Donas de Casa Desesperadas
11 Ah, Mas no Fundo
Em um escritório de terapia, o Dr. Goldfine observa o casal a sua frente.
Marina estava arrumada como uma dona-de-casa dos anos 50. Seu cabelo era ondulado perfeitamente e parecia não se mover. Ela sorria a todo momento, ao contrário do marido Franja a seu lado, parecendo emburrado.
Marina: Somos apenas nós quatro. O mais velho, Andrew, tem 16 anos, Carla tem 15, e...
Marina para de falar e abaixa para pegar sua bolsa. O Dr. Goldfine a impede com um gesto.
Goldfine: Não preciso ver as fotos... Marina, você gastou a maior parte de nossa hora com conversa fiada.
Marina: Eu fiz isso?
Marina forçou mais seu sorriso. Franja a encarou de lado.
Goldfine: Sim, você fez... Franja falou mais sobre os seus problemas.
Marina: Eu... Hm...
Franja: Ai é que ta. Ela não gosta de falar sobre os sentimentos dela! Ela está sempre... “Perfeita”, tudo está bom para ela! Ela esconde os sentimentos dela, de jeito que ninguém consegue ver! Ela usa todas aquelas coisas doméstica como disfarce.
Marina não estava ouvindo. Ela estava encarando um botão solto na jaqueta do doutor, que estava atormentando-a. Ela disfarçadamente estende sua mão até sua bolsa novamente, e retira um kit de costura.
Goldfine: É verdade, Marina?
Marina: Hm? Oi?
Goldfine: Você usa trabalho doméstico para esconder seus sentimentos?
Marina: Mas é claro que não!
Ela sorri novamente, devolvendo o kit a bolsa sem que ele perceba.
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Na casa de Magali, ela leva uma sacola de roupas para Martha.
Magali: Tá aqui o que eu separei para a Carmen. Não são muito estilosas.
Martha: Ora, Carmen é uma necessitada agora, ela não pode se dar ao luxo de ficar escolhendo.
Martha dá uma olhada na sacola, e retira uma blusa amarela e laranja, devolvendo a Magali.
Martha: Mas também não vamos jogar sal na ferida.
Magali: Olha, eu tenho que voltar pro jantar...
Martha: Tudo bem, já to indo.. Oh, foi você que eu vi sendo parada por um policial?
Magali: Sim... Os meninos estavam pulando no carro.
Martha: Crianças podem ser tão levadas.
Magali: Eu já tentei tudo... Eu gritei, eu ameacei, eu conversei, eu implorei, nada funciona.
Martha: Sabe, eu dava trabalho para minha mãe no carro. Uma vez, ela parou o carro e me fez descer do carro, e foi embora.
Magali: Cê ta brincando.
Martha: Ah, ela voltou logo em seguida.Mas eu nunca mais aprontei com ela. Você deveria tentar isso.
Magali: Martha, eu nunca poderia deixar meus filhos na rua.
Martha: Quando se trata de disciplina, você tem que ser criativa. Minha mãe sabia disso.
Magali: Bem, tenho que voltar ao jantar... Até mais.
Martha: Até.
Martha começa a atravessar a rua e vê Mônica.
Martha: Mônica, você separou as roupas para Carmen? Ela não tem nada para vestir.
Mônica: Ora, achei que esse era o visual preferido dela.
Martha: Oh Mônica, Carmen pode não prestar, mas ainda é um ser — humano.
Mônica: Eu tenho minhas dúvidas.
As duas seguem caminhos diferentes. Mônica segue em direção da casa de Mary Alice, e Zach está lá fora.
Mônica: Zach? Posso falar com seu pai?
Zach abre a garagem. Paulo está lá dentro, fechando um baú com fita adesiva.
Mônica: Oi.
Paulo: Olá.
Mônica: Espero não estar interrompendo.
Paulo: Na verdade, estou de saída.
Mônica: Só vim para ver como vocês estão.
Paulo: Está sendo difícil, mas estamos seguindo em frente.
Mônica: Imagino. Não saber porque Mary Alice...
Paulo: Por que, o quê?
Mônica: Porque ela fez aquilo.
Paulo coloca o baú no porta-malas do carro dele.
Paulo: Posso ser sincero? Eu não ligo para o porquê dela ter feito aquilo. Talvez estivesse deprimida, ou entediada, sei lá. Só sei que ela abandonou seu marido e filho, e eu nunca vou perdoá-la.
Ele entra no carro e vai embora. Mônica fica observando.
Mary Alice: Observando Magali, não pude deixar de sentir pena... Ela quer tanto saber por que eu fiz aquilo.
Um lago, à noite. O carro de Paulo para na beirada. Logo ele sai do carro, e retira o baú.
Mary Alice: Por que eu me matei.
Ele atira o baú no lago, e o observa afundar.
Mary: Sabe, não basta querer saber a verdade. Você precisa saber onde procurar. E a verdade é evasiva, pois ela sabe como se esconder.
O baú afunda completamente, soltando bolhas na superfície. Paulo respira fundo e vai embora.
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