente.
– Por que eu faria isso?
– Não sei.
– Mas, enfim... tem mais alguém aqui?
– Na verdade, não. Eu vim sozinha dessa vez. Fiquei muito preocupada.
– Você se preocupou comigo? — ele perguntou com segundas intenções.
– Claro! Eu me importo muito com você! — o moreno segurou a mão da menina com dificuldade tentou se sentar, esta o ajudou.
– Desculpa por discutir com você! Mesmo que eu não me lembre, deve ter sido horrível!
– E foi! Mas tudo bem, é passado!
– Que bom! — sua mão subiu até o rosto da menina e passou a acariciá-la. Ele a proximou o rosto dela ao seu. A menina sabia o que estava por vir, ou pelo menos achava que sabia — Eu senti sua falta. — sussurrou em seu ouvido. A menina se surpreendeu. Não se passaram nem vinte segundos e a menina sentira os lábios do moreno nos seus.
Tentou esquecer de tudo. Da briga, das lágrimas, de Janu, da vida, de tudo! E se concentrou no beijo. Retribuiu quando ele pediu passagem. Ficaram ali uns três ou quatro minutos e só pararam porque a enfermeira abriu a porta do quarto.
– Desculpem! — exclamou a senhora fechando a porta, mas Mili a impediu.
– Não tem problemas! Pode entrar! — exclamou a morena e enfermeira voltou.
– Me desculpem, mesmo! Ninguém me avisou que o Felipe tinha visita! Me desculpem.
– Pare de se desculpar! — repreendeu Mili — Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa!
– Obrigada! — em seguida a mulher deu alguns comprimidos para Mosca tomar — Vou deixá-los a sós agora! Com licença! — a senhora já ia saindo quando recuou_ Não pude deixar de notar como vocês fazem um belo casal. São namorados?
– Sim! — respondeu o moreno antes que Mili pudesse dizer o contrário
– Meus parabéns! É difícil de se encontrar jovens como vocês hoje em dia! — em seguida, saiu.
– O que foi isso? — repreendeu Mili.
– Isso o quê? — perguntou Mosca com voz de sonso.
– Esse papo de "namorados"!
– Eu só disse para a senhorinha que era verdade.
– Mas é mentira!
– E por que você não disse nada?
– Imbecil! — ela disse se sentando na poltrona.
– Aproveita que voce tá aí e liga a TV! — Mili ligou a televisão e os dois passaram a assistir um filme — O Resgate do Metrô 123 — juntos: ele deitado em uma cama de hospital e ela sentada na poltrona ao lado dele. Um segurando a mão do outro.
***
Ana estava sozinha na sala assintindo TV quando Thiago apareceu. O moreno havia acabado de voltar da casa da árvore, por cansaço, e deixara os companheiros lá.
A ruiva o encarou por alguns segundos, mas logo voltou sua atenção para o seriado que assistia. Comia, também, pipoca com chocolate que ela mesma havia preparado. O garoto, que estava no sofá oposto ao dela, apenas a observava. "Como pode ser tão perfeita?", pensou deixando que um sorriso torto tomasse seu rosto.
– Tá tudo bem Thiago? — perguntou a menina o fitando.
– Tá! — exclamou o mesmo voltando para a realidade.
– Legal... — disse Ana, por fim. Thiago levantou-se do sofá e retirou-se da sala subindo as escadas em direção ao banheiro dos meninos. Pegou sua toalha no armário e entrou em uma das cabines para tomar banho.
Ligou o chuveiro e deixou que a água fria caísse em seu corpo. Fechou os olhos e esperou o cabelo ficar completamente molhado. Tentava se concentrar em outra coisa, mas a imagem de Ana não saía de sua cabeça.
***
Tati estava saindo, mas dessa vez, sem a Pipoca. Caminhou até a Comunidade da região e entrou no Sambão. Assim que viu a filha, Cícero correu para abraçá-la.
– Homem triste! — exclamou a menina retribuindo o abraço. Binho, que "coincidentemente" passava por ali viu a cena.
– Que saudades, Tati! — ele disse.
– Nem faz tanto tempo assim que nós não nos vemos! — justificou a morena.
– Tati? — chamou Binho a surpreendendo.
– Binho! O que você tá fazendo aqui? — perguntou.
Continua...
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