Dois Lados

16 Capítulo 15


- Boa noite, Vic. – disse minha mãe entrando com a Alice em casa.

- Oi mãe. – eu estava tomando café no sofá, enrolada em um cobertor.

- Está tudo bem?

- Uhum. – eu assenti e chamei a Alice para assistir TV comigo, enquanto minha mãe guardava suas coisas no quarto.

Depois de meia hora, minha mãe ainda não havia saído do quarto. Ela poderia estar tomando banho, mas ela nunca demorava tanto, porque acreditava que 3 minutos eram suficientes. Então, me levantei e fui até o quarto.

- Mãe! – eu gritei. Ela estava no chão, desmaiada. Rapidamente eu gritei para a Alice trazer o telefone e disquei o número da ambulância, enquanto tentava acordá-la.

Quando chegaram, eles colocaram minha mãe em uma maca e a levaram para o hospital. Os policiais prenderam a mim e a minha irmã em casa, para que pudessem nos fazer perguntas, mas eu não podia falar nada. Estava muito preocupada com a minha mãe. Pensei que talvez, alguém tivesse feito isso com ela, para me atingir. Por isso precisava vê-la.

...

Eu havia dito aos policiais que eu conseguia me virar sozinha e que minha irmã poderia ficar com minha tia Margaret. Então, eles a deixaram na casa da nossa tia e me levaram para o hospital, onde esperei por minha mãe durante 1h.

- Então, posso vê-la? – perguntei para a enfermeira que havia acabado de sair do quarto onde minha mãe estava.

- Pode, mas tente ser cuidadosa. – não havia entendido o que ela quis dizer, mas tudo o que eu queria era vê-la.

- Mãe? – eu abri a porta. Ela estava ligada por alguns aparelhos e o médico ao lado dela escrevia alguma coisa em sua prancheta. – Como está se sentindo?

- Bem melhor. – seus olhos lacrimejavam.

- O que houve? – me dirigi ao médico.

- Ela piorou do câncer. – ele apertou os lábios. – Ela havia diagnosticado a doença há um mês e estava no começo, no primeiro estágio, e com alguns tratamentos, ela poderia ficar curada rapidamente, mas, infelizmente, parece que ela não cumpriu todos os tratamentos...

- O que? Mãe, por quê? Você disse que estava chegando tarde por causa deste tratamento...

- Eu sei. – ela começou. Sua voz era fraca e triste. – Mas, nossas rendas não puderam cobrir todos os custos. O tratamento é muito caro, não podemos pagar.

E tudo ficou um silencio. Denso e triste.

...

Depois que tudo aconteceu, eu voltei pra casa. Eram 5h da manhã, e eu estava exausta. Não sabia por quanto tempo minha mãe ficaria naquele hospital repulsante. E não sabia por quanto tempo eu continuaria a escapar de todos estes problemas.

- Eu sinto muito.

- Mary? Pensei que nunca mais você ia voltar. Pelo menos foi o que você me prometeu... – eu me joguei na cama.

- Sei que não devia estar falando disto agora, mas você precisa devolver o livro a Josh e pegar o Poder. – Segundo o livro, o Poder é quando um descendente tem os mesmos poderes de um feiticeiro, e pode acabar com o feitiço de Anis e Zyah.

- E o que eu conseguiria com isto?

- Você pode salvar a sua mãe. Pode torná-la imortal. E todos que você ama.

- Eu não preciso disto! Vou conseguir um tratamento para a minha mãe! Estou cansada disto! Não posso continuar assim!

- Victoria! Isto é egoísmo! Você pode salvar a todos que você quiser, e pode salvar a nós, espíritos! Você tem ideia de quantas gerações estão aqui esperando para a Nova Vida?

- O que? Vocês estão mortos!

- Não. Estamos mortos para vocês mortais, da Terra, mas ainda temos que passar por um processo de julgamento da nossa alma. E são os feiticeiros que controlam isto. E eles não permitem que nenhum espírito passe. O que também nos torna imortais.

- Não posso fazer isto. No livro diz que se eu pegar o Poder, vou esquecer de toda a minha vida. E viverei para “mandar”. O que quer dizer que, se eu pegar o Poder, não vou poder salvar ninguém, nem minha mãe! Porque irei esquecer dela! – eu fechei os olhos. – Por favor, me deixa sozinha. – e ela o fez.