Doces Lembranças ACHELE
4 III - Atos Consumados
Notas iniciais
Mesmo depois de oito anos, não consigo me recordar por inteiro as coisas daquele dia depois que bebi como se não houvesse o amanhã, mas houve e não foi muito bom. Narrarei o pouco que lembro e o que Amber e Jenna contaram-me depois.
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— Onde você estava? Você me deixou só depois de tudo ...
— Lea você não está bem, vamos subir.
— Você está preocupada Dianna? — Estávamos na frente de todos e eu simplesmente não filtrei nada que saia da minha boca, ou do coração. Juro que tudo se movimentava de maneira estranha — Por que está preocupada?
— Lea por favor. Vamos, eu te ajudo a chegar no quarto.
— Por que você não sai e me deixa sozinha pela terceira vez?!
— Terceira vez? Você não está falando nada com nada.
— Não? Conte direito.
Alguns vultos passaram e Jenna segurou minha mão e sussurrou:
— Lee você precisa subir, tá falando demais.
— AAAA… QUAL É?! ATÉ VOCÊ JENNA? — Puxei minha mão bruscamente. — O que há com vocês? — lembro-me de alguns olhares curiosos e tensos.
— Lea …
— Não Dianna. Você não! — desviei o olhar. — Amber você me leva até o quarto? — Acenou positivamente. — Ótimo. Agora todos estão felizes?
Com essa pergunta melodramática, me retirei com a ajuda de Amber.
Após tal cena, não lembro muito bem o que foi conversado. Só sei que depois disso eu e a Amber ficamos muito próximas, uma amizade que dura até hoje. Amber se estiver lendo isso, muito obrigada por tudo, e desculpa a minha cabeça dura.
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— Dor de cabeça desgraçada!
— O que você esperava? Ficou mais bêbada que todos nós juntos.
— Não enche Jenna.
— Lee … Não queria tocar nesse assunto, mas, você se lembra das coisas que falou ontem?
— Não muito, mas a Amber já me atualizou mais cedo no café. Não quero falar sobre isso.
— Ok. Vou ensaiar meu texto. A próxima cena é a sua.
— Obrigada.
Retirou-se do camarim um pouco irritada. Ok, eu não fui legal. Mas além de uma cabeça estourada, tudo estava confuso. Quem já tomou um porre e ficou sabendo por terceiros que fez sandices, sabe do que estou falando. Como se já não bastasse todo o contexto, minha próxima cena seria com Dianna. Precisava me concentrar, internalizar Rachel Berry.
Tomei uns analgésicos e troquei de roupa, sempre gostei das roupas da Berry, era uma versão interna de mim mesma. A luz na parte superior da porta piscou três vezes, ou seja, hora de entrar em cena.
(…)
— Luz, câmera e... Claquete!
“ Rachel! Quantas vezes eu vou ter que te avisar!? — Me imprensou contra os armários do cenário. — Fique longe do Finn!” — Eu tinha que olhar nos olhos dela, fazia parte da cena.
Olhei … Aquele verde intenso me consumia de uma forma singular. Não dava. Fechei os olhos e tentei continuar. “Mas que droga está acontecendo Lea?”
“Quinn … eu ...”
— Corta! — Ryan ordenou. Enfim respirei. Dianna saiu de perto. — Lea meu bem, você está legal? — A esse ponto da série Ryan aprendeu a me amar, e todos falavam que eu era a queridinha do dito cujo.
— Estou, desculpa, eu só esqueci a fala. — Menti descaradamente.
— Alguém me consegue o texto!? – Gritou
— Não Ryan, eu já lembrei. Foi só um branco.
— Então, posição inicial. – Se afastou.
Fiquei parada no corredor esperando o comando de Ryan. Entretanto, não tinha nada a ser feito, uma vez que meus pensamentos tomaram conta de mim novamente.
“Não pode está acontecendo tal coisa”
“É demais para mim.”
“Como isso foi acontecer?!”
“Preciso me concentrar. Respira Lea, é só a Dianna, sua colega de trabalho.”
“Sua amiga”
“Tão linda ...”
“Lea”
“Lea”
— SARFATI!!!!!!
— Hum!? — Sai do transe.
— Definitivamente você não está bem. — Ryan se aproximou. — O que está acontecendo querida? Algumas pessoas estavam me olhando, inclusive a Dianna. Porém, o seu modo de olhar era diferente de todos ali. Ela sabia. Sabia o que estava acontecendo.
— Desculpa Ryan, eu não conseguirei hoje. — o encarei.
— Deus Lea. Você está chorando?
— Só preciso ir embora. – Fitei o chão.
— Claro meu bem. — Se afastou um pouco e gritou — Dez minutos para próxima cena. Dianna, Cory e Lea estão liberados. O restante vão se aprontar. — Voltou para perto de mim. — Vá para casa, descanse, e amanhã chegue aqui nova em folha.
— Obrigada Ryan. — entreguei-lhe um beijo na bochecha e me retirei sem encarar os olhos curiosos e agradecendo mentalmente por ter ido ao estúdio no meu próprio carro e sozinha.
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Quando cheguei em casa, corri para o banheiro, enchi a banheira, joguei vários sais, e me permiti ficar lá até que a água esfriasse. Quando tal fato aconteceu, vesti um moletom e me joguei na cama. Não queria pensar em mais nada. Não queria lhe dar com Dianna, nem com Quinn, nem Rachel, nem Glee.
Adormeci poucos minutos depois.
Já estava escurecendo quando acordei. Todos os pensamentos voltaram com mais força, e fui obrigada a tomar mais remédios. Quando desci para tomar água, Amber estava com Dianna conversando e logo direcionaram seus olhares a mim.
— Hey Lea. — Amber levantou. — Você está melhor?
— Estou sim. Obrigada por vir. — A abracei.
— Vamos dar uma volta, espairecer um pouco?
Se fosse só a pergunta eu definitivamente não entenderia a intenção de Amber, mas logo depois de realizá-la, direcionou um olhar nervoso a Dianna. Decidi não expor minha confusão depois de tal atitude e somente neguei.
— Vai te fazer bem dar uma volta Lee.
— Não vai não Dianna. – respondi sem a encarar. — Eu prefiro mesmo ficar aqui. Amber desculpa, mas fico te devendo uma. Por minha conta! — Sorri amarelo e fui para a cozinha tomar água. — Querem água? — Negaram com a cabeça e voltaram a conversar, mas como um sussurro. Tomei minha água e as observei mais um pouco. Curiosidade sempre foi meu fraco, mas estava arrasada demais para pensar nisso. Voltei até elas. — Amber, você se importa se eu voltar para a cama?
— Nem um pouco. Pode descansar, eu já vou indo.
— Fique um pouco mais. Quer assistir alguma coisa? — Dianna perguntou
— Não posso, fiquei de encontrar minha irmã no shopping hoje. Mas, quando Lea for me pagar essa tal saída, vamos todas juntas.
E lá estava, aquele mesmo olhar.
— Tudo bem então, obrigada por ter vindo.
— Volte mais vezes.
— Tchau meninas.
Nos despedimos, e tentei sair em disparada para o quarto, fracassando copiosamente.
— Você vai ficar me evitando até quando? — Gelei
— Não estou te evitando. Só preciso mesmo repousar.
— Olha pra mim. — Coração descompassou. — Lea. Olha para mim agora. — Fechei os olhos e puxei o ar que parecia não existir no ambiente. Virei-me e a encarei — Me diz o que está acontecendo?!
— Eu já disse que nada ocorreu.
— Por que insiste em mentir para mim?
— Não estou mentindo para você Dianna.
— E para você mesma? — Nesse momento preciso, comecei a arfar. Minhas mãos tremiam como se eu estivesse com o fatídico mal de Parkinson. Baixei o olhar. — Pelo amor de Deus Lea, olha para mim!
Caí no infortúnio (Pensava assim), de obedecer.
Não consegui segurar a explosão que preencheu meu coração e a minha alma. Avancei na sua direção, imprensando-a no balcão que dividia a sala da cozinha.
— Juro por Deus Dianna, você pediu por isso.
Então consumei o que a muito desejava.
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