Doces Lembranças ACHELE
9 VIII - Mudanças
Notas iniciais
Continuávamos em uma relação sem rótulos, e com a ausência de confusões e/ou brigas. Fazíamos amor em todos os momentos possíveis. Nossos amigos do elenco, nos acompanhavam em algumas saídas. Em algumas dessas, chegamos a pedir para irem conosco a fim de evitar rumores. Não eram todos que faziam parte de toda essa trama, em principal temos nomes como Amber, Cory, Cris, Jenna e Kevin. O restante tinham ciência e somente isso.
O quinto capítulo foi ao ar. E aí que tudo mudou. Foi a exibição que continha Somebody to Love. Quando assisti pela primeira vez o capítulo referente, foi ao lado da que mais amava e não foi na sua data de exibição (30/09/2009). Só conseguimos vê-lo mais de um mês após, no dia 05 de novembro deste mesmo ano. Senti uma emoção avassaladora, a ponto de derramar lágrimas abundantes. Dessa vez, diferente de quando assistíamos o primeiro capítulo, o motivo não foi profissional e sim pessoal. Essa música dizia e diz tanto! Era como se decifrasse tudo o que se passava dentro de mim. Lembro-me que quando acabou a cena eu não prestei mais atenção na televisão e sim nela, que estava ao meu lado. Estávamos sozinhas dessa vez, então me permiti transbordar de emoção.
— Lee? O que houve? — Perguntou-me quando percebeu o choro enquanto a encarava. Apenas a abracei. — Hey baby, ainda não se acostumou com a fama? — Perguntou risonha.
Desprendi-me dos seus braços e tomei seus lábios. Um beijo carregado de amor, todo o meu amor.
Preciso respirar
(…)
OK… Voltemos!
Dianna correspondeu com a mesma intensidade. Eu sentia tudo o que queria me dizer. Sentia-me feliz e apaixonada. Realizada! Sim, esta é a palavra.
— Eu te amo tanto! — Afirmei quando nossas bocas se desgrudaram.
— Eu te amo mais. — Sorriu lindamente.
— Você perde feio nessa Agron.
— Será?
— Não precisamos testar, assim está ótimo.
— Concordo. — Nos olhamos mais uma vez. — Mas então, por que esse choro? Você quer falar sobre isso?
— Eu só … — Olhei para baixo, respirei fundo. — Essa música Die, ela é tão forte. — Voltei a encará-la. — Eu penso em nós, e em tudo o que estamos vivendo até então.
— Isso é bom Lee. — Alisou meu rosto. — Então é a nossa música?
— Sim, é a nossa música. — Entreguei-lhe um beijo casto.
— Então foi um choro de emoção e amor? Olha que me acostumo com isso muito fácil.
E então ela deu um sorriso. O sorriso que se tornaria o meu predileto. O sorriso que aquecia meu coração e me fazia sentir vontade de viver. Com certeza vocês já viram esse gesto da dita cuja. Franzindo o nariz, prendendo a ponta da língua entre os dentes, e os cantos da boca chegando cada um a um extremo do rosto. No momento em que disparou tal tipo de sorriso, eu simplesmente perdi meu chão, acreditem isso acontece muito quando estamos em tal situação, e esta percebeu.
— Lea? — Só conseguia encará-la. — Amor? — Ela me chamou de amor e isso foi o que faltava para criar coragem.
— Die, namora comigo?
Falando de um ser incrivelmente lindo e extremamente angelical, sabemos que qualquer gesto que este realize o encantamento de quem está observando será um fato. Agora imaginem, eu pedindo a esse ser em namoro e ele como resposta, carregar você, beijar você, subir as escadas com você no colo sem desgrudar os lábios, te jogar na cama, e fazer amor com você? Foi exatamente isso que Dianna Elise Agron fez.
E eu tive a minha resposta.
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Algumas especulações começaram a ocorrer na mídia, alguns fãs de Faberry, (Fabray + Berry), algo que amava muito, inteligente que são, criaram Achele, Agron + Michele. A primeira vez que vimos comentários sobre isso, primeiro nos assustamos, depois rimos muito. Não nos preocupamos primordialmente pois era, e é, extremamente comum shipps com personagens e seus atores respectivos. Também, não podíamos culpar nossos maravilhosos fãs, se não sabíamos nos comportar em público. Afirmávamos sempre que eram demonstrações de amizade, não que não existam amizades com tais manifestações, mas no nosso caso, estas eram demasiadamente exorbitantes.
Passamos o Natal e Ano novo juntas. Glee tornara-se um fenômeno internacional. Fazíamos várias aparições em programas televisivos, ganhando destaque o da Oprah. A fama do seriado (Glee), e consequentemente de todos nós, era algo esplêndido, e que foi concretizado quando fomos convidados para o programa desta. Muitas outras participações em programas foram realizadas, até que chegou o momento da nossa primeira turnê. Imaginem a euforia que tínhamos que conter? Não me prolongarei nisso, pois caso tal atitude se realize, escreverei uma trilogia. O único fato que preciso contar é relacionado a música Somebody to Love. Imaginem uma arena lotada de fãs, gritando, com cartazes, declarando amor a nós. Algo mágico não? Como disse, estávamos mais que eufóricos! Logo, no momento em que cantamos a música citada, meu coração não soube como se comportar, atravessando todos os limites de sensações e reações devido a tal fato. Sem conseguir me conter, ao parar ao lado da responsável por tudo isso, agarrei sua mão recebendo um aperto muito forte como resposta. Era Dianna dizendo: “Eu sei, eu entendo. Estou sentindo a mesma coisa.”
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Continuamos com todas as demonstrações possíveis de afeto. Prudência era uma palavra inexistente no nosso vocabulário. E pagamos o preço.
— Olha, eu tentei não me importar e fechar os olhos para algumas coisas. Porém, os donos da porra toda não me imitaram nessa questão.
— Ryan …
—Não Lea, deixa eu terminar. — Consenti acenando a cabeça positivamente. — Eu não ligo para o que vocês fazem ou deixam de fazer, contudo o contrato é muito claro.
— Você sabe que isso nada tem a ver com contratos. O único motivo que tudo isso …
— LEA POR FAVOR! — Gritou a fim de me conter. Respirou fundo. — Eu realmente preciso terminar.
— Ok, me desculpa.
— Vocês querem a verdade? Então vamos lá. É lógico que o contrato não importa aqui. É lógico que se fosse você com o Cory, ou você Dianna, com o Mark ou qualquer outro, não teriamos muitos problemas. A questão toda é: Como um relacionamento desse porte e nessas condições, impactariam na série?
— Como assim? — Foi a vez da Dianna se manifestar. — Temos milhares de fãs Faberry e Achele.
— Será que vocês não entendem? — Levantou, passando as mãos pelos “cabelos”. — O casal principal é Rachel e Finn, o roteiro está todo pronto até o fim da segunda temporada. Eles não querem saber o ponto de vista de ninguém. Já existem atores e atrizes que representam e ainda representarão o relacionamento homo afetivo na série. Vocês podem não concordar, mas ou será isso, ou já era nossa série. — Olhei para Dianna que já estava com lágrimas nos olhos. — Não estou pedindo para terminarem o que quer que vocês tenham. O que preciso é que se separem.
— Oi?
— Entendam. Nossa turnê acabou, e em todos os shows vocês se expuseram. Davam as mãos, se abraçaram a todo o tempo. Fora as publicações! Pelo amor de Deus, parem com isso! — Agron olhou para mim com um ar de riso, e tive que me conter para não soltar uma gargalhada ali mesmo. Porém tal vontade se desfez nas duas, quando ouvimos a próxima frase de Ryan. — E com toda a certeza do mundo, vocês não poderão mais morar juntas.
O silêncio tomou conta do ambiente. A cada respiração uma dor fina cortava meu peito. Depois de algum tempo do mesmo jeito, Dianna levantou-se e deixou o local. Eu não conseguia me mover.
— Lea, docinho …
— Isso é tão ilógico.
— Bem vinda ao mundo dos artistas. — Só conseguia olhar para o chão. Os olhos já cheios de lágrimas. — Não será o fim do mundo certo? — O encarei incrédula. — Eu não sei o nível que está o relacionamento de vocês, entretanto, é comum casais morarem em casas separadas.
— Você não entende. — Voltei a encarar o chão. — Já começamos juntas. E todas essas normas comportamentais...
— Desculpe-me anjo, mas com toda a certeza, vocês terão que dar um jeito nisso. A série corre riscos. Façam o que acharem que seja o melhor. Mas garantam que quem quer que seja, quando olharem para vocês, não pensem, em hipótese alguma que exista um relacionamento amoroso.
Não me recordo o que disse, mas em menos de 5 segundos estava fora da sala. Aquele dia, foi somente o primeiro. A partir daquele momento tudo mudaria.
(…)
Acabou que as duas saíram do apartamento. Lembro-me que no dia da mudança , Dianna me chamou em um vão reservado, já que Naya, Cory, Chris, Harry e Jenna estavam nos ajudando.
— Sei que algumas coisas mudarão com essa nova situação. — Disse.
— Já estão mudando. — Sorri triste.
— Mas eu preciso que esteja perto de mim, mesmo quando longe. — Franzi um pouco a testa. — Não vou falar mais porque estou um pouco nervosa. — Levou a mão a um dos bolsos do short retirando uma embalagem azul. — Estamos ligadas de qualquer forma, mas, ainda assim, preciso te entregar isso. — Abriu a embalagem e puxou o conteúdo desta, revelando uma pulseira fina prata com detalhes pretos. — Acho que não chamará muita atenção certo? — Sorri ainda mais e pulei no seu pescoço.
Nos beijamos de forma desesperada. Era como se uma de nós fôssemos viajar por um bom tempo. A dor era constante e eu aproveitava o máximo que podia enquanto estava nos seus braços.
— Obrigada meu amor! — Disparei quando cortamos o beijo.
— Eu já estou usando a minha. — Falou suspendendo o braço exibindo o objeto. — Espero que o Ryan não perceba isso.
— Acredito que não irá já que quando estivermos gravando não usaremos. — Falei, e a outra deu de ombros. — Vai dar tudo certo, não vai?
— Vai sim Lee. — Abraçou-me.
(…)
Algo a ser considerado! Pouco tempo depois vi na internet uma das imagens Achele, onde eu e Dianna estamos dando uma coletiva. Os danadinhos conseguiram enxergar as pulseiras. Não nos trouxe problema, não dessa vez, então fiquem tranquilos.
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Estávamos gravando a segunda temporada a algum tempo, temporada esta que prometia ser um grande sucesso, e foi. Já estávamos acostumados com a fama, paparazzis e tudo mais. As festas do elenco multiplicou-se, ficávamos juntos sempre que podiamos, eu e Dianna agradecíamos por isso. Eram sempre bons todos os encontros depois das gravações. Quando não estava junto com elenco, me encontrava com Agron em sua casa, ou ela na minha. Já morávamos em casas amplas, nada de muito grandioso como hoje, todavia já podiam ser vistas como demonstração de poder financeiro. Para conseguirmos frequentar ambas as residências de maneira isolada, era um sufoco. Despistar paparazzis é mais difícil que qualquer um possa imaginar. Mas tínhamos sucesso, primordialmente falando.
Muitas coisas aconteceram no segundo semestre de 2010. O número três é definitivamente um número traiçoeiro. Três fatos que não posso deixar de mencionar aqui; Dianna começou a gravar um filme: “Eu sou o número quatro”, (Se fosse 3, não me surpreenderia), começamos a usar um novo objeto, e TRÊS fotos foram tiradas.
Guardem isso:
3 FOTOS FORAM TIRADAS!
E não, não foram parar em nossas mãos.
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