Doce Veneno

15 Deus salve a América!


Notas iniciais
Férias, eu te amo.

Missing scene para vocês o/

Aviso: Capítulo sem revisão.

Ren estava sentado na poltrona de seu apartamento, sem tirar os olhos da tela de seu computador. Vez ou outra, levava o copo de uísque até a boca, mas não sentia sequer o sabor do álcool.

“Dois anos... E isso...”. Fechou os olhos e colocou o copo na testa como se aquilo fosse diminuir sua dor de cabeça.

Forçou-se a abri-los novamente, aquele gesto somente aumentava sua dor de cabeça. Conseguia ouvir a risada vitoriosa de Fuwa Sho, porém, nada o deixava mais irritado e decepcionado do que o ciúmes.

Na tela, a notícia parecia tapeá-lo e rir de sua situação. A manchete com o título “Fuwa Sho e Mogami Kyoko: Amizade que virou paixão?”.

- Fica pior a cada vez que leio... – suspirou. “É minha culpa”. Fechou a tela do notebook e tomou um último gole de sua bebida.

- Uau! Está tão distraído assim para não ter me ouvido chegar? Então as notícias realmente não são favoráveis para você, Kuon. – disse a atriz morena de olhos azuis enquanto caminhava pelo apartamento. Vestia uma regata branca e um shorts jeans customizado. – O que aconteceu?

- Como você sempre consegue entrar no meu apartamento assim? – deixou o colo de lado e ficou encarando a garota com o cotovelo na mesa e o rosto sobre as mãos.

- Não importa, apenas responda minha pergunta! – andou sedutoramente até Ren e sentou-se na mesa. – Tenho muitas maneiras de fazer você falar. – ergueu uma sobrancelha com um meio sorriso.

- Está sentando em cima do meu roteiro, Margareth. Quando vai parar com essa brincadeira? – um leve tom de irritação dançava nos lábios de Ren.

- Ok, ok, já entendi, você quer se guardar para sua prometida. — agora o incômodo de Ren estava estampado em seu rosto. – O que aconteceu com ela?

- Vou aceitar o trabalho do diretor King.

- Hã? – a garota praticamente saltou da mesa.

- Surdez? Disse que vou aceitar o trabalho do diretor King. – Margareth pode sentir o cheiro do álcool.

- Mas é uma série de ficção científica! Sabe o quanto algo assim é demorado e trabalho. – a garota dizia com indignação. – O que deu em você?

- Já sou bem grandinho para tomar minhas decisões, Margareth. Apenas avise o diretor por mim, por favor.

- Kuon, você já tinha comprado a passagem para o Japão... O que houve? – perguntou com mais calma.

- Eu só... Não tenho motivos para voltar. Ela... fez sua escolha. – Margareth pode ver o quanto custou a ele dizer aquelas palavras. – Deveria ter percebido quando ela mandou a pedra de volta. – suspirou e colocou o braço sobre os olhos, tentando apagar aquele sentimento de derrota.

Margareth puxou o notebook e deu uma olhada na notícia que tanto tinha afetado Ren.

- Uau! Loiro e mais jovem, adoraria ensinar umas coisas à ele. – disse entre risadinhas.

- O que está fazendo? – segurou o braço da garota e forçou-a a encara-lo.

- Você ficou mal por causa disso? O que você é? Um adolescente? – novamente a risada que tanto irritava Ren nos últimos dias. – “Uma garota sozinha que procura consolo no seu primeiro amor, muito lindo por sinal, já que o homem que ela ama está se embebedando enquanto pensa nela e não toma uma atitude”, esse deveria ser o título da matéria.

- Pare de brincar comigo! Apenas vá embora, Margareth.

- “Fuwa Sho”, que nome interessante. – soltou-se de Ren e pulou no sofá com o notebook ainda no colo. – Ah! Como eu gostaria de conhecer essa garota. Ela deve ser incrível por ter conseguido resistir à você.

Ren finalmente levantou-se da poltrona e caminhou até a garota, parando frente à ela.

- O que você esperava que eu fizesse? Ela já se decidiu.

- Esperava que você fosse atrás dela antes que seja tarde, Kuon. Você só pensa nessa garota desde que veio para a América, não se permite nenhum relacionamento e mesmo assim não corre até lá? – fechou o computador. – Você deve ser um masoquista.

Ren apenas sorriu. Um sorriso triste, sem esperanças.

- Talvez ela nunca tenha deixado de gostar dele. – suspirou. – Talvez... Ela nunca o tenha odiado verdadeiramente... Talvez seja isso que ela queira.

- “Talvez, talvez, talvez”! Se afastar dela também não ajudará, Kuon. – “Um idiota...”. Margareth levantou-se do sofá e entregou o notebook para Ren. – A escolha é sua, só não se arrependa depois. Sabe como o diretor é.

- Obrigado, Margareth.

- Como se diz “disponha” em japonês? “Saionara”? Enfim, não importa, eu ficaria para te consolar, mas estou meio ocupada hoje. – ambos sorriram. – Quem sabe na próxima, Sr. Hizuri.

- Não esqueça de deixar a cópia das chaves que você tem. Não quero ser atacado no meio da noite.

- Até parece que eu precisaria te acatar. – novamente a risadinha. – Se eu quisesse faria você esquecer essa mulher rapidinho, mas tenho meu orgulho. Até logo.

“Kuon, Kuon, vai acabar perdendo essa garota de verdade...”. Puxou o celular do bolso e ligou para o diretor King que urrou de alegria pela notícia.

[...]

Ren colocou o notebook sobre a mesa e o encarou mais uma vez. Suspirou novamente antes de decidir tomar uma banho. Lembrou-se que certa vez Kyoko lhe dissera: “Cada vez que você suspira é um ano a menos de vida, Tsuruga-san!”, sorriu como um menino.

“Será que ela nunca percebeu ser a causa dos meus suspiros?”. Foi jogando as roupas pela casa, completamente destruído por dentro. A única vez que sentiu-se tão mal assim foi quando ouviu o cantar dos pneus e viu seu melhor amigo sendo arremessado para longe dele. Para além da vida.

Entrou no boxe e ligou o chuveiro. A imagem de Sho e Kyoko se beijando rodopiava em sua mente. Aquilo parecia ser um carma causado por seus erros no passado, mas saber que a tinha perdido para Fuwa Sho era muito mais do que simplesmente castigo. Ficou horas embaixo do chuveiro deixando a água bater em seu rosto, escondendo as lágrimas que talvez ninguém nunca tenha visto. Lágrimas que ninguém nunca saberá.

"Sou um idiota..."

Notas finais
Espero que tenham gostado.

Deveria ter colocado "idiota" em negrito todas as vezes, ai, ai...

Comentem, leio e amo todos os comentários.