Dona De Mim

20 Capítulo 20 - Um pouco de Cadú.


Notas iniciais
Hora de entrar na cabeça do nosso homem.Tão complicado...

Ela foi embora assim, como se não sentisse nada, depois do nosso fim de semana. O que eu vou fazer? Minha garota... Eu perdi minha garota. Eu sou um idiota frio! Ela é forte e sei que não vai voltar de lá. Vai me esquecer. Mas eu a amo.

Os dias passaram e eu era só escuridão. Eu sempre fui frio e calculista, mas nunca me senti tão abandonado. O que eu fiz para minha garota não teria perdão. Eu perdi o controle. Passei dos limites. Essa merda de vida BDSM. Grande merda de Dominante eu sou. Um Dominante cuida de sua submissa e eu perdi não apenas uma sub, mas o meu amor, a minha luz, a minha alegria.

Eu não conseguia trabalhar. Ia ao escritório, mas não conseguia me concentrar.

Quando chegou a sexta-feira eu já estava sofrendo feito um cão sarnento. Saí para beber sozinho.

– Ei, João. Um duplo sem gelo. — Pedi.

– Carlos, você está péssimo cara.

– É cara. Preciso dessa dose já.

Enfiei minha cara no uísque. João, o garçom, era quase um amigo e conversamos por horas. Não tive coragem de dizer o que fiz, mas contei que minha garota havia me abandonado.

– Cara, um amor se cura com outro amor ou uma boa foda. Vai nessa! — Disse João. Esse é o lema masculino e eu estou parecendo um imbecil sofrendo desse jeito.

Tomei minha última dose e liguei para Cassandra, uma das subs que eu costumava ver.

– Em casa, em meia hora.

– Sim senhor. Algum pedido especial?

– Você tem uma peruca loira de cabelo cacheado?

– Posso arrumar.

– Faça isso.

Fui para a casa esperar minha refeição do dia. Eram mais de 22h e tomei um banho rápido.

Alguns minutos depois ela chegou. Ela é linda e estava ainda melhor com aquele cabelo. Acenei para ela ir para o quarto e ela foi. Ela era bem treinada e eu não precisaria falar muito.
Fui para o quarto e ela já estava pronta e em seu lugar. Comecei o jogo dando um pouco de prazer a ela. Assim que ela gozou eu comecei a descontar minha raiva. Peguei uma vara e mandei que ela se ajoelhasse e debruçasse no banco perto da cama. Um, dois, três golpes. Ela gemia, eu sabia que gostava de violência e foi por isso que a escolhi. Queria descontar minha dor.

– Você gosta disso não é.

– Sim, senhor. Por favor. – Ela gemia, mas não causava nenhum efeito em mim. Nem excitado eu estava ainda.

Dei outro golpe e ouvi um suspiro na porta do quarto – Ãh... – Olhei e lá estava minha garota, de olhos arregalados e as mãos na boca. Soltei a vara e deixei cair no chão. Eu não sabia o que fazer. O que ela está fazendo aqui?

Ela virou e correu. Corri atrás dela e a agarrei. Ela tremia e não conseguia respirar.

– Acalme-se Bianca. Respire.

Ela começou a se debater para sair dos meus braços. Eu a soltei. Ela olhou pra mim e seu corpo todo termia, quase em convulsão. Seus olhos mostravam medo e eu nunca me senti pior em minha vida.

– De-de-desculpe in... Ah... – Ela soltou um suspiro e respirou mais fundo para conseguir falar. – ...incomodar você.

– Bia, por favor, eu achei que nunca voltaria pra mim. – As últimas palavras saíram sussurradas e eu caí sobre os joelhos. – Não vá embora. – Eu estava com a cabeça baixa e olhos fechados.

Ela pensou por um tempo. Eu me senti envergonhado, um monstro. Graças a Deus Cassandra teve senso e não saiu do quarto.

– Carlos Eduardo, meu sol. – Ela ajoelhou em minha frente e ergueu meu rosto. – Eu estou no Hotel Fire. Arrume-se, resolva-se e me procure.

Levantou calmamente e foi embora. Eu não me mexi, olhando a porta pela qual ela havia acabado de sair. O simples toque de suas mãos em meu rosto vez meu coração voltar a bater e afastou todos os meus demônios. Eu levantei e fui até o quarto. Cassandra já estava vestida.

– Você a ama Carlos. Não perca a oportunidade. Espero ter ajudado. – Ela deu um pequeno beijo em meu rosto e foi embora.

Sim, ela me ajudou e muito. Eu não senti tesão algum em estar com ela ou batê-la. Não era aquilo que eu queria. Não era ela que eu queria. Quero Bianca em meus braços. Quero sua pele branca e suas curvas avantajadas se encaixando em mim. Só em pensar nisso, já fiquei excitado. Ela é minha garota, meu complemento, minha alegria. Eu tenho que tê-la para sempre.