Don't Die.

2 Capítulo I: Sobrevivência.


Notas iniciais
Não, isso não é um bug! E não, você não está louco. Primeiramente, olá! E sim, eu voltei. E vou explicar tudo. Bom, eu fiquei com um baita bloqueio criativo (e bota baita nisso), de não conseguir pensar em nada, fazer nada e essas coisas. Para terem noção, até capas eu parei de fazer (fazia somente capas para os meus amigos e olhe lá), então, decidi excluir a fanfic, mas então eu decidia resposta-la e foi um rebuliço que só. Até que tive um momento e decidi me redescobrir, descobrir como sou e descobrir como gosto de escrever. Foi então, que passei a escrever apenas ones (de TWD também...) e fui, aos poucos, tomando gosto pela leitura. A verdade é que sou muito crítica comigo e está sendo difícil superar isso. Porém, conto com amigos lindos e maravilhosos que me apoiaram e me apoiam muito. Então, quando vi que já estava bem para isso, decidi voltar e é por isso que estou aqui (espero que, nesse momento, todas as armas estejam abaixadas e que suas feições estejam apenas o amor), mas, como a história não me agradava, sentia necessidade de muda-la. Por isso, exclui o capítulo I e II e posta-los novamente, desta vez, com a história correta. Cá está ele! Espero, do fundo do meu coração, que me perdoem e que curtam essa história nova! Uma boa leitura a todos!

DAVID RICHARD NÃO conseguia acreditar em tudo o que acontecia diante de seus olhos. Ao retornar para a cidade, encontrou-a tomada por confusão, gritaria e fogo. Muito fogo. Enquanto buscava manter a calma, na vã tentativa de não bater o carro e passar – por menor que fosse – a ideia de que tinha as coisas sobre controle para sua filha, sentia seu estômago se contorcer. Sabia que a última ideia que passava era de alguém calmo. Em realidade, suava frio e apertava o volante sempre que algum carro passava em alta velocidade.

Sentia a pulsação ecoar em seu ouvido, como se alguém estivesse martelando uma parede sem cessar. Olhou para o lado e seu coração bateu ainda mais rápido, se fosse possível. A imagem de Brooke encolhida enquanto chorava silenciosamente era demais para ele suportar. Engoliu em seco, repetindo para si mesmo que nada aconteceria com ela. Lembrou-se da promessa que fizera a Anastácia, na sala de parto, enquanto seus olhos tão azuis perdiam o brilho e dos lábios secos que conseguiram murmurar ‘’cuide dela’’. Fora apenas um desmaio, mas Anna já pressentia o que estava por vir. Ele não deixaria nada acontecer a ela, nada.

O barulho ensurdecedor de uma buzina tomou de seus pensamentos. Sem saber o porquê, David observou um clarão tomar conta de sua visão, cegando-o de imediato. Não, queria gritar, eu não posso morrer, Brooke não pode morrer! Mas o som da buzina ecoava em seus pensamentos, o clarão se tornava cada vez mais forte e então…

— Pai! — mais uma vez o grito desesperado de sua filha o trazia de volta à realidade.

Com precisão, conseguira desviar do caminhão desgovernado, mas não teve a mesma sorte com um poste na calçada. A pancada fizera seu corpo se impulsionar para frente e logo uma dor horrível tomara conta de seu tronco. Sua cabeça latejava e todos seus sentidos estavam confusos. Piscou diversas vezes para tentar arrumar a confusão na qual se encontrava. Pelo menos, pensou, não desmaiara.

Levantou o tronco de súbito ao lembrar-se de sua menininha e se arrependeu instante depois, quando uma náusea o atacou em cheio. Para seu alívio, Brooke estava acordada, com um corte em sua têmpora e os olhos inchados. Queria abraçá-la, mas seus braços pareciam ser feitos de chumbos. Limitou-se a sorrir e em troca recebeu um olhar furioso e assustado.

— Está doendo — a voz de Brooke soou trêmula ao tempo em que levava a mão à têmpora machucada e arregalava os olhos. — Tem...tem… sangue…

— Hey, calma, calma — agradeceu por não estar com a voz abalada ou caso contrário jamais conseguiria acalmar o leão indomável que era sua filha. — É apenas um corte, você já fez outros piores.

— O que está acontecendo? — quis saber.

Mas antes que conseguisse responder, algo se chocou contra o vidro. Algo não, alguém. Uma mulher com as roupas manchadas de sangue que minavam de um ferimento em seu pescoço. David sentira seu estômago se revirar, mas a mulher – ou o que quer que ela seja, pensou – agia como se quisesse ultrapassar o vidro – danificado com o impacto da batida –, seus olhos mal davam para serem vistos na escuridão.

Por instinto, conseguiu levantar o braço e lançou-o sobre sua filha, como se fazendo isso conseguisse protegê-la. Como queria que tivesse força ou controle como todos seus movimentos.

Siho, por que não solta o cinto e vai para o banco de trás? — não era um pedido, mas David desejava que sua filha compreendesse o que falara. Brooke tinha grande tendência a ser desobediente em momentos importunos.

— Eu odeio esse nome — foi sua resposta resmungona, mas para a sua sorte – a dele ou a dela ou a de ambos – ela desatara o cinto e se jogou para trás.

Voltou sua atenção para a mulher à sua frente. O vidro parecia ter se danificado ainda mais com o peso e David sabia que suportaria por pouco tempo antes de rachar por completo. Tinha poucos segundos para pensar e não conseguia pensar em nada. Não sabia por que agia dessa maneira tão estranha, mas seu instinto insistia em dizer que não era boa coisa. Desatou o cinto e esperou pelo pior.

Com um estalo, a barreira que os separavam se estraçalhou em milhares de pedacinhos. O corpo da mulher viera de encontro ao seu e seus braços agarraram sua camisa. Conseguia ouvir os gritos horrorizados de sua filha juntamente dos grunhidos da boca da mulher. Tomou consciência de que ela tentava o abocanhar e rapidamente, lembrou-se do ocorrido na rodovia e do noticiário. Daquela vez não teve oportunidade de observa-los tão de perto, mas agora sabia que eles possuíam olhos opacos, sem cor ou vida alguma e um hálito pútrido, mas uma força reconhecida. Teve sorte que seus braços conseguiram responder ao comando de seu cérebro e empurraram o corpo magrelo da mulher. Foram necessários alguns empurrões fortes para enfim ela deslizar sobre o capô e cair ao chão.

Entretanto, em poucos segundos, seu corpo se erguera ao mesmo tempo em que o vidro traseiro era estilhaçado e outro bicho aparecera, tentando agarrar Brooke, que gritava em desespero. David sentiu o desespero dominar seu corpo, o pouco de consciência fora engolido pela escuridão desse sentimento. Faltava-lhe, sentia o coração pulsar freneticamente e via o bicho se erguer sobre seu capô.

Então houve dois disparos e sangue, espirrando sobre o console, os bancos e sobre seu corpo. Houve um grito agudo vindo de uma garganta bastante poderosa e o silêncio. Provavelmente havia morrido, mas ao se deparar com o corpo caído e imóvel sobre seu capo e aos poucos a confusão em que se encontrava ganhar sons, soube que estava vivo. Por um segundo, respirou aliviado, mas logo passou.

A porta ao seu lado fora arrancada e a figura de um rapaz surgira. Não deveria ter mais de 40 anos, possuía uma cicatriz na sobrancelha e feições duras, além de vestir um agasalho preto.

— Saia logo daí homem! — urrou suficientemente rude para o arquiteto querer retrucar, mas se viu sem fala.

Pulou do carro e abriu a porta traseira, recebendo o impacto duro do corpo de sua filha ao abraça-lo. Percebeu que a garota tremia e que não era pelo frio que fazia aquela noite. Envolveu-a com um de seus braços, tomando a frente e olhou para o homem, que portava uma arma pequena em mãos.

— Sem tempo para agradecimentos — este falou, correndo logo em seguida.

Mas David permaneceu em seu lugar. Não era alguém que costumava receber ordens e, mesmo quando estava discutindo alguma coisa com seus superiores, todos eram bem gentis e amigáveis e lhe pediam ao invés de obrigar. Ao perceber que ninguém o seguia, o homem se virou e olhou de forma furiosa para David, que não se intimidou nem um pouco.

— Está esperando o quê?! Um convite formal? — sua pergunta era ríspida e retórica, mas ainda assim David se preocupou em responder.

— Eu não sei para onde estará nos levando!

— Para longe dessa porra de confusão — foi sua resposta. — Ou você prefere ficar aqui e ver sua filha ser devorada por uma dessas coisas enquanto você não consegue fazer nada para protegê-la já que também está sendo devorado?

Suas palavras o pegaram bem em cheio. Admitir que estava errado não era fácil para David. Sem emitir uma única palavra, tomou a mão de sua filha e começou a andar, com o homem seguindo-os logo atrás. Caminhar não era bem a definição para isso, devido a tudo que acontecia, os três andavam apressadamente em completo silêncio. O rapaz não fez nenhuma menção em apresentar-se, apenas ordenava em um resmungo, audível o suficiente, para que virassem aquela esquina ou se afastassem de uma confusão.

O mundo ao seu redor estava alheio a suas ações, concluiu David. Pessoas corriam para lá e para cá, carros em alta velocidade cortavam a rua como se apostassem racha e a polícia tentava inutilmente acalmar os ânimos. Havia bombas sendo jogadas e gás lacrimogêneo, sendo disparados contra a população e contra aquelas coisas. Adentraram em uma rua deserta, um pequeno beco que dava para um grande supermercado. Em algum momento, o homem desconhecido tomara a dianteira da situação. Seu corpo protegia todo o corpo de sua filha e David sentiu-se grato por toda a ajuda vinda do desconhecido.

— Qual é seu nome? Meu nome é Brooke — era estranho, pensou; sentir-se tão aliviado ao ouvir o tom curioso e altruísta de sua filha.

— James.

Não houve mais interação. Continuaram seguindo o homem até que o mesmo erguera sua mão com a pistola e parara de andar. Consciente de que isso representava perigoso, David puxou o corpo de sua filha para o seu e a abraçou. Com alguns passos para trás, conseguiu esconder seus corpos atrás de uma grande lata de lixo. James não se escondera, muito pelo contrário, continuou caminhando, pela sombra feita por um poste de luz, David pode vê-lo erguendo sua pistola. O disparo foi alto e então a imagem corpulenta de James aparecera, pedindo-os para continuar.

— O que são essas pessoas? — Brooke tornou a perguntar.

— Mortos — ele respondeu.

— Como assim mortos?

— Eu não sei, garota... eles estão mortos. Eles andam, eles mordem pessoas e essas pessoas viram mortas. São perigosos e você não deve chegar perto de um!

Novamente, o silêncio reinou sobre o trio. Chegaram até o fim do beco sem mais nenhum incidente, mas se depararam com uma catástrofe ainda maior do outro lado. Pessoas corriam e gritavam e policiais abriam fogos contra qualquer coisa que atravessassem seu campo de visão. Para piorar, uma parte da fachada amarela do estabelecimento pegava fogo. Helicópteros sobrevoavam o local com refletores que iluminavam um grupo de pessoas se aproximarem. Tiros eram disparados sobre elas, mas nenhuma caia ao chão.

— Estúpidos! — foi a reação de James para aquela cena. Agarrou uma barra de ferro – que antes fazia parte de uma escada de incêndio do prédio ao lado – e entregou-a a David. — Não importa o que aconteça, se ver uma dessas coisas, acerte na cabeça. É a única forma de pará-los. Nós iremos até meu carro... — apontou para uma Caravan. — e tentaremos não chamar atenção!

Assentira em resposta e apertou a mão sobre o ombro de Brooke. Sentiu seu corpo tenso e se compadeceu da situação. A distância entre o carro e eles não era grande, mas com tudo acontecendo ao seu redor, sabia que seria muito difícil. Não chamar a atenção era o problema. Havia militares armados até o último fio de cabelo e aquelas coisas – os mortos – com sua incrível resistência à bala. Mas eles conseguiriam, repetiu isso três vezes antes de seguir James novamente. Caminhavam por trás dos carros, observando como os policiais atiravam sem dó alguma contra os mortos e... contra civis. Quando David viu uma bala atravessar o peito de uma mulher que gritava seguindo outro homem, sentiu como se o mundo tivesse tomado outro rumo naquele momento. E, este rumo, compreendeu, não era para um caminho melhor.

Faltavam pouco para chegarem ao carro, todavia, o grito de Brooke o tomou de supetão. Olhando para trás, viu-a congelada e seus olhos arregalados observaram uma daquelas coisas devorarem uma pessoa. Outra onda de náusea o tomou. David tentara atrair a atenção de sua filha, mas Brooke parecia ter entrado em um torpor.

— Garota?! Garota, garota... — ouviu a voz de James e pela primeira vez ouviu algo que não fora arrogante, mas sim, como preocupação. — Não olhe para eles, ok? Continue seu caminho, vamos lá!

Brooke desviara seu olhar da cena e os três puderam continuar até o Caravan estacionado. Por que sua vida dera um salto tão grande em menos de 24 horas? David não poderia responder a essa pergunta, nem mesmo se quisesse. Por sorte, chegaram sãos e salvos no carro de James. Tirando a chave do bolso de sua calça, o rapaz girou-a na ignição e o motor estourou em um rugido forte. O barulho atraia dois mortos que cambaleavam entre os demais carros estacionados. Começaram a se aproximar do carro enquanto James acelerava. Os corpos se chocaram contra a lata-velha com um barulho oco e foram ao chão. O que sobrara deles, David realmente não gostaria de saber.

Com total domínio do volante, James seguia com o carro desviando com bastante eficiência de todos que entravam em sua frente. Richard não se importava com a catástrofe que acontecia pelo vidro, olhou para trás onde uma assustada Brooke soltava baforadas de ar. A asma. No meio de toda aquela confusão, esquecera que eventos grandiosos assim poderiam resultar no ataque de sua filha. Desta vez, não pode controlar sua língua.

Porra! — grunhiu. — Ok, Brooke, você está indo muito bem. Respire com calma, solte o ar pela boca. Vamos lá, bonequinha, com calma. Está tudo bem!

Brooke cravara o olhar apavorado em seu pai.

— Abra o porta luvas, tem uma bombinha aí dentro — James falou.

Agora David nem se importava mais com o que acontecia. Encontrou a bombinha dentro de uma pequena bolsa e entregou-a a Brooke que logo conteve sua respiração. Esperava que essa fosse à última que apontasse, caso contrário, não saberia como lidar com aquilo. Sentia-se um inútil, não conseguira lidar com a situação e sua filha esteve em perigo em várias situações. Se não fosse por James, estariam ambos mortos.

— Obrigado cara! — disse, olhando para a figura do homem à seu lado que não emitira som algum em resposta. — Você salvou nossas vidas!

— Cale a boca — sentiu vontade de rir com a resposta. O cara nem consegue retribuir um agradecimento, por Deus.

— Para onde estamos indo? — depois de um longo silêncio, Brooke perguntara.

— Para longe dessas coisas — James olhou pelo retrovisor. — Minha cabana fica no meio da floresta, os mortos não nos seguirão até lá!

O carro ficara em silêncio enquanto todo o resto se transformava em um verdadeiro pandemônio. Aos poucos, as árvores foram tomando os lugares dos prédios e o barulho de armas e explosões foram ficando cada vez mais baixo. Os carros também não dominavam mais a rodovia. James parecia menos apreensivo.

O carro estacionara numa margem vazia. Ao fundo, a imagem da cidade sendo destruída lhe serviam de cenário. David fora o primeiro a descer, abrindo a porta traseira e retirando sua filha estranhamente quieta.

— Obrigado! — Richard dissera.

— Espera aí, aonde vocês estão indo?! — o rapaz questionara. — Não estão pensando em voltar para lá, não é?

— Não... não, eu só... vou procurar um lugar para ficarmos.

— Olha cara, não vai ter um lugar para ficar. Tudo isso... está acabando com qualquer lugar.

— E como você sabe de tudo isso? — indagou o arquiteto.

— Eu... eu vi quando eles tentavam conter quando ainda estava no começo... no hospital. — respondeu o aludido. — As coisas não vão melhorar, só vão piorar! Não existe mais um lugar seguro!

— Então o sabichão me indica ficar onde? Aqui?! Na rua?! Com a minha filha?! — se exaltara.

— Não... não, vocês podem ficar comigo. Na minha cabana. — redarguiu.

— Cara, eu nem te conheço... — David retrucou entre risadas.

— Aceite a porra da minha ajuda logo! — James dissera. — Faça isso ao menos pela garota.

David olhara para sua filha e o que via era uma garotinha assustada, embora tentasse, com muita força, controlar sua vontade de chorar. Lembrara do pedido de sua mulher. Não sabia o que estava acontecendo, mas queria manter sua garotinha a salvo – mesmo que sofresse o risco de depender da proteção de um estranho, ainda que não soubesse sua boa intenção. Mas o arquiteto defenderia Brooke com unhas e dentes se necessário.

— David Richard! — dissera, estendendo a mão para James.

DON’T DIE.

Sentada sobre o capô, suas pernas balançavam livremente e Brooke observava seu pai e James discutirem sobre qual caminho seguir. O céu não se abrira em toda a tarde e logo a noite se aproximaria, deixando-os sem luz alguma. Estava cansada, gostaria de ressaltar a eles, mas como eram adultos e, geralmente, nunca a davam ouvidos, optou em cantarolar uma música.

Já não lembrava mais há quanto tempo estava vivendo essa vida de uma cigana no pós-mundo – nome que ela mesmo inventara – mas sabia que, a essa altura, não havia sobreviventes como eles. Tudo desmoronara em questão de dias, o mundo que ela conhecia já não era mais o mesmo e então todas as pessoas começaram a serem mortas e depois voltarem a vida. O governo abandonara a população a sorte, não havia mais sinais, não havia bombas ou barulho de helicópteros. Por muito tempo, acreditou que logo eles seriam encontrados e levados para a segurança, mas os dias viraram noites e nada. Agora, seu pequeno grupo tentava sobreviver naquele lugar esquecido por Deus – se é que Ele existiu mesmo. Chorou todas as noites até finalmente entendera que não havia mais formas de voltar ao passado.

O lugar para que James os levara – sua cabana velha no meio do mato que parecia mais com um lugar onde um assassino se esconderia, embora ela não tenha comentando isso para ninguém – conseguiu mantê-los a salvo durante um tempo até que, de repente, os mortos também estavam na floresta tirando-os a força da casa. Desde então, estavam na estrada, tentando encontrar um lugar seguro, que seu pai acreditou fielmente que seria em Atlanta, mas, assim como todos os outros lugares, Atlanta também fora destruída.

Brooke não conseguia entender James, mesmo que convivesse com ele. O grandalhão era um poço de silêncio e suas atitudes um tanto quanto estranhas. Não compreendera como um homem podia abrigar uma família em sua cabana, assim, de repente. E muito menos seu pai, que resolvera aceitar. E, era por isso que Brooke preferia silenciar–se a discutir com os mais velhos.

— Gente, eu não estou querendo atrapalhar a conversa de vocês... — exclamou meio hesitante, recebendo a atenção dos dois. — mas temos companhia.

Três daquelas coisas horrendas caminhavam entre tropeços pela estrada vazia. Um deles, tinha metade do braço arrancado enquanto os outros dois estavam cobertos de sangue. James fora o primeiro a agir, com o machado em mãos caminhara até os mortos e acertou o primeiro com um forte golpe na cabeça, fazendo-o cair rapidamente no chão. Seu pai saiu em ajuda do companheiro e acertou o outro com a faca, deixando o terceiro para que James acabasse.

No começo, Brooke não gostava de vê-los sendo mortos. Eram humanos, embora já não tivessem mais consciência para agirem como uns. Entretanto, com o tempo, percebera que para se manter viva nesse mundo, era preciso mata-los, como a lei do mais forte na natureza – ainda que nesse momento quem eram os reis da cadeira-alimentar fossem eles.

É melhor sairmos daqui antes que fiquemos sem luz — James começou a falar. — Precisamos nos mover logo e, depois, encontrarmos um lugar para ficarmos.

— Poderia ser um hotel, seria o máximo voltar a dormir em uma cama com um bom colchão! — falou animada, mesmo que soubesse que o máximo que conseguiriam seria uma casa abandonada.

Não era mentira, são raras as vezes em que consegue dormir em uma cama e, quando consegue tal mordomia, seu colchão não passa de um monte de espuma mofada ou furada. Na maioria das vezes, acaba dormindo no banco de trás do carro de James, dividindo espaço com outras coisas. Ganhara algumas dores nas costas e no pescoço. Porém, antes de tentarem achar um bom lugar para dormir, os três precisam encontrar mais enlatados, já que a pequena reserva que fizeram há duas cidades estava se esgotando. A pequena West gostaria também de sentir outro gosto além dos enlatados de feijão e carne que lhe serviam de alimento agora.

Sem delongas, caminharam até o grande mercado que James encontrara pelo mapa. Devido sua localidade – numa rodovia distante da principal – o trio esperava que não estivesse tão saqueado como os demais. A grande fachada já não mostrava mais o letreiro do mercado. As paredes estavam em ruinas, a tinta já se desgastara há um bom tempo – e Brooke acreditara que muito tempo antes do mundo acabar – e o muro estava domado pelo cinza. As vidraças, embora sujas e empoeiradas, estavam intactas, assim como a entrada.

— Brooke, fique próximo a mim — seu pai pediu e, sem remediar, atendera a seu pedido.

James fora o primeiro a entrar e, assoviando, anunciara que tudo estava limpo. Adentraram então, o cheiro de mofo não era nem um pouco atraente.

— Deixei para você! — Jones se referia ao walker caído no chão, com as pernas quebradas e, certamente, falava isso a seu pai.

David olhou para o rapaz e se aproximou do bicho, acertando-o em cheio da cabeça, fazendo seu sangue espalhar por todos os lados.

Sentira vontade de vomitar, mas controlou sua ânsia e decidira ver o mercado e esquecer o que acabara de presenciar. Os corredores eram demais para contar, havia diversos produtos jogados no chão. Os caixas pareciam depredados e algumas luzes pendiam no teto. A iluminação era precária – entrava somente pelas janelas que ainda não foram domadas pela poeira – e Brooke mal conseguia ver o final dos corredores, mas poderia afirmar que o local era grande o suficiente para alimentá-los durante um bom tempo.

Sem dizer nada, começou a caminhar pelo corredor, mas, fora impedida por uma mão grande em seu ombro. Não precisou olhar para trás para saber quem era o dono dela.

— O que pensa que está fazendo? — questionou seu pai.

— Procurando por chocolates?! — respondeu sínica. — Relaxa, não tem uma alma viva... ou morta nesse lugar. E, se algo acontecer, eu grito!

— Não grite! — repreendeu James.

Não disse nada, apenas o encarou de cenho franzidos. Não lembrara exatamente em qual momento ganhara um segundo pai na certidão de seu nascimento para que pudesse ser repreendida por ele, mas também não falaria nada. Dando de ombros, rumou até o corredor que esperava que fosse o de chocolates e besteira. Não comia muito chocolate, pois seu pai sempre se preocupara com sua dieta. As únicas barras que conseguia surrupiar eram da lanchonete onde almoçava quando voltava sozinha da escola.

Esperava encontrar alguns chocolates bons, mas, somente o que restara foram os de marcas desconhecidas e com gosto de manteiga. Bufando, decidira pega-los mesmo assim, melhor um pássaro na mão do que dois voando, pensou. Poderia toma-los com água ou com algo que pudesse faze-los parecer mais comíveis.

Então, de repente, o silêncio fora quebrado por um clique, o suficiente para assusta-la e fazê-la desviar o olhar. A sua frente, um homem apontava uma arma para ela. Seus olhos se arregalaram e Brooke não sabia o que fazer. Queria chamar seu pai, mas não conseguia falar e temia levar um tiro no mesmo instante que abrisse a boca.

— Solte-o — foi o que o homem disse.

Nesse momento, a West encontrara um pouco de coragem e gritara, antes de correr:

— Pai!

Seus pés, milagrosamente, conseguiram se mover e Brooke saiu, desesperada, procurando seu pai. Conseguia sentir o homem imenso, de vestes pretas, correr logo atrás, fazendo seu coração quase saltar pela boca. Se conseguisse chegar a salvo até David, prometeria – de joelhos – que jamais obedeceria uma ordem dele, que ficaria grudada em seu corpo como um canguru e que jamais deixaria a proteção de suas mãos.

Ao avistar seu pai, apressou seus passos, esperando que não fosse tarde demais. Mas, antes que pudesse sentir a colisão de seu corpo no corpo dele, ouvira um barulho, logo seguido por outro, desta vez mais oco, como se um corpo caísse no chão. Virou-se rápido e encontrou James segurando uma panela, ofegante, enquanto encarava o corpo caído no chão.

— Meu Deus, você matou o cara! — foi a única coisa que conseguira dizer, antes de sentir sua visão falhar, seu corpo ficar mais pesado e a mão de seu pai, em seu ombro. Aos poucos, sua audição foi piorando e Brooke sentira-se pesada, leve e então, tudo ficara preto.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Por favor, não desistam de mim, prometo não desistir disso aqui! Não esqueçam de comentar, visitar o tumblr e deixar suas opiniões! Um grande beijo pessoal, até o próximo!