Dois Lados

18 Capítulo 17


Desta vez, Walt dirigia, Kate e Emma vinham atrás comigo e Josh do lado de Walt. Conversamos algumas vezes, e Emma contou sobre ela. Seus pais e seu irmão eram feiticeiros, e eles estavam procurando por mim, até agora eram os únicos feiticeiros a me localizarem. Acho que isto pode ter sido algo bom. Ela disse que iria tentar lhe dar com isto sem que eles percebessem, pois eles não concordavam em ela ajudar os descendentes.

Apesar de tudo que tem acontecido, sinto que posso confiar em Emma. Ela parece confiante com as coisas que faz, e tenta fazer o máximo para ajudar a gente.

- Chegamos. – falou Walt quando entramos na Geórgia.

- Não saiam agora, quero levar vocês a um lugar. – Já era quase de noite e Emma agora dirigia no meio de umas florestas.

- A onde você está levando a gente? – perguntei. Ela não respondeu.

Depois de alguns longos minutos, Emma parou o carro em frente a uma cabana no meio da floresta, que parecia velha e sem ninguém.

- Vamos ter que ficar aqui.

Descemos do carro e entramos na cabana. Ela era realmente velha, tinha uma lareira antiga, nenhum móvel, exceto por alguns balcões de madeira, onde deveria ser a cozinha. Mais pra dentro tinha um único quarto, com uma cama e um colchão velho, e uma mesinha de cabeceira no mesmo estilo.

Aos poucos, pegamos uns lençóis e edredons, e forramos no chão para dormir. Decidimos que ninguém iria dormir na cama, pois seria melhor ficarmos todos juntos.

Kate ficou perto da lareira, do seu lado Emma, perto da porta eu e Josh, e próximo à parede, estava Walt. Eles não demoraram tanto a dormir, pois estávamos cansados. Mas, eu não consegui dormir tão rápido, eu estava encostada em Josh, pensei em chamá-lo pra conversar, mas estava muito tarde, e era melhor deixar ele descansar.

Então, me levantei, peguei meu casaco e uma lanterna e sai.

A floresta estava totalmente escura, nem a luz da lua penetrava direito entre as folhas, para que pudesse iluminar o mínimo que fosse. Estava muito frio e minha respiração era o único som que eu ouvia. O que era bom, porque significava que eu estava sozinha.

Eu andei até achar uma clareira, que tinha umas pedras, onde me sentei.

De repente, ouvi um barulho. Segurei a lanterna com força e com o facho de luz, procurei por alguém, ou alguma coisa que pudesse ter feito este barulho.

- Mary? – havia alguns dias que eu não tinha visto Mary, ela realmente cumpriu o que prometeu e foi embora. Mas, será que alguma coisa aconteceu com ela do lado de lá?

O barulho desta vez foi mais forte, parecia nas árvores. Mas, elas eram muito altas para que a luz pudesse alcançar. O barulho ficava cada vez mais forte, e mudava de lugar o tempo todo. Eu senti que não estava sozinha.

- Olá? – eu andei pela clareira. – Tem alguém aí? – eu respirei fundo e pensei que provavelmente poderia ter sido um animal noturno andando por aí. Então, me sentei e apaguei a lanterna.

O barulho continuava. Eu me encostei em uma das árvores, mas ainda estava em alerta.

- Victoria Miller. – um garoto pulou de uma das árvores e parou bem na minha frente. Ele usava um casaco com um capuz preto, exatamente como Josh, na noite que nos conhecemos. Eu dei um pulo e fiquei em pé, nervosa, tentei acender a lanterna, mas ela não acendia.

- Quem é você? – perguntei, tentando me esforçar para ver quem era.

Ele andou para os lados, e tudo parecia que estava mais escuro. Eu pensei em gritar, mas minha voz falhava. Tudo parecia tão patético agora. Ele andou na minha direção, não consegui me mover. Pôs a mão no meu queixo e tirou o capuz.

- Scott? – era ele mesmo. O garoto da delegacia. – O que você está fazendo aqui? – dei dois passos pra trás. Não sabia se ficava realmente com medo dele.

- Vim te caçar. – ele deu um sorriso sarcástico no canto da boca e segurou no meu braço. Seus olhos negros pareciam penetrar na minha alma e me fazer ficar parada.

- Como assim? Você nos seguiu? O que está fazendo aqui?

- Já parou com as perguntas idiotas? – sua expressão me dava náuseas.

- Você é... – eu parei e raciocinei. “Vim te caçar.” – um feiticeiro...

- Isso foi outra pergunta? – ele andava ao meu redor.

- Não. – eu tentei enrijecer a expressão, parecer menos surpresa, menos temerosa, mas eu só conseguia tremer. Eu não me movia, como se algo me prendesse.

Rapidamente, ele saiu de seu círculo que fazia ao redor de mim, e segurou meu pescoço, me fazendo encostar na árvore. Ele segurava cada vez com mais força, minha respiração ia embora. Eu tentei puxar a mão dele, mas ele era muito forte, apesar de parecer ser mais novo do que eu.

Não havia nada que eu queria mais naquele momento, do que o mínimo oxigênio. Por que precisamos de algo tão mísero, invisível, tão simples? Minha visão começava a falhar, minhas forças não eram as mesmas.

- Victoria! Victoria! – eu ouvi Josh gritando do meio da floresta. Eu não conseguia vê-lo, mas podia ouvi-lo.

Neste momento, Scott me soltou e eu caí no chão, percebi que estava sendo segurada mais longe do chão do que eu pensava.

Eu tossia forte e respirava o máximo que conseguia, mas ainda não tinha forças pra me levantar.

- Victoria! – eu vi a silhueta de Josh na luz da sua lanterna, correr em direção a mim. Eu me virei pra cima e vi que estava quase amanhecendo. E então, eu senti as mãos quentes e grandes de Josh nas minhas costas.

Ele me carregou até a cabana e quando entramos, eu percebi que todos estavam em silêncio.

- Victoria! – gritou Kate ao me ver.

Josh me colocou em um dos lugares onde dormíamos, e eu me sentei. Me sentia melhor.

Kate me abraçou e disse que estava muito preocupada comigo, e que depois que viu que eu não estava na cabana dormindo, acordou a todos, e foi ai que Josh foi me procurar.

De certa forma, fiquei aliviada de ter voltado pra cabana, e por aquela noite sombria ter acabado, mas ainda queria passar um tempo sozinha.