Dois Impérios
1 Pefácio e Capítulo 1-A História Antes Da História
Esta história é sobre dois povos próximos e ao mesmo tempo distantes. O ódio entre si era tão intenso, que constantemente entravam em choque entre si, gerando assim diversas guerras. Falaremos de um casal que se conheceu e viveu sua história durante uma destas guerras, onde deveriam ser rivais.
Tudo teve início quando a França ainda estava sob o poder de Napoleão Bonaparte, que então ameaçava as nações européias. Desta, não escapava as terras do então Império Russo (com um vasto território, que ia da Europa à Àsia e também uma pequena parte da América do Norte — maior parte antes pertenciam ao território do Império Otomano). Incentivado pela derrota dos impérios russo e austro-húngaro para Napoleão, na Batalha de Austerlitz, os otomanos (aliados dos franceses) se viram na chance de derrotar os russos. Para deter a invasão do exército napoleônico, 40 mil russos avançaram para a Moldávia e Valáquia — atual província da Romênia — . O Sultão otomano decidiu então impedir a passagem de embarcações russas, logo após declarndo guerra.
Capítulo 1 — A história antes da história
Passou suas mãozinhas pelos livros empoeirados da sala do moscovita. Estava feliz por estar ali, com seus irmãos. Moscou, São Petersburgo, Kiev, Vilnius. Esses e muitos outros moravam ali, naquele imenso palácio. Folheava um dos livros, quando sua concentração fora irrompida, dando lugar para um imenso susto e horror. A cena correra no cômodo seguinte, que passara o tempo todo de portas fechadas. Derrepente ela viu Dmitri, Ródion e Alyosha saírem furiosos da saleta após o petersbuguense abrir a porta num estrondo.
- Absurdo, absurdo! — gritava o petersburguense pulmões à fora — É um ultraje! É isso que é, um ultraje! — tinha seu rosto vermelho de raiva. Logo foi confortado pela ucraniana, que no fundo concordava com suas afirmações.
- Acalma-te, Ródia. Estes otomanos são terríveis, sabemos. Mas por hora procura te acalmar — dizia Kiev, que se remoía em uma fúria contida.
- Alyochénka, como eles poderam? Estamos apenas nos defendendo dos franceses, dentro de nosso teritório. Com o quê o Sultão se ofendeu? — continuava o homem, inconformado, enquanto Kiev seguia lhe repetindo "eu sei, eu sei".
Já o moscovita, sentia vontade de gritar pulmões a fora como fizera o mais jovem. Queria pegar todo o seu capital e investir em tropas. Otomanos malditos. Como podem apoiar Bonaparte? E com que argumentos investiam contra os russos? Ele olhou para o lado, como se buscasse respostas e logo avistou a bielorrussa que os observava, horrorizava. Se rendeu àquelas feições e deixou de lado os dois que discutiam, caminhando até Minsk.
- Anastasya, perdão. Desculpe-nos por agir assim na tua frente. — sorria para ela, estendendo-lhe a mão. A bielorrussa, antes sentada no chão em frente à prateleira, segurou a mão do moscovita e ergue-se. Logo os outros dois, que haviam cessado a discursão, juntaram-se a eles.
- Aniétchka, querida. Perdoe-nos. — a ucraniana tinha uma expressão dolorosa no rosto, abraçando-a em seguida. — Anna, Aniétchka. Estamos em tempos difíceis. Os franceses, e agora os otomanos, ameaçam nos atacar. Quero que parta hoje, hoje mesmo. Vá pra o Alasca, onde quiser. Onde quiser no Império Russo, mas se afaste daqui. Vai pra Sibéria. Não, não. O Alasca! Vá para lá, é mais seguro. Não conte a ninguém sobre tua ida, ninguém que não te seja indispensável. — ela olhou para os homens que estavam ali, como se lembrasse da prenseça deles — Desculpa Mítienka, Ródia. Não lhes perguntei: estão de acordo? Que acham? — ambos concodaram com a cabeça.
- Não só concordo, Alyochénka, como acho que Anna deveria partir imediatamente. Com os franceses e otamanos impedindo nossas embarcações, cada um de um lado, sabe-se lá quando vão poder viajar em paz! Daqui a alguns dias estará pior, é bom que parta agora, Anastasya. Imediatamente. — observou com seriedade, o petersburguense. Os outros concordaram.
- Deixe que eu mande que façam os preparativos agora mesmo. Partirá agora, Anastasya. Ródion tem toda a razão.
- Não! — bradou de súbito a bielorrussa, logo se envergonhando do quão alto falara. — Não, não é preciso. Sou grande, grande demais para ter vocês se preocupando comigo. Partirei, mas por conta própria, numa viagem para alguma aldeota na Sibéria. Irei hoje mesmo.
- Sim, sim. Estou de acordo. Agora vai, Aniétchka. Adeus, querida. Fica longe por um tempo.
Após ser abraçada por eles e se despedir dos três, seguiu adentrando rapidamente o palácio a caminho do quarto de Vilnius. Sim, estava decidida. Ela iria embora, mas não para o Alaska ou a Sibéria, ia a outro lugar, outro lugar. Mas antes, queria despedir-se do lituano. Iria sentir a falta de todos, de Vilkas principalmente, mas não iria desistir agora. Deparou-se com o quarto vazio. A cena do homem indo despedir-se dela em meio a seu sono, lhe passou pela cabeça. E de como ela mal conseguia falar, de tanto sono. Havia esquecido que Vilnius voltara na madrugada, para seu país. Sentiu uma tristeza súbita — não que não ficasse triste em se despedir dos outros, mas estava tão excitada (ela havia bolado um plano no tempo em que os outros russos falavam) que havia esquecido até de se sentir triste. Sentiu-se assim pois não poderia se despedir do lituano. Correu os olhos pelo recinto, avistando um tinteiro e um papel. Tomou-os em mãos e escreveu um recado, com os seguintes dizeres:
Caro Vilchenka,
Desculpe por não poder me despedir corretamente. Estou com pressa, estou partindo da Rússia. Moscou, São Petersburgo e Kiev podem te explicar melhor. Mais uma vez, desculpe-me.
De sua amiga, que te estima
Anastasya
Ela observou o quarto mais uma vez e concluiu que seria melhor pôr o bilhete na estante de livros. Conhecendo bem o lituano, ele olharia por lá sem falta. Tratou de pôr na frente do livro que ela sabia que ele andava lendo. "Voltarei, Vilnius. Os otomanos perecerão". Beijou o papel duas, três vezes, então partiu do palácio. Seu coração doía e estava um pouco nervosa, até com um pouco de medo. Tratou de convocar sua amiga querida, Mária, uma moscovita, que aceitou seguí-la pra onde quer que fosse. Logo ela lhe esclareceu que não se tratava de "seguí-la", mas de ficar salva em algum lugar e lhe fazer um favor.
- O que quer dizer com isso?
- Bem, aceita ou não ir para a Sibéria, por sua própria proteção? Não estarei por lá, mas se alguém perguntar, sim, estarei indo para lá.
- Bem... aceito sim. — Mária encarava a moça, como se ela fosse um enigma ambulante. — E qual o favor?
- Que se passe por mim — sorriu de leve para a mulher, de um modo meio acanhado.
Esta moça, Mária Kondratiévna, era uma grande amiga de Anastasya. Haviam se conhecido ainda quando pequenas. Era uma moça casta, da nobresa. Ficara órfã recentemente, mas tempo o bastante para recuperar-se. Não teve complicação alguma quanto ao estado de órfã, pois entrara na casa dos vinte antes do ocorrido. Um fato curioso, era que Mária poderia se passar facilmente por Anastasya e vice-versa. Elas eram quase idênticas. Mária era alguns poucos centímetros mais alta, sua pele era alguns tons mais escura e seus cabelos eram mais "vivos" (sem falar que eram ruivos), dentre outros pequenos detalhes. Mas eram diferenças que só se podia notar quando estavam ao lado uma da outra, quando podiam comparar. Mas o modo como as duas se vestiam, maquiavam e penteavam era diferente. Mas se pussesse o estilo de uma, na outra, "não haveria" diferença. E quanto a cor do cabelo, Mária estava disposta a mudá-la.
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