Dois Lados

33 Capítulo 32


Notas iniciais
Mais um capítulo!

Era uma porta comum. De madeira, velha e um pouco emperrada. Josh foi na frente.

– Ah, eu acho que não tem nada aqui além de materiais de limpeza. – disse ele olhando ao redor. — É só um armário!

Michael me empurrou para dentro do armário, e ordenou:

– Acenda a luz, meu jovem.

Josh olhou para cima e havia uma luminária antiga e uma cordinha. Provavelmente era ali que ligava. E então ele a puxou. E fomos sugados.

De alguma forma, não sei se foi pelo chão ou pelo teto, mas fomos levados para algum lugar, a força do “teletransporte” era tanta, que senti meus braços saírem de mim.

Demorou alguns minutos, até que caímos em um corredor do que parecia um sótão, ou talvez um daqueles túneis escondidos de castelos antigos. Tudo era feito de pedra, e cheirava a mofo, porém era iluminado.

Nos olhamos por um tempo para termos certeza de que estávamos vivos mesmo. Toquei nos meus braços, eles ainda estavam lá.

– E agora? – perguntou Josh.

– Agora subimos. – disse Michael caminhando na frente.

Andamos uns passos naquele corredor, e então demos de cara com uma escada de pedra um pouco escorregadia. Subimos e saímos em um campo enorme de azaleias. Mas não eram comuns, estavam petrificadas, um pouco sem cor, não se moviam, nada.

Tivemos um pouco de dificuldade de sair dali, as flores prendiam em nossas calças e tropeçávamos nelas.

Quando saímos eu avistei. Estávamos em uma colina. Logo abaixo, havia uma cidade. Tudo era meio sem cor, como as azaleias. As casas eram parecidas com as do meu sonho. Estilo subúrbio. Mas tudo era tão organizado que parecia algo mágico. E pensando bem, era.

Mas nada se encaixava. Ao redor havia colinas, campos de flores diversas, grama, mas bem ali no meio, havia estreitas ruas asfaltadas, com sobrados enfeitando-as. Era estranho, mas depois de um tempo se tornava bonito.

Estávamos na Cidade Subterrânea.

P.O.V – Walt

Segui Emma pela entrada que ela havia direcionado. Não achávamos nem um feche de luz, nada, absolutamente nada, apenas paredes de pedras e lodo. Em alguns lugares havia locais para de colocar tocha, mas nenhum aceso.

– Onde ela fica? – perguntei.

Neste momento o chão tremeu novamente. Pensei que íamos cair, mas ao em vez disso, abriu-se um buraco em uma das paredes, mais ou menos na altura das pernas de Emma.

Ela olhou pra mim com olhar de dúvida. Hesitamos um pouco, e então eu decidi entrar, e ela veio atrás.

O buraco nos levou a um salão do século XIX. O chão tinha uma cerâmica polida, as paredes bem pintadas, os móveis bem cuidados, como se alguém tivesse entrado lá só para limpar aquele local.

Havia dois sofás com borda de ouro, mesinhas de canto com abajures velhos. E uma janela que iluminava um pouco dali. O que era estranho, porque era quase noite.

– O que é aquilo? – apontei para o canto da sala. Havia uma estátua da altura de uma mulher-múmia.

– Shhh! – disse Emma. – Eu acho que é ela. – sussurrou, enquanto dava passos curtos e silenciosos.

– A guardiã? – perguntei.

– Sim.

As duas portas se abriram. Eu não havia reparado nelas, até elas serem empurradas para fora. Saíram três homens de cada porta, marchando. Eles usavam roupas da Guerra Civil, e tinham espadas embainhadas, e armas de fogo na mão direita.

Olhei assustado para a mulher. Ela abrira os olhos brilhantes. Antes que eu pudesse pensar Emma jogou para mim uma faca enorme, a segurei rapidamente e me pus na defensiva, mas os guardas não atacaram. Porém Emma, sim.

Ela jogou duas adagas em dois guardas, o que fez os outros despertarem e irem em direção à nós.

– A Varinha! – gritou Emma, enquanto lutava com outro soldado.

A mulher a segurava com força, apenas observando o massacre.

Observando bem, ela não era bem uma múmia, agora, ela parecia uma mulher que havia morrido há alguns dias. Era realmente a mãe de Tessa.

Corri em direção a ela, pronto para arrancar a Varinha de suas mãos, até que um guarda veio por trás e desferiu um golpe contra meu ombro.

– Walt! – gritou Emma.

– Estou bem! Pode continuar! – respondi pondo a mão no corte.

Eu nunca havia feito isso, matado alguém. Emma parecia tão experiente, não quis decepcioná-la.

Segurei a faca com força e enfiei na barriga do soldado, fazendo-o espatifar no chão. Quando me virei, um outro segurava Emma pelo braço colocando a espada em sua garganta, ameaçando cortá-la.

Neste momento, senti uma energia correndo pelo meu corpo, não podia perdê-la.

– Emma, não! – gritei.

Puxei o soldado pelo casaco, e o matei.

– Você está bem? – perguntei, segurando Emma.

– Sim. – respondeu ela ofegante.

Nos levantamos, cortamos as mãos da mulher que tentava se defender, sem sucesso. Arrancamos a Varinha. E fomos achar Vic, Michael e Josh.

P.O.V – Victoria

– Cuidado, não andem ainda. – disse Michael, observando o solo.

– O que há de errado na grama? Também vai nos engolir? – retrucou Josh.

– Estou falando sério. O que estão vendo é mentira. É apenas uma ilusão. Este lugar é perigoso. Não se movam. – falou ele pausadamente.

Michael cautelosamente deu um passo à frente. E suspirou de alívio, como se esperasse algo acontecer. E então ele deu outro passo. E caiu.

Josh foi rápido e o segurou pelo braço.

De repente o chão se abriu, e fendas se aprofundaram ao nosso redor, deixando apenas algumas ilhas de terra.

– Ahr, obrigado. – disse Michael, ao subir. – Eu avisei! Precisa-se de inteligência, meus queridos. – ele sorriu.

– E agora? Para onde vamos? – perguntou Victoria.

Assim que acabei de falar uma ponte de uma pequena ilha à outra se formou. E duas imagens luminosas apareceram.

– Walt! Emma! – corri para abraçá-los.

A ponte de destruiu aos poucos, deixando Josh e Michael de um lado, e eu, Emma e Walt do outro.

Paredes de pedra, iguais as do túnel começaram a se erguer em meio àquelas fendas. Algumas pequenas ilhas de terra começaram a se quebrar e desaparecer. As paredes se fechavam aos poucos. Olhei rapidamente para Josh, e então, o vi cair com Michael.

– Não! – gritei. Walt me segurou para me impedir de pular junto com eles. – Josh, não! – eu comecei a chorar desesperadamente. As paredes estavam vindo cada vez mais rápido.

– Não tem jeito. – Emma disse para Walt.

– O que?! Você ficou louca? – retrucou Walt.

– Walt, segure ela, vamos pular!

– Pular? Não vou desistir assim, Emma, tem que haver outra forma! – protestei.

– Não há outra forma! – percebi falhas em sua voz, Emma estava realmente nervosa. – Temos que ir agora, dependendo da altura, existem chances de sobrevivermos, mas se ficarmos, vamos morrer esmagados! Pulem agora! – e então ela se jogou.

Walt estava tremendo, pude sentir seu corpo contra o meu, quando pulamos juntos.

P.O.V – Michael

Caímos por eternos minutos, pensei que nunca iria acabar, tentei me segurar em alguma coisa, mas sem resultado. Não via Josh, não via nada. Apenas galhos secos que saiam da terra me chicoteavam. E então ouvi um grito.

– Michael! Michael! – era a voz de Josh. E então, cai logo em seguida.

– Josh? Onde você está? – sem resposta.

Cai em um dos corredores que estivemos anteriormente, mas uma das passagens estava bloqueada.

– Michael! – gritou ele de novo. – Estou aqui! Do outro lado! Você está ai?

– Sim, estou aqui! – respondi. Estudei as pedras pronto para removê-las, quando escuto Emma, Walt e Victoria caindo.

P.O.V – Victoria

Cai de mau jeito, me arranhei bastante, mas nada grave. Do meu lado, Emma e Walt já haviam se levantado, Michael veio ao nosso encontro e me ajudou a levantar.

– Onde está Josh? – perguntei. – Ele está bem.

– Acho que sim... Ele caiu do outro lado. – respondeu Michael com um tom apreensivo.

Andei até o muro de pedras. Sem saída.

– Me ajudem! Temos que tirá-lo de lá! – gritei para os outros. Eles tentaram me ajudar, mas as pedras eram muito pesadas, o máximo que conseguimos foi abrir uma pequena fenda entre a parede e o muro.

Emma conjurou algumas comidas e uma faca, para o caso de precisar se defender. Enquanto isso, fomos procurar como salvar ele.

Nos organizamos e começamos a andar por ali, tentando achar alguma maneira de sairmos vivos.

– Temos que focar em achar o caminho para a Cripta, antes dos feiticeiros. – disse Emma.

– Mas temos que salvar Josh! Não podemos deixá-lo assim. – protestei.

– Vamos dar um jeito, minha querida. Mas você sabe que temos que achar este caminho. – falou Michael.

Eu assenti devagar. Sabia que podia confiar neles, mas não suporto nem imaginar, o fato de que eu poderia nunca mais ver Josh.

Me aproximei do muro de pedra.

– Josh, você ainda está aí? – perguntei.

– Sim. – respondeu ele tentando colocar a mão pelo buraco do muro. E eu a segurei.

– Eu prometo que volto por você.

– Eu prometo que irei sobreviver por você.

– Não diga isso! – falei.

– Sei lá, não sei quantos velhos com olhos de vidro vamos encontrar por ai. – ele riu.

– Josh, estou falando sério! Não vou te deixar ai por nada! – apertei sua mão.

– Estarei aqui quando voltar. Eu te amo. – pude ouvir sua voz falhar.

– Eu também te amo.

Notas finais
Gente, comentem, ou vou achar que ninguém está lendo! Recomendo: 31 days in New York - Beatriz http://fanfiction.com.br/historia/520063/31_days_in_New_York/