Doces Lembranças ACHELE
2 I - Começo
Notas iniciais
Prontos para nossa viagem?
Então vamos lá!
(…)
Estava tomando um café no Starbucks quando senti meu celular vibrar na bolsa. Não olhei no visor antes de atender, fazia muito isso, e me surpreendi quando escutei a voz do Ryan Murphy pedindo para comparecer no mesmo local em que realizei o teste de atuação e voz para o novo seriado deste, como vocês já sabem o “Glee”. Curiosa do jeito que sou, perguntei se este não podia me adiantar a resposta, recebendo um redondo “não” e um “tchau”.
— Ok Ryan, tchau para você também. — murmurei em vão, guardando o celular.
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— Ok Pessoal, serei objetivo. — grande novidade Ryan. — Todos aqui presentes farão parte do Elenco de Glee!
Mal acabou de falar e a algazarra estava feita, atravessei o salão euforica para abraçar a Jenna, que como muitos sabem eu já conhecia. Quando a soltei percebi um par de olhos sobre nós e me permiti encará-los.
— Olá garotas. — falou sorrindo. — acho que vocês já sabem, meu nome é Dianna Agron e vou interpretar a Quinn Fabray.
— Se não me engano, seremos rivais. — sorri tímida. — Lea Michele. — estendi a mão e a cumprimentei.
— Rachel Barry hum? — Perguntou divertida.
— Então temos aqui a nossa protagonista. — Jenna falou me abraçando novamente. — Parabéns Lee.
— Vocês já se conheciam? — perguntou a loira.
— Já sim. Estudamos juntas a um tempo atrás. — confirmei.
— Olha só que legal. — sorriu e me senti bem diante disso. Somente isso. Por aquele momento. — Bom eu vou falar com os outros. Foi um prazer conhecer vocês. Nos vemos nas milhares de gravações. — rimos. — E espero que não saia correndo com a minha maldade srtª Berry.
Eu sei que foi uma brincadeira, porém a entonação que usou e a forma que me direcionou o seu olhar fez a minha respiração acelerar um pouco. Seria fácil, contracenar com Dianna, ou pelo menos era o que eu afirmava em uma genuína inocência.
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— Mas que droga!!! — bravejei enquanto riscava mais um jornal. — Deus, eu preciso achar essa…
Não consegui terminar minha auto-interação, pois Dianna entrou no camarim se jogando no sofá, bufando.
— Essa rotina de gravações está de matando. — olhou para mim e sorriu. — O que está fazendo? — Depois de algumas semanas de gravação já éramos próximas.
— Nada de importante.
— Sua Expressão não diz isso. — Levantou encostando-se onde eu estava e inclinando-se para ler o jornal que a pouco estava amaldiçoando. — Procurando casa? Ok. Isso não é importante?
— Na verdade é, mas nada comparado a nossa rotina. — pisquei.
— Lea, eu sei que não nos conhecemos a muito tempo, mas de todo o elenco você foi a sortuda que eu mais me identifiquei.
— Sortuda hãm? — Rimos soltas.
Juntas, nesse momento, nos comportávamos como crianças. No set, no camarim ou em qualquer lugar.
— Falando sério agora. Eu moro sozinha e são dois quartos. Sinta-se convidada a morar comigo.
— Não. — Levantei
— Qual o problema?
— Eu vou achar uma casa legal Dianna, não se preocupe.
— Pense comigo Sarfati. Minha casa é grande, o aluguel é alto, podemos dividir ambos e todos ficam contente. — Voltou para o sofá, e sorriu mostrando-me quase todos os dentes.
Lembro-me exatamente do pensamento que me invadiu naquele momento.
“Que fofa.”
Para alguns, o adjetivo citado acima pode parecer cafona e antiquado. Tenho um argumento ao meu favor: Não tinha conhecimento de absolutamente nada do que um dia eu viria a sentir. Não me adiantarei, mas entendam que este momento foi só o começo e tinha como base a amizade. Pelo menos até onde conseguimos.
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Não me recordo quantos dias levaram para que me instalasse totalmente no meu novo lar. Contudo, afirmo que foi na mesma semana. Lembro-me de jogar-me literalmente no sofá e pensar em como a vida estava sendo boa comigo. Em um mês tudo mudou. Tornei-me protagonista de um seriado que estava prestes a estrear e com toda certeza seria um sucesso. Achei uma casa incrível para ficar, e como a dividiria, o aluguel não pesaria.
A questão do dinheiro era muito relativa. Ainda não tínhamos estourado, pois o seriado ainda não tinha sido lançado. O capítulo piloto estrearia na semana posterior.
Como não sentir adrenalina e felicidade extrema caros leitores?
Pois então, era o que sentia naquele exato momento.
— Lea!! — Dianna veio ao meu encontro com os braços abertos. — Seja bem-vinda ao nosso lar.
A abracei e sem ter consciência do que fazia, inalei seu perfume. Não ouvi muito bem o que ela ainda falava, mas com toda certeza eu sentia perfeitamente uma sensação nova e inebriante. E o primeiro pensamento destrutivo me veio.
“Que merda é essa Lea?!”
(…)
Estávamos todos reunidos na casa de Cory para assistirmos o lançamento do capítulo piloto. Animação não faltava. A maioria ingeria bebida alcoólica e comia salgadinhos, eu fiquei na água. Quando estou ansiosa não consigo comer, nem beber, nem respirar … Enfim!
Não demorou muito para a Fox começar a exibição.
Nunca esquecerei todos os sentimentos vividos quando me assisti ali, na televisão, interpretando, cantando, tudo o que sempre amei fazer. Mal sabia a explosão que o seriado teria poucos dias após. Como vocês bem sabem, Glee foi um sucesso imediato.
O capítulo acabou e, assim como minha personagem Rachel Berry, sempre fui muito dramática, então levantei e fui para cozinha para tentar controlar o choro incessante. Não fiquei muito tempo sozinha.
— Lea? Você está bem? — senti mãos geladas no meu ombro e um hálito mentolado. Dianna!
— Estou sim. — Levei as mãos ao rosto tentando enxugar as lágrimas. — Só emocionada com tudo isso.
— Eu sei. Realmente é assustador. — me abraçou por trás, surpreendendo-me. — Mas tenho uma notícia que pacificará seu coração. — Encostou sua boca ao meu ouvido e sussurrou. — Eu vou fazer o jantar hoje.
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