Notas iniciais
MEU DEUS! GENTE CHOVEU COMENTÁRIOS NO ÚLTIMO CAPÍTULO! eu vou tentar compensar vocês com um final bem grande e sim, é o último capítulo desse triangulo amoroso. Acompanhem aí para saber quem ficou com o Cadu!

Era um dia chuvoso, embora a garota sugasse freneticamente a raspadinha por puro nervosismo. Estava sentada em um banco coberto pelo telhado de vidro da sorveteria e em um capuz grande, cobria seu rosto manchado pelas lágrimas de minutos atrás. Olhou no relógio, ele estava dez minutos atrasado. Ele sempre se atrasava para os compromissos, mesmo que fosse algo que ele esperava muito

– Oi — Ela levantou a cabeça para ver o garoto encharcado pela chuva e os cabelos rebeldes ensopados, colando em sua testa

– Pensei que não vinha mais, Gustavo — Mentira. Ele sempre vinha — agora fala porque me chamou aqui, eu to curiosa

– Desculpa. Eu te chamei aqui pra falar uma coisa bem séria e sei que você não vai gostar nenhum pouco

– Então diz de uma vez

Ele jogou os fios molhados para trás e se acomodou no banco de madeira, respirando fundo. Se notou que ela esteve chorando? claro que notou! conhecia Mariana com a palma da mão e sabia também que se perguntasse ela ficaria irritada

– Eu quero desistir do plano, quero desistir de tudo. Você pode queimar minha reputação se quiser, mas eu não posso continuar com isso!

– Pra dizer a verdade eu ia mesmo dizer que quero acabar com isso. Mas por que essa decisão de uma hora pra outra? ainda mais você, que sempre gostou de ferrar as pessoas

– Eu vi o jeito que o Enzo olha para aquele garoto e o Will também olha do mesmo jeito. Não é justo acabar com o amor deles, nem eu sou tão baixo assim. Mas e você? o remorso finalmente bateu?

– Sim, acho que sim. Um tempo atrás nós temos uma briga curta no intervalo. Você já deve saber né?

– Claro! aquele baixinho te derrubou na piscina — Ele disse prendendo os lábios para não rir

– Eu vi como ele tava triste. O garoto tava quase chorando! merda, Gustavo! eu nunca senti tanto remorso na minha vida

– Pois é, priminha. Ainda bem que você tomou juízo antes que fosse tarde demais

– Esse plano morre aqui ok?

– Fica tranquila! nós nunca mais vamos falar disso novamente, mas eu vou continuar no colégio. Senti falta de lá e eu tenho que cuidar de você. Depois do que você fez, duvido que ainda vai ter amigos — E aquelas palavras corroeram ela por dentro, mas engoliu o choro por pelo menos alguns minutos até que ele saísse

– É. Obrigada Gu, obrigada por tudo

– De nada priminha. Agora tenho que ir, até Segunda!

– Até

Quando ele sumiu na rua com o casaco apertado no corpo, Mariana teve tempo de pensar. Pensou na vida, pensou no primo, pensou na aposta que fez com ele há um ano e meio atrás

Era meio dia e quarenta e cinco, eles tinham acabado de chegar do colégio e ela passaria o dia na casa dele. Estavam no quarto, esparramados na cama e de pernas para cima

– Que dia chato! — o garoto declarou

– Chato? já passou disso! acho que vou morrer de tédio. Vamos fazer alguma coisa divertida por favor

– Alguma sugestão?

– Hm...verdade ou desafio?

– Ta! começa então

– Te desafio a falar com aquele garoto popular do nosso colégio. O nome dele é Enzo né? chama ele no facebook

No mesmo instante o garoto ficou tão vermelho quanto um morango e seus olhos se arregalaram. É óbvio que ela percebeu o que ele sentia

– OH MEU DEUS! Você gosta desse garoto! — ela riu, fazendo uma careta

– E se eu gostar mesmo? algum problema com isso?

– Não, mas é que isso é meio nojento. Então, vai falar ou não?

– NÃO!

– Qual é, Gu! se você não quer falar na rede social pode ser pessoalmente mesmo

– NÃÃO!! — Dessa vez o garoto gritou mais alto, afundando o rosto no travesseiro

– E que tal uma aposta?

– Que aposta?

– É o seguinte: se você não falar com ele vai ter que me pagar um lanche da cantina. Mas se você falar...

– Se eu falar... — Gustavo já se via interessado na conversa

– Eu te compro dez barras de chocolate! o que acha?

Antes mesmo de falar a resposta, o garoto foi correndo para o computador e começou a procurar o nome de Enzo com o facebook já aberto. Ele era um chocólatra, como não negar aquele pedido?

E aquela foi a pior merda que Mariana fez na vida

Depois daquilo ela passou a observar Enzo para ver se ele tinha alguma reação quando Gustavo ia conversar com ele. Ficava extremamente feliz, abria um sorriso lindo que aquecia o coração da garota. Ela não sabia direito quando começou a gostar dele e talvez até tenha começado a gostar pela "modinha". Mas em um belo dia, se pegou gostando para valer e pensava nele vinte e quatro horas

Aquele cabelo curto que bagunçava sozinho e não combinava com ela, aquela maquiagem borrada pelo choro, a roupa vermelha que não lhe caía bem, tudo aquilo eram coisas que ela não gostava. Estava na hora de cair na realidade

Enzo não gostava dela. Ele gostava do Cadu, aquele que para início de conversa era para ter sido seu amigo se ela não tivesse feito aquilo. Se não tivesse destruído os sentimentos dele, feito a escola inteira ficar contra ele. Meu deus, ela se sentia uma tremenda merda agora

Perdeu Cadu, perdeu Sócrates e Michelangelo que estavam do seu lado desde o início, perdeu o respeito dos outros, perdeu tudo... E era tudo culpa dela

depois do que você fez, duvido que ainda vai ter amigos

depois do que você fez, duvido que ainda vai ter amigos

depois do que você fez, duvido que ainda vai ter amigos

E essas palavras rondaram sua mente, até que ela se viu em prantos novamente com os soluços abafados pela água da chuva que batia no telhado. A raspadinha já tinha derretido e ela sabia que iria pegar um resfriado muito brevemente. Também sabia, que desculpas nunca adiantariam.

Mas tinha uma pessoa que se importava com ela de verdade e estava na mesma situação, pagando por ser cego e impulsivo. Michelangelo aceitaria se ela pedisse desculpas para ele? já estava na hora de parar de trata-lo como um capacho

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Enfim, era Segunda feira e Cadu não tinha feito absolutamente nada. Não atendeu as ligações de ninguém, não entrou no computador e nem tinha saído de casa. Apenas ficou lendo e vendo filmes porque queria pensar e ter um tempo para si próprio. Não sabia ainda de quem gostava, ou se gostava dos dois. Sabia que talvez estivesse amando, talvez estivesse amando os dois! nesses dois dias nem tinha falado com Sócrates direito, mas ele foi em sua casa no Domingo

Agora estava na biblioteca, folheando livros e procurando alguma coisa para ler digna de uma Segunda feira muito chata e entediante. Não ficou passeando pelo colégio como costumava ficar, porque odiava ver aquele moleque agarrado em Enzo e a ideia de que eles poderiam voltar a qualquer momento lhe corroía por dentro, então ele continuava folheando ás vezes com uma velocidade desnecessária quando pensava no tal Gustavo. Ciúmes? ciúmes sim! muito! se ele pudesse esganaria aquele garotinho idiota!

Pensava tanto que até tomou um susto quando sentiu uma mão parar seus dedos e quando olhou para cima, viu dois olhos castanhos lhe encarando. Loiro, altura quase como a dele e embora não tivesse um sorriso no rosto sabia muito bem que não era Sócrates

– Oi, Michelangelo — Tentou parecer grosso, mas aquele não era lá seu forte

– Preciso falar com você

– Já tá falando

– É sério! — Michelangelo parecia magoado. Ele resolveu dar uma chance

– Ok. Você tem cinco minutos

– Pra começar, queria falar que eu sinto muito e a Mariana também. Nós estamos muito arrependi...

– NÃO VENHA FAZER PROPAGANDA SOBRE ELA!

– ME ESCUTA! eu conversei com ela, a gente ta junto agora e ela me pediu pra falar com você porque sabe que você não ia perdoar

– Estão juntos? que lindo! realmente, os dois se merecem. Um filho da puta e uma vadia que fazem de tudo pra ver os outros mal — O loiro arregalou os olhos por um momento. Nunca tinha visto Cadu ser sarcástico, dar um sorrisinho maldoso como aquele ou falar palavrão desse jeito e também nunca pensou que veria

– Olha, eu só quero pedir desculpas por nós dois. Sei que errei feio e realmente quero que você me perdoe. Nós podemos começar do zero e ser amigos de novo. O que acha? — O mais baixo até ficou surpreso com aquele pedido

– Ao contrário do que você pensa eu perdoo vocês porque não guardo rancor de ninguém, mas não posso ser seu amigo. Desculpa Michelangelo, mas o que você fez não é coisa que um amigo faça. Vocês me apunhalaram pelas costas e nem ligaram quando todas essas pessoas começaram a vir pra cima de mim

– Desculpa, eu realmente sinto muito

– NÃO, VOCÊ NÃO SENTE! mas agora ta tudo bem porque eu aprendi uma grande lição com tudo isso. Aprendi que não posso ligar para a opinião dos outros porque não importa o que eu faça, eles sempre vão julgar. Já não me importo mais quando alguém me olha torto, ou quando algum idiota faz piadinhas. Eu quero que todos eles, inclusive você a Mariana, se fodam! me sinto muito melhor e em parte foi graças a você. Obrigada

Michelangelo se surpreendeu novamente com aquele discurso, mas ficou feliz por Cadu ter pelo menos te-lo perdoado. Já era um grande passo e quem sabe, com um pouco de sorte, ele daria outro passo maior?

– Ok, valeu por me ouvir. A gente se vê por aí?

– Sim, nas aulas e quando eu for na sua casa ver teu irmão

– Mas e diretamente, a gente nunca mais vai se falar?

– Não sei, Michelangelo. Eu realmente não faço ideia. Talvez, quem sabe, um dia — O loiro balançou a cabeça assentindo e saiu da biblioteca um pouco aliviado por aquelas palavras

Quando Cadu se viu novamente sozinho na biblioteca, se sentiu aliviado. Não tinha mentido em nada no que disse para Michelangelo. Toda aquela confusão acabou fazendo com que ele parasse de ligar para o que achavam dele e agora o garoto nem se importava mais quando um ou outro olhavam torto para ele, ou quando algum idiota ainda fizesse uma piadinha. Simplesmente parou de se importar porque sabia que não valeria a pena se entristecer por isso

– Então, como foi? — Mariana perguntou e Michelangelo se sentou no degrau da escada ao lado dela

– Ele ta melhor e posso até dizer que ta mais feliz

– Que ótimo! nos perdoou?

– Perdoar até perdoou, mas parece que não quer mais ver a gente — A garota suspirou um pouco triste com a situação

– Eu sabia que isso iria acontecer. Não tem mais o que fazer, só esperar que um dia ele chegue a falar com a gente normalmente. Obrigada por ter feito isso Michelangelo. Demorei demais pra enxergar isso também

– Enxergar o que?

– Enxergar que você sempre foi o melhor pra mim — O garoto sorriu e pegou o rosto de Mariana, se inclinando até que seus lábios se encostaram em um beijo doce

Depois desse dia, Cadu nunca mais falou com nenhum dos dois exceto quando uma briga entre os gêmeos começou. Mas isso já é outra história que fica para depois

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Duas horas da tarde. No período de aula ele conversou com Sócrates e até com Bernardo em umas brechas do intervalo, mas não viu Enzo nem Will. Depois na saída acabou se distraindo com Arthur e acabou se atrasando de novo. Voltou andando para casa sem a companhia do irmão e quando chegou já estava morrendo por causa do calor

Queria tomar um banho, se jogar na cama e quem sabe ficar conversando a tarde inteira com Sócrates no computador. Mas não foi isso que aconteceu. Assim que abriu a porta de casa, viu Isabel o encarando com um sorrisinho no rosto

– O que foi? — Perguntou confuso para a madrasta

– Nada! suba logo as escadas, tem dois presentes te esperando lá em cima

Ele não entendeu nada, mas resolveu subir porque a curiosidade lhe atiçou. Já nos degraus, ouviu Isabel dar um riso baixo, mas resolveu ignorar. Não podia ser algo ruim, podia? não devia ser nada demais. Isabel ás vezes exagerava nas coisas. Mas quando abriu a porta do quarto, viu que não era exagero nenhum

PUTA.QUE.PARIU...

Enzo e Will. Deitados em sua cama, sem nada no corpo exceto as cuecas azul e verde. Eles eram gostosos, ele tinha que admitir e aquilo eram resultados dos esportes que eles tinham no colégio. Assim que viram ele os olhos nublaram e ficaram estranhos. Ele estava sentindo uma fisgada estranha nas partes baixas e temia que fosse o que estava pensando

– MAS QUE PORRA... — Mas ele nem teve tempo de analisar a situação direito, ou sequer pensar em fugir dali. Enzo e Will não deixaram

Soltou um gritinho agudo quando foi pego pela camisa e jogado na cama. Em menos de cinco segundos, os dois estavam em cima do garoto menor distribuindo beijos e chupões pelo seu corpo inteiro, provocando gemidos que sem querer escapavam da boca de Cadu. Ele queria cobrar explicações, cavar um buraco no chão e se enfiar lá dentro, correr dali, mas ele simplesmente não conseguia

– O-oque vocês estão fazendo aqui? — Finalmente conseguiu fazer uma pergunta decente

– Eu e o Will conversamos e resolvemos te fazer uma proposta — Enzo respondeu enquanto arrancava a blusa do garoto

– P-proposta?

– Nós te amamos muito Cadu, muito mesmo. Não ligamos pro que os outros vão dizer, ou o que vão pensar de nós, mas precisamos falar com você antes de tomar alguma decisão. Sabemos o que você sofreu e se depender de nós nunca mais vai se repetir

– Falem logo...agh! falem logo essa proposta

– Nós também sabemos que você ama nós dois — Will continuou tirando a boca do pescoço de Cadu — e sabemos também que não podemos competir. Então, você aceita namorar com nós dois?

– OQUE? TIPO, UM RELACIONAMENTO NÓS TRÊS? — O mais novo perguntou corado

– Sim! não se preocupe, ninguém vai saber de nada e podemos até ficar indiferentes no colégio se você quiser

– Mas e o Gustavo? — Cadu não conseguiu disfarçar o desprezo em sua voz

– Ele não significa mais nada, pra nenhum de nós

– E se descobrirem?

– Nós assumimos e arcamos com as consequências. E então, sim ou não?

Ele estava pronto para dizer um não, quando pensou nas palavras de sua mãe

Não deixe os outros atrapalharem sua felicidade nunca meu filho!

– Eu aceito! — Disse radiante enquanto seu coração pulsava de alegria. Os garotos sorriram em pura felicidade

– Nós prometemos que te amaremos pra sempre Cadu, pra sempre!

Cadu só faltou de chorar de tanta alegria. Estava por fim, em completa felicidade. E excitado também

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25/12/2014

É natal. Dei uma guitarra para Will e um par de tênis novos para Enzo porque os dele já estavam muito desgastados por conta do futebol. As coisas tem funcionado muito bem apesar do risco que corremos. Você sabe que há alguns anos atrás eu nem acreditava no amor. Sabia que para ter isso corremos riscos demais, nos machucamos demais, sentimentos coisas demais ao mesmo tempo e no fim nem é aquilo que esperamos. Eu só errei em uma única coisa nessa lista. Eu me arrisquei, me machuquei muito, senti coisas todas embaralhadas, mas meu sentimento sempre foi recíproco e verdadeiro. Espero que um dia todos os preconceitos acabem. Todos nós merecemos ser felizes, merecemos encontrar um amor(ou dois) independente do sexo, cor ou raça. Mês que vem eu já estou indo para o terceiro ano, meu último ano no colégio. Confesso que estou bem ansioso com a matéria nova e mais dificultada. Enzo e Will prometeram que vão me buscar todos os dias no colégio porque não querem ver ninguém olhando para mim. Mesmo que eu não admita, adoro o ciúmes que eles têm. Minha relação com Sócrates vai bem também e confesso que nunca achei que ele fosse virar um amigo tão íntimo. Apostei em Michelangelo, mas ele acabou me decepcionando. Enfim, encontrei um amigo verdadeiro, amores, uma família e meu pai não é nada daquilo que eu pensei na primeira vez que falei com ele. Feliz natal, mamãe. Sei que você nunca vai ler essa carta, mas eu precisava de algum modo falar com você

Do seu filho que te ama, Cadu ♥

FIM

Notas finais
Obrigada a todos os leitores e leitoras que acompanharam até aqui. Desculpem pelos erros de português, pelos capítulos curtos e alguns até mesmo sem conteúdo que postei. Obrigada por se importarem comigo quando falei dos meus problemas e de todas as vezes que vocês me incentivaram a continuar. Eu estou planejando uma continuação dessa história então, aguardem Gostaram do final? eu espero realmente que tenham gostado dessa história, porque não tem lá uma escrita maravilhosa ou grandes surpresas, mas eu posso dizer que escrevi com meu coração. Amo todos vocês, obrigada por lerem Dois é demais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!