Dois é demais
13 Capítulo 13
Notas iniciais
"A falsidade é o ar que eu respiro"
Essa frase faz parte da minha vida desde...desde que eu me conheço por gente! Metade das pessoas que se sentam comigo na mesa estão ali por que sou filho do diretor e a outra metade é por que sou um dos melhores atletas do colégio e sempre participo dos campeonatos. As meninas me perseguem como um troféu já que entre elas eu virei uma espécie de modinha. Amigos eu tenho vários, mas verdadeiros só quando era criança.
Nem meus pais me dão atenção. Eu sempre fui o preferido deles, o que é melhor em tudo, o que ganha tudo o que quer e Daniel sempre me odiou por isso. Foi aí que começou essa onda de garoto problema, mas mal sabe meu irmão que eles não estão nem aí para mim. Eles só se importam com meus títulos nos esportes. Quer dizer, minha mãe se importa sim com a gente, mas ela fica tão ocupada com os guias e a agência que não tem tempo. Já meu pai tem tempo, mas prefere gastar com o colégio.
Minha mãe trabalha em uma agência de viagens que foi herdada a ela como tradição de família. Ela viajava pelo mundo fazendo guias dos melhores pontos turísticos, hotéis e restaurantes. Ela nunca leva a gente e apesar de dar um milhão de desculpas eu sabia que quando minha mãe viajava era como tirar férias de nós três e de todas as confusões.
Me encontrava na diretoria, olhando os olhos idênticos aos meus quase há dez minutos. Estou vibrando por dentro por que hoje é um dia muito especial para mim e acho que depois de anos ele finalmente se lembrou.
– Então. O que o senhor queria falar comigo? — Disse cortando o silêncio que já estava ficando constrangedor. Ele deu um suspiro alto antes de começar talvez aliviado por eu ter começado a conversa. Nós também não conversamos muito então quando tentamos parecem dois estranhos que nunca se viram.
– Eu acho que já está na hora de você arranjar uma namorada filho. As garotas vivem se esfregando em você, mas você não faz nada! as pessoas estão começando a suspeitar que você não tenha supera...
– Espera aí! — O interrompi antes que ele terminasse — O senhor me chamou até aqui só pra falar disso?
– EU SÓ ESTOU PROTEGENDO A SUA MASCULINIDADE, SE É QUE VOCÊ TEM UMA! — Ele gritou batendo o punho na mesa. Dei um pulo na cadeira com o susto, mas logo rebati com o mesmo tom.
– TODA VEZ QUE VOCÊ TENTA CONVERSAR COMIGO É A MESMA COISA! VOCÊ NÃO ESTÁ PREOCUPADO COMIGO E SIM COM A SUA IMAGEM NÃO É? — Eu já sentia as lágrimas deslizarem no meu rosto enquanto meu pai me olhava assustado — Já se passaram dezessete anos pai, DEZESSETE ANOS! e você ainda não sabe quando é meu aniversário.
Sai correndo de sua sala deixando ele chamando por meu nome. Eu precisava me enfiar dentro de um banheiro e sair de lá só quando o sinal batesse, mas como sempre meus planos fracassaram. Alguns colegas do outro ano que eu costuma ser minha equipe no basquete me arrastou até uma mesa na cantina e logo as pessoas começaram a vir para cima de mim perguntar por que eu estava triste. As garotas sentavam no meu colo e mexiam no meu cabelo e alguns garotos também faziam isso.
– Não foi nada, eu estou bem — Respondia sempre que alguém perguntava, mas na verdade eu queria dizer — Não é da conta de vocês!
Quando o sinal tocou eles saíram finalmente e eu não vi problema se me atrasasse pelo menos cinco minutos. Meu rosto estava um pouco inchado ainda por causa das lágrimas.
– Olá — Ouvi alguém dizer. De início por causa da voz fina achei que fosse uma garota, mas quando olhei vi o garoto mais fofo do planeta e juro que não estou exagerando.
Ele era bem pálido e isso destacava sua boca vermelha e suas bochechas rosadas. O cabelo quase no ombro, repicado e um pouco ondulado loiro escuro. Olhos verdes, tão verdes que pareciam esmeraldas coladas, pena que estavam cobertos por um óculos de armação grossa preta. Era baixinho e a camiseta estava um pouco larga nele. Absolutamente adorável!
Ele perguntou se eu estava bem e quando ele perguntou meu nome soube que aquele baixinho estava preocupado comigo de verdade! aquilo era novo para mim e finalmente eu podia ter um amigo.
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A partir daquele dia comecei a seguir Cadu pelo colégio sem ele perceber. Sei que isso parece doentio, mas ele nem percebia mesmo. Nunca vi alguém tão desligado e desajeitado como o pequeno. Adoro o jeito que seu cabelo fica quase da cor do meu quando bate sol, seu sorriso e suas bochechas que ficam mais rosadas ainda quando ele fica com vergonha. Quando soube que uma garota machucou ele quase surtei e teria batido nela se não fosse mulher.
Descobri que ele era filho de Ícaro e tinha dois meio irmãos. O mais velho estuda no nosso colégio, já vi ele algumas vezes. Se mudou faz algumas semanas e desde então não desgrudou dos gêmeos com nomes estranhos e aquela garota que aliás foi a que machucou ele. Eu sei da queda dela por mim, já peguei várias vezes ela me secando. Nunca teria nada com ela, essa garota me assusta! Outra coisa que não gostei foi que peguei várias vezes ele conversando com outro problema do colégio, William. Para meu azar eles eram primos! parece que estou vendo o mesmo filme novamente.
Quando soube que em seu primeiro dia meu irmão fez aquela brincadeira com ele, brincadeira essa que já tinha falado várias vezes para o diretor e ele não fez merda nenhuma, me descontrolei totalmente. Nunca fui de briga, mas bati tanto em meu irmão que ele teve que ficar uns dias em casa. Fiquei uma tempo sem celular, mas meu pai só fez isso para manter as aparências de um bom pai. Ás vezes me pergunto se ele se importaria se nós morrêssemos.
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