Notas iniciais
Como é ano novo eu decidi fazer uma coisa especial. Não vou poder postar Domingo por que eu vou sair, vou voltar tarde e eu não queria deixar vocês sem capítulo. Esse capítulo não é narrado pelo Cadu e eu tenho certeza que já nas primeiras linhas vocês vão saber quem é. Boa leitura, feliz ano novo e espero que vocês gostem.

Você não ouve quando pedem por socorro, você não vê quando um aluno é espancado e se uma dessas coisas acontece você nunca deve falar a respeito.

Não ouvir, não ver e não falar nada. Essas eram as regras básicas para se enturmar no ambiente escolar, mas no meu colégio isso acabou virando um manual de sobrevivência desde que começaram a bater nos novatos e a maioria dos merdinhas dessa escola achou que poderia fazer a mesma coisa.

Antes que você pense coisas erradas sobre mim eu não tenho medo dos ''valentões'' já que para todos os efeitos eu sou um deles.

Naquele dia juro que estava tentando seguir as regras, mas quando vi aquele garoto entrando e logo depois a gangue de Daniel senti um aperto no peito. Ele era muito pequeno, parecia tão frágil. Se eu o deixasse sozinho ele acabaria todo ferrado.

Mais tarde acabei na diretoria como sempre acontecia. De toda esse imenso colégio, eu parecia ser o aluno que o diretor mais gostava de ferrar. Bastava um empurrão em alguém e eu já estava lá. Só não fui expulso ainda por que Tia Bel é uma de infância da mulher do diretor. O maior motivo de seu ódio por mim é por que eu e seu filhinho mais velho brigamos o tempo todo.

As vezes só com palavras, mas quase sempre eu e Enzo saímos na porrada e o pai dele fica ainda mais puto comigo. Já não me importo mais com que pensam de mim, nem quantas advertências eu levo desde que começaram a zombar de mim por minha preferência sexual.

Eu ainda me lembro da reação da minha mãe na lanchonete quando contei para ela. Ela suspirou, levou a xícara de café até a boca e quando a trouxe de volta mudou minha vida drasticamente.

– Você acha que eu vou sustentar um viado nojento que da a bunda? arrume suas coisa garoto, você vai para a casa do seu pai. Não vou mais te sustentar, você não é mais meu filho.

Na época aquelas palavras me destruíram, mas agora já não significam nada. Eu devia saber que minha mãe me expulsaria, ela nunca foi muito com a minha cara e acho até que ela também não gosta da minha irmã.

Ele veio falar comigo, agradecer pela generosidade. Seus olhos eram tão grandes e lindos, daquele tom verde que é raro de ver. Nunca tinha visto um sorriso como aquele que acabou me contagiando, mesmo que por alguns segundos.

Quando percebi tinha sido grosseiro com ele. Por que fez isso? nem eu mesmo sei. As pessoas daqui vivem me chamando de coisas nada agradáveis, talvez eu tenha falado isso por pura defesa.

– Tudo bem Will, foi melhor assim. Ele iria se afastar como os outros quando souber da sua má reputação. Só falta um ano, passa rápido.

Mal sabia eu que seria um longo ano e minha vida iria virar de cabeça para baixo.

Notas finais
O que vocês acharam? gostaram da visão dele? mais pra frente eu vou fazer uma do Enzo também, se vocês aprovarem esse capítulo é claro. Até Domingo que vem ( dia que eu atualizo). Eu sei que eu disse pra duas leitoras que eu ia postar dois dias na semana, mas minha criatividade tem que reabastecer e como eu disse nas notas de início eu vou sair e é complicado. Digam suas ideias aí, deixem suas opiniões positivas e negativas por que elas são muito importantes. Beijos