Dois é demais
14 Capítulo 14
Notas iniciais
– Qual a temperatura da Antártida?
– Hã...eu esqueci!
– CACETE MICHELANGELO! pelo menos tenta chutar, eu fiquei estudando isso com você a tarde inteira!
– Sei lá, abaixo de zero?
– ABAIXO DE ZERO VAI SER SUA NOTA, IDIOTA! — Sócrates gritou com raiva.
Tem sido assim desde o dia que os professores anunciaram as provas. Nós nos encontramos na minha casa e ficamos estudando no meu quarto sobre todas as matérias. Agora era Geografia e o gêmeo sorridente parece ter uma habilidade especial para irritar Sócrates nessa matéria, já que ele não sabe nada e nem se esforça para entender. Só uma pessoa irrita o Sócrates mais que o irmão.
– Da pra parar de gritar? grosso ignorante!
– NÃO ME DIGA O QUE FAZER! VOCÊ É UM IDIOTA SEM CÉREBRO E VOCÊ NÃO ME OUVIU FALANDO ALGUMA COISA SOBRE ISSO OUVIU? — Sócrates gritou com Will.
Tive vontade de rir quando ele disse ''grosso ignorante'' por que afinal, quando quer Will consegue ser muito pior que o loiro rabugento. Ele também está vindo me ajudar com as matérias e ás vezes no mesmos dias que os gêmeos. Dois garotos explosivos não se dão bem e eles sempre acabam na briga, quase se estapeando.
– NÃO ERGA A VOZ PRA MIM! — E agora os dois tinham se levantado da cama e estavam se encarando com caras de ódio.
– Que gritaria é essa? vocês estão brigando? — Isabel apareceu na porta.
– Não tia, está tudo bem — Will respondeu, sem tirar os olhos de Sócrates — Nós vamos voltar a estudar, não é?
– Na verdade não. Eu e Michelangelo estamos de saída.
– Hã? por que? — Michelangelo perguntou triste.
– Já está tarde, o céu já escureceu. Nos vemos amanhã Cadu, tchau senhora Mendes — Ele pegou na mão do irmão e saiu do quarto. Isabel ficou olhando por uns segundos, com os olho arregalados, antes de ir com os gêmeos até a porta deixando eu e Will sozinhos no meu quarto.
– Vocês tem que parar de brigar, não da pra estudar assim — Disse tentando cortar o silêncio.
– Foi mal, mas não da — Ele suspirou — Esse seu amigo é tão irritante que tenho vontade de explodir a cabeça dele, tampinha!
– Desse jeito vou acabar tirando um zero em tudo.
– Não tampinha, não fica assim. Eu prometo que até as provas você vai ser mais inteligente que Einstein — Will disse antes de me puxar para um abraço.
– Ta, agora me responde uma coisa?
– Claro!
– Por que você fica me chamando de tampinha? — Perguntei curioso.
– Por que você é baixinho ué.
– Há, falou o cara mais alto do mundo — Disse irritado e me virei para o outro lado. Eu sei que sou mais baixo que os outros garotos, ninguém precisa ficar me falando isso o tempo todo! quando uma menina é baixa é fofo, mas quando um menino é baixo isso é motivo de piada para os idiotas.
– Cadu desculpa! eu não quis ofender você — Agora era o Will legal e fofo que dominava. Esse Will eu ainda estava me acostumando — Quer que eu prove pra você que to falando a verdade?
– Vai em frente — Disse com um sorriso no rosto, me arrependendo logo depois quando senti as mãos envolverem a minha cintura e os meus pés fora do chão.
– Viu só? baixinho!
– TA BOM! AGORA ME SOLTA SEU MERDA! — Ele riu do meu desespero. Já disse que tenho pavor de altura? por que eu tenho um puta pavor!
–-
No dia seguinte os gêmeos disseram que agora os estudos seria na casa deles por que os pais já estavam acostumados com os ataques de Sócrates e nem se importavam mais. Agora quando Will me ensinar só vai ter nós dois no quarto, o que é bom! e não estou falando isso no sentido da malícia. Só acho que vai ficar mais fácil tanto quanto para mim quanto para o moreno também.
Estamos na educação física jogando basquete. Odeio basquete e qualquer outro esporte também por que sou uma lesma na atividade física. Não consigo correr e nem pegar a bola então todos os jogadores ficam com raiva de mim e sempre me escolhem por pura pena. Só jogo mesmo por que Ícaro ficaria decepcionado se eu ficasse com vermelha em uma matéria tão "fácil" de acordo com ele.
Meu time ganhou por duas cestas graças á dois garotos enormes e fomos liberados para beber água. Eu estou suado, cansado e ofegante por causa da corrida forçada. O bebedouro ficava na cantina e nesse horário o terceiro ano estava no intervalo.
– Cadu, lembra...daquele favor que eu te pedi? — Nina chamou minha atenção com a fala um pouco atrapalhada por conta da fatiga.
– Claro! mas primeiro você tem que me falar o que...
Meus olhos se arregalaram e a maioria dos alunos voltou os olhos para nós. Alguns davam sorrisinhos maliciosos enquanto outros assobiavam. Nunca fiquei tão vermelho em toda a minha vida. Sentado em uma mesa pude ver um par de olhos azuis olhando para mim raivosos, como se fosse me matar e fiquei decepcionado. Enzo gosta da Mariana? se não gostasse não teria me olhado assim.
Mariana me beijou na frente de toda a cantina e eu estou ficando enjoado com a língua dela tentando entrar na minha boca.
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