Dons: Carbúnculo
2 Família Raimann
Notas iniciais
Christophe Raimann fazia sua caminhada sossegada naquela manhã e aproveitava cada minuto dela. O sol estava fraco, e a brisa fria causava nele um arrepio agradável e revitalizante. Ao seu lado, um lindo sheepdog de coleira prateada caminhava e desfrutava das mesmas sensações.
O Bosque de Kendrich era grande e repleto de árvores centenárias e plantas das mais variadas espécies. Conservado pelo município e respeitado pelos moradores, era um lugar perfeito para os atletas, para as crianças e para os cães correrem pela manhã ou se divertirem do jeito que quisessem.
Sempre que podia, Christophe caminhava por ali pela manhã. Com uma rotina que se tornava cada vez mais agitada, o silêncio matinal era um benfeitor para ele. Naquela manhã, seus pensamentos se voltavam para a grande decisão do momento de sua vida – a universidade.
O desejo de Christophe era cursar medicina, um curso caríssimo e que exigia uma nota de corte extremamente alta. Para ingressar, o candidato deveria fazer dois exames, um de conhecimentos gerais e outro de conhecimentos específicos. Os candidatos aprovados no primeiro exame passavam para o segundo, que ocorria uma semana depois.
Esse método era utilizado para selecionar os candidatos que desejavam ingressar na Universidade de Medicina de Grahan, não apenas a melhor do país, mas uma das dez melhores do mundo.
Localizada próximo ao centro de Kendrich, a distância não era problema para Christophe, tampouco a mensalidade o preocupava – embora esta fosse altíssima. Sua maior preocupação era com o exame. Embora ele fosse um rapaz muito inteligente, a pressão que um exame tão exigente exercia era imensa. O medo de seus conhecimentos não serem o suficiente tirava seu sono.
Outro fator que interferia na tomada de decisão de Christophe era seu irmão gêmeo. Michael, o gêmeo mais velho, tinha alguns dos principais sintomas da esquizofrenia; alucinações frequentemente visuais, delírios, confusão mental e, às vezes, alterações do comportamento. Essa condição influenciava muito as escolhas pessoais de Christophe, pois ele se sentia no dever de cuidar do irmão – não por obrigação, mas por amor. Com a universidade, o tempo que ele teria para se dedicar ao irmão seria menor. Além disso, Michael não ingressaria em universidade alguma, pelo menos não naquele momento.
Christophe parou subitamente e sentou-se num banquinho – o sheepdog sentou-se ao seu lado e ficou a encará-lo como se esperasse algo. O rapaz apenas sorriu e afagou o peludo animal. O cão, entregue ao carinho, parecia sorrir. O sol tímido o banhava com suas fracas faixas de luz, e realçava o branco e o cinzento de seus pelos crespos e bem tosados.
Pelos dois passaram duas moças que, mais à frente, não resistiram à tentação de olhar para trás para ver o lindo rapaz de cabelos castanhos a afagar o formoso cão cujos olhos estavam escondidos debaixo de pelos e pelos. As duas sorriram e Christophe, amável, sorriu de volta um sorriso encantador.
O relógio avisou que era hora do café da manhã com a família. Christophe suspirou como se o peso daquela decisão aumentasse cada vez que ela meditava mais na questão. Por fim, resolveu ir para a Casa Grande para o desjejum e disse a si mesmo que discutiria o assunto com o pai. Certamente ele lhe daria bons conselhos.
***
A Casa Grande ficava próxima ao centro da cidade de Kendrich, a duas quadras do Bosque, e era propriedade de Kurt Raimann, tio de Christophe. A entrada da propriedade era um largo portão de madeira e seus altos muros estavam cobertos de hera japonesa. De longe era possível ver a parte superior da casa, que contava com um térreo e dois andares, mas o interior da propriedade era invisível do lado de fora.
O portão da casa estava aberto e Christophe adentrou o lugar. Ele passou lentamente pelo pequeno jardim onde seu tio cultivava várias flores e plantas como madressilvas e hortênsias. Ele respirou profundamente e se arrepiou de prazer ao sentir o aroma de flores invadir suas narina. À sua direita, próximo ao muro, havia um pergolado de madeira carregado de clerodendro-vermelho, que ficava em frente à um bonito e pequeno lago natural.
As paredes da Casa Grande estavam cobertas por trepadeiras que proporcionaram um toque mais delicado, quebrando a rigidez da estrutura arquitetônica da casa.
Apesar de lhe pertencer, Kurt não morava ali. Tinha outra casa a duas quadras daquela, onde habitava com seus filhos. A Casa Grande tinha outra utilidade.
Kurt era um homem altruísta e sentia a necessidade de ajudar a quem pudesse. Sempre participava de campanhas de doações – livros, roupas, alimento, dinheiro para instituições carentes e para hospitais – e sua dedicação não se limitava a doar objetos, mas doar tempo e energia. Por isso, sempre era voluntário em alguma causa.
Ao comprar outra casa, Kurt teve a ideia de transformar a Casa Grande numa espécie de abrigo. Assim, aquele lugar era habitado por jovens que, por vários motivos, não tinham lugar para morar.
Várias vezes ao mês, a maioria dos membros da família Raimann se reunia na Casa Grande para as refeições, pois gostavam de compartilhar momentos juntos, e com seus amigos.
***
Quando Christophe alcançou o pequeno lance de escadas que dava acesso à varanda da frente, os gêmeos Jack e Jackson passaram correndo por ele, cumprimentando-o rapidamente e seguindo a corrida pelo jardim. Christophe apenas acenou de longe, já que os gêmeos pareciam tão apressados.
Assim que adentrou a casa, o rapaz viu Adriano e Thiago conversando, ambos sentados num sofá, na sala de estar.
— Por que você não quer admitir? — perguntou Thiago. Ele olhava para Adriano com uma insistência característica de sua personalidade, com um olhar que esperava uma resposta clara e objetiva.
— Eu não sei do que você tá falando! — respondeu Adriano, já desviando o olhar. Ele sentiu as faces queimarem um pouco, então virou o rosto, embora soubesse que seu constrangimento não fugiria à percepção do amigo.
— Qual é?! — Thiago riu de forma sádica. — Eu sei que você gosta da Lady, só não tem coragem de confessar.
— Não é isso! — protestou o outro, porém com relutância. — Eu admiro a garota, mas não to apaixonado por ela.
— Sério? — As sobrancelhas de Thiago se arquearam, já que estava pouco convencido da afirmação do amigo.
Adriano suspirou e fechou os olhos. Aparentemente aquela conversa já se arrastava havia muito tempo e ele não parecia disposto a continuar.
— Ok! — Adriano demonstrou irritação. — Eu posso ter... Uma queda por ela... Nada de mais.
— Ahá! — Thiago bradou. — Eu sabia que era paixão. Então por que não se confessa?
— Nem ferrando!
Christophe sorriu para si mesmo e resolveu ajudar Adriano, então aproximou-se dos dois e os cumprimentou, o que quebrou a conversa por alguns segundos suficientes para Adriano pensar em outro assunto. Nenhum dos dois amigos souberam que Christophe ouvira parte da conversa.
O rapaz seguiu pelo corredor até a cozinha, onde Lady e Christine discutiam o que preparar para o almoço, enquanto lavavam a louça do café da manhã. Ele as cumprimentou rapidamente e voltou ao corredor, seguindo até a sala de jantar onde Cássio organizava as louças dentro de um carrinho para serem levadas para a parte de trás da casa, onde já arrumara as mesas para o almoço. Os dois se cumprimentaram e Cássio voltou ao seu trabalho.
Ao final do corredor havia uma escada que levava ao primeiro andar. Christophe subiu e se deparou com o corredor do primeiro andar vazio, situação que mudaria assim que sua família chegasse para o almoço, ele pensou.
Naquele andar havia pelo menos cinco quartos, todos com beliches, que eram divididos pelos moradores. Dentro do primeiro quarto estava Anjo que parecia bem à vontade, já que suas enormes asas brancas não batiam no teto.
Quase tudo era difícil para Anjo devido à sua altura descomunal e às asas maiores ainda. Aquele quarto era o único no qual ele conseguia entrar sem quebrar nada. Para entrar na sala de estar, por exemplo, ele conseguia passar pela grande porta de vidro, mas com as asas recolhidas para não acertar nada. Felizmente a casa tinha um pé direito alto e isso facilitava sua locomoção.
Christophe se aproximou e expiou um vídeo que Anjo assistia no computador. Ao notar a presença do rapaz ali, Anjo o cumprimentou calorosamente, e o convidou para assistir o filme, ao que o rapaz recusou depois de ver uma cena onde um anjo do exército celestial abria o corpo de uma pessoa com uma espada. "Isso não soa muito angelical", Christophe pensou consigo, sem comentar nada com o amigo que sorria para ele. Naquele momento, ele pensou se Anjo seria capaz de fazer tal coisa, pensamento que logo espantou dado à estranheza da situação.
No quarto seguinte, Michele estava esticada na cama a escrever num pequeno diário. Christophe a cumprimentou rapidamente, pois não queria atrapalhar o momento introspectivo da amiga.
Antes de voltar ao térreo, ele foi ao segundo andar para ver se tudo estava organizado. Naquele andar havia mais três quartos disponíveis, que eram usados quando algum dos membros da família resolvia pernoitar por ali. Havia também uma sala onde fora montada uma pequena biblioteca e outra onde ficavam dispostos cinco computadores e tinha uma mesa para estudos.
De volta ao térreo, da sala de jantar tinha-se acesso à varanda. As colunas que a sustentavam estavam tomadas por belas trombetas-chinesas que se enroscavam num grande abraço.
Em frente ao espaço, havia um pequeno jardim com uma bonita fonte de água de rochas. Por um canto, tinha-se acesso ao quintal na parte de trás, com arbustos e flores de clima ameno, ideal para o lugar onde viviam. Lá estavam dispostas as mesas para o almoço.
Assim que Christophe voltou à sala de estar, ficou surpreso ao ver que sua família já havia chegado, todos já concentrados naquele ambiente. Quando ele se aproximou de Alícia e de Guilherme, antes que dissesse algo, a irmã dos dois, Amélia, saltou em seu pescoço e o abraçou, ao que ele retribuiu sem se irritar.
— Que bom te ver. Eu senti tanta saudade – disse Amélia com um sorriso estampado no rosto.
— Mas nos vimos na quinta. — Christophe franziu a testa sem deixar de sorrir, contagiado pela felicidade da prima.
— Ah, mas eu senti saudades mesmo assim, oras! — ela rebateu, fazendo um muxoxo.
— Tudo bem, tudo bem. E nesse curto espaço de tempo você mudou seu look? Blusa larga, coroa de flores...
— É. Chamam de pastel goth. Você gostou?
— Até que ficou fofo — ele falou e afagou o cabelo rosa pastel da prima. Quando se afastou para finalmente cumprimentar os outros dois primos, Amélia ficou a observá-lo sorridente e corada.
No jardim da frente da casa, Preta e Branca conversavam com Fábio. Christophe os observou de longe por um tempo, satisfeito por vê-los conversar tão descontraidamente uns com os outros, isso porque nem Fábio nem as gêmeas conseguiam esse mesmo feito com os moradores da Casa Grande, ou mesmo com os demais membros da família. Ao menos, entre eles, eram bons amigos.
Assim que falou com todos os amigos e familiares, que não eram poucos, o rapaz pegou um livro na sala e em seguida correu até o pergolado onde seu irmão, Michael, observava o laguinho, tão sereno quanto as águas calmas que refletiam seu bonito rosto.
— Esse é novo, Chris? — Michael perguntou ao notar o livro nas mãos do irmão.
— É sim, Mick.
— Qual é?
— A esfinge sem segredos.
— Leia pra mim, por favor?
— Claro. Achava-me numa tarde sentado no terraço do Café Paz, contemplando o fausto e a pobreza da vida parisiense, a meditar, enquanto bebericava o meu vermute...
***
Lady e Christine aproximaram-se de Amélia e Michele e as quatro foram para a varanda, e se sentaram na grama, uma próxima da outra, formando um pequeno círculo.
— Gente, que fofa sua roupa — falou Christine. — Esse seu cabelo rosa está lindo. Parece tão natural.
— Eu gostei da blusa de bolinhas. Super fofa mesmo. E essa coroa de rosas está linda em você. — Lady completou, não sem tocar na coroa de flores da amiga.
— Até o Christophe me disse que estava fofo. Ai, que vergonha! — Amélia colocou as mãos nas bochechas, ruborizada.
— Que amor. — Michele sorriu. — Eu quero mudar a cor do meu cabelo também, mas não sei qual cor combinaria. Queria um verde, o que acha?
— Não sei. Mas na Lady com certeza ficaria bom. Com esse cabelo Chanel não vai muita tinta.
— Ah, não — Lady falou entre risos —, eu não quero pintar meu cabelo. Se eu quiser trocar a cor por um dia, uso uma peruca colorida mesmo.
Enquanto as garotas conversavam, Adriano e Thiago as observavam da janela. Thiago tentava de todo o jeito forçar Adriano a confessar seu amor para Lady, mas a resistência do amigo era como uma grande muralha intransponível. Ele se esforçava para não corar, mas fracassava diante da insistência impertinente de Thiago.
Sem que percebessem, ao lado deles Jack e Jackson ouviam a conversa e se riam por estarem ali há tanto tempo sem serem notados. Quando Adriano percebeu a presença dos dois, tomou um susto.
— O que fazem aqui? — perguntou Adriano, irritado.
— Relaxa, cara! — Jack falou. — Só viemos fazer companhia. Mas diz aí, você tá mesmo interessado na Lady, hein?
— É bom você manter a boca fechada — ameaçou Adriano, apontando o dedo para o outro.
— Nossa! Tudo bem — falou Jack, protegendo-se com as mãos —, a gente não fala nada. Mas você vai ter que contar alguma hora.
Adriano fez bico e os três amigos riram dele, ainda insistindo na confissão. Para sua salvação, logo Adela chamou todos para a parte de trás da casa onde as mesas já estavam prontas. O almoço que ela prepara era muito colorido; vegetais, legumes, carne branca e vermelha, arroz e feijão como no costume brasileiro, além de uma sobremesa doce e saborosa.
***
Enquanto todos ainda almoçavam, Elric já se dera por satisfeito e se afastou do grupo. Christophe aproveitou essa chance e seguiu o pai até a sala de estar onde os dois ficaram a sós.
Elric pegou um livro qualquer na estante e se sentou, mas antes que começasse a ler, Christophe se sentou ao seu lado.
— O que você quer? — Elric perguntou com um suspiro e um leve sorriso.
— Quero falar contigo sobre um assunto que está me incomodando.
Elric piscou e, com um novo suspiro, fechou o livro e o colocou de lado. Então olhou para o filho como quem diz “estou ouvindo”. Christophe, satisfeito, encostou-se a alguns travesseiros e começou a falar.
— Eu já sei o que quero fazer na universidade.
— Maravilha!
— É medicina.
— ... Medicina?
— ... Algum problema? — perguntou Christophe, pois a expressão de seu pai não parecia a de alguém contente, mas de alguém receoso.
— ... Não, não... — Elric coçou a cabeça, mordeu os lábios e torceu o nariz. — Está tudo bem, tudo bem,... mas tem que ser medicina mesmo?
— Si-sim... — Christophe vacilou. — Por quê? Há algo que te incomoda?
— ... Bem... É que medicina é... O que você quer fazer dentro de medicina?
— Neurocirurgia.
— Neurocirurgia... — Elric repetiu aquilo com mais sofreguidão. Parecia que a ideia era péssima, o que fez o filho se sentir mal e confuso ao mesmo tempo.
— Pai, porque o senhor fala desse jeito? — Christophe se inclinou na direção do pai. — Há algo de errado em eu querer ser médico?
— Na verdade, nada — disse Elric, se recostando ao encosto do sofá como se estivesse muito cansado.
— Então...?
— ... Por que medicina? — Elric se voltou para o filho. — Você se dá tão bem com eletrônica, por que não continuar nessa área? Talvez trabalhar com programação, com robôs...
— ... Não! — Christophe falou depois de olhar ao seu redor como se procurasse a explicação para as estranhas reações do pai.
— Bem... Não há nenhum problema na verdade... Até que é um curso muito bom, uma profissão louvável, na verdade...
— Então o que há de errado?
Elric se calou e pareceu meditar por um momento. Enquanto pensava no melhor jeito de expressar a Christophe o que ele achava, sua expressão parecia cada vez mais com alguém que não sabe exatamente o que dizer.
— Sabe o que é? É que é um curso tão caro...
Christophe encarou o pai por exatos um minuto, com expressão indescritível, até que se levantou de repente, pôs as mãos na cintura e falou com com raiva:
— Eu não acredito nisso! Como é que o senhor pode ser tão avarento, pai?
— Ei, eu não sou avarento, apena cuidadoso com as finanças... — Elric se defendeu.
— Não! Você é avarento — falou Christophe, apontando para o pai. — Pelos céus, o senhor tem uma vida estável, suas finanças estão em perfeita ordem, e o senhor até tem uma reserva considerável guardada, mas é difícil até investir no futuro dos seus filhos? Qual o seu problema?
Christophe parou diante do pai e o encarou. Seu rosto estava rígido e reprovador, o que irritou um pouco Elric, mas ele nada falou, pois, no fundo, as palavras do filho pesaram em seu coração de pai.
— Veja bem,... você poderia considerar que... a carreira é difícil, filho, exige muito de você... longas jornadas de trabalho, e o risco que você assume, ainda mais na área de cirurgia — Elric tentou argumentar.
— Eu tenho plena consciência de todos os prós e contras, pai! — Christophe falou asperamente.
Elric passou a mão no rosto, sem saber o que dizer. Por um minuto não conseguiu encarar o filho, e fitou seus olhos numa parede ao longe. Então voltou a olhar para o filho que novamente se sentou no sofá, totalmente aborrecido.
— A única universidade que oferece um curso desses decente é a Universidade de Medicina de Grahan — disse Elric.
— Eu sei — Christophe falou sem olhar para o pai. — Já até fiz a inscrição para o processo seletivo. E sim, é uma mensalidade muito alta. Seis anos de duração.
— Entendo. — Elric suspirou e balançou a cabeça. — Suponho que você espera que eu pague... A mensalidade?
— Se puder me ajudar — Chrsitophe falou depois de um suspiro — eu posso bancar tudo, só preciso da mensalidade e de um carro. Eu posso parcelar o carro, o senhor só me ajuda com a entrada.
— Com seu trabalho freelanser? — ironizou. — Como se você ganhasse mais de três mil deltas [1]. É mais fácil eu te comprar um carro.
—Se o senhor acha...
— Ok, ok. — Elric pensou por um momento. — Então... Faça a prova, mas também faça o exame para ingressar na Universidade de Tecnologia de Kendrich. Se passar, resolveremos isso depois.
— Tudo bem.
Christophe se levantou, a cara fechada, mas decidido a passar na universidade de Grahan e cursar medicina, como escolhera para si. Elric, por sua vez, ficou a ruminar a conversa, avaliando seu próprio comportamento. Depois das verdades que o filho acabara de lhe falar, ele se sentiu envergonhado por pensar mais em sua própria segurança financeira do que no futuro de seus filhos.
[1] Delta é a moeda de Graham e equivale a R$1,50.
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