Dois Irmãos: Conflitos, Amores E Grandes Momentos
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Alícia: Que bom que a gente ficou as sós. Queria falar com você.
Eu estava suando frio, eu ficava assim toda vez que ficava sozinho com a Alícia.
Alícia: Deixa a Marce ser feliz, Paulo. Você não pode dominar a vida da sua irmã.
Eu: Ela mandou você vim aqui me dizer isso?
Alícia: Por que ela faria isso?
Eu: Porque ela é sua melhor amiga e ela sabe que perto de você eu não sei o que dizer...
Droga por que eu disse isso? Agora ela vai pensar que eu estou a fim dela! Mas será que não estou mesmo afim da Alícia? O que eu fiz pra merecer isso? É castigo do passado!
Alícia: Você fica mesmo nervoso perto de mim?
Eu: ee..eeu? sss- sim... quero dizer, na.. não! Ah Alícia, não faz assim comigo vei! Eu não sei porque isso acontece! Acho que é porque traumatizei daquela vez que você brigou comigo porque se sentiu usada.
Alícia: Eu já te perdoei seu bobo, e a gente já conversou normal várias vezes depois disso. E você não ficava nervoso perto de mim.
É verdade, eu não ficava nervoso antes. Começou de uns 2 dias pra cá...e já tem quase um mês que eu fiquei com a Alícia e ela ficou chateada depois. Ela me puxou pela gola da camisa e me levou pra um lugar discreto da escola e me beijou. Digamos que o beijo dela é do tipo selvagem. Digamos que gostei. Acho que me apaixonei. Depois do beijo eu não sabia o que fazer. Acho que eu queria mais. A beijei novamente. Como era bom o encontro de nossos lábios! Depois que nos beijamos tentei dizer o que eu sentia à ela, mas não tinha palavras:
Eu: Alícia, eu não sei nem o que dizer.
Alícia: Me diz o que você sente, Paulo. Pelo menos uma vez na vida, não tenha medo. Os sentimentos devem ser expressados e revelados.
Eu: Eu acho que te amo Alícia...vamos ficar juntos?!
Alícia: Eu esperei muito por esse momento, Paulo.
Eu e a Alícia trocamos olhares a aula inteira. Eu estava mesmo apaixonado, primeira vez que demonstro meus sentimentos. E isso era tão bom! Me senti tão leve! E a professora Helena até me chamou atenção, pois eu estava no mundo da lua, nem prestar atenção na aula eu conseguia. A Alícia também, mas a espertinha conseguia disfarçar.
Helena: --- Pessoal, nós vamos fazer um trabalho na floresta igual o que a gente fez no terceiro ano. Nós vamos dessa vez estudar os tipos de árvores e plantas que tem por lá.
Todos da sala comemoraram. Amamos excursões. A professora continuou:
–-- O trabalho vai ser em duplas: Cirilo e Adriano; Davi e Mário, Kokimoto e Mário, Maria Joaquina e Bibi, Carmem e Laura, Margarida e Daniel...
Nesse momento eu fiquei pensando e torcendo pra sair junto com a Alícia ou com o Jaime.
Helena: ---Jaime e Jorge...
Olhei pra cara do Jaime. Ele também olhou pra mim. O Jaime odiou ter saído com o Jorge. Será que tem a ver com o que ele não pode me contar sobre o Jorge? Ou será que é porque ele tem ciúmes do Jorge com a Marcelina? Mas continuei torcendo. Eu e Alícia, eu e Alícia, eu e Alícia!!
Helena: --- Valéria e Alícia...
Eu: Droga!
Helena: --- Paulo e Marcelina.
Droga ao quadrado! Não fui com a Alícia e vou ter que ir com a Marcelina. Ela está triste comigo quando disse ontem que não me importo com ela. Ainda mais porque implico com o Jorge. E agora implico mais ainda depois que o Jaime me disse que o Jorge não é quem pensamos que é.
No dia seguinte nos arrumamos pra excursão na floresta. Peguei minha mochila e coloquei os materiais necessários, além de uma blusa de frio, uma lanterna (caso ficássemos lá até de noite), água e bastante comida. A Marcelina entrou no meu quarto e disse:
–-- Pra que levar isso tudo?
Eu: Porque eu sou prevenido.
Estranhei o fato dela ter puxado conversa comigo e falei:
–-- Não está chateada comigo? Por que Voltou a conversar comigo depois de ontem.
Marcelina: Eu tenho um coração bom. Eu sei perdoar. Não sou como certas pessoas...chamadas Paulo Guerra.
Eu: Aff Marcelina, me deixa.
Ela mudou de assunto:
Marcelina: Eu não me importo da Alícia namorar com você. Queria que você aceitasse o Jorge.
Eu: O Jorge não é quem você pensa que é.
Marcelina: Como assim?
Eu: Não sei. Mas o Jaime me falou isso. E eu confio nas palavras do meu melhor amigo.
Marcelina: Não importa o que o Jaime diz...
Marcelina estava com o Jorge, mas gostava do Jaime. Isso todos percebiam. E notei que ela ficou preocupada porque o Jaime disse isso sobre o Jorge. Chegamos na escola e pegamos o ônibus da excurão.
Narr Marcelina
No ônibus podíamos sentar com quem quisesse, mas quando a gente chegasse no local do trabalho, tínhamos que ficar perto dos nossos parceiros. Aproveitei que podíamos escolher pelo menos os parceiros de ônibus sentei com o Jorge. Ele fazia carinho nos meus cabelos. Mas eu fiquei grilada com o que o Jaime disse pro Paulo e falei com o Jorge:
–-- Jorge, o Paulo me falou ontem que o Jaime disse a ele que você não é quem eu penso que você é. Você está escondendo algo de mim?
Jorge: Você acreditou no seu irmão? Esqueceu que ele quer estragar o nosso namoro? Fica esperta com o Paulo, ele pode tentar separar a gente.
Eu: Mas ele me disse que o Jaime disse isso pra ele! O Jaime não tem motivos pra mentir...
Jorge: Deve ser pretexto do Paulo pra você acreditar nele. Você não confia em mim? Devem estar querendo nos separar.
Eu: É verdade. Desculpa por desconfiar de você...
Jorge: Eu vou te fazer esquecer o Jaime.
Ele me beijou. E tentei acreditar que fosse mesmo só implicância do Paulo. Quando chegamos na floresta pra fazer o trabalho de campo, fomos divididos nas duplas que a professora formou. Fui com o chato do Paulo que não aceitava meu namoro com o Jorge.
Narr Jaime
Droga, droga, droga! Por que eu tive que ir com o Jorge na dupla do trabalho? Esse menino me odeia. Desde quando eu descobri uma coisa sobre ele. Ele me ameaça pra eu não contar. Eu não deveria ter medo daquele baixinho, palito e cabelo lambido, mas a coisa é séria. Os comparsas dele são perigosos. Eu deveria contar pra Marcelina, porque eu gosto muito dela e ela está correndo risco com o Jorge. Só sei que hoje eu quase morri assassinado pelo Jorge. Quando a professora separou as duplas, cada dupla foi pra um canto analisar as plantas e a vegetação do lugar. Eu e o Jorge ficamos sozinhos, pois ele era minha dupla. E ele me disse:
–-- Seu balofo! Você quer estragar o meu namoro com a Marcelina, não quer?
Eu: --- Do que você está falando, cara?
Jorge: Você falou com o Paulo que eu não sou quem todos pensam que eu sou. Por sua culpa o Paulo ficou desconfiado e contou pra Marcelina, que foi tirar satisfações comigo! O Paulo já não vai com minha cara, agora você deixou o cara mais desconfiado de mim ainda!
Eu: Ai droga, O Paulo falou com a Marce, que foi falar com você...
Jorge: Você pensou que eu não ia saber que você deixou o Paulo e a Marce com uma pulga atrás da orelha não é?
Eu: Calma aí Jorge, eu não disse nada além disso, eu não revelei seu segredo!
Jorge: Se a Marcelina ou o Paulo descobrirem alguma coisa sobre mim e se a culpa disso for sua... você que fez o Paulo ficar desconfiado de mim. Se alguém descobrir meu segredo você está ferrado Jaime Palilo, eu chamo meus comparsas pra te pegar. E se ficar de caozada, a porrada come!
Engoli o seco quando ele falou isso. Os capangas do Jorge eram muito sinistros e eu tinha medo deles. Mas agora ser ameaçado a levar porrada desse baixinho palito é foda! Eu não podia contar pra ninguém o segredo do Jorge, ou eu estaria frito! Não posso contar nada pro Paulo ou pra Marce por minha sobrevivência. Tadinha da Marcelina... o Jorge gosta dela de verdade, mas ele não merece uma menina como a Marcelina.
Narr Paulo
Eu e Marcelina estávamos analisando a vegetação do local para o trabalho. Eu estava achando um saco aquele trabalho, viu? Bem que minha dupla podia ser a Alícia, eu não aguento ficar nem um segundo longe dela. Eu estava bem pensando na Alícia quando a Marcelina toca justamente nesse assunto.
–-- Paulo, você está namorando a Alícia. Mas você gosta dela de verdade, não é?
Eu: Gosto, por que?
Marcelina: Porque as vezes eu te acho frio de mais pra amar alguém.
Eu: Eu tenho sentimentos, maninha, não sou insensível. Tenho o direito de amar.
Marcelina: Eu sei. Mas a Alícia também tem sentimentos. E eu não quero que você a magoe.
Esse é o lado ruim de namorar a melhor amiga de minha irmã. Ela fica vigiando pra ver se a gente está namorando sem se ferir.
Narr Marcelina
E já estava quase na hora de concluir o trabalho e voltar pra encontrar a turma, quando o Paulo disse entusiasmado:
–-- Marcelina, corre, vem cá!
Fui correndo em direção a ele que disse:
–--Essa é uma espécie rara de planta, vamos arrancar e levar pra professora, nós vamos ganhar total no trabalho.
Eu: Ah Paulo, mas essa planta está muito feinha. Ela está murcha, quase morrendo.
Paulo olhou mais adiante correu floresta adentro e disse:
–-- Vem! Tem mais da espécie dela aqui.
Eu: Deixa pra lá Paulo, está ficando tarde, a gente tem que voltar pro ponto de encontro.
Paulo: Ah deixa de ser chata Marcelina. Vamos andar mais um pouco que pra lá tem umas espécies muito sinistras de plantas.
Eu acompanhei o Paulo e andamos por mais uns 20 metros analisando as plantas. Já passava da hora de encontrar a turma e a professora. Já eram cinco da tarde e a professora ia nos encontrar as quatro e quarenta e cinco.
Eu: Paulo, estamos atrasados, anda!
Ele revirou os olhos e a gente foi caminhando entrando mais ainda pela floresta. Eu percebi que havia alguma coisa errada e disse:
–-- Paulo, não foi por aqui que a gente veio.
Paulo: Eu sei muito bem o caminho, Marcelina.
Continuamos andando. Parecíamos andar em círculos. Eu não sabia voltar. Percebi uma cara de preocupação no olhar do Paulo e ele disse:
–-- Ops... nos perdemos Marcelina!
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