Dois é demais
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Eu sempre achei que amor adolescente não existia porque ainda não somos maduros o suficiente para lidar com um sentimento, palavras dos filmes de romance, tão forte e avassalador. Até agora, para mim isso parecia ser uma coisa quase...surreal. Eu pensei que nunca aconteceria comigo, nem quando eu fosse um adulto de quarenta e poucos anos. Deus! eu achei que seria tão amargurado quanto meu pai, ou talvez até pior.
Porém, aqui estou eu, sorrindo pelos cantos como um retardado sonhando, até mesmo acordado, com aqueles olhos verdes. Ando tão avoado ultimamente que fui até expulso do jogo. Outra coisa que achei que nunca aconteceria comigo.
Desde o primeiro momento que vi meu pequeno senti uma pontada no coração, uma pontada boa! porque ele é tão lindo e fofo que parece até um bonequinho. Quantas vezes não tive vontade de morder aqueles lábios vermelhos que parecem ser pintados com batom vermelho? quase fiz isso no cinema, mas ficou no quase mesmo. Na hora H perdi a coragem e dei uma desculpa no mínimo idiota, mas ele caiu direitinho.
Beijar ele foi como andar na montanha russa mais rápida do mundo. É claro, imaginei que seria em algum lugar mais agradável, mas nada acontece como imaginamos. Um turbilhão de sentimentos me invadiu e eu tive a confirmação do que já parecia mais que óbvio. Eu me apaixonei. Mais que isso, eu amo ele. Eu amo Carlos Eduardo Mendes. O jeito que cora por quase tudo, sua lerdeza e seus defeitos. Amo ele mais do que amei Gustavo.
Gustavo. Mesmo que eu fingisse que havia esquecido, era óbvio que eu nunca esqueceria. Daniel, meu pai, minha mãe e todos os meus "amigos" sabiam disso. Só não queriam me chatear falando do assunto novamente. Para todos os efeitos, ele morreu para mim.
Nós começamos a nos falar do nada. Ele me mandou uma mensagem perguntando para quando era o trabalho de Geografia e depois começamos a conversar sobre um monte de assuntos aleatórios. Éramos parecidos, tínhamos os mesmos gostos e assim o assunto acabou rendendo muito. Começamos a andar juntos no colégio, estudavamos juntos, íamos na casa um dos outros e ás vezes até dormiamos na casa um do outro. Foi em um final de semana que passei na casa dele que tudo aconteceu.
Ele me beijou e disse que gostava de mim. Naquele dia, nós dormimos juntos, no sentido malicioso mesmo. Começamos a namorar em segredo porque a sociedade tem um puta preconceito com homossexuais. Para o resto do colégio, éramos amigos leais. Quando meu pai soube, apenas suspirou e começou a me desprezar ainda mais.
Foi apenas metade de um ano. Nesses seis meses, eu fui feliz como nunca e falava eu te amo todos os dias para ele, mas depois do quarto mês eu comecei a perceber que não era mais recíproco, mesmo que ele dissesse "eu também". Só não esperava que ele fosse fazer aquilo. Me traiu, como se eu não fosse nada. Me senti tão destruído que cheguei a entrar em depressão. Algum tempo depois ele se mudou para uma cidade meio longe daqui e nunca mais deu notícias.
Apesar de tudo, ele me fazia sentir especial. Então pelos próximos seis meses do ano comecei a procurar um amor quase que desesperadamente. Para acabar com essa falta que ele fazia, mesmo que eu não quisesse admitir para mais ninguém além da minha mãe. Uma vez por semana, eu desabafava com ela pelo telefone.
Eu sempre era correspondido, mas nunca do jeito que eu queria. Era sempre pela aparência, pelo status de filho do diretor, mas nunca pelo que eu queria. Eu me sentia vazio e sozinho no mundo, quando ele apareceu naquele dia. Exatamente como Gustavo, do nada e por acaso.
E lá estava o moreno de novo. Eu odiava William incondicionalmente, por Guastavo e por Cadu também.
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