Notas iniciais
oi gente! cara eu preciso desabafar com vocês. A semana passada foi um furacão pra mim. Resumindo: eu tô namorando. Uma menina tava gostando dele ficou emputecida comigo e agora ta espalhando pra todo mundo que eu sou uma puta e blá blá blá. Mas tirando isso eu to bem. Dois avisos: a semana que vem não vou poder atualizar Quinta feira. Semana de prova, desculpa gente. Sexta eu atualizo, promessa! Segundo aviso: a partir daqui só vai acontecer merda na história. E quando eu digo merda, é puta que pariu o Cadu ta ferrado. Ok? amo vocês, boa leitura

– Bichinha – Tentei ignorar a voz acompanhada de risadas. Não era mais surpresa alguém tirando sarro de mim.

– Bichinha, olha aqui – A voz tentou novamente

Tenho que admitir que esperava bem mais que isso. Pessoas correndo atrás de mim com tochas, alguma coisa parecida. Mas ao invés disso depois do primeiro dia eu recebia risadas, piadinhas e ás vezes...

– O QUE VOCÊ QUER MERD.. – Uma coisa atingiu meu rosto em cheio e escorreu para minha boca. As risadas explodiram pela quadra e eu sei bem o que é isso. E ás vezes, jogam ovos em mim.

Era um cara do último ano, disso eu tenho certeza. Quase todos os que me perturbavam era desse ano, dizem até que eu obriguei o Enzo a me beijar com uma chantagem. Ele se preparou para lançar outro ovo quando outro garoto não deixou que ele jogasse. Um garoto de pele branca, cachos loiros e um olhar raivoso. Um garoto que eu não queria ver nem pintado de ouro.

– CADU, ESPERA! – Eu não queria falar com ele, talvez nunca mais. E o nunca mais para mim parece ser um tempo tão curto em relação á isso.

– CADU, PARA, POR FAVOR! – Mas eu não parei. Se eu falasse com ele, iria ser mais um motivo para ficarem me encarando.

Esses dois dias foram o suficiente para eu ficar completamente devastado. Uma boa reputação na adolescência é a base para se enturmar. Se você não tem isso, não importa como você vai se sentir ou a sua história. As pessoas vão te julgar e olhar torto para você, te empurrar, baterem em você. Resumindo, é um suicídio social. E para mim isso tem sido como um pesadelo inacabável. Se eu falasse isso para alguém, achariam que é uma tremenda frescura.

Mas isso não é verdade. Infelizmente, meu pior defeito é ligar para as opiniões dos outros. Sou manipulável, acredito no que as pessoas dizem. Faz dois dias que as pessoas me perturbam e nesse tempo já me sinto um prostituto. Há alguns meses atrás, as pessoas nem mesmo sabiam o meu nome e eu era completamente invisível. Uma semana, e eu era parcialmente odiado pelas admiradoras do Enzo. Um tempo depois e eu sou completamente odiado, pelo colégio inteiro.

Fui para o único lugar que ninguém ia. O banheiro abandonado do terceiro andar onde eu venho passando o intervalo desde então. É úmido, tem um cheiro estranho de vômito queimado e algumas vezes já vi um rato branco correndo pela pia. Mas mesmo assim, esse parece ser o melhor lugar para mim agora.

Ouvi passos se aproximando e eu quase tive um infarto quando a porta de madeira velha se abriu com força, mas no pingo de sorte que eu tive até agora eram apenas os gêmeos.

– Finalmente te achamos. Chega pra lá, vamos comer junto com você nesse banheiro nojento

Eles foram os únicos que aceitaram e eu quase chorei de felicidade.

Eu gosto do Enzo. Gosto dos dois, na verdade. Se vocês não quiserem mais olhar na minha cara por causa disso, tudo bem – Meu coração estava na mão. Eles me olharam por um tempo sem expressão alguma e depois, sorriram.

Isso não vai interferir em nada nossa amizade, Cadu. Você é nosso melhor amigo e isso nunca vai mudar – Meu sorriso só faltou rasgar meu rosto quando ouvi isso de Michelangelo

– É verdade e além do mais, a gente sempre soube. Você rebola quando anda – Revirei meus olhos. O gêmeo mais irritado disse que nada mudaria também, mesmo que do seu jeito.

– Você já contou pra sua família?

– Pra falar a verdade não. Só pro Bernardo e pelo menos ele aceitou um pouco.

– Como assim, um pouco? – Sócrates ergueu uma sobrancelha

– Ele torceu o nariz e sei que estranhou. Não tá falando comigo direito, mas preferiu não dizer nada.

Isso tem doído muito também. Eu tinha uma relação tão legal com o Bernardo. Parecia que nos conhecíamos desde sempre, irmãos que nasceram juntos e do nada ele se afastou de mim. Têm passado mais tempo com a namorada, na casa dos amigos e o cúmulo foi ele falar que estava na biblioteca. Ele odeia ler!

– Depois isso vai passar Cadu. Você sabe como é, quando um faz todos querem fazer igual para parecerem descolados

– É verdade Mich, você tá certo

– É claro que eu tô! Nessa idade é todo mundo babaca. Daqui a pouco esquecem e tudo fica normal de novo. Até lá, vamos ficar do seu lado.

Eu sorri pela primeira vez no dia. Ao menos, apesar de tudo o que está acontecendo descobri dois amigos verdadeiros.

–-

Já é hora da saída e eu estou na biblioteca. Antes eu saía com Bernardo. Agora espero todos saírem e quando eu vou embora apenas Arthur – Enzo e Will também, mas vamos pular essa parte – está no colégio.

– Oi – Cumprimentei. Depois de andar um tempo no colégio o achei organizando papéis na secretaria e sorriu quando me viu

– Menino Cadu, quanto tempo!

– Sim, muito tempo mesmo – Fiquei confuso quando ele encarou meus olhos por um tempo.

– Vejo que eles não acertaram seus óculos. Ao menos isso não fizeram – Então ele também sabe de tudo

– É claro que eu sei disso menino. Eu trabalho nesse colégio há anos, quando algo acontece nesse colégio sou um dos a saber. primeiros, Vamos, pode desabafar.

Assim que ele falou isso senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu preciso desabafar com alguém urgentemente.

– Não aguento mais todas essas pessoas apontando o dedo pra mim sem nem saber o meu lado da história como se eu tivesse feito um crime – Cobri meu rosto com as mãos e minha voz saiu embargada

– Realmente, são todas idiotas. Não sabem o ouro de menino que você é. Continue, por favor.

– Pior que as pessoas que me julgam só as que sentem pena de mim

Realmente, algumas pessoas tem vindo falar comigo e perguntar como eu estou. Mas elas não são gentis, longe disso.

“Que coisa horrível. Você tá bem?”

“Desde quando isso vem acontecendo?”

“Não vou me afastar só por causa disso. Tenho até uns amigos que são assim”

– ATÉ PARECE QUE EU TENHO A PORRA DE UMA DOENÇA TERMINAL! – Gritei nervoso e logo me arrependi.

– Desculpe – Disse quando vi Arthur encolhido pela palavra feia.

– Tudo bem, é perfeitamente justificável. Você está passando por um momento difícil e seu próprio amigo fez isso com você...não é fác-

– O que?

– Um momento difícil

– Não, sobre meu amigo. Do que você está falando? – Seus olhos se arregalaram um pouco

– Oh, pensei que você soubesse

– Não sei. Do que você tá falando? – A curiosidade já está me tomando por completo

– Você não sabe quem fez isso com você? A pessoa que bateu a foto pra Jessica?

– Foi a Mariana não foi? Só pode ter sido ela, é a única pessoa que quer o meu mal

– Você está enganado. Foi um dos garotos que anda com você. Os gêmeos, sempre confundo os dois, mas é o que fica sorrindo o tempo inteiro

E naquele momento, eu senti meu coração se despedaçar

Notas finais
Iai? tão gostando do rumo que a história está tomando? deixem nos comentários. E outra coisa, a história está chegando aos 100 comentários! obrigada por todos os leitores que tem acompanhado até aqui