Don't Give Up
1 Heartbreaker
Notas iniciais
Esta é a minha primeira fanfic postada no site, antes havia uma com uma amiga mas ela acabou sendo excluída.
Eu realmente não sei como usar este espaço de primeira, então estou escrevendo apenas o que eu sei que todos talvez queiram saber.
A história é protagonizada por um casal, que se chamam Joe e Rosalie.
Inicialmente eles tinham um relacionamento saudável, mas que agora pode ser considerado nocivo, porque Joe passou a trair Rosalie, mesmo que ele ainda diga que a ame.
Eu não acredito que traição seja algo louvável em nenhum aspecto ou relacionamento e muito menos, estou dizendo que vocês devem se submeter a isso (a personagem da fanfic que fará isso, logo verá as consequências e perceberá seu erro e defeito), então quero dizer que a seguinte história é composta por personagens fictícios e de autoria minha.
Enfim, espero que aproveitem a história e aguardem a próxima atualização.
Beijos, Lud ♥
Meus olhos pousaram na imagem da garota que estava deitada ao meu lado. Seus olhos inchados encaravam o teto atentamente, como se estivesse estudando cada parte dele, como se ele fosse uma obra de Shakespeare que ela gostaria de analisar.
Ela adorava Shakespeare.
Notei uma lágrima rolar de seus olhos e, automaticamente senti uma escorrer pela minha face também.
Eu continuava encarando-a minuciosamente, prestando atenção nos detalhes de seu rosto.
Seu rosto e seu nariz estavam vermelhos, seu cabelo ondulado estava espalhado no sofá enquanto sua cabeça pousava no mesmo. Sua pele antes morena clara, agora estava branca. Mas a pior parte eram seus olhos, não apenas pelo fato de estarem vermelhos e inchados, mas pelo fato de transbordarem tristeza, mágoa, desapontamento, traição.
Parecia que seu corpo estava sem vida, o calor dele estava congelado, sua felicidade foi predominada pela tristeza.
Rosalie Montez...
Eu a amava. Eu a amava muito.
Mas ela não acreditava nisso. Pelo menos não mais.
Eu sabia que não era justo com ela que nós continuássemos juntos.
Eu sabia que eu a machucava mesmo que eu não quisesse.
Eu sabia que não era justo estar com outras garotas, quando Rosie era somente minha.
Eu sabia que não era justo dormir com outras garotas, quando Rosie jamais deixou outro homem tocá-la da maneira que ela me permitiu.
Ela também sabia que não era justo com ela, mas nunca deixou de acreditar que um dia eu perceberia que ela era o melhor para mim.
Mas ela não sabia que eu sempre soube disso.
Era inevitável não pensar no que passamos todos esses anos: as lágrimas; o sofrimento; os pedidos de desculpa; as separações; as promessas que eu fiz para ela e que eu mesmo quebrei. Foram tantas coisas ruins que nossas memórias boas juntos estavam cada vez mais difíceis de serem relembradas, e pareciam se perder em meio de tantos sentimentos degradantes.
Tantas dores que eu causei que a imagem de vê-la sorrindo verdadeiramente para mim era uma mera lembrança, que talvez eu nunca mais recuperasse.
Quando eu citava seu sorriso, não era o sorriso comum que as pessoas veem em seu rosto, era o sorriso que ela dava exclusivamente para mim.
Quando queria que eu fizesse algo; quando eu a elogiava ou a beijava, fosse quando estivéssemos sozinhos ou com outras pessoas; o sorriso feliz que ela distribuía até quando murmurava um "estou bem", mesmo quando ela não estava e eu iria abraça-la; seu sorriso inocente mesmo quando minhas mãos passeavam de uma forma maliciosa pelo seu corpo, sentindo sua pele sobre a minha mão, fazendo-a minha.
Eu era egoísta em relação à Rosie porque eu sabia que estava a machucando, mas ao mesmo tempo não a deixava partir, não a deixava se libertar desse amor traiçoeiro porque sabia que tudo pioraria sem ela.
Eu não queria machuca-la, talvez fosse difícil para terceiros tentarem compreender isso, porém eu realmente não suportava olhar em seus olhos quando ela sabia o que eu havia feito.
Suas órbitas negras se voltavam para o chão, depois ela balançava a cabeça avidamente e voltava seu olhar para mim.
Tão machucada.
Tão insegura.
Tão triste.
Traída.
Eu virava minha cabeça para outro lado a fim de evitar sentir a dor que estava a consumindo.
Rosie sussurrava um:
"Um dia. Talvez um dia."
E depois subia para o quarto sem esperar a minha resposta.
Lembrar das incontáveis vezes que ela fez isso provocava um sentimento de culpa, que anteriormente eu acreditava ser incapaz de existir.
Lembrar de todas as vezes em que ela terminou comigo, mas que eu sempre a convenci a voltar.
Era óbvio que essas garotas não significavam nem um décimo do que Rosie significava na minha vida.
Sempre que eu dormia com qualquer uma delas, nunca passava de uma experiência de puro prazer e luxuria.
Mas quando eu fazia amor com Rosie era algo tão especial, tão único, que eu não queria apressar nada, queria fazer tudo da maneira mais lenta e proveitosa possível para que nunca acabasse, para que ela soubesse que eu a amava, apesar de tudo o que eu fazia eu a amava, para que tanto ela quanto eu sentíssemos que havia uma conexão entre nós.
Tudo era perfeito desde o meu corpo se encaixando no dela, os beijos que eu distribuía pelo seu corpo, quando seus lábios roçavam ou beijavam os meus e meu pescoço, suas unhas arranhando levemente meu peito e minhas costas, enquanto os sons que vinham dela me levavam à loucura e seus olhos tentando encarar os meus enquanto nós expressávamos o que sentíamos um pelo outro.
O que eu sentia nesses momentos era indescritível.
Entretanto hoje foi um dia diferente.
Eu passei de todos os limites e eu tinha consciência disso, e era exatamente a minha consciência estar ativa que me fazia me sentir mais culpado do que qualquer outra pessoa neste mundo.
Rosie chegou em casa tarde, já de noite e seu coração se partiu ao ver a minha situação.
Seu corpo ficou petrificado ao finalmente constatar o que ela estava vendo.
Suas lágrimas começaram a rolar pela sua face ao me ver beijando Candice, uma das moradoras do nosso prédio.
Tirei o meu rosto da curva do pescoço de Candice parando de beija-la e olhei em direção à porta do quarto do meu apartamento e de Rosie.
Eu sabia que ela estava ali.
Durante todos esses anos eu aprendi a sentir sua presença, mesmo que eu não a visse, mesmo que nenhuma palavra saísse de sua boca.
Eu não precisava olhar em sua direção para saber.
Eu não sei se conseguiria.
Mas era o mínimo que eu podia fazer por ela, o mínimo para pelo menos ser menos covarde do que eu já sou.
"Não. Não. Não." — sussurrei para mim mesmo, finalmente olhando na direção dela.
Imagine uma flor bonita e sensível, com um perfume e uma beleza tão natural e atraente que você quer tê-la a qualquer custo, mesmo que você a faça murchar porque todos os dias esquece de coloca-la na água.
Agora imagine essa linda flor no meio de um incêndio, onde suas pétalas estão pegando fogo e ela finalmente morre porque não há quem a salve.
O olhar de Rosalie refletia toda essa imagem para mim, como se ela fosse a flor que eu deixei murchar, e o incêndio era tudo o que ela estava vendo, tudo o que estava queimando-a por dentro.
— Rosie... — falei baixinho, me preparando para sair de cima de Candice , todavia senti as pernas de Candice, que estavam ao redor do meu quadril, me puxar para mais perto dela, fazendo com que ficasse mais difícil nos afastar.
Olhei com raiva e repreensão para Candice, que estava agindo como se o fato de me afastar dela fosse mais doloroso do que observar Rosie naquele estado.
— Me deixe ir. — falei com a mandíbula trincada.
— Joe... — ela reclamou como uma criança mimada.
— Vá embora.
— O que? — ela me pergunta com um olhar incrédulo. — Pensei que tinha me pedido para entrar para que pudéssemos nos divertir. — ela acrescenta brincando com o colarinho da minha blusa.
Ouvi Rosalie suspirar pesadamente e olhei para ela, somente para vê-la com a cabeça virada para o lado oposto do meu, para que não vesse essa cena.
Ela encarava a porta enquanto lágrimas silenciosas desciam pelo seu rosto.
Eu queria abraça-la.
Eu queria dizer que ficaria tudo bem, mas eu era o culpado.
Dependia de mim se tudo iria ficar bem, e eu sabia que isso não aconteceria.
Olhar Rosie me fez esquecer de Candice como ela sempre faz.
O simples fato de observa-la, já me fazia perder a concentração em qualquer outra coisa ao meu redor.
— Eu disse para você ir embora. — respondi, me virando para Candice, que bufou e respondeu:
— Uma pena que não acabamos nossa diversão.
Candice se arrumou e estava se preparando para sair, mas ao passar por Rosie, ela disse:
— Cuide mais do que você tem, docinho.
Fechei minha mão em um punho e trinquei meus dentes.
Como alguém troca uma garota tão gentil e meiga como Rosie por uma menina tão hostil e egoísta como Candice?
Como eu fiz isso?
Essas dúvidas sempre pairavam pela minha mente, sempre que eu concebia um ato de desejo com outra mulher.
Estava esperando Candice dizer mais alguma coisa, porém ouvi a voz de Rosalie respondendo em um tom irônico.
— Valorize mais o que você tem para dar, docinho.
Continuei observando as duas encarando uma à outra. Rosalie nunca foi uma pessoa difícil de lidar, todos que eu conhecia gostavam muito dela, mas isso não significava que ela aceitava indiretas e insultos quieta.
Candice deu um sorriso cínico, me acenou um tchau e saiu do quarto, andando em direção às escadas.
Ouvi a porta da sala fechar-se e suspirei pesadamente liberando o ar que estava preso no meu peito.
Finalmente havia restado somente eu e ela.
Você já se sentiu tão preocupado ao ponto de achar que o seu pulmão foi substituído por uma pedra de chumbo, que te impossibilitava de respirar?
Bem... Eu já.
O receio de andar para mais perto de Rosalie era muito grande.
Eu estava com medo de chegar mais perto dela e fazer com que ela fosse embora.
E essa era a última coisa que eu queria causar.
Antes de eu conseguir sequer falar uma palavra, Rosie sai do quarto em direção à sala, e provavelmente à porta.
Me apressei para ir até ela e tentar impedir que ela fosse embora.
— Rosie! Espera, por favor. Anjinho! — consegui alcança-la quando chegamos na sala pegando seu braço, virando-a para mim, e por extinto trazendo sua cabeça ao encontro do meu peito, passando meus braços pela sua cintura, nos aproximando mais ainda.
Eu a ouvi suspirar pesadamente, enquanto esperei Rosie aninhar-se mais ao meu abraço.
Ela não fez isso.
Senti minha camisa se molhar com suas lágrimas, o que fez algumas cair dos meus olhos.
— Não. Não. Não. EU DISSE QUE NÃO! — ouvi Rosie gritar, tentando se desvencilhar do meu abraço e dando pequenos socos no meu peito.. — Me solta. — eu a não deixei ir. — EU MANDEI VOCÊ ME SOLTAR! — ela rosna com raiva e encarando meus olhos.
Seus olhos transbordavam raiva, ira e nervosismo. Sentimentos que me faziam acreditar que eram para protegê-la de mostrar o que ela realmente estava sentindo.
Suas reações estavam me assustando. Eu nunca havia visto Rosie reagir daquela maneira.
Rosalie sempre era tão fofa, meiga e generosa. Foi isso que fez me apaixonar por ela, e ver seus olhos e seus movimentos raivosos foi algo que eu jamais pensei que poderia acontecer.
— Joe... Solte-me agora. — Rosie diz em um tom frio, um pouco mais calma, mas com a respiração descompassada.
Tirei meus braços de sua cintura, permitindo seu afastamento, logo sentindo a ausência de seu abraço.
Ela saiu do meu abraço dando alguns passos para trás, mexendo no seu cabelo, colocando ele entre seus dedos diversas vezes.
— Anjinho...- citei o apelido que eu dei desde o começo do nosso namoro.
Anjo. Meu anjo. Desde o começo do nosso namoro eu sabia que não haveria palavra melhor para definir a sua presença na minha vida.
Seus olhos se iluminavam de felicidade todas as vezes que eu a chamava desse jeito, mas agora seus olhos se iluminaram de um jeito diferente. Raiva.
— Não me chame assim. Você não pode me chamar mais assim. — ela responde com frieza, enquanto mais lágrimas caiam dos nossos olhos.
— Rosie, por favor. Não era a minha intenção, eu não queria que você visse. Por favor, Rosie. Eu jamais faria algo para te machucar propositalmente. — falei, já com as lágrimas evidentemente escorrendo pelo meu rosto.
— Não chora. Você não tem o direito de chorar nessa história, quando é você que estraga tudo, todos os dias. Jamais teve a intenção de me machucar? Não é meio tarde para você dizer isso? Eu estou sempre aqui, te esperando, enquanto você me esquece por puro prazer. Você pode não me ver chorar o tempo todo, mas isso não significa que eu esteja bem. Eu não sei nem o porquê de estar fazendo tanta confusão por ter visto, já que você me faz me sentir como se eu não fosse boa o suficiente para você, toda vez que procura alguém para satisfazer suas fantasias. — Rosie responde desta vez com tanta frieza que parecia que o amor que ela sentia por mim estava deixando o seu coração.
— Eu não queria que você visse. — respondi. — Me perdoa, não vai acontecer de novo.
— Você não está arrependido. Você... Você acabou de dizer que não queria que eu visse não que não queria ter feito.
Engoli em seco e respondi, mesmo tendo consciência do que eu havia falado:
— Rosie, isso não é verdade. — neguei
— Não é verdade? Então me diz uma coisa.
— Qualquer coisa. — respondi sem hesitar.
— Você teria parado se eu não tivesse chegado? Você teria se dado conta que... — ela para a fim de respirar e volta a falar com uma voz claramente embargada pelo choro — Você teria se dado conta que aquela era a nossa cama? E que eu fui a única mulher que você amou ali? Que aquele era o único lugar que você me fazia acreditar por alguns minutos que você era somente meu, da mesma maneira que você tem certeza que eu sou somente sua? Você teria parado porque veria que ela não era eu, e finalmente perceberia o tanto que eu sacrifico por você? Eu sacrifico minha felicidade por você, mesmo sabendo que você não faz o mesmo por mim. Você se lembraria de todas as noites que vamos dormir, nós nos deitamos ali, esquecemo-nos de quem realmente somos, e você sussurra no meu ouvido "Eu amo você. Só você", me fazendo acreditar que eu realmente sou especial pra você, que eu sou diferente das outras? Você se daria conta do que aquilo significaria para mim? — ela parou chorando intensamente, enquanto eu não pude responder. Simplesmente porque não havia resposta.
Eu queria dizer que sim, que eu me lembraria dela, que eu pararia por ela, mas eu estaria mentindo.
E ela estava cansada de mentiras.
Eu queria dizer que eu sacrificava sim, a minha felicidade pela dela, mas se eu realmente fizesse isso, eu a deixaria ir.
E eu não deixava.
Eu queria dizer que eu veria o que aquilo significaria para ela, mas eu estaria mentindo.
Eu não veria. Eu nunca vi.
Eu não podia responder. Eu não podia contestar o que ela estava dizendo.
Era verdade. Tudo o que ela estava dizendo era verdade.
Eu não podia negar que eu a faço se sentir como se ela não fosse boa suficiente para mim.
Eu não podia negar que era eu que tornava a nossa felicidade, o nosso futuro juntos impossível.
O fato de ouvi-la dizendo que não sabia o porquê de estar daquela maneira por ter me visto com Candice, já que ela se sente assim todos os dias; o fato dela afirmar que a nossa cama era o único lugar que eu a fazia sentir como se eu fosse somente dela, me fez finalmente perceber uma coisa.
Ela não estava feliz comigo.
Eu não estava a fazendo feliz.
Voltei meus olhos para o chão porque não conseguiria encara-la por mais tempo, não com os pensamentos que estavam na minha mente.
— Você é especial para mim. Nunca duvide disso. — falei ainda sem olhar para ela.
— Você não respondeu a minha pergunta, mas não é necessário. Eu sei a resposta, Joe.
— Rosie...
— Pare. Eu não quero mais ouvir a sua voz. — ela se sentou no sofá, suas mãos estavam tremendo. — Eu não quero mais te olhar. Eu não quero mais te sentir. Eu não quero mais ter você ao meu lado. — Rosie terminou de falar sentada no sofá, tremendo, chorando. Seus joelhos em encontro ao seu peito, sua cabeça estava apoiada nos seus joelhos, me impossibilitando de ver o seu rosto.
Eu não queria ver. Eu não suportaria ver.
Rosie estava tão desconexa, tão perdida, como se eu fosse o único fio em que ela podia ser agarrar, mas esse fio havia quebrado.
A imagem de Rosalie chorando tão desesperadamente por mim, me fez ficar desesperado para ajuda-la.
Meu coração doía a cada soluço que ela tentava abafar.
— Anjinho, calma. Eu... eu vou pegar um copo d'água pra você. Por favor, fique calma.
Dirigi-me à cozinha rapidamente, eu não respiro mais, eu não tinha tempo pra isso, eu jamais me perdoaria se algo acontecesse com ela.
Peguei um copo, mas a minha mão bateu em outro copo de vidro, fazendo-o cair e quebrar.
—Merda! Droga. Droga. Droga — encostei minha testa na porta do armário, me permitindo chorar como nunca fiz antes.
Meus lábios sentiam o gosto das minhas próprias lagrimas, causando a tortura de senti-las maior ainda.
As palavras de Rosie ecoavam na minha mente.
"Eu não quero mais ter você ao meu lado."
Eu a tinha machucado tanto que o simples fato de estar ao lado dela, já era tóxico para o seu coração.
Eu estava destruindo a pessoa que me ajudava a ficar em pé todos os dias.
Ouvi mais um soluço vindo de Rosie da sala, já que a cozinha e a sala de estar são abertas uma para outra.
Saí dos meus pensamentos e me apressei para pegar o copo e enchê-lo de água.
Após fazer isso volto à sala e paro na frente de Rosie, me agachando para ficar na sua altura.
— Rosie... — sussurrei. Nenhuma resposta. — Rosie, eu trouxe um copo d'água pra você se acalmar. — disse, tentando tirar seus joelhos do seu peito, a fim de tentar ver seu rosto, mas ela não me deixa envergonhada. Ela odiava chorar na frente de alguém. — Anjinho, não precisa ter vergonha, pegue a água.
Ela levantou sua cabeça de seus joelhos, revelando uma Rosalie pálida, com olhos vermelhos e inchados o que fez mais algumas lagrimas rolarem pelo meu rosto.
Ofereci o copo d'água para ela, que o pega, mas fazendo nossas mãos se tocarem, nós ficamos nos encarando por alguns segundos, até ela desviar seus olhos dos meus.
Suspirei e a observei terminar de beber a água, pego o copo de sua mão e digo para ela:
— Deite-se. Você precisa se acalmar, Rosie.
Ameacei me levantar para colocar o copo na pia, mas senti o braço de Rosie vir ao redor do meu pescoço, me trazendo para mais perto dela.
— Fica. — foi a única coisa que ela sussurrou, mas que fez meu coração parar por sentimentos e sensações desconhecidas.
Ela estava pedindo para eu ficar, ela estava me dando permissão para ficar ao seu lado, mesmo após o que eu havia feito.
A sua voz sussurrando um "fica" de uma maneira tão frágil e ao mesmo tempo tão urgente, como se ela precisasse de mim, da minha presença tanto quanto ela precisava respirar, me fez concordar em permanecer lá. Por ela e por mim.
— Tudo bem. — me virei apenas para pôr o copo na mesinha de centro, porém sinto seu aperto ao redor do meu pescoço ficar mais forte.
Ela estava com medo de eu ir embora.
— Ei, ei, ei — falei me virando para ela e colocando uma das minhas mãos sobre uma de suas bochechas, fazendo um leve carinho ali. — Eu não vou a lugar nenhum, anjinho. Eu sempre estarei com você. Você pode ser meu anjo, mas serei eu quem sempre estará ao seu lado, entendeu? — perguntei olhando nos seus olhos.
Ela assentiu sem dizer nada, mas também sem se deitar.
Peguei minha outra mão e fui à procura da dela, sem desviar meus olhos dos dela. Ao encontrar sua mão, encaixo a minha na dela, e a aperto levemente, sentindo seus dedos entre os meus.
Aquilo. Era por aquilo que eu vivia.
Para tê-la. Para senti-la.
Um simples gesto como segurar sua mão me fazia sentir como um garoto de dezesseis anos na frente da sua primeira paixão adolescente.
Rosalie refletia um amor puro, inocente, mas ao mesmo tempo poderoso e ardente, me fazia me sentir como um adolescente apaixonado e um homem inebriado.
Eu não conseguiria imaginar Rosie fazendo isso com outra pessoa, com outro homem.
Pensar nisso me levou em uma conclusão.
Se eu não conseguia imaginar Rosie segurando a mão de outro homem, como Rosie ficava ao me imaginar fazendo coisas piores que isso com outra mulher?
Ela era forte, ou o amor que ela sentia por mim que a fortalecia a ainda acreditar em nós dois?
Eu observo seu rosto atentamente. Cada traço dele, cada sensação física e emocional que eles me causavam.
Seus olhos quando me encaravam de diversas maneiras, me mostrando como ela estava se sentindo.
Seu nariz quando roçava no meu pescoço sempre que estávamos abraçados assistindo algo no sofá, e ela estava entediada.
Seus lábios que me proporcionavam o melhor prazer da vida sempre que eles tocavam a minha pele.
Seu cabelo que me permitia brincar ou fazer carinho nele, algo que sempre a fazia dormir e que eu achava completamente adorável.
Suas bochechas naturalmente rosadas que me davam a oportunidade de fazer um carinho ali, sempre que eu pudesse.
Eu me aproximo mais dela sem perceber, e quando meus lábios estão bem perto dos dela, eu finalmente a beijo.
Ela primeiramente se assusta com o meu ato, mas depois me beija de volta levemente.
Eu não aprofundo o beijo, não era essa a minha intenção.
Ela estava tão vulnerável que eu se eu fizesse isso, poderia assusta-la.
Separei os meus lábios do dela, e selaria eles de novo apenas para finalizar. Mas ela vira o rosto pro lado oposto.
— Joe, não... — ela fala baixinho, sem olhar nos meus olhos.
Ela não estava vendo o
Eu estava sentindo. Eu havia sido rejeitado por ela, meus olhos estavam confusos, tristes e perdidos.
— O que você quer de mim, Rosalie? — perguntei com uma mistura de emoções na minha voz. Raiva. Dor. Tristeza. Decepção. Porque era assim que eu estava. Confuso. — Em um momento você diz que não me quer mais, no outro pede para que eu fique do seu lado e agora simplesmente me rejeita. Diz-me, o que você quer de mim? Eu preciso que você me diga.
— Eu quero saber quem você é, Joe. Fale-me quem você verdadeiramente é. Eu não quero saber do que cara que você criou para me amar, do Joe que é carinhoso e romântico. Eu quero conhecer o Joe que não se importa comigo quando está contra mulher. Eu quero saber se o verdadeiro Joe Evans é esse que está na minha frente, ou se é aquele que estava beijando a Candice na nossa cama. Eu quero que você prove o amor que você diz sentir por mim. Prove que eu sou diferente, que eu sou especial.
— Você não tem ideia do que você está me pedindo. — eu respondo, olhando para o lado, mordendo meu lábio.
Rosalie bufa impaciente.
— É muito pedir que você prove o que você sente por mim? Porque se eu não posso ser a única, então mereço saber se eu sou pelo menos correspondida.
— Você sabe o que eu sinto por você. — respondo dessa vez encarando seus olhos, para que ela soubesse que eu estava sendo verdadeiro.
— Não Joe, eu não sei. Eu sei o que você diz sentir por mim, não o que você demonstra. — Rosie responde duramente sustentando o meu olhar.
— Eu não sei como eu posso fazer isso. Eu não sei como provar algo que eu não consigo sequer descrever. — respondo com pequenas lágrimas rolando pela a minha face.
Eu sabia que as minhas palavras eram inúteis quando eu agia completamente diferente.
Era por isso que toda noite antes de dormir eu dizia que amava somente ela. Eu pensava que as palavras preencheriam o vazio das minhas ações, que elas iriam contra aos meus atos e a fariam acreditar no que eu dizia.
Porque era verdade. Sempre foi e eu não vejo um dia em que não será.
Não há um dia em que eu não me vejo amando-a.
Esses meus pensamento causaram mais lagrimas a cair do meu rosto.
Sinto uma das mãos de Rosie se desviar da minha, já que nossas mãos ainda estavam entrelaçadas.
Luto para não deixa-la ir, porém ela consegue se desvencilhar.
Com medo e inseguro de perdê-la, tento advertir:
— Rosie...
— Não chora. Por favor, não chora. — sinto seu polegar ir ao encontro da minha bochecha e limpando as lágrimas que caiam.
— Rosie... eu te amo.
Vi seus olhos se arregalarem, talvez pelo fato das minhas palavras repentinas, talvez pelo fato dela não acreditar ou pelo fato de eu não demonstrar, mesmo que eu já tivesse dito isso a ela milhares de vezes.
Eu jamais irei me arrepender de dizer que eu a amava.
Nunca.
Porque todas as vezes que eu dizia, era verdade.
— Eu te amo, Joe, mas isso não está mais sendo suficiente. — Rosie volta seus olhos para o chão e tira sua mão da minha bochecha. Nenhuma parte do meu corpo estava recebendo o calor do dela, e isso estava me corroendo por dentro.
Notei algumas lágrimas rolando pelo rosto de Rosie, e digo:
— Deite-se, anjinho. Eu vou ficar aqui com você.
Tentei esconder a minha voz fraca por conta do choro e das minhas emoções interiores que eu não podia liberar por ela.
"Mas isso não está mais sendo suficiente."
Dizem que tudo o que tem amor envolvido é mais fácil, então por que nós ainda estávamos tão infelizes, sabendo que separados estaríamos piores?
— Você está bem? — sinto a voz de Rosalie me perguntar baixinho, como se ela estivesse me contando um segredo. Vejo que seus olhos estão vermelhos e suas bochechas rosadas, agora estavam como os meus olhos.
Eu sei que falar aquelas palavras pra mim deve ter doido tanto em mim quanto nela.
Assinto e respondo ainda com uma voz fraca:
— Não acho que há chances de eu ficar bem agora. — dou um sorriso triste e forçado para ela, a fim de tentar não deixa-la se sentindo culpada, mas é obvio que ela não acredita.
— Você também precisa se deitar, príncipe. — ela diz tentando retribuir o sorriso que eu tinha tentado dar, mas falhando assim como eu.
Sinto meu coração acelerar e as fibras do meu corpo enfraquecerem com a palavra "príncipe".
Sempre que ela me chamava assim, parecia que a paixão radiava de sua pele, como se ela ainda acreditasse que eu fosse aquele que iria a salva-la, quando eu era aquele que estava a destruindo.
Minha princesa. Meu anjo. Seu príncipe. Seu herói.
Seria ótimo se fosse verdade.
Mas nós dois sabíamos que aquilo era uma ilusão criada na nossa cabeça para nos tirar da realidade.
Eu não sabia mais se ela poderia ser salva. Não por mim.
— O príncipe só irá aceitar se a princesa dele fizer o mesmo, juntamente com o ele. — digo dessa vez sorrindo de uma maneira mais convincente.
— A princesa jamais iria recusar. — a ouço responder, sorrindo para embaixo envergonhada, ocasionando um sorriso meu também.
Levantei-me e andei um pouco até o sofá, visto que eu já estava próximo do mesmo.
Assisti Rosalie deitar-se e puxar um pequeno cobertor para perto de si. Sorri com a delicadeza que ela coloca o cobertor sobre seu corpo.
— Posso? — pergunto.
Ela assentiu indo mais para o lado, em seguida colocando o cobertor para mais perto de mim.
— Não precisa Rosie.
— Precisa sim. Você está com frio. — senti as pontas dos dedos de Rosie no meu braço, me causando mais arrepios do que o próprio frio que estava sentindo.
Um silêncio reinou na sala. Não era desconfortável, mas também não era acolhedor.
Eu a observava atentamente enquanto ela encarava o teto.
Uma lágrima escorre pela a sua face, causando o mesmo acontecer comigo.
— Me desculpe. — digo ao perceber que ela provavelmente estava pensando no que havia ocorrido mais cedo.
Nós havíamos falado tanta coisa desde quando ela me viu com a Sandice, que parecia ser apenas mais uma memória distante.
— Você se lembra de quando fomos para Inglaterra passar o nosso primeiro Natal juntos? — a ouvi perguntar ignorando o meu pedido de desculpas.
— Como eu poderia esquecer. — respondi com um leve tom malicioso.
Vi Rosalie corar com o meu comentário.
— Você tinha planejado a viagem para lá e ficamos hospedados em um chalé sozinhos, em Kensington. — ela lembra sorrindo tristemente.
Quando tínhamos completado um ano de namoro, eu a levei para Inglaterra, sabendo da sua fascinação pelo país.
Ver o brilho no olhar dela e a paixão que ela falava sobre os pontos turísticos e as tradições do local, me fez ter certeza de que ela era e sempre será única para mim.
Escolhi o Natal para leva-la porque me lembrei dela ter dito para mim, que ela não celebrava um verdadeiro Natal desde que era pequena, quando seus pais se separaram.
Desde então não havia mágica, cor ou alegria no feriado para Rosie.
Naquele ano eu estava disposto a mudar essa realidade, a fazer Rosalie ter o melhor Natal da vida dela.
— Eu ainda acho que você escondeu o meu pijama de proposito. — Rosie virou seu rosto em direção a mim, com um sorrisinho brincalhão.
Sorri juntamente a ela, me lembrando daquela noite que acabou sendo a primeira noite em que fizemos amor.
À noite em que ela se entregou a mim, e me permitiu fazê-la inteiramente minha.
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Não era para aquilo ter ocorrido, mas Rosalie havia esquecido seu pijama em casa, e não tinha roupas para dormir.
Eu resolvi emprestar um dos meus moletons para ela, entretanto ao ver Rosie usando o meu moletom, vindo deitar em uma cama ao meu lado, aninhando-se bem perto de mim por conta do frio rigoroso, não pude deixar de deseja-la.
Vendo o meu moletom marcando-a como a minha garota me fez perceber que eu precisava dela.
Tentei controlar as minhas necessidades para mim mesmo, mas quando fui dar um beijo nela antes de dormir, o meu desejo por Rosie aumentou.
De seus lábios, passei a beijar o seu pescoço, sentindo seus suspiros ficando mais altos.
Ao perceber o que estava fazendo tento sair de cima de Rosalie, mas sinto uma mão agarrar meu braço.
— Estou pronta, Joe. — a ouço sussurrar em meio à escuridão do nosso quarto, iluminado por apenas um abajur que estava em cima da cômoda ao meu lado.
Encaro seus olhos no meio da nossa sem escuridão enquanto a neve caia lá fora.
— Rosie, eu quero que isso seja especial para você. — respondo mexendo nos seus cabelos, fazendo-a fechar os olhos e dar um sorriso inocente. — Eu me importo com as minhas necessidades, mas eu me importo mais com você.
— Esse lugar é especial para mim. Esse dia é especial para mim. Você é especial para mim, Joe. — sorri com suas palavras — Agora pare de tentar me fazer dormir com seus carinhos no meu cabelo.
— Você tem certeza?
— Sim. — ela responde convicta.
Não esperei mais nada e a beijei com calma, para que ela não se sentisse nervosa.
Lembro-me de ficar extasiado sempre que conhecia mais da pele de Rosie, meus lábios, minhas mãos percorrendo pelo seu corpo.
Nossos corpos queimando juntos em meio ao inverno britânico.
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— Eu não escondi. Juro que não escondi. — respondi com um sorriso no rosto.
Rosalie balança a cabeça e fala repentinamente:
— Ah. Lembra quando nós resolvemos ir a uma loja de discos e cd's de música britânica?
— Sim. — ri com a lembrança que sua pergunta me trouxe. — Nós não conseguíamos decidir entre levar um álbum dos Beatles ou da Rolling Stone, e acabamos levando os dois.
— E não se esqueça do momento épico onde você confundiu Elton John com o John Lennon. — ela disse rindo mais alto.
— Era tudo a mesma coisa. — falei rindo junto com
Paramos de rir depois de um tempo e encarei os olhos de Rosalie, enquanto ela retribua meu olhar.
Aproximei-me mais dela e senti sua respiração se acelerar
Depositei minha mão sobre sua bochecha, e fiz um carinho ali, senti o braço de Rosalie se mexer em baixo do cobertor, e me preparei para ouvi-la pedindo para eu parar.
Contudo sinto a mão de Rosie nos meus cabelos e percebo que ela estava fazendo a mesma coisa que eu ali.
— Eu te amo. — sussurrei para ela. Mesmo que estivéssemos apenas nós dois ali, essas três palavras sempre foram algo tão intimo, que eu nunca quis que outras pessoas ouvissem ou compartilhassem.
Sinto Rosie suspirar tristemente.
—Joe... eu também te amo, mas é diferente. Eu não sei mais se eu posso acreditar nisso. Eu já te disse, prove que eu sou especial.
Sinto-a parar de fazer carinho no meu cabelo, e noto ela tirar o braço de perto de mim, mas eu o seguro antes dela deposita-lo de volta no sofá.
Pego seu pulso e o coloco sobre meu peito, mais precisamente sobre o meu coração.
— Consegue sentir? É assim que eu fico quando estou com você, Rosie. Meu coração... ele...eu não sei explicar, mas ele acelera quando estou com você, como se ele se multiplicasse. Se você não acredita no que eu disse, pelo menos sinta. Porque eu sei que é difícil de acreditar nas minhas palavras, mas não há como argumentar contra o que eu sinto.
Vejo Rosie fechar os olhos enquanto sentia meu coração. Sorrio porque é justamente isso que eu queria. Que ela sentisse.
— E como você pode me provar que o seu coração não se multiplica pelo prazer que as outras garotas podem te dar, e fazem isso? — ela perguntou olhando nos meus olhos
Engulo em seco e não respondo nada.
— Consegue ver? Você não pode me provar.
— Eu vou mudar Rosalie. — foram as únicas palavras que conseguiram sair da minha boca.
Ouvi Rosalie suspirar, e depois respondeu:
— Eu nunca te impedi de mudar, de provar que você me ama, ao contrário, eu sempre fui aquela que mais acreditou em você, Joe. — não olhei nos seus olhos porque eu não queria ver como ela estava eu não queria ouvir o que ela estava falando.
Tantas vezes que ela queria partir, mas eu sempre a convencia a ficar.
Tantas vezes que eu a machucava e a deixava de lado, para depois prometer cuidar dela, mas nunca estava quando ela precisava de mim.
Eu havia prometido que a faria feliz, porém a única coisa que causava nela era insegurança.
Eu deveria estar grato pelo fato dela ainda estar comigo após todos os ferimentos e hematomas que eu devo ter deixado no coração dela.
— Eu quero ser a única, Joe. A única pessoa que um homem enxergará como mulher. E eu não acho que eu vou conseguir isto com você.
Ouvir Rosalie dizendo aquelas palavras me fez notar que ela estava certa.
O amor não era o suficiente, precisava haver confiança.
E ela havia perdido a confiança em mim.
Mas ela sabia que nós podíamos tentar.
Sempre foi assim.
— Você está sendo egoísta. — respondi sem pensar, sabendo que estava errado.
— Egoísta? Apenas porque eu simplesmente não posso mais fazer isso. Você não é a melhor pessoa para me falar sobre egoísmo, Joe. — a ouço falar com uma mistura de infelicidade, tristeza e raiva.
Olho para os olhos de Rosalie e pude ver nele o que ela estava pensando:
"Está sendo difícil tanto pra mim quanto pra você."
Seus olhos marejavam, mas eu pude notar que ela não queria deixar suas lágrimas caírem.
— Eu não posso mais fazer isso, Joe. — ela falou baixinho tristemente. — Eu... eu tentei, eu juro que eu tentei mas o que eu sinto por você me levanta e me derruba ao mesmo tempo, porem a minha queda sempre é mais forte do que quando eu me levanto.
Meu corpo congela como se estivessem me colocado em uma tempestade de neve onde não fosse possível ver mais nada.
Era isso?
Não havia mais volta?
Ela sempre volta certo?
Ela nunca parou de acreditar em nós dois.
"Não ela não parou de acreditar. Ela apenas cansou."
— Não. Rosie, a gente pode tentar. Nós... nós...o que nós temos é real, é verdadeiro. — eu respondo.
As palavras estavam se esvaindo da minha boca como sempre acontecia quando eu sentia a ameaça de perdê-la.
Eu perderei minha sanidade caso ela vá embora.
Provavelmente Rosalie sabe todas as palavras que eu iria dizer, pois ela já as ouviu incontáveis vezes.
Todas as vezes que terminamos e eu ia até o seu apartamento, convence-la de que nós podíamos tentar novamente, de que eu iria mudar, mesmo sabendo que eu estava enganando a mim mesmo, e pior, enganando a ela.
— Eu sei que é real. — a ouvi responder, já com pequenas lagrimas rolando pelo seu rosto, que foram limpas pelo meu polegar que estava na sua bochecha. Rosie colocou sua mão que antes estava no meu coração, na minha bochecha. Seus olhos observando o meu rosto como se ela quisesse guarda-lo em um porta-retratos. — Eu sei que é real porque eu também sinto, mas nós extraímos o máximo desse relacionamento. — ela termina e eu sinto as minhas lagrimas finalmente vindo ao encontro do meu rosto.
Como ela me olhava.
Como ela me tocava.
O que ela dizia.
O jeito que ela dizia.
Tudo indicava apenas um caminho, e era exatamente aquele o qual eu mais temia.
— A gente não deveria desistir, Rosie. Nunca. — eu falei com a minha voz embargada. — Eu não quero desistir de você.
Ouvi Rosalie suspirar e depois balançar a cabeça.
— Você precisa de alguém que possa satisfazer suas necessidades, sendo sua mulher. E eu preciso de alguém que me faça sentir segura. Alguém que eu confie. Nós não somos esse alguém. Por mais que nós tentamos e amamos um ao outro, o que nós dois precisamos é exatamente o oposto do que nós temos. — pude ver em seus olhos e na maneira que ela dizia que doía para ela pensar que ela não era o que eu precisava.
Ela estava errada.
— Sou você de quem eu preciso. — respondi tentando ter convicção, mas obviamente falhando por conta das minhas lágrimas.
— Eu não consigo mais. Eu estou muito machucada, Joe. Tão machucada que você não pode reparar.
Encosto a minha testa na dela, fechando os meus olhos e me permito chorar mais um pouco, sem me importar se ela iria sentir ou não.
Nós estávamos cansados de fingir estarmos fortes.
— Eu... eu...- ouvi Rosalie suspirar pesadamente. — Eu desisto de você, Joe. Eu não quero, mas eu tenho que fazer isso. Eu preciso fazer isso, antes que não eu não sinta mais nada de bom por você. — senti mais lagrima rolarem pelos nossos olhos.
Eu não sabia como reagir, ela nunca havia dito que tinha desistido de mim.
E isso foi o suficiente para saber que dessa vez não teria mais volta.
O fio que antes nos conectava, agora havia sido quebrado.
Minha respiração estava presa, eu desconhecia palavras para explicar o que eu sentia.
Senti Rosie se mexer, e instantaneamente pousei uma das minhas mãos na sua cintura a fim de não deixa-la sair dali.
Rosie direcionou seus lábios a minha bochecha e depositou um beijo ali.
— Eu te amo, Joe. Nunca duvide disso. — ela sussurrou no meu ouvido. — E se você me ama também, você tem que entender. Está na hora de me deixar ir.
— Você disse que nunca... — paro para conseguir respirar direito, em meio aos meus soluços. — Você disse que nunca ia me deixar. — termino finalmente abrindo os olhos para vê-la.
— Você disse que nunca ia me machucar. — ela responde dessa vez chorando mais intensamente.
Eu não a espero dizer mais nada e a abraço desajeitadamente, por conta do sofá.
A única coisa que eu queria era sentir o calor do seu corpo no meu, sentir o seu abraço pelo menos mais uma vez.
— Me desculpe. Desculpe-me por todas as noites que eu te fiz sentir como se você não fosse boa suficiente, porque você sempre foi a única que eu amei, e ainda amo. — falei com a minha voz um pouco abafada, por conta do nosso abraço.
Ficamos ali por alguns minutos, até ela começar a se distanciar delicadamente.
Seus olhos encararam o sofá da mesma maneira que ela encarava o teto anteriormente.
Eu observava Rosalie minuciosamente porque sabia que seria a ultima vez que a veria como minha garota.
Eu queria guarda-la, cada parte dela, eu queria guarda-la para nunca esquecê-la, porque eu sei que isso jamais vai acontecer.
Rosalie Montez sempre seria única para mim, não importa se um dia eu irei encontrar outra pessoa.
Sempre seria ela.
— Eu tenho que te devolver uma coisa. — ela falou repentinamente.
Notei que sua mão foi para o seu pescoço, e prendi a respiração ao ver o que ela iria me devolver.
Sua mão tirou o colar dourado, com um pingente de coração, que eu havia dado a ela no primeiro mês de namoro.
— Rosie... eu não quero que você me devolva isso.
— Pegue. Eu não posso ficar com isso. Não será justo. — a ouvi responder, pegando a minha mão e deixando o colar ali.
— Rosie, não...
— Eu quero que você entregue isso para alguém que seja muito especial para você, Joe. E não precisa devolver seu bracelete. — a ouvi dizer se referindo ao bracelete que ela havia me dado.
Dei um sorriso triste e assenti.
Rosalie se arrumou e levantou do sofá.
Lutei para não segura-la, mas eu sabia que eu deveria deixa-la ir.
Ela precisava ser feliz, mesmo que não fosse comigo.
Eu me levantei e fiquei em frente a ela, nossos olhos ainda permitindo algumas lagrima rolarem pelos nossos rostos.
Vagarosamente me aproximo dela.
Eu a deixaria ir, mas eu precisava me despedir dela primeiro.
Coloco uma mecha do seu cabelo, para trás da orelha, e continuo a encarando.
— Apenas me deixe te beijar. Eu vou te deixar ir, só... só me deixe te beijar. — pedi a ela.
—Joe... — ela suspirou. — Não torne isso mais difícil, por favor.
— Apenas me deixe te beijar. — sussurrei entre seus lábios, e colo os meus nos dela antes dela protestar.
Senti ela se arrepiar quando pedi passagem para aprofundar o beijo.
E ali estávamos nós, nos despedindo da nossa maneira.
Eu queria que aquele beijo mudasse a decisão dela, então coloquei toda a minha paixão ali, tudo o que eu sentia, mesmo sabendo que ela já havia desistido de mim, de nós.
Eu prometi que nunca a deixaria, mas eu mesmo fiz ela me deixar.
Separamos
Dando fim ao beijo. Dando fim à nossa história.
— Eu preciso ir. — a ouvi dizer.
Respirei fundo e a soltei, finalmente a libertando de mim, a libertando das dores que eu causei, e que ainda poderia causar.
— Eu... eu vou pedir para Juliet vir pegar minhas coisas. — ela acrescentou sem aumentar o tom de voz, referindo-se à nossa amiga em comum.
Eu assenti passando a minha mão pelo meu rosto.
— Você... — tossi para que minha voz parecesse mais forte. — Você tem certeza disso?
Rosalie não disse nada, apenas assentiu levemente.
Vi ela pegando a bolsa, que estava na mesa e se virar para ir em direção à porta.
Meus olhos marejaram, mas eu não as deixei cair.
Eu queria dizer para ela ficar, mas a minha voz não conseguia dizer, porem ao ver Rosalie se preparando para ir embora, minha voz sai, mas não deixando do jeito que eu queria.
"Pain splattered teardrops on my shirt/ Lágrimas de dor escorrendo na minha camiseta
Told you I'd let them go/ Disse a você que os deixaria ir
And I'll fight my corner/ E eu vou lutar pelo me espaço
Maybe tonight I'll call you/ Talvez eu te ligue hoje à noite
After my blood turns into alcohol/ Depois do meu sangue virar alcool
No. I just wanna hold ya/ Não. Eu só quero te abraçar."
Expressei meus sentimentos enquanto cantava a canção desfinadamente a fim de que ela não me deixasse, de que ela visse o quanto ela é importante para mim e que eu estaria disposto a mudar por ela, e dessa vez seria verdade.
Se as minhas palavras não eram o suficiente, uma música seria minha ultima chance.
Ela adorava música.
Eu havia dito uma vez que escreveria uma para ela, eu até comecei, mas não terminei de escrevê-la.
Observei Rosalie parar ao me ouvir cantando com a voz embargada e desafinadamente.
Ouvi sua doce voz cantar no mesmo estado que a minha:
"Give a little time to me, we'll burn this out/ Me dê um pouco de tempo, nós queimaremos isso
We'll play hide and seek, to turn this around/ Nós vamos brincar de esconde-esconde para esquecer isso
All I want is the taste that your lips allow/ Tudo o que eu quero é o sabor que os seus lábios permitem"
Ouvi-a finalizar essa parte da música.
Eu acreditava que ela iria ficar que ela iria nos dar uma última chance, mas isso não aconteceu.
— Tchau, Joe — ela sussurrou e andou apressadamente até a porta.
Eu assisto Rosalie partir, não apenas do meu apartamento, mas da minha vida.
A vida não nos prepara para este tipo de decepção, então você deve tirar disso uma lição, e seguir em frente, mas eu não sei se conseguirei seguir em frente.
Eu sempre pensei que um dia ela iria embora, mas não imaginava que isso aconteceria realmente.
Encarei a porta pela qual ela havia ido embora, e depois a minha mão onde ela havia depositado o colar, para depois voltar o meu olhar para o meu bracelete dado por ela.
— O que você fez com ela, Joe? O que você fez com a garota que você ama? — disse sozinho, apertando o colar na minha mão, levando-o ao meu coração deixando mais lagrima caírem pelo meu rosto.
Dirijo-me a o meu quarto, com mais lagrimas nos meus olhos, fazendo minha visão ficar turva.
Cada canto daquele lugar me lembrava dela.
Quando nós assistíamos televisão abraçados na sala, e eu sempre fazia um comentário idiota para fazê-la rir. O riso dela era meu som favorito no mundo.
Quando cozinhávamos juntos e ela sempre tentava pegar um pouco da comida que estava sendo preparada, antes de eu colocar no prato.
Quando dormíamos na nossa cama e conversávamos sobre tudo, e ao mesmo tempo nada, antes de dormir e na hora que acordávamos, ou quando fazíamos amor ali.
Quando ela escovava os dentes e eu a observava pelo espelho, fazendo-a corar, ou quando tomávamos banho juntos.
Quando tentávamos lavar roupa, mas sempre terminava com uma guerra de espuma da máquina de lavar.
Quando ela acordava cedo e ficava na varanda observando a cidade, e eu iria me juntar a ela, abraçando-a.
Eram memorias tão boas, mas que naquele momento não estavam me fazendo feliz.
Cheguei ao quarto e ouvi o silêncio, que antes era coberto pela sua voz.
Sentei na cama, e deixei a minha imagem desolada tomar conta de mim.
Passei meus olhos por todo quarto, na estupida esperança de vê-la ali, entretanto meus olhos pararam no guarda-roupa.
As roupas dela ainda estavam ali.
O cheiro dela estava nas roupas.
Sem delongas me dirigi até o guarda-roupa.
Eu precisava de uma parte dela, qualquer parte.
Seu cheiro, seu beijo, seu toque. Qualquer coisa.
Rosalie se tornou uma droga pra mim, uma droga que eu precisava ter a qualquer custo.
Abri o guarda-roupa e peguei o vestido branco que eu adorava quando ela usava.
Fazia Rosalie parecer um verdadeiro anjo.
Peguei o vestido e coloquei-o em cima da cama, e depois o colar.
Deitei ao lado da peça de roupa e do acessório
Abracei o vestido e emalei o cheiro dela.
Aquilo era o mais perto que eu poderia estar dela.
E eu já podia imaginar os meus próximos fazendo a mesma coisa.
Deitado ali, emalando seu perfume.
Como diria Chuck Bass:
"Eu a amo. E eu não posso fazê-la feliz."
Notas finais
Bem, este foi o primeiro capítulo.
Eu realmente espero que tenham gostado e que continuem acompanhando,
Tentarei atualizar o mais rápido possível e perdão se há algum erro ortográfico ou gramatical.
O capítulo é razoavelmente grande, e preciso avisar que TALVEZ nem todos terão este tamanho.
Para finalizar, eu vou deixar o link da música que o Joe e a Rosie cantam e o link da música do capítulo, onde a letra está presente no inicio do mesmo.
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