Don't Let Me Down
1 Capítulo 1: Único
Notas iniciais
E nada melhor que fazer isso hj ne, com a estreia da 6B lá nos USA
Espero mt q vcs gostem e me perdoem qualquer erro, as vezes, mesmo revisando ainda passam alguns ♥
Eu preciso de você agora
Então não me desaponte
Eu acho que estou ficando louco
Está na minha cabeça, querido eu espero
Que você esteja aqui quando eu mais precisar de você
Então não me desaponte
Não me desaponte
— Don't Let Me Down (The Chainsmokers feat. Daya)
Lydia estava sentada no chão, com as costas encostadas na cama e a lateral do corpo colada à parede fria. Ela abraçava as pernas contra o tronco e apoiava o queixo nos joelhos. Já fazia algum tempo em que ela encontrava-se na mesma posição e não demonstrava nenhum sinal que a mudaria tão cedo.
A mente dela passeava pelos acontecimentos das últimas semanas, principalmente o que havia acontecido a si. Lydia estava um tanto acostumada com os eventos sobrenaturais que pareciam adorar ter a, anteriormente pacata, cidade de Beacon Hills como plano de fundo, mesmo que no início achasse uma loucura a qual nunca se acostumaria. Porém os Dread Doctors, a Besta de Gévaudan, e as complicações e problemas que vieram com eles, aquilo já era de mais para ela.
O estado catatônico foi uma maneira de seu corpo se defender, desligando-se antes que chegasse ao enlouquecimento.
Porém, tinha um problema. Foi sua parte física que desligou-se, não a sua mente, que continuou acordada durante o tempo que passou em Eichen House. Lydia sentiu a agulha a furando diversas vezes, em qualquer lugar de seu corpo que os médicos e enfermeiros quisessem. Naqueles momentos, ela só conseguia pensar que os funcionários do manicômio deveriam ser pacientes, em vez de trabalharem.
Esperando o momento em que poderia sair dali e abraçar a mãe, Lydia sofria em silêncio. Até Meredith comunicar-se com ela através de sonhos e a ajudar a encontrar uma forma de tentar sair de lá. Infelizmente, tirando a parte de Lydia ter, finalmente aprendido a usar seus poderes; havia sido em vão. No último momento, foi detida por Valack, após ser enganada pela própria mente ainda conturbada pelo estado catatônico e ver o ex-namorado no lugar dele.
Os olhos de Lydia encheram-se de lágrimas, que escorreram pelo rosto, molhando as bochechas dela. Mas ela não as enxugou.
Nos momentos em que passou sendo cobaia Valack, quis poder voltar ao estado catatônico para, pelo menos, diminuir um pouco da dor que sentiu. Se Lydia pudesse apagar algum acontecimento de sua vida, seria esse.
Mas ela tinha os melhores amigos que alguém poderia ter. O grupo fez o que pode para tirá-la dali. Apesar de a maioria deles serem seres sobrenaturais e Eichen House ter um sistema para impedir que seres assim entrassem ou saíssem sem autorização, usando as correntes telúricas, tramazeira e um sistema de segurança poderoso; eles conseguiram. Eles se arriscaram por ela, para salvá-la. Lydia não conseguia mensurar o quando era agradecida por tê-los em sua vida.
Lydia lembrava de quando estava no laboratório de Valack e gritou, matando o doutor com seus poderes de banshee. Mesmo que não tivesse a intenção, parte de si havia gostado. Afinal, era tudo culpa dele! Ele havia feito com que ela se descontrolasse, com a desculpa que queria amplificar os poderes dela para conseguir descobrir a identidade da besta. Naquele momento, ela realmente achou que fosse morrer.
Ela também lembrava claramente de que, segundos depois, Stiles invadiu o lugar e correu até ela. O coração de Lydia bateu mais forte e encheu-se de esperança, mas a sensação de que morreria não havia passado.
A garota tentou fazer com que ele fosse embora, não suportaria machucar algum de seus amigos. Lhe disse que era perigoso para ele, mas Stiles a respondeu com uma frase que ficaria eternamente gravada na mente dela: “Lydia, cala a boca e me deixe salvar sua vida”.
Mesmo sabendo que estava colocando a si próprio em risco, ele não foi embora.
Com um leve sorriso, ela deixou.
Se havia algo a fazer que fosse salvá-la, seus amigos encontrariam. Eles achavam soluções para situações impensáveis e que muitos diriam não haver mais jeito, e achariam mais uma vez. E ela agarrou-se a isso com as poucas forças que lhe restava.
Sem que Lydia percebesse, mais lágrimas desceram pelo rosto dela.
Desde que haviam derrotado os Dread Doctors e que Lydia havia voltado para casa, ela não conseguia dormir por mais que poucas horas por dia e nunca no horário que deveria. Quando chegava a noite, ela deitava na cama e relembrava os momentos que passou em Eichen House.
Já tinha recorrido até a calmantes, mas nada a fazia dormir direito e realmente descansar.
Os amigos dela realmente haviam encontrado uma solução, que envolvia Deaton e uma quantidade considerável de visco. Pensando sobre isto, a adolescente chegou a conclusão de que havia sido bem mais fácil do que pareceu no momento. Além disso, outra coisa chamou sua atenção.
Assim que Lydia retomou o controle de si, a mãe dela entrou na clínica e a abraçou. Nem mesmo tempo de agradecer Stiles, o principal responsável por ela estar sã e salva, ela teve! Não conseguiu dizer um mísero obrigada a ele, apenas falou “Eles salvaram minha vida, mãe. Stiles me salvou” para a mãe e sorriu para ele. Foi um sorriso de agradecimento, mas ele merecia mais por ter arriscado a própria vida.
A adolescente ruiva levantou do chão num pulo e foi ao banheiro do quarto, onde lavou o rosto. Ela vestiu um casaco por cima do pijama e esgueirou-se pelos cômodos até a saída nos fundos da casa, onde o portão não fazia barulho ao ser aberto.
Ela correu por algumas poucas ruas, que estavam vazias, já que estava de madrugada; até chegar a porta da casa de Stiles. Lydia esticou uma das mãos para tocar a campainha, mas parou na metade do caminho.
O que ela estava fazendo ali? Que impulso louco foi esse que a fez correr as duas da madrugada até a casa de alguém? Alguém que, por sinal, ela nem sabia se estava acordado? Perguntas como essas rodeavam a mente dela. Estava mais confusa do que gostaria de admitir.
Nervosa, a adolescente umedeceu os lábios e abaixou a mão. Ela tamborilou os dedos na coxa, antes de finalmente decidir-se e tocar a campainha. Já que estava ali, não custava nada tentar tirar um peso de sua consciência.
— Pai, o que você esqueceu dessa vez? — perguntou Stiles, enquanto destrancava a porta. Ele sorria em divertimento, mas ao vê-la, o sorriso desmanchou. — Lydia, o que aconteceu? Você está bem?
Ele abriu um pouco mais a porta, dando passagem para a garota. Fechou novamente a porta, antes de acompanhar Lydia até o sofá da sala de estar. Em frente a eles, a televisão estava ligada e passava alguma série de fantasia medieval que a ruiva não conhecia. Porém aquilo indicou que ele estava acordado antes dela chegar, o que a fez relaxar um pouco.
— Lydia, você está me assustando. ‘Tá de madrugada, você ‘tá de pijama, com olheiras fundas e cabelo bagunçado. Você nunca sairia de casa desse jeito. O que está acontecendo?
Antes de responder, ela passou as mãos instintivamente pelos cabelos, numa tentativa falha de arrumá-los, e respirou fundo. Lydia sentiu o coração bater mais rápido e o nervosismo a tomou.
— Eu vim aqui para… para… — Ela nem sequer havia planejado o dizer, algo incomum para Lydia, mas estava ali, na frente dele tentando reunir palavras. — Para te agradecer.
Stiles franziu as sobrancelhas.
— Por que? Seja lá o que eu tenha feito, por favor me fala, porque eu faço a menor ideia.
— Você me salvou Stiles, é por isso que eu quero te agradecer. Alias, obrigada, se não fosse, principalmente por você, eu não estaria mais aqui.
Uma lágrima solitária desceu pelo rosto de Lydia, mas Stiles a enxugou. Ele sorriu de lado e abaixou o olhar, esfregando as mãos uma na outra, sem saber ao certo o que dizer.
— Lydia — falou, após alguns longos segundos em silêncio. —, não precisa disso. Somos amigos e é isso que amigos fazem, te ajudam quando você está com problemas. Ok, talvez isso tenha sido mais que um problema, mas eu sei que teria feito o mesmo por mim ou por qualquer outro dos nossos amigos.
Com um sorriso de lado e os olhos brilhando pelas lágrimas que tentava conter, Lydia assentiu.
Nas duas primeiras vezes que Stiles disse a palavra “amigos”, ela sentiu como se alguém enfiasse uma faca em seu peito, fundo o suficiente para atingir o coração. Porém, na terceira, isso não ocorreu.
Ela tentou achar um motivo para isso, mas o único pensamento que a ocorreu foi que não gostava que ele referisse-se a ela dessa forma. Mas… Por quê? Qual o problema em Stiles a chamar de amiga? Era o que eles eram!
Os dois encararam-se sem falar palavra alguma, por um breve espaço de tempo, que pareceu demorar mais do que realmente demorou. Stiles suspirou, desviando o olhar para a cena de luta com espadas que era exibida na televisão, antes de encarar as próprias mãos.
— Como estão as coisas pra você desde o que aconteceu? — perguntou.
Lydia ponderou se seria melhor mentir para ele e não preocupá-lo ou falar a verdade. Acabou optando pela segunda opção.
— Péssimas. — Suspirou. — Não consigo mais dormir. Toda vez que eu deito, parece que minha mente ativa um gatilho de memórias e fico relembrando tudo que passei em Eichen House. Quando eu consigo pegar no sono, sou acordada por um pesadelo e fico ainda mais cansada do que estava quando dormi.
Stiles apertou os lábios um no outro, antes de acomodar-se mais para a ponta do sofá, encostando parte das costas no encosto e parte no braço do sofá. Ele fez um gesto com uma das mãos, chamando Lydia para perto.
Ela franziu o cenho, sem entender o motivo, e olhou para ele, em busca de alguma resposta.
— Vem aqui, minha mãe fazia uma coisa quanto eu era pequeno e pode ser que funcione com você. Não custa nada tentar, não é mesmo?
O sorriso que Stiles lhe deu foi o suficiente para fazer Lydia suspirar e inclinar-se na direção dele, encostando a cabeça no ombro dele.
Stiles pôs uma das mãos nas costas dela, acomodando-a num abraço, e enfiou a outra dentre os fios de cabelos da nuca dela. Stiles tocou levemente o couro cabeludo dela e acariciou, com movimentos circulares.
Não foi preciso sequer um minuto para que ela sentisse as pálpebras pesadas e bocejasse.
— Acho que realmente funciona — sussurrou.
— O método Stilinski é infalível — brincou.
Lydia inclinou a cabeça e olhou para ele, encarando os olhos castanhos que também a olhava. E finalmente ela entendeu o motivo de incomodar-se com Stiles a chamando de amiga e de seu coração bater descompensadamente quando ele estava por perto.
Mas antes que pudesse pensar claramente sobre isto, seus olhos fecharam-se e ela adormeceu. Realmente Stiles encontrava uma solução para as mais adversas situações.
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