Dom do destino

2 Ele não gosta de ruivas


Notas iniciais
Entãoooo! voltei *-* Enjoy ;*

Os olhos verdes dos dois me encaravam esperando algum tipo de reação, a reação provavelmente pegou um avião na segunda classe para Vênus.

"Será que podemos conversar com a senhorita de forma mais..." A loira fala como se mastigasse as palavras. "Reservada?" Por fim ela abre um belo e branco sorriso. Passo os olhos no seu irmão, ele não sorri.

Penso durante alguns segundos e acabo por concordar com a mulher, abro a porta dando passagem para que eles entrem.

"O lugar é pequeno, mas podem ficar a vontade" Digo, não tentando parecer simpática, mas sim por que notei Anthony torcer o nariz ao ver a casa, sua irmã ao contrário dele, ela assente rapidamente. "Querem um café, água?" Agora sim eu pergunto por educação.

"Não obrigada" Anabeth diz calmamente. Anthony apenas nega com a cabeça enquanto continua a revistar cômodo com os olhos.

"Então, o que querem?" Questiono.

"Sabemos do caso de hoje pela manhã, o terrorista foi preso" Anthony quem começa a falar.

"Menos mal" Dou de ombros.

"Sabemos que você nunca praticou qualquer tipo de artes marciais, nem malhação, seus vizinhos dizem que nem ao menos sai de casa para correr" Anabeth parece medir cada palavra que sai de sua boca, sua voz é doce e calma.

"Olha que legal, a CSI já sabe que sou uma completa sedentária, mas alguma coisa?" Sim, fui bastante irônica e grossa.

"Seu pai morreu há dois anos, sua mãe trabalha no bordel mais famoso da cidade" Anthony rebate no mesmo tom de ironia. "Você tem um gato, sempre compra a ração aqui perto, trabalha em uma lanchonete próxima da aqui, seus únicos amigos são Henry Lancaster e Mica Moore"

"Olha, mas interessante ainda, estão mais eficientes que meus vizinhos fofoqueiros" Agora eu abro um largo sorriso em puro ato de uma doce e angelical ironia.

"Anthony!" Sua irmã a repreende. "Desculpe-me Jemime... o que meu irmão quer dizer é que se você não tinha como saber lutar...prova que você é; hum, digamos...diferente" Seus olhos me fritam em busca de algum tipo de emoção. Eu fico estática... até começar a rir e como eu ri, ri de gargalhar até que não fosse mais possível.

"Uou, agora vocês se superaram" Digo ainda rindo. Os irmãos continuam a me encarar.

"Todos os seus golpes foram descritos por ele segundos antes de você desarmar o terrorista e salvar o dia, nos estávamos na equipe de contenção terrorista... A CSI nos mandou aqui por um único motivo, se você não tinha de forma nenhuma como ouvir o que ele disse, então acreditamos que você inconscientemente leu seus pensamentos e seu corpo reproduziu, nossos cientistas querem entender melhor o seu caso, já vimos isso acontecer antes Jemime...é fascinante a forma que você evoluirá" Anabeth mostra certa empolgação em sua voz, contudo é quando ela termina que vejo toda a sua tensão. Anthony continua impassível como de costume.

"Olha, eu sei que eu sempre senti coisas estranhas em relação a outras pessoas, isso é normal, já pesquisei na internet, mas dai a dizer que eu li pensamentos, é bastante paranóico" Meu estomago revira por dentro, eu nunca falei sobre isso com ninguém antes, nem ao menos com meu pai.

"Você está no início e é normal que comece mais fraco, você só reproduziu o que Anthony havia dito que faria se pudesse por que estava em uma situação de desespero e isso fez com que seus dons se aguçassem... só temos quatro casos dos seus dons no mundo inteiro" Anabeth explica.

"Então, digamos que sou isso ai que você esta falando, isso significa que estão aqui por que vocês querem me transformar no seu rato de laboratório?" Indago um tanto irritada.

"Não, queremos transformar-la em uma agente" Desta vez é Anthony quem fala. Se bem que eu duvido que preste pra coisa. Espera! O que esta acontecendo? Ele não disse... disse?

"Vão embora" Sussurro. Essa garota é burra ou o que? Essa é a chance da vida dela.

"O que?" Anabeth parece confusa.

"Vão embora" Grito.

Anthony caminha na minha direção lentamente, como quem inspeciona para ver se sua presa está no ponto, eu o encaro sem medo.

"Uma pena...acho que você daria uma ótima agente" Ele fala, contudo, eu sei que é mentira.

"Você está mentindo" Nego com um sorriso nervoso.

"Eu sei, você leu minha mente" Com suas palavras vejo o loiro sair da minha casa. Agora resta apenas sua irmã me encarando.

Ela também se aproxima de mim, porém ao contrário do irmão ela pega minha mão e a aperta.

Ele não gosta de ruivas...longa história.

Anabeth sorri e eu juro que seguro, mas ela consegue me quebrar por dentro e acabo por sorri de volta.

Jemime...podemos te ajudar a vingar seu pai, podemos te ajudar a entender melhor seu dom, podemos te empregar na CSI, dar treinamento, você seria muito útil para o país.

Eu fico ali, olhando-a, ela também me encara com seus grandes e belos olhos verdes.

Ela tira de seu bolso um fino cartão branco e me entrega. Por fim ela solta minhas mãos e caminha pelo mesmo trajeto do seu irmão. Está prestes a fechar a porta quando para e me encara.

"Você pode estar correndo perigo, tome cuidado, as informações sobre você na CSI são sigilosas, mas é difícil saber se tem alguém infiltrado, procuramos ao máximo evitar isso, de qualquer forma, fique alerta, nunca se sabe" Com isso ela fecha a porta e me deixa ali, com cara de tacho enquanto Bela espantada sai debaixo da cama.

Dou uma rápida olhada no cartão. Tem apenas um número de telefone celular.

"Você é bem medrosa em Bela" Acaricio a gatinha para acalmá-la "Não se preocupe, ela está blefando".

(...)

Henry ligou dezoito vezes, Mica ligou nove vezes. Realmente, curiosidade é o forte desses dois.

Levanto-me da cama e caminho para o banheiro. No espelho vejo meu reflexo de corpo inteiro. Não estou lá em um padrão de beleza. Estou um pouco mais gordinha do que deveria, na minha barriga que antes era chapada, agora tem uma certa reserva de gordura. Okay, desisto, estou meio gordinha sim, pronto! Meu cabelo é cacheado e ruivo, quer dizer, acho que é por que no momento ele está um loiro avermelhado queimado, parece mais ferrugem e os cachos? Está parecendo mais um ondulado cheio. Meu rosto está com bastante espinha, não sou feia, mas estou bastante acabada...

Depois que meu pai foi assassinado eu pirei, durante muito tempo eu não comia e esqueci de mim enquanto procurava os infelizes que o mataram; acho que com o tempo eu acabei me acostumando com não cuidar mais de mim mesma. É Mica vive reclamado do quanto eu ficar assim é ridículo, mas eu não ligo, não consigo ligar... só quem vive o que estou vivendo entenderia.

Saio do banheiro para não me torturar mais comigo mesma. Meu telefone toca, é Mica. Atendo ou não atendo? Melhor atender.

"Jemime? Jemime! Graças a Deus você atendeu, temos muitíssimo o que conversar! Como assim você salvou o dia?! Não para de aparecer na TV, não sabia que você lutava. Não Henry, devolve! Não, Henry!" A voz do telefone é substituída pela extremamente animada de Henry "Jê vem pra cá, você precisa me ensinar àqueles golpes!" Os dois começam a brigar a ponto de que eu não consigo entender mais nada.

"Hei gente, calma." Digo em vão, a gritaria continua.

"Vem pra casa da Mica, está todo mundo aqui" Com todo mundo ele quer dizer ele, Mica e os pais de Mica.

"Okay, okay! Estou indo" Suspiro longamente enquanto eles continuam a brigar. Desligo o celular e o enfio no bolso. "Tchau Bela" Digo. Bela me olha e mia como quem diz: Okay, mas tu deixaste comida humana?

Saio de casa e vejo a chuva caindo. Droga, tudo o que não queria é ficar encharcada.

Marcho rapidamente pelos drogados e pelas pessoas que ficam se comendo em plena rua.

A noite já esta caindo e com a chuva sinto frio, meus passos fazem um barulho alto ao baterem contra o chão.

Ouço um estrondo alto atrás de mim, olha rapidamente pra trás, vejo a lixeira no chão.

"Tem alguém ai?" Questiono. Claro como se o estripador fosse dizer: Olá, sou Dolly seu amiguinho e vim te estripar.

Ando em passos um pouco mais largos, consigo ouvir alguém me seguindo em passos também mais rápidos. Olho pra trás e não vejo nada novamente. Dessa vez, começo a correr, novamente consigo ouvir alguém correndo atrás. Droga!

O ar no meu pulmão começa a me faltar, meu peito dói, o suor frio emana pela minha pele.

"Ai" Grito de dor ao escorregar na poça de lama e cair de costas no chão.

"Cansei de brincadeira" Um homem de quase dois metros de altura, negro e forte para de frente para mim, ele tira seus óculos escuros. Noto sua arma apontada em minha direção; até esqueço-me da dor em minhas costas, o homem atinge um chute forte na minha costela e eu urro de dor. "Levanta" Ele parece se divertir. Eu tento obedecê-lo, mas quando estou quase de pé ele me atinge outro chute ainda mais forte que o primeiro, este é no meu abdômen, sinto a tosse vir junto com a dor, o sangue jorra pela minha garganta. "Levanta!" Desta vez eu não me movo. Ele me puxa pelo cabelo me colocando em pé, de pernas bambas eu tento me equilibrar. "Ué, bater naquele terrorista era tão fácil pra você... ou será por que não tem nenhum sensitivo para te ajudar aqui?" Ele ri uma risada maléfica.

"Seu filha da puta" Mal termino a frase quando ele me da um tapa tão forte na face que eu caio novamente no chão, a dor é agonizante.

"Ei seu merda, por que não bate em alguém do seu tamanho?" Vejo o homem alto e loiro de mais cedo, ele está sem a sua cópia também loira.

O homem negro está com a arma apontada em minha direção enquanto Anthony mantém a arma apontada pra ele.

Só faça o que eu mandar

Eu assentiria se conseguisse, contudo não consigo me mover.

"Se você atirar..." Anthony o corta.

"Você vai atirar na garota e blá blá ladainha dos caras que costumam acabar sendo comida de minhocas em baixo da terra" O loiro revira os olhos.

Você consegue se mexer?

Eu só consigo olhar nos olhos dele enquanto tento negar ao máximo.

Se vira, rola pro lá quando eu disser já

Ah obrigada, ele é tão compreensivo.

"Coloca arma no chão" O homem gigantesco fala para Anthony

"Podemos negociar? Eu tenho muito dinheiro" O loiro rebate

"Seu dinheiro é pouca merda perto do que pagaram por essa garota" Uma gargalhada sádica ecoa de sua garganta.

Agora!

Anthony atira no homem que atira em mim, porém por algum milagre divino eu consigo rolar para a esquerda conforme a ordem de Anthony, por um triz a bala não me atinge. É rápido demais para que eu acompanhe, mas em poucos flashes eu vejo o homem negro tombar, Anthony vai até ele e o desarma, para por fim vir em minha direção.

"Você é burra ou o que?" O loiro indaga irritado.

"Você queria que eu imaginasse que um cara de dois metros de altura iria querer me matar?" Se eu pudesse eu teria gritado na cara dele, entretanto, se passou de um sussurro mórbido foi muito.

"Seus dons são valiosos" Sua voz é tranqüila desta vez, outra vez eu desejo não estar tão cansada, pois assim poderia tentar entender seus pensamentos, de qualquer forma, desconfio que eu só o consiga fazer com autorização do mesmo.

Eu choraria se eu conseguisse. A dor aumentou tudo começou a parecer acontecer como se eu assistisse a um filme como mera telespectadora.

"Como você me encontrou?" Junto todas as minhas forças para perguntar o que tanto havia me incomodado.

"Simples, somos iguais". Essa é a última frase que escuto nessa noite, seus olhos verdes são ultima coisa que vejo nessa noite, seus braços me carregando é a ultima coisa que posso sentir me tocar nessa noite... mas o que havia em sua mente foi a última coisa que me perturbou nessa noite, o que havia em sua mente é tão simples quanto suas palavras curtas e grossas: Ódio por eu estar viva.

Notas finais
Term alguém vivo? *-* Gostaram? Coments? saushauhsuah' Até mais ;*