Doces Lembranças ACHELE

6 V - Entregando-se ao Inevitável


Notas iniciais
Enjoy Babys

Juro que avançaria sobre ela depois de tamanha declaração. Mas antes mesmo que pensasse em me mover, fui empurrada ao chão. Cory abriu a porta daquele jeito que ele tinha, bastante parecido com o Finn, desastrado e forte. Caí em cima de Dianna. Nada ali ficou despercebido por ele, nem a energia que o local já preenchia, nem os olhares dela cravados nos meus enquanto meu corpo repousava sobre o dela.

— Desculpa meninas, eu não sabia …

— Tudo bem Cory. O que foi? — Falei levantando-me, e evitando ao máximo encará-lo.

— Ham… Sim, é… Ryan disse que a cena de vocês será adiada novamente. E que seja a última vez. — Coçou a nuca. — Palavras dele.

— Ok! Bom eu vou indo então. — Apanhei a bolsa, e as chaves do carro, e direcionei-me a porta.

— Lea! — Era a voz dela. Incrível como meu corpo reagia com um simples chamado, quando este vinha daquela que até hoje não esqueci. — Você vai para casa?

— Sim. E você? — Tirei os olhos dela e os direcionei ao Cory que assistia tudo com muita atenção.

— Sim, eu irei. — A olhei novamente e balancei a cabeça em consentimento.

— Me espere, estou a caminho. — Sorriu em linha reta

Saí deixando Cory e Dianna para trás, ignorando os olhares curiosos. Entrei no carro e parti em plena consciência da velocidade acima do permitido. Por sorte não fui parada durante o caminho de casa. Meu coração saltitava dentro do peito e eu não conseguia respirar normalmente. Subi para meu quarto e fiquei na janela esperando ver o carro de Dianna se aproximar. Não demorou muito. A observei sair do veículo e a perdi de vista. Nesse momento, não sentia minhas pernas e tinha extrema dificuldade em respirar de forma que não chamasse atenção. Antes que pensasse em fugir, avistei a loira a minha frente, em um estado não muito diferente do meu.

— Lea. Eu não sei muito o que dizer agora. Mas sei bem o que estou sentindo. — Falou de uma só vez fechando os olhos. — Eu sei bem o que é tudo isso. — Puxou ar.

— Então me diz Die! Eu não sei mais o que fazer para parar de pensar nessa loucura.

— Não tente! Só deixa isso tomar conta!

— Você está se ouvindo? – Contornei a cama, mais nervosa que antes.

— Estou Lea. Quem não está se ouvindo é você. – Parei e a encarei. Estávamos em uma distância segura. – Olha só pra gente?! – Começou a se aproximar. – Você consegue ... – Cada vez mais perto. – ver através dos meus olhos, — mais perto – tudo o que estou sentindo?

— Die ...

— Xiu... Não fala nada Lea. Só me ouve. – A essa altura ela estava próxima, muito próxima a mim. – Eu estou vendo Lee! Estou vendo agora, pelos seus olhos, os sentimentos que estão vivos aí dentro. – Apontou para o meu coração.

— Não, você não sabe.

Ok! Vamos para explicações!

Eu estava assustada, amedrontada, insegura e principalmente confusa. A primeira e principal reação de pessoas com esses sintomas, é a negação. Logo, eu negava tudo para mim e para ela.

— Eu sei e vou provar. – Segurou meus pulsos e aproximou ainda mais seu rosto do meu. – Você está com medo e assustada, porém ... – encostou seus lábios aos meus ouvidos e sussurrou: — seu desejo está gritando mais alto que qualquer outro mísero sentimento existente dentro de você. E não! Não é só desejo o que sente por mim. – Voltou a cravar seus olhos nos meus. – Eu não aguento mais Lea! Desde o primeiro maldito dia que te vi, algo aconteceu.

Meu coração explodiu em alegria e alívio ao ouvir tais palavras, e não consegui evitar um sorriso que insistiu em se manifestar. Observei o mesmo acontecer nos lábios dela. Foi um momento intenso. Nossos olhos já estavam marejados, nos mirávamos e entregávamos nossos melhores sorrisos uma para outra. Repasso essa cena na minha cabeça todos os dias. Não tem como evitar. Tudo o que sentia, as palpitações, as mãos frias e suadas ao mesmo tempo, a boca seca ansiando por um toque, um beijo, um olhar de uma única pessoa: Dianna Elise Agron!

— Die ... – fechei os olhos. – Eu não consigo não querer você. – Uma lágrima escapou e não tive tempo para mais nada.

Dianna se apossou dos meus lábios. Dessa vez foi um beijo terno, carregado de cuidado e carinho. Nossas línguas dançavam em uma sincronia incrivelmente perfeita. Era como se tivéssemos ensaiado. Ouvi seu suspiro e envolvi meus braços em torno do seu pescoço, tendo como resposta o entrelace dos seus na minha cintura. Naquele momento, sentia-me protegida. Era o meu lugar, eu deveria ficar ali para sempre. Não foi para sempre, mas ficamos assim por um bom tempo. Nos provando, nos experimentando, nos amando. Sim! Isso mesmo. Naquela ocasião não tínhamos ciência disso, mas hoje sei. Então repito, estávamos nos amando.

Cortei o beijo entre lágrimas, já estava rendida, já pertencia aquela que me tinhas nos braços. Não tinha como evitar, nem mudar. Dianna não abriu seus olhos, e inevitavelmente os beijei demonstrando toda aquela explosão que ocorria dentro de mim.

— Por favor não foge de mim Lea.

Tem momentos em que realmente nos surpreendemos com os outros e conosco, e esse foi um deles. Eu que achava que não tinha como sentir nada mais forte, quando ouvi o que por ela, minha amada, foi dito, me vi diante de uma sensação nova e devastadora. A vi como uma criança desamparada, que precisava de cuidados e amor. Fui tomada por esse sentimento de tal forma, que só consegui abraça-la e dizer que ia ficar tudo bem, mesmo não tendo crença nenhuma nisso.

Ficamos jogadas no chão do meu quarto, abraçadas e em silêncio. Observava vez ou outra, um sorriso de canto nascer nos lábios dela e amava o efeito que isso me causava.

— Estranho seria se eu não me apaixonasse por você. – Falei e presenciei sua expressão de extrema surpresa. – Ok, eu falei isso alto certo?

— Sim, você disse. – Sorriu. – Eu me apaixonei primeiro Lea, esqueceu? – Sorri de canto, visivelmente envergonhada.

Mais uns minutos de silêncio, e por incrível que pareça, nada estava desconfortável. Era um silêncio que acalentava, confortava. Porém, minha mente se encarregou de trazer pensamentos que em nada me ajudou, e não ajudam até hoje.

— E agora Die? O que faremos? – Respirou fundo.

— Não sei. Só sei que não quero deixar de viver isso. – Apanhou minha mão e colocou em seu peito. – Sente isso. – Fechei os olhos. Não tinha mesmo como negar. – Isso é a coisa mais forte que já senti. Eu quero muito Lea. – Abri os olhos aos poucos e lá estava aquele par de esmeraldas me fuzilando de amor. – E você?

Eu daria a devida resposta se não fosse interrompida, novamente, pelo toque do celular dela, que revirou os olhos e pegou o aparelho verificando o número.

— É a minha mãe, preciso atender.

— Tudo bem.

— Hey Momy. – Apaixonada que estava, suspirei diante de tanto carinho. – Estou bem. Aliás, eu estou ótima. – Lançou um olhar para mim e sorriu. – Legal, eu vou sim. – Fez um sinal com as mãos e levantou, retirando-se do quarto.

Aproveitei para me recompor. Levantei e entrei no banheiro lavando o rosto borrado e encarando-me. Repentinamente me vi em paz. Entreguei um sorriso a mim mesma, fechando os olhos logo depois e aproveitando cada segundo de tal sensação.

Ouvi batidas na porta, e automaticamente meu sorriso alargou-se. Olhei-me uma última vez antes de abri-la.

— Hey, o que faz ai escondida? – Sorriu lindamente fazendo aquela reviravolta no meu estômago se intensificar.

— Aproveitando.

— Minha ausência?

— Não. – Mordi os lábios e sorri. – O efeito que sua existência causa em mim. — Percebi a mudança de cor de Dianna e agradeci mentalmente por isso. — Não precisa ficar envergonhada, é só a pura verdade.

— Preciso te abraçar. – Olhou para baixo.

— Die?! – Segurei seu queixo e levantei seu rosto obrigando-a a me encarar. – Você não precisa pedir permissão para isso. – Seus olhos estavam mais brilhantes que nunca. – Aliás, para mais nada.

Não tive nenhuma resposta em forma de palavras, pois senti meus lábios sendo sugados no segundo seguinte. Eu ficaria ali para sempre. O sabor do seu beijo era estonteante e me originava uma série de implicações, que seria impossível descrever em palavras. Você caro leitor, teria que beijar a Dianna Agron e sentir por ela algo puro e intenso como eu sentia naquele momento. Nada tão difícil certo?!

O beijo foi cortado através de mordidas e sucções.

— Temos programação esse fim de semana. – Sussurrou recuperando o fôlego.

— Temos? – Gargalhei entre seus lábios.

— Sim.

— Eu e você?

— Sim, e mais todo o elenco de Glee. – Confesso que me decepcionei um pouco com tal afirmação. – Minha mãe comprou um rancho e exige a minha presença e a de todos os meus amigos lá. – Respirou fundo e se distanciou. – Ela está doida para te conhecer pessoalmente. A "amiga que divide o lar com sua filha" — fez o sinal das aspas no ar. — Insiste em te chamar de Rachel. – Gargalhou sentando na cama.

— Eu amo ser chamada de Rachel.

— Jura?

— Sim. Minha personagem é um pedaço grande mim.

— Verdade, vocês se parecem.

— E isso é ruim?

— Não mesmo. – Me puxou e automaticamente sentei no seu colo, com os joelho dobrados, um a cada lado do seu quadril. – Ruim mesmo será contracenar com você. – Vi seus olhos escurecerem. – Será difícil.

— Será ...

— Você ainda não respondeu minha pergunta. – Lembrei-me mas fingi o contrário.

— Qual?

— Você quer? – Soltei um risada nasal e levei meus lábios até seu ouvido.

— Eu quero qualquer coisa que seja com você. Não precisamos rotular nada.

— Concordo. – Lançou-me um olhar malicioso e me beijou. Um beijo cheio de paixão e luxúria.

Vendo o que estava prestes a acontecer, cortei o beijo.

— Só precisamos ir com calma. — afirmei ofegante.

Dianna concordou com a cabeça, me pegou no colo e foi até a sala, daquele jeito. Eu só conseguia rir. Estava feliz demais.

— Vamos ouvir música? – Perguntou jogando-me no sofá.

— Ótima ideia. — Apoiei a cabeça na minha mão.

— Alguma sugestão?

— Queen.

— Você gosta de Freddie Mercury? Não sabia.

— Não amo, mas gosto de algumas músicas.

— Certo. – Acessou seu Notebook e pouco tempo depois ouvi os primeiros acordes da música. – Eu simplesmente amo essa música. – Uma música que marcaria toda a minha vida. – Conhece? Somebody to Love.

Notas finais
Então? Comentem :D PS: Leitores fantasmas apareçam e me deixem felizes ^^