Doces Lembranças ACHELE
13 XII - É Nisso Que Eu Penso!
Notas iniciais
Eu a deixei ir ...
Não me condenem. Eu vi naqueles olhos, a mágoa, a decepção e o que eu fiz? Nada! Absolutamente nada. O incrível é lembrar dos seus passos se afastando, as lágrimas quentes banhando o meu rosto e o meu corpo inerte a tudo isso. E ele ficou na inércia por dias.
Gravávamos cenas juntas, e essa mesma imagem citada acima vinha na minha mente em todas elas. Sinceramente falando, as cenas vividas me ajudaram a chorar muitas das vezes nas gravações. Pode parecer cruel, porém eram de verdade. Não era só um recurso para que tivesse sucesso, mas a dor se fazia presente. Estava ali dentro do meu peito. E quando contracenava com o motivo desta existir, acontecia com uma intensidade super dotada.
Mais ou menos duas semanas se passaram, e seguíamos nos ignorando. Dianna tinha todos os motivos para assim fazer, e eu, egocêntrica, achava que o meu ciúme era páreo para estes. Depois de um dia exaustivo, estava recolhendo meus pertences quando Ryan entrou no camarim dizendo que queria falar comigo. Como sempre dizia ele:
“AGORA!”.
Segui um pouco tensa a sua sala, piorando miseravelmente quando avistei Agron sentada em uma das cadeiras.
— Sente-se por favor. – Ryan falou direcionando-me um olhar gentil.
Sentei ao lado dela, evitando contato.
— O que foi dessa vez Ryan? Estou fazendo tudo o que me pediu. – Falou com o tom sarcástico.
— Na verdade Dianna, vocês estão exagerando. – Sorriu largamente.
— Como é? – Falou entre dentes. — Exagerando? Jura? — Levantou.
— Eu disse a vocês para não usar o radicalismo.
— Não usar o radicalismo? – Foi a minha vez de protestar. – Você nos obrigou a namorarmos alguém! Isso não soa radical para você?
— Lea, meu bem, poderia ser um namoro arranjado, ou até contrato.
— Mas que grande merda Ryan. — Praguejei.
— Olha a boca mocinha. – O fuzilei com o olhar. – A questão não é essa. Dianna está namorando de verdade, ok. – Pressionei o maxilar. – Mas o comportamento de vocês... Sinceramente! Como em um dia vocês estão em todas as revistas de fofoca como suposto casal e no outro dia mal se olham? Sumiram as fotografias das duas juntas em shopping ou até as postagens. Saiam com seus respectivos namorados mas saiam juntas também.
— Eu não tenho namorado e não pretendo ter! – Falei ríspida e a encarei.
— Agora vai me julgar por salvar sua preciosa carreira?. – Dianna respondeu me executando com seu olhar muito parecido com o da sua personagem Quinn Fabray.
Ia responder, mas...
— Meninas por favor. – Ryan bufou. –Olha, vivam a vida de vocês, mas não me façam perder a cabeça. Vamos ter uma coletiva daqui a dois dias, preciso que sentem juntas e sorriam. E logo depois Dianna, saia com o Alex. – Colocou as mãos para cima, como se fosse algo óbvio.
— Eu não preciso que me diga quando sair com o Alex, temos uma relação saudável. — Senti minha alma saindo do corpo.
— Ótimo. Agora podem sair.
Não esperei meio segundo e saí em disparada, sendo surpreendida por sua voz que me alcançou um longe.
— Engraçado não Lea? – Parei e fechei os olhos. – Antes fingíamos não nos amarmos. Agora, temos que fingir que nos amamos.
Instantaneamente meus olhos marejaram. Apertei os punhos e virei na sua direção, estava mais próxima.
— Fale por você Agron!
— Covarde! – Sussurrou ao passar por mim.
Lembro-me de ter pensado: “ Mas o que é isso agora? Está internalizando a Fabray?”
Mas as minhas palavras nada tiveram a ver com tal pensamento.
-Suja! – Gritei.
— Como? – Bingo. – Repete.
— Suja! – Repeti a encarando.
Observei uma loira furiosa andando em minha direção parando a milímetros de mim.
— Como se atreve a....
— Como VOCÊ se atreve!? – A cortei. – Fácil julgar a minha postura, me chamar de covarde, mas não sou eu quem jura amor e me deito com outra pessoa. Como você consegue? — Estava me alterando com meu próprio pensamento. — Vai me dizer que pensa em mim quando fode com o Alex?
Minhas palavras foram duras, altas, escrotas. Mas meus olhos entregavam a dor que sentia quando as proferia. Dianna não respondeu, continuou na mesma posição, com a respiração pesada e seus olhos cravados nos meus. E foi assim que se retirou. Fiquei onde estava, intacta, sem acreditar no que acabará de acontecer. Pensava existir um monstro dentro de mim. Hoje consigo enxergar o sacrifício que ela estava fazendo, pelo menos nesse momento da nossa história. E eu mais uma vez, não medi as palavras. Saí de tal sensação, quando ouvi pneus de carro dando partida. Meu coração sabia, era ela indo embora. E tive um pensamento:
“Deus, acompanha o amor da minha vida em segurança.”
(...)
Fiz o caminho de volta para casa de forma diferente, devagar, pensando em muitas coisas, sem pressa. Lembrei de momentos que vivi com Dianna, permitindo-me sorrir com a recordação. Estava alheia as ruas. Não reparei em casas, nem carros, muito menos o que se passava em restaurantes e cafés. Cheguei ao meu destino, estacionei o carro, peguei minha bolsa e direcionei-me a porta. Procurava o celular, que não parava de tocar na bolsa, quando senti uma puxada pelo braço, para logo depois um empurrão contra a porta.
— Eu vou te mostrar no que penso quando fodo com o Alex!
Dito tais palavras, abriu a porta, me carregando e me jogando no sofá.
— Dianna!
— Cala a porra da boca. – Falou e me beijou.
Não tinha como raciocinar com aquele hálito, e aquela língua e boca... Enfim! Cravei minhas unhas no seu couro cabeludo, confirmando que eu também queria aquilo. Ela chupou minha língua de forma faminta, e mordeu meus lábios como um pedaço de carne. Doía, mas doía gostosamente. Desceu devorando meu maxilar, pescoço, lóbulo da orelha. Enquanto assim fazia, com a mão livre desabotoou meu short o puxando para baixo. Desceu mais passando lentamente as pontas dos dedos pelas minhas pernas, subindo pela parte interna, apertando meu sexo que já estava encharcado.
— É nisso... – Sussurrou no meu ouvido, literalmente ofegante. – Que eu... – Chegou minha calcinha para o lado e passou um dedo pelo traço. – Penso! – Enfiou dois dedos de uma só vez, arrancando um grito da minha garganta.
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