Dois Mundos - O término é o início

1 Capítulo 1 - O pedido de N° 55235.


Notas iniciais
Yooooo minna-san!!!Sou novato por aqui então vou logo dizendo ^^BEM VINDOS!!!Espero que gostem desse pequeno modo de me abrir pra vocês :D SÓ MAIS UMA COISINHA... A HISTÓRIA É TODA MINHA X.X RSRSRS

Conhecemo-nos por acaso. Estava de noite e fazia frio. Eu corria no outro lado da pista e ela caminhava. Reparei-a e sinceramente era linda. Brilhava seu rosto com as luzes da iluminação pública e a deixara mais bela... E dia após dia eu passava no mesmo horário, na mesma rua... Apenas para vê-la... Repeti a façanha por dias...

Certa noite antes de ir para casa como de costume, passei na lanchonete Sonhos Realizados, onde a minha lasanha predileta, La Peverone*, era feita. Prato esse que encanta até hoje meu paladar...
Fui adentrando-me naquela humilde empresa familiar e surpreendi-me. La estava ela sentada deliciando-se com a perdição, a lasanha dos meus sonhos... Inconfundível esse prato, eu o reconheceria a metros de distância... Fiz meu pedido no balcão, olhei em volta para escolher um lugar para assentar-me. Percebi que naquela noite havia mais clientes do que o normal habitual do dia a dia. E por sorte ou azar o meu havia apenas um lugar disponível, e ele estava ao lado dela.
Aproximei-me daquela jovem mulher reparei seus lindos cabelos longos e negros... tão negro como a noite sem lua. Fiz o primeiro contato:


— Bom fim senhorita... Como esta nosso prato especial dessa noite?


— Bom fim. Está ótimo.


— Posso assentar-me senhorita?


— Katie. Chame-me de Katie. Fique a vontade. O senhor é?

Mostrei-a um sorriso tímido e logo me apressei a assentar-me.

— Perdoe-me pelo incomodo. Meu nome é Policarpo Weslem estou fazendo o feedback da empresa. E infelizmente para eu realizar o questionário, vocês — clientes precisam estar alimentando-se. Então... Podemos começar?


— Sim. Disse Katie meio desconfiada.


— Pois bem, continuemos então. Como você avalia o nosso atendimento ao cliente?


— Regular.

— Nossos alimentos estão bem preparados e bem temperados?


— Sim. E eu gostaria muito de aproveitá-los...

Demonstrando-me desinteresse no assunto. Fiz uma última pergunta:
— E os preços estão acessíveis?

Katie levantou a cabeça e esboçando-me início de raiva disse:
— Sim. Posso comer agora?

O garçom interrompeu-me dizendo:
— Aqui está seu pedido senhor. Deseja beber algo?


— No momento não. Extremo obrigado. Olhei o garçom dirigindo-se a cozinha e senti um calafrio. Voltei-me para a senhorita Katie.


Furiosa ela engoliu a porção que estava em sua boca. E logo me perguntou:
— Quem é você? O que quer?

— Meu nome já é de seu saber. Não quero nada demais. Eu só gostaria de conversar com a senhorita. Não lembra-se de mim? Por semanas nos esbarramos na rua e no mesmo horário...

Ela fez um olhar de surpresa e deu uma gargalhada irônica, mas suave...
— Hahaha! Claro que me lembro de você, seu bobo! Já é de meu conhecimento que o senhor não trabalha aqui. Eu sei que o senhor sempre vem aqui para comer essa tal de lasanha a La Peratone...


— Peverone. Corrigi-a.

Ela continuou:
— Isso... Eu fiquei curiosa e quis experimentar. Vamos comer e conversamos depois, está bem?

Com um sorriso largo respondi rapidamente:
— Sim.


A noite estava tranquila. O céu límpido e estrelado, a lua cheia mostrava-nos o caminho. E eu sempre tive o céu como confidente...
Passados alguns minutos eu e a senhorita Katie terminamos a nossa janta.

Pagamos a conta e no balcão e perguntei-a:
— A senhorita me permite lhe oferecer a sobremesa?

Com o olhar serio me respondeu:
— Primeiramente. Chama-me de Katie. E sim... Eu adoraria.


— Conheço um lugar ótimo. Vamos?


Então andamos juntos para a sorveteria, Desejo Gelado. A melhor sorveteria da cidade. Grande e moderna, os preços ótimos e a cada quinhentas gramas ganha-se um brinde.
Chegamos à sorveteria. Logo pedi um, 55235, a numeração do pedido. Katie olhou-me com um ar de dúvida. Eu sorri e disse:
— Você vai adorar...

Após realizarmos os pedidos, buscamos uma mesa para sentarmos e aguardamos. Logo foi avistada uma mesa, a beira da porta da entrada principal. Sentamo-nos naquela mesa com lugares para quatro pessoas, redonda e com uma espécie de octagrama em seu centro e a seu redor quatro quadrados entrelaçados. As cores eram: Amarela, vermelho, azul e cinza. O octagrama era de cor preta e a mesa era branca.
Olhei em volta para perceber o lugar... Grande e bem aconchegante, climatizado e bem movimentado, sempre tocavam músicas boas. As paredes eram divididas entre duas cores: O branco e o vermelho; o chão era de madeira. O prédio continha dois pisos... O primeiro com mesas coletivas e o segundo para casais apaixonados todo pintado e decorado para realçar o amor, buque de rosas vermelhas e brancas ao centro de cada mesa, com duas velas perfumadas próximas a borda da mesa, as velas tinham cores verde e amarela. As paredes eram divididas igualmente em três cores, o teto e a parte superior da parede mais próximo eram de cor branda, logo abaixo do branco um rosa claro, abaixo estava lilás que tocava o chão e ele por sua vez era de azulejo azul claro em seu limite e em seu centro havia casais segurando flores ou se olhando ou se abraçando, a porta era de madeira de cor branca com cristais de gelo talhados, não havia parede na frente da mesa, dava a nós toda a visão do salão abaixo. Lembro-me desses detalhes, devido certa vez, que minha mãe e meu pai haviam levado-me e os dois subira, eu os acompanhei e fiquei encantado ao ver, assim como eles... Aquele dia de fato fora meu primeiro dia no Desejo Gelado.
Como estávamos à espera dos pedidos eu resolvi conhecer um pouco mais sobre a Katie.

— Percebo que não é dessas bandas... De onde é? Mineira?

— Hahaha... Percebeu? Realmente eu não sou dessa cidade... Nasci em Barbacena em Minas Gerais.

— Por que saiu de lá? Fiquei sabendo que é um ótimo lugar. Perguntei meio perplexo.

— Não era de meu querer... Mas fui forçada a sair. Porque aqui é o único lugar que conheço que tem uma empresa referência na área de bionanotecnologia na qual, atualmente estou cursando. Respondeu-me animadamente.

— Compreendo... Em qual faculdade está matriculada?

— Na FAACZ. Sabe onde fica? Perguntou-me sorrindo.

— Me lembro da localização... Não é muito longe daqui... Disse levando a mão ao cabelo esboçando dúvida.

— Não... Fica a sete quadras daqui...

— Opa! Eu conheço essa música!

Logo tratou de começar a acompanha-la.

— ...It's so hard to find someone, who cares about you, but it's easy enough to find someone, who looks down on you. Why is it so hard to find someone, who cares about you? When it's easy enough to find someone, who looks down on y...

Observei-a cantando. Pensei:

— Ela canta angelicalmente...

A garçonete nos interrompera dizendo:

— Bom início ao casal!

Quase me engasguei de vergonha e a garçonete continuara sorridente:

— Aqui estão os seus pedidos 55235.

Reparei-a e parecera-me ser familiar. Após certo esforço lembrei seu nome, Maggie Mayer, estudara comigo no primeiro grau na E.M.E.F. “Placidino Passos", um lugar grande com um gramado extenso e sempre bem aparado, estilo europeu clássico. Separada por alas: A ala leste, norte e oeste apresentaram as turmas, com algumas salas disponibilizadas para bibliotecas e laboratório de informática. A ala nordeste representara a área de exercícios nas quadras poliesportivas; A ala noroeste apresentava a área de preservação ambiental, usada para pesquisas em campo; a ala central apresentava o refeitório; e por fim, na ala sul apresentava o setor de gestão.
Fomos companheiros de classe desde primeiro ano até o nono, porém nunca fomos amigos. No oitavo ano informaram-me os boatos, que ela estava namorando um homem de vinte e dois anos que ainda não fora me apresentado. Um ano e meio após parara de frequentar as aulas e os boatos fora explosivos: “Maggie havia engravidado!", quase não acreditara se não houvesse a informação de seu namoro. Após a matricular-me no segundo grau soube que Maggie Mayer tornara-se senhora Templenson. Não a vi e não recebi mais informações após isso, e somente agora dezenove anos após eu a reencontro. Infelizmente não me reconhecera, não esboçara-me e não esbocei-a também, demonstrei-a meu melhor sorriso apenas.

Ao agradecermos e olharmos para as duas taças e comentei ao pegar:
— Sorvete de morango e céu azul com pedaços de chocolate. Algumas frutas fatiadas como morango, kiwi, abacaxi e banana. Com cobertura de limão e chiclete. Eles mantêm a tradição de trinta anos atrás... Por isso adoro esse lugar!

Katie me olhou meio assustada e sorriu. Reparei-a admirando a taça na tentativa de provar o sabor antes mesmo de pôr a primeira colherada em sua boca.

— Vamos lá... Não é tão ruim assim...

Katie encorajou-se e pegara com firmeza na colher. Colhera uma porção pequena de cada e levou à boca. Mastigara cinco vezes e arregalara os olhos de tamanha surpresa.


— Qual o problema?! Tudo bem?! Katie!

Ela sorrira — por minha reação-, e gargalhara suavemente ao esconder a boca com uma das mãos e liberara seu espanto:
— Wow! Isso é muito bom! Meio cítrico adocicado no começo e suave no final com a cremosidade do sorvete! Muito diferenciado do que estou habituada a comer. Somente de um gosto, somente disso ou somente daquilo... Mistura de sabores em um bum tropical. Gostei muito.

— Então senhor Poli...

Sorrira com a própria iniciativa e continuou:
— Me diz... Como são as coisas por aqui?

Observei-a mexendo em sua taça, com a colher, na tentativa de não parecer tímida; mas por ironia me parecera o oposto. Sorri ao perceber isso e argumentei:
— Hum... Não há muito que dizer, as pessoas vão e vem por essa cidade muitos estão aqui apenas por questões trabalhistas e poucos por férias. Sinto pena delas, pois não percebem o que a vida nos ensina a todo o tempo.


— E o que é que nos ensina? Porque não é de meu saber nada desse assunto...

Meio duvidoso se saberia ou não, respondi-a assim mesmo:
— Bom... Antes de eu responde-la gostaria de fazer-lhe algumas observações... A natureza... A todo o momento nos diz que não precisa de nós para sobreviver. Katie... Já percebera como a natureza é autossuficiente? Os seus ciclos...
Alguma vez permitiu-se parar e contemplar? Perguntei-a sem esperar por resposta e continuei:
— Não existe exemplo maior de maestria do que nossa própria casa... Nosso planeta Terra!

Katie me olhou com um ar duvidoso... Por fim disse:
— Não entendo... Como pode ser isso? Apenas vejo florestas, animais e fatos biológicos que me instruí. Mas como posso trazer esses acontecimentos tão naturais para vida pessoal?

Olhei-a sem cruzar nossos olhares e respondi-a:
— Certamente lembra-se da frase de Antoine Laurent Lavoisier que diz: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo e transforma”. Esperei pela reação e perguntei-a:
— O que atualmente fazemos?

Olhou-me incredulamente e respondeu-me com um ar de pergunta:
— Destruímos?


— No caso, destruímo-nos. Mas não somente, além disso, nós não recolocamos, deixamos da maneira que extraímos como se não nos afetasse; não transformamos, apenas descartamos e pouco se reaproveita, muitos têm consciência, mas poucos a praticam.


— Eu entendo. Mas aonde quer chegar com esse diálogo?!

Respirei profundo e respondi-a:
— Nenhum.

— E como incluo isso na vida pessoal?


— A natureza cria círculos de sustentação. E ecossistemas e esses suprem especificas regiões e áreas para que a própria natureza possa existir que é a interação de todos esses ecossistemas juntos. Por esse motivo a autonomia. Por que não criarmos círculos para nossa vida pessoal sem que tenhamos que invadir outros espaços além do nosso?

Katie respondera:
— Mas nós também somos parte de um ecossistema...

Interrompi perguntando diretamente:
— Qual? Senti-a perdida então continuei:
— Não lembro-me de termos um predador natural...

Katie comentara:
— Mas temos controle populacional.

Assenti e argumentei:
— Sim, mas que podem ser de origens laboratoriais... Que certeza temos que é de origem natural? Qual terrorista falará para o mundo que fez uma arma biológica? Katie... Um círculo não pode ser não completo. Se for... Não será um círculo será um triangulo. E um triângulo não tem uma continuidade... Ele se inicia em um ponto e morre no outro. O que estou tentando lhe dizer é não esgotar os recursos da vida pessoal por um bem maior. Mas nutrir todas as áreas da sua vida pessoal para esse bem maior.


— Eu compreendo perfeitamente.

Paramos para observarmos o movimento no local que já estava diminuindo. Nossas duas taças já estava pela metade. Quando me deparei olhando-a... Sua face... Seu modo como se movia no acento graciosamente. As suas ações lembravam-me de uma bailarina apresentando "Lago dos Cisnes". Até o momento que uma voz interrompera meus pensamentos.
Era a voz da Katie, doce, suave e trazia-me uma paz profunda. Era carregado de um carinho que era natural dela. Ou seria devido à glicose? Não sei bem, não havia passado tempo o bastante para reconhecer esses detalhes, sem perceber novamente, estava perdido definindo-a. E novamente a voz aos meus ouvidos chegou. Recompus-me envergonhado ao perceber que ainda a encarava. Por fim ela me perguntara:
— Ei... Tudo bem? Ou o cérebro congelou depois do sorvete?
Sorrira brincando tentando disfarçar a vergonha.
Soltei uma risada baixa ao perceber que estava tímida e respondi:
— Ah é? Bem... Não estou com as bochechas rosadas...
Liberei uma gargalhada. Quando a olhei estava ainda mais vermelha e ainda demonstrando-me um biquinho infantil que de um modo fez-me ficar serio e perder as reações faciais. Tenho certeza que mantive um semblante esdrúxulo, mas não tem como negar que Katie é linda. Mas ao olhar-me... Pela primeira vez, cruzamos nossos olhos e confesso que fiquei hipnotizado.
Seus olhos eram azuis... Mas uma azul claro radiante. Senti-me sendo abraçado e de alguma forma senti seu calor no corpo. Ao chegar nesse ponto não consegui olha-la, desviei-o, pois, certamente quem estava vermelho dessa vez fora eu.

~*~*~*~*~


A noite continuava calma e fresca... O céu sobre a cabeça a me abençoar. Observei ao longe a constelação Crux... Lembrei-me de meu pai, homem alto e másculo, apresentava ter quarenta e cinco anos quando na verdade havia cinquenta. Saúde de ferro, quase não lembro-me das poucas vezes que o vi adoecido, era tão raro como contrair o vírus da gripe.
Isaac Policarpo — seu nome, mantivera seus curtos cabelos castanhos claros e ondulados, pele parda, olhos escuros — tão negros quanto o carvão, também mantivera o costume de usar camisas gola polo calças jeans e sapatos sociais pretos. Sua altura de um metro e oitenta e cinco o deixara ainda mais presencial.
Apresentara-me a constelação em data comemorativa na qual nasci, encantei-me com o que havia me dito e relembrei-me da conversa:
— Filho... Olhe para aquele conjunto de estrelas logo ali, as vê? Aquelas cinco juntas... Ali...

— Sim papai! Estou vendo! São lindas!

— Alegro-me em saber que gostara... Sabe qual o nome dessa constelação?

— Não papai, qual é?

Com uma expiração forte de satisfação respondeu-me com um sorriso no rosto:
— Constelação Crux meu filho!

O sorriso iluminou o rosto e continuou:
— É a menor de todas as constelações, mas o tamanho não interfere na importância que tem. É usada na navegação, identificação aeroespacial; tem grande importância no hemisfério sul.

Deu-me uma pausa para organizar-se e continuara:
— Pequeno filho... Mesmo que hoje ainda esteja uma criança, mas um dia irá crescer, e como esta constelação, quero que brilhe o mais forte que puder e seja um grande homem, com grande importância. É o que esse velho pai quer. Prometa-me filho!

— Sim papai. Eu prometo! Respondi-o alegremente.

Logo depois meu pai entrou em uma crise de tosse. Passou dois dias e nada de melhoras. Levamo-lo ao hospital São Camilo e descobrimos que ele estava com tuberculose em estágio avançado. As coisas em casa começaram a definhar. Minha mãe preocupada começou a adoecer junto com meu pai, e eu também adoeceria se a situação não melhorasse.
Lauren Greene — nome que usara antes do casamento, mulher baixa de um metro e sessenta de altura e de quarenta e cinco anos de idade, pele parda, e longos cabelos negros que alcança a cintura, olhos escuros e corpo no peso ideal, apesar da idade o corpo mantivera suas curvas no devido lugar. Com dezoito anos tornara-se senhora Policarpo e engravidara no ano seguinte e agradecera a Deus pelo lindo presente que estava por vim.
Dias e dias se passaram e quanto mais se passavam eu via minha mãe definhando-se. Depois de um dia normal, Isaac novamente entrou em crise de tosse, porém dessa vez veio com mais força. Fora tamanha que o deixara inconsciente, saímo-nos desesperados em direção ao hospital novamente. Ao chegar, logo foi atendido. Após alguns minutos o Doutor Willian Nascimento voltara para nos notificar...
O Doutor veio ao nosso encontro e...

Perguntou-me Katie em direção aos céus.

Sorri e respondi-a:
— Sim. A Crux significa muito, me traz lembranças do passado.

Katie olhou-me surpresa e perguntara:
— Hum... O que lembra?

— Lembra-me de meu pai, recebera o nome Isaac, em homenagem ao físico. Apresentara-me no dia de meu quinto aniversário esse céu estrelado. Mas não são apenas momentos bons... Há momentos ruins também... Mas não quero conversar sobre isso agora está bem?

Katie olhou-me preocupada e assentira.

A noite escurecera mais... E com ela o frio nos abraçara, podíamos ver a fumaça de nossa respiração. Escutei o vento falar algo em meus ouvidos, porém não compreendi, falara algo como “Não chore".
Senti um aperto no coração e uma leve formicação no meu braço e mão esquerdo, minha visão começara a embaçar e desfocar, perdi a força de minhas pernas e cai em joelhos. Levei a mão direita ao peito e a esquerda como apoio — que fez minha cabeça pender no pescoço — que não aguentou o peso de meu corpo e caí de ombro em forma fecal e cada vez mais me apertando, limitando os espaços entre meus membros.

Pensei desesperado: “Infarto do miocárdio?!".

Katie assustou-se a se aproximara em desespero na tentativa de me amparar, gritando:
— Ei! Ei! O que foi?!

E de repente sumiu a dor e a formicação, como se nunca estivera ali. Então apenas deduzi: Katie! Não havia outra explicação, ela quem fizera desaparecer a dor.


— Agora não sinto nada... Estranho...

Katie ainda preocupada:
— Vamos ao hospital.


— Não é necessário. Estou bem.


— Tem certeza?


— Total.

Katie falara aliviada:
— Tudo bem então. Agora levante-se, não é elegante deitar-se ao relento. Esboçou-me um pequeno sorriso tímido.

Respondi-a levantando-me:
— Sim. Posso perguntar algo? Como viemos parar aqui no lado de fora?

Organizando o pensamento Katie respondera:
— Hum... Acabamos os sorvetes, pagamos a conta e enquanto arrumava-me o vi dirigindo-se para cá. Logo, assim que terminei o segui e encontrei-o admirando as estrelas.


— Está esclarecido. Katie... Afasta-se um pouco mais... Está muito perto de meu rosto...

Katie corando-se disse:
— Ah... Desculpe. Não era minha intenção.

Observei-a incomodada com algo e por fim perguntara-me:
— Tch-... Tem namorada?

E quase que imediatamente tapou a boca com a mão no sentido de ter escapado algo que não deveria ter dito. Tratei de respondê-la:
— Não... Mas elas parecem ser interessadas em mim... Porém quando eu começo a falar um pouco sobre mim e do que gosto assustam-se e distanciam-se de mim. Principalmente sobre do modo como vejo o mundo, meus ideais, minhas experiências e quando digo sobre astrofísica, química e quântica — o melhor tema em minha opinião. Chamam-me de louco...


— Eu não o vejo como louco, as suas palavras... Abrem os olhos para que possamos entender tudo o que nos rodeia.

Corrigi-a:
— Tudo não... Ter apenas uma pequena ideia do que poderia ser.

Olhamo-nos um ao outro em uma breve pausa, reparei que a ponta do nariz dela estava rosada assim como as bochechas, deve ser o frio, pensei. Mas ainda permanecíamos bem próximos a ponto de eu poder sentir seu perfume: Dolce & Gabbana — Eau De Toillete. Um perfume doce que invadira minhas narinas que me fez imaginar meus lábios no dela, me fez a desejar, tê-la em meus braços naquele exato momento, eu a queria. Peguei-me no ato de fitar seu pescoço e percebi que sua respiração ficara cada vez mais pesada. Puxara para si minha alma através de meus olhos, senti meu corpo se aproximar, de alguma forma essa mulher me fez perder as rédeas. Aproximei-me ao ponto de sentir sua respiração, vi fechando os olhos e à medida que me aproximava fechavam-se automaticamente os olhos e quando fui tocar seu braço, seu telefone celular tocou. Arregalamos os olhos em um susto e distanciamo-nos.

Observei-a ao atender a ligação:
— Alo? Não... Não irei demorar mais. Sim Davi eu sei que falta cinco minutos para as dez... Não se preocupe... Estou a caminho.

Katie olhou com tristezas nos olhos e disse-me:
— Devo ir meu irmão está esperando-me.

Virando-se e andando falara:
— Mas agora devo ir.

Preocupado com o horário dispus-me:
— Deixe-me a levar então?

Distante falara:
— Dessa vez não.

Meio confuso perguntei em voz alta:
— Então dê seu número para ligar.

Bem ao longe escutei sua voz:
— Não se preocupe... Eu ligarei.

Vendo-a sumir na curva da rua falei baixo ainda confuso:
— Então... Bom fim?

Notas finais
Espero que gostem, pois dá bastante trabalho editar isso xD Continue lendo e comente...