Dons

3 Capítulo 3 - Desencontros


Hoje é sábado. Vou encontrar minhas amigas na livraria. Ainda faltam algumas horas, para que eu possa sair, então tomo um bom banho. Escolho um vestido cinza, com um pequeno decote nas costas em forma de U, de manguinhas, marcado na cintura e esvoaçante, que vai até o joelho, e um sapatinho dourado com vermelho. Deixo meu cabelo, que cortei na altura dos ombros, solto. Olho para o relógio e vejo que já está na hora de ir. Ligo para Bay, porém seu celular está desligado. O mesmo acontece quando ligo para Ayla e Molly. Fico me perguntando de o porquê os celulares delas estarem desligados. Mesmo com a curiosidade, vou para a livraria.

Cerca de quarenta e cinco minutos, estou no local marcado. Sempre a mesma livraria, elegante, descontraída, casual e moderna. Pessoas passando de uma sessão de livros para outra. Outras paradas lendo suas capas. Algumas fazendo vídeos de resenhas.

–Oi, posso ajudar? –pergunta um rapaz que trabalha na livraria.

–Poderia dizer onde posso encontra o livro Carrie, a estranha?

–De Stephen King?

–Esse mesmo. –respondo.

–Fica na sessão de literatura estrangeira.

–Obrigada! –respondo sorrindo.

Caminho até a parte de literatura estrangeira, os livros não são organizados por nome, ou editora. São colocados por gênero, então minha busca pelo livro que quero demora um pouco. Viro para poder olhar os livros que estão atrás de mim e esbarro em um alguém.

–Me desculpe. -É apenas o que consigo dizer, já que a vergonha tomou conta de mim.

–Não tem problema, me desculpe também. Eu deveria ter prestado mais atenção. –Diz o garoto. –Você está bem?

–Sim, obrigada. E você? –Pergunto. Ele é muito bonito. Alto, moreno, cabelo cacheado e caído ate a altura do maxilar. Olhos castanhos profundos. E os lábios sem descrição.

–Estou bem. Meu nome é Nicholas. Qual o nome da senhorita?

–Phoby. Meu nome é Phoby. –respondo enrubescida.

–Seu nome é diferente. –diz ele me analisando.

–Isso não é o que um garoto diria logo de cara para uma garota que acabou de conhecer, graças a um encontrão. –retruco agora nada envergonhada. Ele é lindo, parece um deus grego. E eu não consigo deixar de olhar para os lábios dele.

–Peço mil perdões por ter dito tamanha asneira. –responde ele fazendo uma leva reverencia. –Senhorita Phoby.

–Não precisa se desculpar, Príncipe Nicholas. –Digo sorrindo ironicamente.

–Enfim. Você esta procurando algum livro?

–É o que as pessoas fazem quando vão a uma livraria.

–Exatamente. –responde sorrindo. –O que está procurando?

–Carrie, a estranha.

–Esse livro é bom. Mas não acha que vai deixar você com medo? –pergunta, me olhando fixamente.

–Não mesmo. Por que acha isso? –continuo não conseguindo desviar o olhar.

–Não sei, apenas disse. Acho que é por que você tem uma aparecia sensível.

–Isso são pensamentos machistas?

–Claro que não. Diga-me. Gosta desse tipo de literatura? –pergunta.

–Sim, porém ate certo ponto. Os meus preferidos são os de romances sobrenaturais. E gosto muito dos de mitologia.

–Entendo. –ele faz uma pausa, que parece não ter fim, então diz – você tem olhos muito bonitos. Castanhos escuros e claros, ao mesmo tempo. Intrigantes. Sei que nos conhecemos agora, mas gostaria de sair comigo?

–Obrigada, pelo elogio. E uau, para o convite. Tipo, eu posso ser uma psicopata, que finge gostar de ler, somente para aceitar convite de garotos intelectuais e levá-los para um lugar qualquer e torturá-los.

–Humm, psicopata. Deixa eu te dizer uma coisa. –Ele chega mais perto, e eu dou um passo para trás, esbarrando na estante de livros, olho para os lados e não tem ninguém. Ele encosta os lábios no meu pescoço, e diz:- Eu gosto de adrenalina. Gosto de pessoas que me causam surpresa.

Um calafrio percorre o meu corpo. Fico imóvel. Meu corpo está congelado em um espaço de tempo, em que apenas sinto prazer e medo. Por fim consigo dizer:

–Acho melhor você se afastar. –Digo isso, mas na verdade quero que ele continue.

–Phoby. –Continua Nicholas, agora sussurrando no meu ouvido. –Sei que você está com medo, mas não é minha intenção.

Ele segura o meu cabelo com uma das mãos, enquanto a outra segura com firmeza minha cintura. Eu não consigo dizer nada, é como se ele tivesse me enfeitiçado.

–Não tenha medo. –dizendo isso, ele beija meu pescoço e outra onda de choque me invade. Ele continua com os beijos passando pela linha do meu queixo. –Só relaxe. –Então ele morde levemente meus lábios. Não consigo resistir e mordo os lábios dele. Nicholas aperta ainda mais minha cintura, e eu passo os braços ao redor do seu pescoço, quando ele me beija delicadamente cheio de fúria. Afasto-me dele, somente para ele me puxa de volta.

–Eu não deveria estar fazendo isso. –digo ao seu ouvido, mordo sua orelha, e seu pescoço.

–Você ainda não respondeu se sairia comigo. –fala ele sorrindo.

–Pensei que o beijo tivesse significado um “sim”. –respondo puxando levemente seus cachos.

Ele sorrir e me beija novamente. Por fim consigo me afastar.

–É melhor nós pararmos. –olho para os lados, e fico espantada com o fato de ainda não ter ninguém nessa sessão. –Eu tenho que ir.

–Posso te deixar em casa. Se quiser. –fala ele.

–Obrigada. –respondo. –E, por favor... Deixa pra lá.

–Tem certeza?

–Sim. –digo e saio apressadamente da livraria. Pego o primeiro taxi que vejo e vou para minha casa.

Caio diretamente na cama, e passo a mão pelos lábios, o pescoço. Nos locais onde Nicholas beijou. É como se a natureza tivesse me dado um banho da sua graciosidade. Fico pensando nele, e em... Adormeço.

Notas finais
Comentem. Isso vai me ajudar a melhorar a historia!! Please ¬.¬