Notas iniciais
Atualização 16/03/2025 Daqui em diante a fanfic foi reescrita, tentei simplificar as coisas baseada no final que escolhi. Também exclui o prefácio, a única coisa que tenho a dizer é: Essa fanfic é produto dos meus pensamentos intrusivos.

Sentado sob a única árvore Mallorn que floresceu em Lindon, com seu olhar triste e cansado, o rei observava o sol se pondo sobre o mar. O vento soprava suavemente entre as folhas douradas, carregando um sussurro inconstante que lhe causava um arrepio.

Certo dia, enquanto escutava escondido uma reunião do Conselho Branco, Chanyeol sentiu um incômodo no peito e esse sentimento chato o seguiu durante o dia, e depois durante toda uma temporada. O futuro rei não sabia, mas esse incômodo era parte de umas de suas habilidades sensitivas, afinal, naquela mesma época mais ao leste, o Um Anel tinha decidido sair do rio e foi encontrado por Déagol, e posteriormente roubado por Smeagol(Gollum).

O Conselho Branco foi formado por elfos e magos para agir contra qualquer ameaça emergente.

No passado, seu propósito era combater Sauron e sua influência sombria. Agora, com a Terra Média em uma nova era, seu papel era garantir que nenhum mal renascesse das cinzas do passado. Alguns de seus membros originais haviam partido para Aman (terras imortais), como Gandalf, Galadriel e Elrond.

Entre os que permaneceram estavam Círdan, o Senhor dos Portos Cinzentos, Celeborn, de Lothlórien, e Thranduil, o rei da Floresta das Trevas. Além deles, novos integrantes haviam se juntado ao grupo: Aragorn, representando os homens; Minseok, o mago e Senhor das Geleiras do Norte; e Samwise Gamgee, representando os hobbits.

Duas semanas atrás, o Conselho se reuniu novamente, dessa vez em Lindon, a capital dos elfos, para discutir um assunto de extrema importância: o próprio rei Chanyeol.

Atualmente, a maior preocupação do Conselho era a fragilidade crescente dele: Chanyeol, Alto Rei dos Noldor e herdeiro da linhagem de Finwë, carregava um fardo que poucos poderiam compreender. Sua força protegia não apenas seu reino, mas também a chama que guardava Lindon. Se ele sucumbisse, as defesas de Lindon vacilariam, e, embora os tempos fossem de aparente calmaria, a Terra Média aprendera, a um custo alto demais, que a paz nunca era garantida.

— Você sabe que, apesar das tradições, sempre encontramos formas de garantir a continuidade da liderança élfica — disse Círdan, olhando para Chanyeol com ternura. — Às vezes, os líderes não vêm de uma linhagem direta, mas todos são abençoados por Ilúvatar e guiados pelos Valar. Contudo, com a casa de Finwë é diferente. Sempre foi diferente.

Ele fez uma pausa, estudando o afilhado com preocupação.

— Todos dessa linhagem carregam um poder único. Foram criadores de Silmarils e Anéis de Poder, governaram os elfos por milênios e enfrentaram Melkor em sua plena escuridão. Você é um herdeiro dessa força, Chanyeol.

O rei apertou os dedos ao redor do colar que carregava. Ele conhecia bem as histórias de sua casa, mas ouvi-las daquela forma, como uma sentença inescapável, fazia sua garganta apertar.

— Já vimos tantas batalhas acontecerem, tantas mortes. Aprendemos muitas lições e, por isso, não podemos ficar parados vendo você definhar aos poucos — continuou Círdan. — Você já pensou no que aconteceria se morresse hoje?

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Chanyeol sentia o peso daquelas palavras se somando ao fardo que já carregava.

— Nossa preocupação não é apenas com um sucessor… mas sim com alguém que possa proteger Lindon. Se sua chama se apagar, ficaremos vulneráveis. Mesmo com a população élfica crescendo em todos os cantos da Terra Média, mesmo com os homens, anãos e hobbits ao nosso lado, não seríamos capazes de enfrentar outra guerra sem a força que você representa.

Chanyeol fechou os olhos por um instante. Ele compreendia o temor do Conselho, sabia que sua fraqueza colocava Lindon em risco. Como rei, sua obrigação era proteger seu povo a qualquer custo, manter-se forte para garantir que nenhuma sombra voltasse a ameaçá-los. Mas, como elfo, não podia ignorar a dor que o consumia.

Uma das principais características de sua raça era essa: os elfos só amam uma única vez. Seu coração já estava selado há séculos, entregue a alguém que ele não conseguia encontrar, mas também não conseguia esquecer. O Conselho sabia disso. Sabia que, enquanto houvesse esperança, Chanyeol jamais desistiria de sua busca – e, por consequência, continuaria a definhar.

E assim surgiu a pressão dos senhores elfos: um herdeiro. Não como uma simples recomendação, mas como uma exigência velada, impulsionada pelo temor de que, sem um sucessor, Lindon se tornasse vulnerável diante das incertezas do futuro.

Se Chanyeol não podia abandonar seu amor, então precisava garantir que, caso ele caísse, Lindon ainda tivesse um protetor. Mas como poderia se casar e gerar um herdeiro se seu coração já pertencia a outro? Como poderia seguir em frente quando cada parte de si gritava para não desistir?

— Me deem mais tempo.

Sua voz, apesar de firme, trazia um resquício de súplica.

— Chanyeol… — Círdan suspirou.

— Se até o dia do noivado dos príncipes de Lothlórien e da Floresta das Trevas, eu não tiver o encontrado … — ele fez uma pausa, sentindo o peso de suas próprias palavras — …então aceitarei o que estão pedindo.

Um silêncio recaiu sobre a reunião. Os membros do Conselho se entreolharam.

Por fim, Círdan assentiu.

— Que assim seja.

[...]

Anos atrás, em uma de suas visitas ao Condado, Chanyeol encontrou um livro peculiar em uma livraria próxima a Bree. O estabelecimento era simples, mas bem cuidado por um casal de velhos hobbits que colecionavam manuscritos raros. Entre as prateleiras empoeiradas, ele encontrou um ensaio escrito em Quenya, a língua dos elfos de Valinor. O autor, cuja identidade era desconhecida, teorizava sobre a existência de infinitas Ardas e sugeria que elfos suficientemente poderosos poderiam, com treinamento, expandir sua visão élfica para enxergar além dos limites do próprio mundo.

"Seria Ilúvatar tão generoso a ponto de perpetuar suas criações em diferentes Ardas? Mas é claro que sim."

A esperança reacendeu-se dentro dele. Se esse conhecimento fosse verdadeiro, então talvez ele não tivesse desaparecido completamente. Talvez estivesse em algum outro lugar, inalcançável pelos meios tradicionais.

Desde então ele treinou muito e todas as noites antes de dormir, Chanyeol sentava-se sob a majestosa e solitária Mallorn. Com vista para o porto, deixava-se levar por entre os inúmeros portais, cruzando os véus da existência na tentativa de reencontrá-lo. Às vezes procurava por alguns minutos, por outras vezes chegava até o meio da madrugada.

Mas naquela noite foi diferente.

Assim que o sol se pôs, a procura durou até o amanhecer, e quando os primeiros raios de luz tocaram a paisagem, ele sentiu o gosto amargo da derrota. Seu corpo estava rígido pelo tempo que passara imóvel, sua mente latejava e, pela primeira vez em seiscentos anos, ele deixou as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto.

Aquele era o fim.

Suas mãos se esquentaram e o bilhete escrito às pressas tanto tempo atrás se desfez em pequenas faíscas douradas, que foram levadas pelo vento da manhã.

Estava tão inerte em seu luto que não ouviu o elfo chegar.

— Majestade?

Chanyeol não respondeu de imediato. Respirou fundo, tentando recuperar a compostura antes de virar-se para o elfo.

— Sim?

— A comitiva partirá em breve. O senhor deseja que preparem sua carruagem?

O rei permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de responder:

— Ainda não… preciso de um momento. Mas estarei pronto.

O elfo assentiu e afastou-se.

O rei fechou os olhos por um momento, tentando conter o peso esmagador da decisão que havia tomado.

Ele se levantou e deu as costas para o sol nascente.

Mas antes que pudesse dar mais um passo, sentiu o calor do seu sangue manchando sua roupa.

Uma flecha de Morgul cravou-se em sua costela, e outra em seu ombro direito. Seu corpo cambaleou, e ele caiu do alto da sacada, direto no rio que passava abaixo.

A escuridão tomou conta de sua visão.

O rio que o levaria à morte tornou-se uma passagem. As águas cintilavam, formando espirais luminosas, e, em meio ao profundo silêncio submerso, Chanyeol sentiu algo sendo arrancado de seu pescoço — o colar. Ele tentou segurá-lo, mas era tarde demais. Seu corpo era puxado por forças além de sua compreensão.

O arqueiro observou a superfície da água, esperando ver o corpo emergir. Mas não havia nada. Apenas a correnteza levando suas certezas.

Ele hesitou por um momento antes de virar-se e partir. Precisava informar seu mestre.

Notas finais
Uma curiosidade interessante é que de acordo com os livros a tendência era que os elfos, hobbits e todas as criaturas mágicas fossem desaparecendo ao longos dos tempos, dando início a era dos homens... ou seja a nossa. Mas nessa fanfic aqui chutei o balde. Muito bem, vamos para o próximo capítulo.