Dois Lados
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Emma saiu correndo e eu fechei a porta sem entender o que ela disse. Walt ainda lia o livro atentamente.
- Quem era? – ele perguntou.
- Emma. – eu engoli seco.
- O que ela queria? Você não a convidou para entrar?
- Não era nada. Ela só... Olha, eu não estou me sentindo muito bem. – me sentei ao lado dele e peguei meu copo novamente tomando um pequeno gole.
- Você não pode passar sua vida inteira “não se sentindo bem”, eu sei que isso é ruim, mas é o que é. Temos que arranjar um jeito de acabar com o que aconteceu com a Kate, e por um fim nesta história. – ele agora estava de frente pra mim.
- Eu sei. Mas não é tão fácil...
- Eu sei que não. Eu li o suficiente para saber. Mas, vamos dar uma jeito. – ele pegou meu rosto e eu o olhei nos olhos. Ele me abraçou e voltou a mesma posição em que estava. E então, ele me beijou.
- Walt... – eu me separei. – Eu... – eu não conseguia respirar direito, me sentia nervosa e ofegante.
- Desculpe. – Aos poucos, ele se afastou e baixou o olhar.
Eu não pude evitar sentir o que eu senti. Eu sabia que ele ainda era apaixonado por mim. Mas, eu amava o Josh. Não podia fazer isso com ele. Com eles.
...
Eu fui uma das primeiras a entrar na escola naquela quarta-feira, havia apenas duas líderes de torcida e um garoto esquisito de cabelo comprido do terceiro ano, que costumava chegar cedo e se entocar no último canto da biblioteca. E Emma.
Eu pensei em ir falar com ela. Depois desisti. Mas, como Walt falou, temos que resolver logo isto. Então, fui atrás dela.
- Emma! – eu acenei. E ela me olhou.
- O que eu te disse? – ela estava sentada em uma das mesas da biblioteca lendo aquele livro.
- Me desculpe, mas eu não entendi direito...
- Disse pra você ficar longe! Só isso! Por favor! Não me obrigue a fazer o que eu não quero! Estou fazendo isto por você! – ela fechou o livro. Era aquele livro. O livro vermelho. O das iniciais. Como ela o pegou?
- Emma, onde você conseguiu este livro? – meus olhos se arregalaram.
- Eu... – ela olhou para o livro e para mim. E depois fechou os olhos. – Ai meu Deus, então, você sabe... – ela colocou o livro na bolsa e se levantou.
- Ei! Aonde você vai? – eu peguei o braço dela. – Você já pode me explicar sobre isso. O que você quis dizer com aquilo ontem?
Ela respirou fundo, mas ainda parecia nervosa, quando encontrou os olhos de Josh atrás de mim.
- Oi... – ele sussurrou no meu ouvido e me segurou pela cintura.
Eu ainda olhava para Emma, mas soltei o braço dela. Queria poupar o Josh de tudo aquilo.
- Oi. – me virei e lhe dei um beijo.
...
E assim passamos o dia. Juntos.
Quando saímos da sala, encontramos alguns policiais do lado de fora, e a mãe da Mary com o Walt. Tammy olhou para mim e acenou. E eu fiz o mesmo.
Mas, ela parou de sorrir. E parou de me olhar. Ela olhava para Josh. Fria e séria, ela se virou para os policiais e se despediu deles com aquele sorriso falso, que Kate tinha me contado.
“Não se aproxime do Scott. Ou do Michael. Ou da Tammy...”, o que ela quis dizer com a Tammy? O que ela pode ter feito de mais?
- Vamos logo. – Josh me levou até a saída sem tirar o olhar da Sra. Anderson.
- Você a conhece?
- Não exatamente. – ele abriu o carro pra mim. – Mas, não vem ao caso. – Ele me beijou e fomos para casa.
...
A casa estava vazia como sempre. Então, tomei um banho e fui comer uma comida congelada que minha mãe havia trazido na noite passada.
O frio da chuva era aconchegante, e a comida me esquentava por dentro. Mas, como sempre, algo nunca me deixava em paz. Era a campainha. Por falar nisso até acho que vou tirá-la, porque todas as vezes que ela toca eu estremeço, pois nunca é coisa boa.
- Victoria! – era a Emma.
- Emma? – nós gritávamos um pouco, porque o barulho da chuva era muito forte.
- Por favor, deixe eu falar com você. – nós paramos por alguns segundos. Não sabia se acreditava nela. Não sabia em quem acreditar.
Então, a puxei para dentro e dei a ela uma toalha – porque estava encharcada –, um cobertor e uma bebida quente. E ela se sentou no sofá.
- E então? O que tem pra me dizer? – eu me sentei no sofá ao lado.
- Você sabe sobre este livro? – ela o tirou da bolsa.
- Por que você está me perguntando isso? – eu não podia me expor assim. Dizer tudo o que sabia. Porque eu não sabia quem ela era.
- Então você sabe... – ela respirou fundo e continuou. – Victoria... Eu sou uma feiticeira.
- O que?! – eu gritei e me levantei de sofá. Eu havia lido no livro que a missão dos feiticeiros é matar os descendentes, para que eles tenham poder total sobre os mundos e sobre os mortos. E ela havia acabado de me dizer aquilo.
Comecei a andar de um lado para o outro. Não sabia se expulsava ela de casa, ou tentava arrancar dela tudo o que ela sabia.
- Por favor, não se assuste! Por favor! Eu sei o que você sabe sobre nós. Mas, eu não quero te matar!
- Como não?! Você... Tem que me matar. É isso que vocês fazem. – disse com desdém.
- Não... Quer dizer, sim... Mas, eu não sou assim. Eu juro.
- Onde você conseguiu este livro? – eu apontei para ele que estava na mesa de centro.
- Minha família tem este livro, desde muitos anos. Mas, este não é o ponto. O que eu quero dizer é que, você está em perigo! Desde que chegou aqui. E agora todos estão sabendo de sua existência quando você tocou neste livro.
- Como assim?
- Temos o controle de tudo sobre os descendentes, inclusive quando eles tomam conhecimento sobre seu passado.
- Você quer dizer que, neste momento, os feiticeiros estão atrás de mim, e querem me matar?
- Sim.
- Mas por quê? Quantos descendentes ainda existem?
- Talvez, fora você, uns três ou quatro. Não temos certeza ainda...
- O que? Mas, segundo a história, haviam mais de cinquenta descendentes criados por eles naquela época!
- É... Naquela época. Mas, muitos deles já morreram. Muitos deles foram mortos.
Eu não podia ser menos uma. Tantas perguntas naquela hora.
- E porque você não quer ter este poder? Por que você não quer me matar?
- Por que eu nunca concordei com isto. Eu, meus pais e meu irmão, todos somos feiticeiros, mas eu sou a única da família que não concorda com isto. Houve uma vez, que encontramos um descendente na Califórnia. E eu tentei protegê-lo. Meu pai quase me matou por eu ter feito aquilo. Não quero me lembrar. E é por isso que eu estou com todo o cuidado do mundo com você. Só os meus pais tem acesso a este livro. Mas, eu o roubei, precisava realmente entender tudo, antes de falar com você. Mas, não temos muito tempo. Você tem que sair daqui!
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