Notas iniciais
Gente o que foram todos aqueles comentários de apoio? eu amo vocês! depois de tudo aquilo é óbvio que eu vou continuar, não tenham dúvidas e quando isso não acontecer é porque eu estou ocupada com provas ou não tenho um computador disponível já que meu pc ás vezes para, desliga sozinho e eu não consigo mais mexer. Outra coisa: EVEBYBORY HATES MICHELANGELO! ahuashuas eu ri lendo aqueles comentários, sério. Que ódio é esse no coração gente? o menino só está apaixonado. Quem não faz merda quando está apaixonado? ta certo que até eu estou odiando ele, mas vamos seguir aí e quem sabe o Mich não conquiste vocês de novo! ou não né

A garota tirou o uniforme e se jogou em sua cama pegando o celular que estava dentro da mochila. Discou o número sem nem olhar para a tela porque já sabia de cabeça e esperou que a pessoa atendesse. Chamou uma,duas, três vezes e na quarta ela já estava perdendo a paciência quando a pessoa finalmente atendeu.

– O QUE VOCÊ QUER? — A pessoa disse com ignorância e era justificável. Nos últimos dias a garota havia ligado inúmeras vezes enchendo a sua paciência.

– Nossa, isso é jeito de falar comigo? magoou – Disse fingindo estar triste

– Não venha com gracinhas! fala logo, ou eu desligo na sua cara

– Ok, já que você insiste. Já vi que não posso ser amigável com você então vou ser bem direta. Tem um garoto novo se engraçando pro meu Enzo

– E? o que eu tenho haver com isso? seu Enzo nem aqui e nem na china

– Idai que você vai me ajudar a afastar eles ou eu conto pro Enzo que você só ficou com ele por causa de uma aposta

– Aposta que VOCÊ fez. Conte, faça o que você quiser, só não me ligue mais sua louca

A garota deu um longo suspiro antes de responder e dessa vez sua voz era carregada de ódio

– Ok, você quem sabe. Você ta estudando num colégio chamado Santiago Mares não ta? colégio muito bom eu admito, mas famoso por vários alunos serem hospitalizados porque são gays ou lésbicas

– o nervosismo do outro lado da linha já era evidente e ela quase conseguia ver os olhos arregalados

O que eles iriam achar se eu colocasse umas fotos suas com o Enzo e com o William? já consigo até ver esses seus lindos olhinhos azuis roxos, todo deformado. Seria uma pena se...

– OK! — disse derrotado – e-eu faço. Eu faço o que você quiser. Só não estrague a minha reputação — a garota deu um grande sorriso maldoso e começou a contar suas intenções. Intenções que não eram nem de longe boas.

As vezes o remorso até batia e ela imaginava como Cadu estava, mas era merecido! ele tinha roubado o SEU Enzo e agora tinha que pagar! nada de fraquejar, ele tinha que aprender. Não é? Cadu ainda tem que sofrer muito para aprender!

–ll-

Começou a ouvir vozes fraquinhas e aos poucos os zumbidos sumira. Finalmente havia parado de sonhar. A cabeça estava quase explodindo. Seus membros doíam tanto que ele tinha a impressão que havia sido atropelado por dez caminhões enormes. Até mesmo respirar doía e exigia um esforço extra.

– Acho melhor vocês irem embora. É improvável que ele acorde hoje e mesmo se acordar vai ser lá pelas sete, nove da noite — Ele reconheceu aquela voz de primeira. Era seu pai.

– NÃO! nós queremos ficar. Por favor, deixa a gente ficar tio — Aquela voz também era conhecida e mesmo que não fosse admitir, amava ela. Will.

– Por favor senhor Mendes, deixa a gente ficar aqui. Nós queremos acompanhar todo o desenvolvimento que ele fizer e mesmo se ele não acordar hoje não tem problema — E esse era Enzo. O que eles estavam fazendo ali, o garoto se perguntavam. E o mais importante: que lugar era esse?

– Ta — Ícaro puxou e soprou o ar um pouco nervoso e passou a mão nos cabelos — podem ficar mais um pouco, mas nada de ficar até mais tarde como ontem entenderam?

Os garotos iriam responder com sorrisos nos rostos quando um gemido baixo foi ouvido da cama e os três se assustaram

– Cadu, é você filho?

– Pai... — O garoto murmurou com dificuldade. Até falar doía

– Finalmente! você se sente bem?

– Onde...onde é que eu to?

Agora analisando o local até que era bonito. O tom das paredes era azul bebê, o ar condicionado ligado em temperatura alta fazia seu corpo se arrepiar um pouco, mas estava envolvido em um longo cobertos branco e havia alguns aparelhos em seu lado.

Cadu abriu os olhos com certa dificuldade. Eles estavam um pouco inchados e pesados ainda. Fechou novamente por causa da claridade, mas quando abriram de vez viu seu pai e as duas figuras que sorriam mais que cabia no rosto. Ainda não tinha certeza se queria ver Enzo e Will, mas depois do que acabou ouvindo na conversa percebeu que eles realmente se importavam.

– Você está no hospital

Hospital? mas por que...ah, a escada

A cena inteira se passou na cabeça de Cadu desde a hora que estava na biblioteca rindo com Sócrates até a hora que Daniel o empurrou da escada. Até lembrar dessa cena fazia sua cabeça rodar

– Quanto tempo eu to aqui? três, quatro hor..

– Sete dias — Will interrompeu e Cadu arregalou os olhos

– OQUE?? PORQUE? — O garoto estava assustado. Cinco dias? muito tempo para se dormir. Tinha sido tão sério assim?

– Cinco longos dias — Enzo completou — você quebrou algumas costelas e teve que passar por uma cirurgia pequena. Nós ficamos tão preocupados, Cadu. Batemos tanto no Daniel que ele ficou em um estado bem pior que o seu

– Mas porque...AI! — Cadu foi interrompido por dois corpos caindo na cama e esmagando seu corpo pequeno. Seria até engraçado, se não estivesse doendo tanto.

– GAROTOS! SAIAM DE CIMA DELE! VÃO ESMAGAR O CADU! — Isabel entrou no quarto desesperada com medo da recuperação do menino

– Desculpe tampinha, foi emoção demais. Nós vimos todos esses dias só pra te ver e em nenhum você tava acordado — Will se desculpou antes dos garotos se afastarem envergonhados

– Isabel também está aqui? — A mulher deu um sorriso simpático e acariciou seu cabelo

– Ta todo mundo aqui, querido. Eu, seu pai, Will e Enzo, seus irmãos, Sócrates e Michelangelo

Ao ouvir o último ano sentiu um embrulho no estômago. Ainda não conseguia acreditar que Michelangelo, justo o gêmeo sorridente, fosse fazer aquilo com ele. Não que desconfiasse de Sócrates porque mesmo com aquele jeito marrento era um ótimo amigo e provou isso quando o consolou, mas Michelangelo havia agido tão naturalmente na biblioteca. Ainda era muito difícil acreditar.

E ao pensar no "amigo" traidor Cadu já sentia seus olhos queimarem um pouco. Não iria chorar, não podia deixar todas aquelas pessoas que estavam tão felizes por ele ter acordado tristes. Odiava deixar as pessoas tristes mesmo que isso significasse que ele ficaria triste.

– Agora garotos, venham um pouco comigo para onde os outros estão. Acho que meu marido tem uma coisa importante para falar, não é Ícaro?

– Sim, é muito importante

Meio relutantes os garotos saíram da sala na companhia de Isabel, não sem antes dar um último aperto no menino doente.

Assim que a porta foi fechada e os três se foram, Ícaro caminhou em passos largos até a cama onde o filho estava e se sentou na beirada. Por alguns minutos o único barulho presente foi do ar condicionado e o garoto já estava perdendo a paciência quando o pai finalmente se pronunciou

– Cadu...eu já sei porque você apanhou na escola

E de repente o mundo parou. Droga, quem contou para ele? o coração de Cadu começou a bater como um tambor e ele só queria sair correndo dali. Inúmeras imagens se passaram em sua cabeça, inúmeras ideias de como Ícaro reagiria. Ficaria muito puto, o xingaria de bixa, baitola, gayzinho de merda. O quebraria no meio, o expulsaria de casa. Com certeza expulsaria ele de casa, sem dúvidas nenhuma expulsaria ele de casa!

– Porque você não contou pra mim, Cadu? porque não contou que é gay?

E aquilo sim foi um choque. Os olhos de Ícaro transpareciam remorso, tristeza, dor, carinho. Sem raiva a quilômetros de distância.

– Você não me odeia? — O garoto perguntou surpreso

– Te odiar?? Achou mesmo que eu te odiaria só porque você seguiu seu coração? por deus filho, eu nunca te odiaria por causa disso!

E o garoto não aguentou mais. A pessoa que mais temia que ficasse brava estava apoiando ele! as lágrimas — de alegria — começaram a escorrer sem que ele escorresse e Ícaro também chorava emocionado com a situação.

– A uns meses atrás eu nunca achei que diria isso, mas eu te amo pai!

– Eu também te amo Cadu e nada nesse mundo vai mudar isso. Você tem a mim, Isabel e seus irmãos. Nunca vamos te deixar sozinho

E pela primeira vez em semanas vivendo aquele inferno, Cadu sentiu uma imensa alegria. Não tem melhor sensação do que ser protegido e amado.

– Ei, vejo que o garoto já acordou — Uma mulher bonita com cabelos pretos e um sorriso de dentes brancos usando um jaleco entrou — Quem sabe já esteja pronto pra ter alta

–-

Não muito longe dali, os gêmeos estavam sentados na sala de espera. Michelangelo batucava no apoio da cadeira, remexia os pés e respirava alto ás vezes. Tudo para tentar chamar a atenção do irmão, mas nos últimos dias ele simplesmente parou de existir para Sócrates. E a possível razão disso enchia seu peito de angústia.

Quando tentava conversar era sempre respostas curtas e ele já não gritava mais com ele. Era sempre calmo, frio, quase enraivecido. Como ele sentia falta dos gritos de Sócrates. Isso só aumentava a culpa por seus atos, mas ele não poderia parar agora. Eles teriam que entender que Mariana veio primeiro que Cadu e isso não iria mudar nunca.

– Ei, vamos no banheiro? — A voz do irmão se pronunciou de repente pela primeira vez naquele dia sem que tivesse chamado. Até estranhou, mas estava feliz demais para questionar alguma coisa.

– Claro

Eles se levantaram e andaram pelo hospital que era enorme, maior até mesmo que o colégio que estudavam até finalmente acharem um banheiro no segundo andar. Haviam parado em um no primeiro, mas Sócrates mentiu dizendo que não tinha papel toalha, mas na verdade tinha dois moleques lavando as mãos

Se certificou que o banheiro estava vazio e foi tão rápido que Michelangelo nem teve tempo de racionar direito. Bateu a cabela contra a parede e Sócrates puxava a gola de sua camiseta com força. Estava enraivecido, podia até ver as chamas brilhando em seus olhos chocolate.

– SÓCRATES, MAS QUE PORRA... — E foi interrompido com um soco na bochecha esquerda. Tentou se soltar, mas o irmão o apertou com mais força. Mesmo que ninguém notasse, Michelangelo tinha uma altura um pouco mais alta apenas por alguns centímetros. Mas Sócrates tinha mais força no braço.

– SEU FILHO DA PUTA! COMO VOCÊ FAZ ISSO, MICHELANGELO? CADU É NOSSO AMIGO E VOCÊ TRAIU ELE!

– VOCÊ NÃO ENTENDE! — Mais um soco, bem no nariz

– NÃO ENTENDO OQUE? QUE VOCÊ TRAIU UM AMIGO SÓ POR CAUSA DA MARIANA?

E antes que Michelangelo questionasse levou um chute no estômago

– ELA TE DESPREZA E SÓ VOCÊ NÃO VÊ ISSO! SEU BOSTA! DEPOIS DO QUE VOCÊ FEZ TO COM NOJO DE OLHAR PRA TUA CARA!

Deu mais uns socos no irmão, mas não o suficiente para faze-lo ficar desacordado. Largou Michelangelo todo machucado no banheiro, lavou as mãos do sangue do irmão e saiu como se nada tivesse acontecido.

Notas finais
Capítulo saiu pequeno, desculpem. Próximo vai ser mais animado. Sugestões? críticas positivas e negativas? deem suas opiniões nos comentários! amo vocês