Doin Dirt
4 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Quando me virei e o vi, as lágrimas começaram a cair. Acho que eu não sabia o quanto sentia sua falta até agora… Até vê-lo bem aqui, na minha frente, com um sorriso gigantesco. Como eu senti saudades desse sorriso.
– Não vai falar nada maninha? Vai ficar só me olhando? Tira uma foto que vai durar mais. – Ele disse rindo da minha cara.
– Cala a boca, idiota. – Eu disse o abraçando.
– Você ta chorando Meg?
– Não retardado, só ta saindo água dos meus olhos. Claro que eu to chorando né! – Eu disse praticamente gaguejando de tanto que eu chorava.
– Não chora não Megan. – Ele disse me abraçando mais forte. Eu poderia ficar abraçada com ele por horas. Acho que só assim pra matar a saudades que eu tava dele.
Ficamos abraçados mais uns minutos. Quando eu finalmente parei de chorar, nos soltamos e só ficamos olhando um pra cara do outro. Até que começamos a rir. E vou contar uma coisa… A família Somers tem um péssimo hábito de que quando começa a rir, não consegue parar mais. E foi exatamente isso que aconteceu. Nós ríamos e não conseguíamos parar. Todos que passavam olhavam para nós, e alguns até riam da gente. Ficamos rindo por quase dez minutos e finalmente conseguimos parar.
– Você não sabe o quanto eu senti saudades disso Meg.
– Eu também senti Chaz.
– Até parece que sentiu… Você não me ligou por dois anos Meg. Desapareceu.
– Eu sei Chaz, eu sei o que eu fiz. Não precisa jogar na cara ok? – Eu disse fazendo biquinho. Ele nunca resistia.
– Fazer o biquinho é golpe baixo.
– Eu sei! – Disse rindo.
– Enfim Meg, você deve ta cansada da viagem. Vamos embora.
– Não to cansada da viagem Chaz. To cansada de ficar te esperando. Onde é que você tava? Eu fiquei mais de uma hora te esperando aqui. Tava desesperada! Eu já tava indo pegar um taxi pra ir embora quando você apareceu.
– Foi mal Meg… Eu já tava aqui na hora que você chegou. Mas sabe como é né… Seu irmão aqui é muito gostoso e irresistível, e quando eu tava indo te esperar eu encontrei uma amiga minha e dai…
– Ok Chaz, não precisa mais falar, já entendi o que você estava fazendo.
– Não Meg, qual é! A gente só tava conversando.
– Aham, vou fingir que acredito.
– É sério, eu juro. Ela bem que tentou se aproveitar de mim, mas quando eu vi a hora, eu sai correndo e deixei ela falando sozinha.
– Sério mesmo?
– Sério. Eu juro. Juradinho.
– Que coisa gay Chaz. – Eu disse rindo, já pegando minha mochila.
– Pode me chamar de muitas coisas Meg, mas gay não é uma delas. E você sabe bem.
– Você fala como se nós já tivessemos tido um relacionamento ou qualquer coisa do tipo.
– Nós temos um Meg. Ou pelo menos você gostaria que tivéssemos. – Ele disse sorrindo malicioso.
– Eu não, que nojo!
– Idiota. Feriu meus sentimentos.
– Desculpa amor.
– Ok, vamos logo. Só concordei com a cabeça. Chaz pegou minha mala e foi andando em direção a saída. Fomos indo em direção ao estacionamento, até que paramos ao lado de um carro. – Porque paramos do lado de um mustang 1966? – Uau, minha manina estende de carros. – Ele disse sorrindo. – Um dos meus, hã, amigos tinha um desse. Enfim, porque paramos do lado dele? Por acaso é seu? – Eu disse com um sorriso deboxado. – Na verdade é sim. – Bem na hora, ele pegou uma chave de carro e apertou o botão de alarme. E não é que o carro era mesmo dele? – Seu filho da… – Filho do que? – Disse me interrompendo. – Filho da mãe Chaz. Caramba, não acredito que você tem um mustang. – Pois é, eu tenho. Agora entra logo pra gente ir pra casa logo. To morrendo de fome. – Novidade que você ta com fome. – Cala a boa Meg. Demos risada e Chaz deu a partida no carro. Ele ligou o rádio e estava tocando Ramones. Baby I Love You tocava e eu cantava baixinho. – Meg, aquela hora você disse que ia pegar um taxi pra ir embora… Pra onde você ia? – Bom, eu ia pra casa né. – Quando você diz casa você quer dizer… – Quero dizer casa. A casa que nós crescemos sabe? Aquela meio velha e com uma pintura horrível. A casa dos nossos pais. – Casa dos nossos pais? Mas… – E dai ele se calou. – Mas o que Chaz? – Nada Meg. – Quem nada é peixe Chaz. Pode falar. Mas o que? – É que, bom, você ficou um tempão fora. E como você não deu notícias pra mim, acho que não deu notícia pros nossos pais também né? – Claro que não né Chaz. A filha fugitiva não pode ligar pros pais desesperados. – Então você não sabe? – Ele disse com uma cara estranha. Ah não. – Não sei o que? – O que aconteceu com os nossos pais. E o sorriso do meu rosto sumiu. Como assim o que aconteceu com os nossos pais? Eles estavam bem né? Ou eles estavam… – Chaz, o que aconteceu com os nossos pais? – Eu já tinha lagrimas nos olhos. Assim que Chaz olhou pra mim, começou a rir. – Eles tão bem Meg. – Ele disse quase chorando de tanto rir. Idiota. – Não acredito que você me fez pensar que tinha acontecido algo com eles seu filho da… – Filho de quem Meg? – Ele disse me interrompendo mais uma vez. – Filho de uma boa mãe. – Bom mesmo, dona Megan. – Idiota. Ridículo. Retardado. – Esqueceu de lindo, maravilhoso, melhor irmão do mundo… – Você vai ver o melhor irmão do mundo na tua cara, seu peste. – Calma Meg, meu Deus, como você é estressada. – Idiota. Agora fala a verdade. O que aconteceu com a mãe e o pai? – Eles se mudaram. – COMO ASSIM ELES SE MUDARAM? – Mudando ué. – E eles foram pra onde? E a casa, como ficou? Meu Deus, eles não podem vender aquela casa! Ela é velha e horrível, mas é a nossa casa! – Calma Meg, cacete viu. Eles só mudaram pra outra casa, em outro bairro, porque eles se cansaram de lá, só isso. E a casa ainda é nossa. – E quem ta morando lá? – Olhe por você mesma. – Ele disse apontando pro outro lado da rua. Não precisei nem de dois segundos pra perceber, que quem estava morando na nossa antiga casa… Era ele mesmo!
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