Notas iniciais
Eu queria agradecer pelos leitores que estão acompanhando a fic, deixando seus comentários com críticas positivas e negativas. Vocês são importantes pro andamento da história

– Não fiz por você. Graças a alguns problemas que eu tive com o ''garoto prodígio — Ele disse as últimas palavras com uma cara de nojo — o diretor me manda lavar todos os banheiros uma vez por semana. Você acha que eu ia deixar seu sangue imundo sujar o chão que eu esfreguei por horas?

Como descrever como me sinto agora? horrorizado, assustado, triste e puto da vida. Olhares atravessados, fofocas sobre mim, risadinhas indiscretas, pessoas que não iam com a minha cara. Já passei por tudo isso, mas NUNCA na minha vida alguém falou desse jeito comigo. É como se ele tivesse me dado um tapa na cara e fizesse ameaças de morte. Sim, meu orgulho chega a ser maior que eu.

– Vai me deixar passar ou ta esperando eu te atropelar, tampinha? — William quebrou o silêncio enquanto eu ainda estava mergulhado nos meus pensamentos. Dei passagem a ele, mas comecei a segui-lo pelo corredor. Não podia ficar assim, ele não podia simplesmente me odiar.

– Então é isso? — Perguntei.

– Isso oque e por que você ainda tá aqui? Some garoto!

– Você simplesmente fala que me odeia sem nem me conhecer?

Sua risada preencheu o ambiente como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.

– Não te odeio, mas também não quero virar seu amiguinho. É como dizem por aí. Se você tivesse pegando fogo e eu tivesse uma jarra de água na mão, eu regaria as plantas. A gente se vê em breve tampinha.

E ele se foi pelo corredor mal iluminado deixando um Cadu bravo e com o orgulho ferido. Eu queria correr atrás dele e soca-lo até as tripas saírem, mas eu não tinha força e provavelmente as minhas tripas que acabariam mal. Senti uma mão em meu ombro e pela expressão raivosa deduzi ser Sócrates, o gêmeo estressado.

– Onde você tava? te procuramos por toda a parte!

– Desculpe, esse colégio é enorme. Achei que podia achar sozinho, mas acabei me enganando — Menti. Não queria falar do meu ''pequeno incidente'' e ele parecia ter acreditado em minha desculpa por que pareceu ficar mais calmo.

– Ok. Vamos pra onde Nina e meu irmão estão.

A cantina era bem grande — com uma fila maior ainda — pra comprar lanche e cadeiras para os alunos se sentarem. Naquele horário só os alunos do primeiro ao terceiro ano estavam ali e o resto era um horário diferente. Não vi William, mas também não é como se eu quisesse vê-lo. Decidi não comprar lanche, eu não tenho apetite de manhã mesmo.

Depois da cantina vinha um espaço aberto com piscina onde alunos do fundamental nadavam, logo depois um muro com vista pra quadra que era bem ampla. Mariana parecia estar falando alguma coisa para o gêmeo sorridente que estava com uma cara de tédio do tamanho do mundo.

Ao longo daqueles minutos procurei saber mais sobre eles. A coisa que Mariana mais gosta de fazer é desenhar e pintar, quando ela me mostrou um desenho no caderninho que carregava eu quase não acreditei no talento que ela tinha. Entrou no colégio há três anos e queria fazer faculdade de artes fora do país.

Os gêmeos apesar de serem idênticos tem personalidades totalmente diferentes. Sócrates é impaciente, sério, estressado e seu pavio é muito curto. Na mínima irritação, ele explode e derruba tudo que estiver pela frente. Michelangelo é hiperativo, avoado, vive rindo e sorrindo por tudo. Os dois são opostos e iguais ao mesmo tempo. Um pouco confuso.

– Vocês são legais. Por que não tem mais amigos? — Perguntei e logo me arrependi quando o sorriso no rosto de Michelangelo sumiu e ele pareceu estar triste.

– Ah, é complicado Edu. A maioria dos alunos nos zomba por nossos nomes e quando Mariana ficou do nosso lado se afastaram dela também.

– Desculpe por ter perguntado — Disse arrependido.

– Não tem problema.

– O que você tanto olha, Nina? — Perguntei para a garota querendo mudar de assunto. Seus olhos se mantinham na quadra sem piscar.

– Já faz uns meses que ela fica secando o Álvares durante o intervalo — Respondeu o gêmeo sorridente.

– Quem é Álvares?

– Ele faz parte dos ''populares'' — Dessa vez foi Sócrates — É filho do diretor e por se destacar nos esportes vive cercado por garotas.

– Daniel não parece ser do tipo que gosta de esportes.

– E não gosta, o diretor tem dois filhos. Daniel, o mais novo, é o encrenqueiro e Enzo é o garoto prodígio — Lembrei de William falando disso mais cedo. Ele brigou com o filho prodígio, por isso o castigo tão injusto — Quer saber, vou pra sala.

– Espera Sócrates, vou contigo!

Os gêmeos se foram pela cantina e só sobrou eu e Mariana. Não estava nem um pouco interessado em saber como era a cara desse tal Álvares, então apenas me virei e fiquei apoiado no murinho vermelho o resto do intervalo que não durou mais de cinco ou dez minutos.

–-

Já era meio dia, hora de ir pra casa. O primeiro dia passou voando, tinha pouca lição de casa e os professores eram razoáveis. Alguns amigáveis, outros insuportáveis como William. Não sai da minha cabeça o jeito que ele falou comigo, como se eu fosse a pior pessoa do mundo. Ele deixou bem claro que fazia isso com todos, ENTÃO POR QUE EU NÃO CONSIGO ESQUECER ISSO?

Fui chegando perto da saída, Bernardo já estava lá e alguém estava ao seu lado, provavelmente nosso primo. Conforme ia me aproximando ficava mais fácil ver suas feições. Moreno, cabelo preto meio cumprido e repicado, olhos castanhos meio verdes e...NÃO!

Aquele era William e ele estava rindo com Bernardo, como se eles fossem amigos há anos. Mas Arthur disse que ele não falava com ninguém no colégio. Não, não pode ser. Ia ser muita sacanagem da vida...

– Esse é Cadu, meu irmão que veio do Rio Grande do Sul. Cadu, esse é Will, o primo que te falei. Ele vai passar a tarde lá em casa.

– Muito prazer Cadu. Bernardo falou muito sobre você, parece ser um garoto muito legal — William disse com um sorriso enorme e uma alegria que eu sabia que eram falsos. Ele estava agindo como se não me conhecesse, mas eu via em seus olhos que ele tava tirando uma com a minha cara. EU JURO POR DEUS QUE VOU MATAR ESSA IMITAÇÃO DE PERSONAGEM DE ANIME!

Notas finais
Me desculpem pelas letras maiúsculas, é uma forma de mostrar mais a personalidade do Cadu e como ele está reagindo em relação ao garoto rebelde. Espero que tenham gostado, deixem suas opiniões nos comentários e até a próxima