Notas iniciais
Oi pessoal. Primeiramente, me desculpem pelo tempinho que sumi. Realmente estava pensando em excluir essa fic por não ter ideias, mas esses comentários me estimularam a continuar. Justificando o capítulo que não foi postado semana passada, eu ando com muitos problemas. E não são problemas pequenos, são problemas psicológicos. Estou com suspeita de Esquizofrenia. Para quem não sabe, Esquizofrenia é um transtorno mental onde o paciente começa a ter alucinações e em casos graves até pode perder a noção do real e das suas ilusões. Se eu tiver mesmo, tenho que começar a me tratar agora porque os sinais estão presentes desde que eu era muito nova e essa doença começa geralmente no fim da adolescência, indo para a vida adulta. Esquizofrenia infantil aguda, algo assim. Então eu estou bem deprimida ultimamente porque a minha mãe não aceita isso. Quem está me ajudando é minha vó. É isso, só queria justificar a ausência na fanfic. Boa leitura, eu amo vocês

Remorso, consciência pesada, arrependimento. Ele nem ao menos sabia se essas palavras tinham o mesmo significado, mas era isso que o definia no momento. Sempre foi o gêmeo bom, que sempre fazia tudo certo e por causa disso tinha o direito de apontar para o irmão e dizer "eu estava certo" sempre que ele fazia alguma merda. Mas agora, ele que estava fazendo merda. E que merda grande.

– MICHELANGELO!

– Que, que é?

– Ta viajando mano? puta merda em! terceira vez que chamo tua atenção

– Foi mal Sócrates, to pensando no trabalho de Biologia. Acho que vou levar um zero — A desculpa era verdade. O loiro na pressa colocou qualquer tipo de baboseira no trabalho e do jeito que aquela professora era o cão chupando manga não consideraria nem a capa caprichada que ele mesmo fez.

– Há, novidade né? ta sempre no mundo da lua, mas relaxa que se você ficar de recuperação eu te ajudo ok?

– Valeu mano

– Nada, já to acostumado com você tirando vermelha. Agora anda, vamos encontrar o Cadu lá na biblioteca

– Eita, não vai dar

– Por que? — Sócrates ergueu uma sobrancelha. De bobo, não tinha nada e era observador até de mais. Sabia que se continuasse assim ele o pressionaria. Rápido, outra desculpa!

– Vou falar com a professora de Biologia pra ver se convenço ela. Vai que consigo né?

– Mas elas não tem aulas nesse colégio na Terça feira. Só ta aqui amanhã e Sexta.

– Sério? nem lembrava! espera, vou beber água e já volto

– Vou com você

– NÃO!

– Ué, por que não? — Droga Sócrates era muito difícil de dobrar

– Eu vou lá no bebedouro dos pequenos, você odeia crianças

– Essa hora estão em aulas, eles entram antes que a gente

– Não estão não, hoje é dia do brinquedo

– Ah então vai se foder! tchau, depois encontra a gente lá

E Sócrates foi andando pelo corredor fazendo o outro gêmeo soltar um grande suspiro aliviado. Não estava sendo fácil! Desde sempre Michelangelo era bom em inventar mentiras.

Mentia para a mãe não coloca-lo de castigo quando ele aprontava, mentia para os professores pra eles darem uma nota melhor e assim ele não ficava de recuperação(pelo menos não em todas as matérias) e mentia para o irmão ás vezes. Mas Sócrates não era manipulável como os outros e estava cada vez mais difícil inventar mentias coerentes para ele. Remorso, consciência pesada, arrependimento.

Foi subindo as escadas até chegar no terceiro andar do colégio onde a garota já o esperava. O cabelo comprido agora estava em cima do ombro porque há poucas semanas surgiu um boato que Enzo gostava de garotas com cabelo curto. Usava um casaco azul porque era a cor favorita de Enzo. Batom vermelho na boca porque Enzo gostava de bocas chamativas e os tênis agora mais baixos porque Enzo gostava de pessoas baixas. Cada vez mais obcecada pelo garoto popular.

– Oi, você demorou

– Foi mal. Sócrates me segurou lá em baixo

– Seu irmão é um porre — ela revirou os olhos — toma cuidado porque aquele intrometido pode estragar tudo!

– Eu sei, relaxa. Acho que ele nem desconfia — Outra mentira.

– Que bom. A próxima etapa do plano é bem simples, você só tem que falar pra família dele. Quero ver se o pai vai sustentar o filho que dá o rabo

– OQUE? você não acha que isso já está indo um pouco longe demais? não vou fazer isso! Cadu é meu amigo — E o sorriso da garota sumiu

– Michelangelo, quem foi que apoiou você e o Sócrates quando vocês foram zoados pelo colégio inteiro?

– Você, mas o que isso...

– CALADO! quem foi que deixou os amigos pra ser amiga de vocês?

– Você...

– Quem foi que sempre esteve ao lado de vocês?

– Você...

– Então pronto! você vai negar isso pra mim? e além do mais, isso aqui pode ser seu

A garota puxou Michelangelo que se assustou um pouco com o ato inesperado. Ela havia colocado as mãos dele em seus peitos. Eram pequenos, mas tão bonitos.

– Você não me quer?

– Quero, lógico que eu quero!

– Então pare de frescura e me ajude. Eu prometo que você vai poder me tocar quando eu conseguir o que quero ok? — E deu um beijo em Michelangelo. Beijo de língua com saliva e tudo o que tem direito mesmo fazendo o garoto delirar.

– Isso é por você ter tirado aquela foto pra mim, amor. Agora some antes que alguém desconfie

O loiro começou a descer as escadas sem nem questionar, com um sorriso enorme no rosto. Mas quando cruzou o segundo corredor aquela culpa já batia na porta novamente com mais intensidade ainda.

– Droga, eu sou um escravoceta* — disse para si mesmo

E Mariana não podia estar mais feliz. Se continuasse com aquilo Cadu não demoraria para querer sair do colégio e assim quem sobraria para consolar Enzo? ela, é claro! ele veria como ela é uma garota legal e simpática. Tudo ficaria bem afinal das contas. Realmente não queria estar fazendo aquilo com Cadu, o garoto até que era legalzinho não fosse por sua vozinha extremamente irritante e seu jeito insuportável. Nada disso teria acontecido se ele não tivesse se metido com o SEU Enzo. Era dela, só dela!

Ele podia ter escolhido ficar com o garoto gótico-rockeiro-problemático, mas não. A putinha tinha que ir para cima do Enzo também. Ela não estava fazendo nada de errado não é? Cadu que estava errado. É, ela preferiu acreditar nisso.

–-

– Você tem certeza de que tá bem?

– Absoluta! só to meio deprimido por causa das coisas que tão acontecendo.

– São um banco de zumbis sociais, você sabe. Mas não parece que é por isso que você ta assim .

– Sério Sócrates, não precisa de preocupar

– Ok, se você diz

Assim que Sócrates entrou na biblioteca percebeu que o garoto não estava bem e algo lhe dizia que não era por causa dos idiotas que estavam falando bostas por aí. Sentia tanta saudade do sorriso contagiante de Cadu e de sua risada infantil engraçada. Agora ele não sorria mais, não tinha o brilho no olhar. Estava bem pior que ontem, parecia até decepcionado com alguma coisa. O que só aumentavam suas suspeitas.

O garoto até tentou disfarçar, escondeu o rosto no livro, deu um sorriso falso, uma risada forçada, mas Sócrates sabia o que estava acontecendo e sabia também que Cadu estava no começo de uma depressão. Não podia deixar isso acontecer então decidiu sorrir pelo amigo. Sorriu muito, fez piadas idiotas que o fizeram querer pular do terraço do colégio, mas Cadu sorriu um pouco e isso valia a pena.

– Adivinha só, aquele bebedouro tava em manutenção. Tive que atravessar o colégio inteiro pra conseguir beber água

E o sorriso mínimo se foi de repente. Assim que Michelangelo entrou, Cadu pareceu bem mais cabisbaixo. As suspeitas se confirmaram instantaneamente.

– Porra Michelangelo! eu juro por Deus que se você estiver envolvido com o que aconteceu com o Cadu, eu vou te quebrar inteirinho. Não importa se você é meu irmão. Cadu é nosso amigo e não se faz isso com amigos.

Foi isso que Sócrates pensou. E de fato, estava certo.

–-

Como sempre, ficou até de tarde no colégio. Sócrates até se ofereceu para ficar lá com ele, mas recusou então o gêmeo foi embora. Se antes não estava bem, agora estava pior ainda. Não conhecia nem encarar Michelangelo direito nos olhos. Queria bater nele como Enzo batia em Will e vice versa, mas não tinha força e nem coragem para isso. Mesmo que fosse magrelo também Michelangelo era mais forte.

Não podia simplesmente chegar batendo nele — embora fosse isso que queria — porque certamente levaria uma baita suspensão. Só queria se trancar em seu quarto e ler, ler, viver de leitura e nunca mais precisar aparecer para ninguém.

Estava tão distraído que nem viu a escada que dava acesso ao refeitório. Um grito escapou de sua boca quando pisou em falso e já estava prestes a cair quando alguém segurou em sua blusa. Já ia agradecer para a pessoa, mas quando virou a cabeça...

– D-Daniel? — Perguntou confuso(e morrendo de medo) Fazia tanto tempo que não via Daniel. O garoto quando o via saía correndo como se tivesse visto uma assombração.

– Olá Cadu. Então, lembra de mim né? — O loiro carregava um sorriso maldoso no rosto

– Esse cara vai me matar – Cadu pensou

– S-sim

– Que bom. Não gostei nenhum pouco do que aconteceu aquele dia. Apanhei por sua causa sabia? — Daniel virou o pescoço mostrando a cicatriz marcada — Foi meu irmão que fez isso por eu ter mexido com você. Mas adivinha só, não tem ninguém aqui. Não tem Enzo, não tem William, não tem ninguém. Você ta fudido.

Antes que o garoto pensasse em se quer correr, Daniel soltou sua camiseta. Sentiu tudo rodar e seu corpo ficar dolorido cada vez que batia em um degrau de ferro. Aquilo deixaria marcas, tantas marcas. Mas no momento só conseguia pensar na tremenda dor que sentia.

Quando chegou lá em baixo já não raciocinava mais. Só se concentrava na queimação de seu corpo e o liquido escorrendo de sua testa. Sangue, sangue se espalhava por seu cabelo agora e ele não conseguia nem ao menos se mexer. E ficaria pior. Daniel foi até ele em passos calmos.

Um soco

– EU APANHEI POR SUA CAUSA, SEU MERDA!

Um chute. Ele já não enxergava mais as coisas

– FILHO DA PUTA!

Mais um soco. E depois mais um, mais dois, mais três. Até que...

– FICA LONGE DELE, AGORA!

Era a voz de Will? Alguém tocou seu rosto

– CADU, PELO AMOR DE DEUS FALA COMIGO!

E aquele era a de Enzo, certo? ele não sabia mais. Era tanta dor que resolveu se entregar a ela. Seus olhos se fecharam e Cadu apagou de vez

Notas finais
*Me desculpem por esse termo. Ficou um pouco rude, mas é o melhor termo para descrever o Michelangelo no momento *risos* Gostaram? acho que vocês já perceberam como eu tenho dificuldade para escrever momentos em que os personagens se machucam, conflitos e etc, mas dei o melhor de mim dessa vez por que é para vocês sofrerem com o Cadu. Até a próxima, deixem suas opiniões nos comentários e suas ideias também. Sorry pelo tempo que não atualizei