Dois tons de amor.
2 Difícil decisão Parte 1
Notas iniciais
You say goodbye in the pouring rain
And I break down as you walk away
Stay, stay
'Cause all my life I felt this way
But I could never find the words to say
Stay, stay
— Por quê? — Perguntei com lágrimas nos olhos!
— Você sofreu um acidente, ficou anos em coma! Anos Elliot! — Anne gritou, abaixando o olhar, seus soluços começaram a sacudir seu corpo, sua mão tremula e seus olhos marejados denunciavam o que estava por vim, à emoção também tomava conta de mim eu também estava ali parado com os olhos cheio de lágrimas quando ela disse o que por fim acabou comigo. — Anos! Sabe o que eu passei nesses 10 anos? Sabe o que eu tive que fazer pra não perder a cabeça? Sabe o que eu tive que me sujeitar? Você sabe? Tem ideia?
— É por causa disso você me abandonou? — Rebati amargamente, avançando com a cadeira até a gente ficar tão perto um do outro, mas ao mesmo tempo tão distante a magoa é a fúria eram sentimentos que vinham se instalando dentro de mim, já fazia algum tempo, desde quando acordei no hospital, sem ela. Anne me fitava com seus grandes olhos azuis como se a culpa daquele maldito acidente fosse minha, como se eu tivesse escolhido esse maldito destino, essa maldita sorte.
— Eu não te abandonei Elliot! — Ela se ajoelhou na minha frente e segurou minha mão — Eu continuo te amando como no primeiro dia! Eu passei meses vivendo no hospital, passei meses dormindo ao lado da sua cama, segurando sua mão implorando pra você acordar. — Soluços — Mas você não acordava! — Ela tentava se recompor limpava os olhos com a manga da blusa, mas chegou a um ponto que ela se dava mais ao trabalho ela apenas falava, uma palavra atrás da outra sem descanso, pelo que a eu podia perceber era que se ela tomasse folego ela desistiria de me dizer tudo que queria. — Eu nunca deixei de te amar! Eu nunca me permitir por um segundo sequer te esquecer, nunca, nunca, nunca.
— Mas você tem outro! Você também o ama? — A raiva, a frustração e até o ódio era evidente na minha voz, o que eu queria? Queria que ela sofresse como eu estava sofrendo, queria por o dedo na ferida e a fazer sangrar como ela fazia comigo, queria mostrar a ela que tinha outras opções, outras as quais ela nem cogitou. Queria poder gritar sair de mim e perguntar a Deus porque ele deixou aquilo tudo acontecer, porque ele não me protegeu e não cuidou de mim.
— Sim! Eu o amo, Alberto foi tudo pra mim enquanto você dormia, mas que droga! — Ela se levantou bruscamente soltando minha mão. — O que eu sinto por você e maior! Pelo amor de deus você dormiu por 10 anos pensei que você não iria sobreviver então ele apareceu é...
— Você se apaixonou por ele também! — Dessa vez eu abaixei a cabeça, caramba como me doía essa conversa, isso era como um chicote que me acoitava arrancando pedaços do meu coração, isso doía, minha alma se despedaçava, no final das contas quem sangrava mais era eu, tentativa falida de fazer ela sofrer mais do que eu, porque na realidade eu era a pessoa que ela deixou de lado, eu era a pessoa que passou 10 anos da sua vida sobre uma maldita cama dormindo, eu era o culpado, eu apenas eu.
— Isso!
— Você sabe que não pode ter os dois não sabe? Sabe que não pode amar duas pessoas, não desse jeito, com essa intensidade, com...
— Sim eu sei pelo amor de Deus — Ela chorava — É como eu sei meu Deus! — Ela levou as mãos Cabeça e andava de um lado para o outro chorando como uma criança.
— Então...
— Não sei, eu não sei — Ela desabou no sofá lagrimas e soluços se misturavam era difícil entende-la — Abrir mão de você e como se eu perdesse o ar perdesse a minha vida! — Ela tentou se recompor sentando no sofá com as costas retas — Perder ele e me faltar o chão, você é meu sonho, um doce sonho, mas ele é a minha realidade, eu não sei por que amo vocês dois nem sei como posso, não sei como um coração pode amar tanto assim duas pessoas, mas eu amo e eu não consigo me decidir! Consegue me entender? — Ela parecia confusa, e isso era o que mais doía isso ia rasgando o meu peito fazendo uma cicatriz enorme.
Essa indecisão dela me devastava, e o pior era saber que o que aconteceu eu não poderia mudar! Eu sei o quanto foi difícil pra ela criar a nossa filha sozinha, eu sei o quanto Alberto a ajudou, e Deus! Deus como eu te agradeço ter mandado ele para ter amparado ela, mas eu a amava! Eu era dela! De corpo e alma é ter o que fazer o que eu tinha que fazer me doía profundamente, me matava lenta e vagarosamente.
— Elliot! Se coloque no meu lugar. — Ela tentava me chamar de volta à realidade. — Eu estava sozinha, perdida, eu te amava, você era a minha vida, e te perder me fez enlouquecer, eu tentei me matar, acabar com a porcaria da minha vida, mas eu não consegui porque eu estava grávida, Alberto... Alberto foi um anjo não só na minha vida, mais ainda na de Eonora, ele foi ele é um ótimo pai, um marido atencioso é eu...
— Chega Anne! — Eu gritei. — Não eu não quero ouvir quando Alberto e maravilhoso pra minha família, de como ele e atencioso, gentil e de como você o ama, você nunca me perdeu, eu estava lá inacessível no momento mas eu estava, você escolheu partir — A chuva caia forte e eu não podia mais ficar ali olhando pra ela é a vendo chorar eu não iria resistir, a minha promessa foi justamente deixar ela me querer! Deixar ela decidir quem ela queria, deixar ela tomar a decisão da vida dela, Eu ou Ele, eu sei isso pode parecer egoísmo fazer outra pessoa escolher entre duas pessoas que ela amava, mas ela não podia ter nos dois, não romanticamente. — Eu vou embora! — Abri a porta do apartamento e fui ate o elevador, apertei o botão e esperei que ele chegasse, a minha vontade era de cair no choro ali mesmo, me encolher e esquecer do mundo mas me fiz de forte enquanto ela estivesse por perto, não iria demostrar ainda mais o quanto isso me magoava, quando o elevador chegou e eu entrei dentro dele suspirei para me recompor eu esperava que ela saísse correndo que pulasse no meu colo e disse que me amava que ela me escolheria porque ela simplesmente não podia me esquecer. Mas a realidade foi outra, ela não apareceu, nem pulou no meu colo, nem tão pouco disse que ficaria comigo, com os olhos cheios de lágrimas apertei o térreo quando sai na garagem olhei para o céu.
— Que merda! Agora eu vou me molhar todo ate conseguir entrar no carro! — suspirei novamente e sai na chuva, sai furioso, sai amaldiçoando a merda da promessa, amaldiçoando a vida, o motorista do caminhão e Deus, ele principalmente por não ter me protegido e evitado a porcaria do acidente, por ter me deixado tantos anos em coma, sobrevivendo sim sobrevivendo porque uma maquina me fazia respirar.
— Espera. — escutei a voz doce de Anne atrás de mim. — Não vá fica! Eu preciso... Eu preciso. — Nossos olhos se cruzaram eu sentia sua mão segurar meu braço firme, forte, ela realmente não queria que eu fosse embora! Mas eu precisava ir por ela, por mim, pela nossa filha! — Eu te amo Elliot! Amo tanto, que chega a doer. — ela se abaixou e com um grande guarda chuva florido me protegeu da chuva, sussurrando, baixinho só para que eu a ouvisse. — Apesar de tudo que vivi nesses últimos anos eu nunca fui feliz de verdade, faltava você pra completar, faltava seu toque, — suas mãos subiam pelos meus braços, seus olhos percorriam cada pedaço dele, pude ver em seus olhos a saudade que habitava dentro dela, — faltava sua respiração junto da minha. — agora suas mãos percorriam meu pescoço, meu rosto, ela estava tão perto que sentia sua respiração ofegante e seu hálito de hortelã. — Faltava seu abraço, — Ela me abraçou forte, sentando-se no meu colo, eu sentia o calor do seu corpo contra o meu retribui o abraço, um abraço que tanto eu como ela esperou por 10 longos anos para ser sentido, dizem que cabe em um abraço muito mais do que na verdade possa ser dado, nosso abraço era esse tipo de abraço era muito mais do que um abraço, era um reencontro de duas almas que se perderam na vida por causa do destino.
Ter ela assim nos meus braços me levava a outras épocas, sentir ela assim me fazia lembrar o quanto ela era importante pra mim e o quanto eu a amava! De como era a nossa vida antes do acidente, de como éramos felizes e de como eu ansiava pelo nosso futuro juntos. A afastei de mim, eu não podia, eu não devia, a soltei e a tirei do meu colo, me virei de costas, olhei para o céu, minhas lágrimas se misturavam a chuva que caia forte.
— Elliot?
Não conseguia dizer nenhuma palavra, elas não saiam era como se eu tivesse esquecido delas era como se eu tivesse acabado de acordar do coma, era como se eu não soubesse mais falar, apenas me virei e a olhei nos olhos, ela chorava baixinho como uma criança com medo e assustada, minha lembrança dela era do sorriso doce, da voz delicada, do jeito tímido eu não resisti esperei por 10 anos, 10 longos e malditos anos!
— Foda-se tudo.
Disse decidido chegando perto dela peguei em sua mão é a acariciei afastei o seu cabelo é o coloquei atrás da orelha, passei meus braços pela sua cintura a embalei
— Tudo vai ficar bem. — Disse sem ao menos acreditar que ficaria, disse pra acalmar ela, acalentar seu coração, disse mais pra que eu acreditasse, disse pra que fosse verdade, mesmo não acreditando em uma palavra.
— Promete?— ela segurava minha cabeça conta sua barriga e fazia carinho em meus cabelos molhados.
— Sim eu prometo, nem que eu tenha que matar, ou morrer, nem que eu tenha que ir até o inferno e voltar, eu te prometo, vai ficar tudo bem. — A segurei com mais força e por mais que minha mente me alerta-se a solta-la me afastar eu fiz exatamente ao contrario, eu a trouxe pra mais perto de mim, fiz ela sentar no meu colo a olhei no fundo seus olhos e a beijei, um beijo que esperou 10 anos pra se realizar, um beijo de total entrega e amor, um beijo de reencontro um beijo pra afirmar nossa paixão, nosso amor.
Então...
Just let it go
Don't wanna argue anymore
I can't be sure, I know just what we're fighting for
I know you're scared and that you're thinking I may go
I'm not leaving, I'm not leaving
And if you're thinking I might, might be lead astray
Just remember this one question.
All That Remains — What If I Was Nothing
Entrei no carro e partir.
Foi preciso, era preciso eu tinha que ir me entendem?
Vocês sabem o que é perder?
Perder porque você não tinha como lutar perder sem saber que estava perdendo?
Eu a olhava pelo retrovisor ela ainda estava parada no meio do estacionamento olhando eu ir embora, me olhando dessa vez partir porque eu queria.
Porque eu tinha que ir.
Lágrimas começaram a cair em fúria, meu coração se agitou, estava tudo errado, tão malditamente errado. Assim que cheguei em casa fui direto pro quarto, arrastei aquela maldita cadeira de um lado para o outro, a frustração era tanta, mas tanta, que comecei a tirar tudo do lugar. Arranquei o colchão da cama, derrubei a estante quebrei tudo é sim estava doendo, doendo muito! Doendo porque eu estava fazendo a coisa certa a se fazer, mas que droga! Porque que fazer a coisa certa tinha que doer assim?
Porque amar tinha que doer tanto?
Por favor, alguém ai me explica a lógica disso tudo?
Parei exausto olhei no espelho a única coisa que ainda restava inteira no meu quarto, estava agitado respiração ofegante, rosto lavado pelas lágrimas e o coração doendo, então eu fiz o que achei mais lógico naquela loucura toda eu soquei o espelho fiquei olhando seus cacos caírem de forma desajeitada como se me perguntassem porque daquilo, depois de algum tempo que me pareceu interminável eu olhei pra frente, olhei minhas mãos que eram apenas borrões manchados de sangue fui ate o banheiro peguei uma atadura e a enfaixei, soluçando me encostei na pia.
Você já pensou em como sua vida pode mudar, em poucos segundos? Assim como se aquilo fosse mesmo pra acontecer!
Como se estivesse escrito no nosso destino?
Sabe! Ás vezes eu acho que a vida meio sacana, porque ela gosta de fazer tudo virar de ponta cabeça, e tirar tudo do lugar...
Foram 10 anos...
10 longos e malditos anos.
10 anos que se passaram quando eu finalmente pude abri meus olhos novamente.
Você já pensou que pode fechar seus olhos e acordar 10 anos depois?
O que você faria?
Qual seria sua primeira reação?
Ficar tanto tempo assim preso dentro de si mesmo é uma das coisas que mais atormentam a alma, ficar tanto tempo sem poder me mexer, falar, sem poder viver foi um grande TORMENTO.
10 anos sozinho.
10 anos preso numa prisão dentro de mim mesmo.
10 anos vivendo com muralhas enormes que me cercavam...
Meu nome e Elliot Rans! Tenho 28 anos perdi 10 anos da minha vida em um acidente que me deixou em estado de coma, nem os médicos tinham esperanças que eu acorda-se.
Mas um milagre acontece e vualá...
— 10 longos e malditos anos. — meu sorriso era amargo. É quando acordei achando que iria viver de onde parei me enganei completamente.
As sequelas que tive depois do acidente não me incomodavam tinha chance de recuperar os movimentos dos braços e pernas, tinha chance de viver uma vida saudável, mesmo sem um dos meus pulmões e meu fígado seriamente comprometido, mas o que mais me doía era ver Anne casada com outro, tinha uma filha linda, estava feliz tinha uma nova vida! Ela tinha novos sonhos, novos planos, tinha deixado os nossos sonhos e planos pra trás e construídos outros com outra pessoa, e o mais difícil eu não fazia parte dessa nova vida esta sendo difícil, muito difícil viver essa parte da minha vida...
Eu ainda a amava eu ainda tinha todos nossos sonhos guardados comigo, mas a vida... A vida quis assim e eu não sabia mais o que fazer...
Umas das coisas que aprendi é que a solidão é uma péssima companheira, ela rouba tua paz, teu sossego, esfrega na cara o quanto ela pode te transformar, o quanto ela pode te magoar e te fazer sofrer, ela tem o poder de te mostrar o quanto você está sozinho...
Sozinho... Uma palavra tão pequena, mas com um significado imenso.
Descobri também que a vida cria laços de amor eles uni as pessoas, eles são pra sempre, pra toda a sua vida até mesmo quando se morre ele permanece ali imutável com o tempo, mas sempre acessíveis.
Já os laços de ódios também unem, também permanecem imutáveis, por um longo tempo, mas eles ao contrario dos de amor eles não são para sempre.
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