Dois Lados

7 Capítulo 6


Eu paralisei. Não podia ser! Ela estava...

– ...Morta... Você... está... Morta. – eu balbuciei.

– Há tanto tempo que eu tento te chamar. Por que você não me escuta? – ela olhava para mim com os olhos angelicais, que me lembrava quando éramos crianças.

Eu não conseguia responder. Estou louca. “É só a pressão.” – foi o que minha mãe disse quando meu pai morreu. Eu o vi uma vez. Mas, não foi nada parecido com o que foi a aparição da Mary. Esfreguei meus olhos e ela continuava lá.

– Vic... Não é um sonho, nem uma alucinação. Você está realmente me vendo. – ela fez sinal para que eu sentasse ao lado dela.

Devagar eu desci os degraus do terraço e andei pela grama escura até chegar perto dela. Não me sentei. Estava com muito medo.

– Me ajude, Vic. Por favor! – sua expressão era fria.

– Ajudar? Em que?

– Você tem que quebrar as portas. Destruí-las! – seus olhos verdes brilhavam de... Desespero.

– Do que você está falando? – eu me afastei um passo.

– Há 200 anos que nós tentamos nos conectar, de alguma forma, a vocês! E eu fui a única que consegui! Você precisa nos ajudar! Você não tem ideia de quantas pessoas querem isso.

– O que? 200 anos? Você morreu há alguns dias!

– Mas, agora eu sei de tudo. Somos obrigados a saber. Nós espíritos não temos escolha, temos que fazer de tudo para convencer os mortais de nos ajudar. Não entendo o porquê de vocês, tão fracos, e indefesos, serem os únicos a nos ajudar.

– Você está louca eu tenho que ir... – eu me virei e ela apareceu de novo na minha frente. Olhei para trás e ela não estava mais no banco. – Como...

– Não há mais jeito... Vo...tem... aj... Não t... Po... F...vor... – todos os poucos postes que iluminavam aquela rua começaram a piscar, não tinha ninguém na rua, ou ao menos um barulho. Mary parecia desaparecer dali, mas de uma forma estranha. Ela estava se desmanchando, algo assustador acontecia ali. Ela não era mais aquela garota bonita que eu via há alguns segundos atrás. Ela era... Como a garota do meu sonho.

Mary estava cinza, seus cabelos caíam na grama e se contorciam como se estivessem vivos. Ela parecia gritar, mas cada vez que ela abria a boca, seus dentes caíam mais. O que eu via agora, parecia uma imagem de holograma que se desfazia no ar aos poucos.

Eu corri o mais rápido que pude. O chão molhado fazia que minhas botas escorregassem um pouco, me esforcei para não cair. Me sentia observada, estava frio... Então, eu parei.

Estava no quintal dos Anderson. Walt estava no quarto dele no primeiro andar, eu conseguia ver pela janela aberta. O som do Aerosmith invadia meus ouvidos. Ele balançava o pé no ritmo de Sweet Emotion, sua música favorita desde... Sempre.

Eu ofegante, tentava me acalmar antes de bater na porta dos fundos. Então, resolvi andar um pouco pela rua que ficava há alguns metros.

– Ai! – gritei. Um garoto que pulou com tudo da janela da casa, logo em cima de mim.

– Ah, desculpa! Desculpa mesmo! Está tudo bem? – ele me ajudou a levantar. – Josh Sheppard.

– Ah... Victoria Miller – ele usava um casaco e capuz preto, que cobria boa parte do rosto dele e tinha uma mochila na mão. – Prazer. – nós nos olhamos e rimos por alguns minutos.

– Eu só estava... – ele apontou pra janela do primeiro andar da casa dele que dava de cara para o beco entre o descampado e a casa. Nunca tinha percebido aquela casa Vitoriana, que ficava atrás da casa dos Thompson e próximo a casa do Walt.

– Não... Está tudo bem. – eu me esforcei para ver o rosto dele, com ajuda da luz da Lua.

Quando ele percebeu que eu apertava os olhos para ver a cara dele, ele tirou o capuz e então eu pude vê-lo. Seus cabelos eram castanhos como o meu e seus olhos eram azuis, quase brancos. Sua pele branca, era perfeita. Não podia deixar de admirar.

– Uh... Então, você estava fugindo? – eu sorri.

– Não. – ele colocou a mochila nas costas e percebeu que eu o olhava. – Sim! Meu pai está bêbado como sempre, não gosto das mulheres que ele trás pra minha casa...

E aí, o clima ficou tenso de novo.

– Então, você... Estuda na Garwood High School?

– Sim... Na verdade, eu sou novo aqui, não fui no primeiro dia de aula, porque meu pai me atrasou, mas... Soube que uma garota morreu, e cancelaram as aulas temporariamente...

– Sim... – eu baixei a cabeça. Não sei se ficava triste porque, bem... Estavam falando da minha amiga que acabara de morrer. Mas, aquilo que eu tinha visto há alguns minutos... Me fez repensar na ideia de “triste”.

– Você a conhecia? – ele indagou tentando ser delicado.

– É, ela era minha amiga... Mas, não vamos falar disso, né? – eu sorri. – Você vai para a Welcome Party?

– Eu ouvi falar, mas soube que é pra veteranos...

– É... Não exatamente. – eu expliquei tudo e saímos andando pela rua na frente da casa dele até que ele me interrompeu.

– Ei... Você quer ir comigo para a festa? – perguntou meio desconsertado.

Notas finais
Eu irei postar dia sim, dia não a partir de agora! :D
Ah, e não se esqueçam de ler a fanfic "A Garota de Havard" > RECOMENDO! >> http://fanfiction.com.br/historia/365612/A_Garota_De_Havard