A Marcelina levou mesmo a culpa, ninguém pode fazer nada. Todos na classe sabiam que ela não seria capaz disso, estavam todos boquiabertos e comentando na hora do recreio.

--- Isso parece coisa do Paulo —Disse Maria Joaquina com as meninas

Alícia: Não vamos acusar sem provas. Não sabemos se foi o Paulo, mas eu sei que não foi a Marce.

Jorge: Você não tem provas pra dizer que não foi a Marcelina. Muito pelo contrário. Ela pode está se fazendo de vítima. Tá na cara que foi ela. As tintas estavam no armário dela.

Carmem: Você é um chato Jorge. Ela levou até suspensão e isso foi uma grande injustiça!

Jorge saiu resmungando, enquanto Paulo, Mário e Kokimoto estavam conversando no pátio e Paulo disse:

--- Agora só falta meu pai. Ele também vai se dar mal.

Mário: Para com isso, Paulo, com seu pai já é de mais. Estão desconfiando de você, sabia?

Paulo deu com os ombros e disse:

--- Eu já sei como vou fazer meu pai se ferrar!

Dizendo isso, Paulo saiu do pátio e Mário e Koki ficaram conversando.

Koki: Mário, eu estou até com medo do Paulo, eles está indo longe de mais.

Mário: É verdade Koki, ele está parecendo um psicopata do jeito que ele fala.

Sinceramente... eu acho que ele precisa de um tratamento psicológico, ele está fora de si.

Kokimoto concordou. Paulo estava mesmo fora de si, só sentia raiva.

Narrador Paulo

É impressionante como todo mundo sempre acha que a culpa é minha. Porque ninguém aceita o fato de que a Marcelina que “pixou” a parede? Meu pai mesmo é um desses. Ele veio falar comigo:

--- Paulo! O que você tem a dizer sobre a parede da diretoria pixada?

Eu: Que a Marcelina foi muito burra de ter feito isso.

Roberto: Não foi ela e eu sei disso.

Eu: se não foi ela, então quem foi?

Roberto: E se tiver sido você? E se você tiver armado pra sua irmã.

Eu: Ah, não pai! Dessa vez não fui eu! --- Menti. Meu pai deixou as suspeitas pra lá pois ele não tinha provar que fui eu.

Eu estava observando meu pai nesses últimos dias pra saber como eu ia me vingar desse cara chato. E Já sei como. Meu pai vai fazer uma importante viagem de negócios amanhã. Quero dizer... ia. Não vai mais porque eu não vou deixar. Vocês já vão saber o que eu vou fazer. Meu pai arrumou suas coisas e sua mala. Vi ele pegar a passagem do avião e os documentos necessários. Ele guardou tudo na carteira. No dia seguinte, era sábado. Eu fiz questão de mecher no celular dele, pra despertar 45 minutos mais tarde. Fiz também questão de acordar cedo. Ninguém ainda tinha acordado. Peguei a Identidade do meu pai e escondi! Agora ele não ia ter como viajar à negócios kkkkkkkkkk. Meu pai acordou 45 minutos mais tarde, pois eu tinha mechido no despertador pra estragar tudo. Ele acordou, olhou as horas se assustou e levantou rapidamente.

Roberto: Droga!!! Estou atrasado, eu vou perder o voo! Agh!!

Lilian: Calma Roerto, vai dar tempo!

Meu pai começou a se arrumar rapidamente. Nem banho tomou. Comeu rápido e foi pro carro correndo ver se chegava a tempo no aeroporto.

Narrador Roberto

Dirigi rapidamente. Até passei nos sinais vermelhos. Não podia perder o avião, essa viagem era muito importante pra minha empresa. Droga! Eu juro que coloquei o celular pra despertar mais cedo. Isso não importa agora. O embarque era até 07:30 da manhã e cheguei em cima da hora. Exatamente as 07:25. Fui embarcar e outra tragédia: Onde estava minha identidade? Sem ela eu não poderia embarcar! Não pude viajar. Não acredito que deu tudo errado. Voltei para a casa. A Lilian me olhou surpresa e disse:

--- O que você está fazendo aqui? Não conseguiu embarcar, não deu tempo?

Eu: Até que deu, mas minha identidade sumiu. Eu tinha colocado junto com meus outros documentos, mas não estava lá quando fui pegar. Agora vou perder a reunião. Isso não podia ter acontecido, Lilian.

Narrador Paulo:

Meu pai parecia tenso, triste e muito nervoso. Ele começou a procurar a identidade dele por toda a parte da casa. A identidade dele ainda estava comigo, desde quando eu peguei pra ele não conseguir pegar o avião. Agora é só colocar a identidade nas coisas dele de volta. Eu me sentia feliz por ter conseguido me vingar dele e da Marcelina. Fui comemorar a vitória e fui ver TV. Meu castigo de “ter jogado a Marcelina da escada” já tinha acabado. Minha mãe estava meio nervosa e me mandou arrumar meu quarto. Eu não dei bola e corri pra casa do koki.

Narradora Lilian:

Coitado do Roberto perdeu uma viagem importante, ficou tão nervoso Ai, e esse Paulo que deixou o quarto todo bagunçado! Eu fui varrer o quarto do meu filho. Odeio bagunça. Vi a agenda escolar dele no chão e abri a gaveta de sua escrivaninha para guardar. Quando abri a gaveta, tive uma surpresa: Estavam lá uma tinta vermelha e a identidade do Roberto. Ai não! Foi o Paulo! A tinta era da cor da que pixaram a parede da diretoria da escola. O Paulo pixou a parede e armou pra culpa cair na Marcelina! Ainda por cima escondeu a carteira de identidade do Roberto e escondeu pra ele não viajar. Chamei o Roberto pra uma conversa. O Paulo estava passando dos limites, precisávamos fazer alguma coisa.

--- Desgraçado, eu não acredito que esse menino fez isso, Lilian, eu perdi minha viagem, a Marcelina foi suspensa, tudo por causa desse moleque!

Lilian: Não fica nervoso, Roberto, a gente tem que pensar em algo, o Paulo está passando dos limites. O que a gente faz?

Roberto: Me dói dizer isso, mas pensei em colocá-lo em um colégio interno militar.

Lilian: Mas Roberto...

Roberto: A decisão já está tomada Lilian. Ele vai sair mansinho de lá.

Lilian: Se for o melhor pra ele, tudo bem.

Narrador Paulo

Cheguei em casa ainda feliz pela minha vingança. Meus pais estavam com cara de zangados e me chamaram pra uma conversa. A Marcelina também estava presente.

Lilian: Paulo, eu fui guardar sua agenda na sua gaveta e encontrei a carteira de identidade do seu pai, que ele perdeu e por isso não pôde viajar.

Eu: Nooossa! Como será que foi parar lá? – Me fiz de cínico.

Meu pai me deu um tapa na cara e debochou com voz irônica:

---- Noooossa! Como será que esse tapa foi parar na sua cara?

Marcelina: Não bate nele papai...

Roberto: Você tem noção do que fez? Eu perdi uma reunião importante por sua causa e isso vai prejudicar a empresa!

Marcelina: A mamãe também achou as tintas que você pixou a parede da escola. Por que você fez isso, Paulo? E ainda colocou a culpa em mim?!

Eu: Do que você está falando Marcelina? – Me fiz de cínico novamente.

Roberto: Para Paulo!! Para com isso, para de ser cínico! Você tem noção do que você fez com sua irmã? Ela foi suspensa por sua culpa!

Meus pais ficaram falando, falando, falando, me deram o maior sermão e falaram que eu estava ficando sem caráter e que eu faço muita maldade pra um menino de 10 anos. Eu só abaixei a cabeça e esperei eles terminarem de falar, quando meu pai disse algo que eu não esperava:

--- Paulo, Já está no mês de novembro. Assim que você concluir o terceiro ano, no ano que vem você vai pra um colégio interno militar.

Eu: Não pai, por favor, não faz isso! É uma injustiça isso tudo!

Lilian: Paulo, nem eu agüento mais suas mentiras, nem seu jeito cínico. A decisão já está tomada.

Narradora Marcelina

Não acredito no que ouvi meus pais conversando. Foi tudo culpa do Paulo! Comecei a chorar. Como ele foi capaz de fazer isso comigo e com o papai? O Paulo apanhou como nunca apanhou na vida dele. Meu pai na mesma hora ligou pra diretora Olívia e contou que o Paulo que fez aquilo e ela suspendeu o Paulo e tirou minha suspensão. No dia seguinte eu voltei pra escola e contei tudo o que aconteceu para minhas amigas. Eu estava triste porque o Paulo vai pra um colégio interno. Senti pena dele, vou sentir sua falta...

Bibi: Ah Marce, fala sério, ele merece ir pra um colégio interno, vai...

Maria Joaquina: Eu também acho. Seus pais tomaram a decisão certa.

Derramei algumas lágrimas. A Margarida me abraçou.

Eu: Eu não queria que o Paulo fosse assim. Eu só queria uma família unida...

Notas finais
Último capítulo em que os irmãos ainda são crianças, depois alguns anos vão se passar.