Doce Segredo

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Eu queria agradecer a todos os leitores que comentaram em minha fic. Os comentários de vocês deixam-me muito feliz. Perdoem -me por não responder os comentários. Não achem que sou antipática por favor, mas eu prefiro comunicar-me com vocês assim.

Eu dedico este capítulo a todos vocês amigos leitores e espero que gostem. E é claro, comentem.

-O que esta havendo aqui? – A voz soou de forma condenatória ao jovem casal. Ao verem de quem era a voz, se depararam com o Tarcãa Coradin do Castelo de Tormunt, melhor amigo de Rabadash e um de seus homens de confiança.

Edmund primeiramente ficou sem reação ao ser descoberto, sentiu medo pelo que podia acontecer com ele e com Lucy. A reação de seus irmãos, Susan iria afastar Lucy imediatamente dele e Peter podia simplesmente bani-lo de Cair Paravel e ele nunca mais a veria outra vez. Depois do medo sentiu a raiva, uma fúria assassina que lentamente o envolvia e o cozinhava em fogo lento.

Lucy estava estática. Ser descoberta aos beijos com Edmund era, sem dúvida, mais do que podia esperar. A única coisa que queria, em toda Nárnia, era poder ficar com Edmund, sem segredos e sem mentiras. Olhou para o Tarcãa e um arrepio passou por sua espinha. Sem duvida, aquele homem iria relatar o que viu e aconteceu para Rabadash, e ele iria contar para sua irmã.

-Você vai ficar quieto! – Edmund rosnou, segurando o cabo de sua espada e avançando devagar. – Se disser uma palavra do que viu, eu te mato.

-Não sei o que é mais ultrajante! – Coradin exclamou, olhando Edmund e também segurando o cabo da sua arma, uma cimitarra. – Ver um casal de irmãos se beijando ou ser ameaçado por um bárbaro. E essa sua irmã, – Ele olhou diretamente para Lucy. – Deve ser uma puta por permitir tal comportamento.

Com isso, Edmund avançou tirando a espada da bainha e brandindo contra Coradin, que aparou o golpe. Passaram a trocar golpes e insultos. Lucy passou a gritar e pedir que parassem. Edmund levava vantagem por ser mais jovem e mais instruído na arte da espada, desarmou Coradin que caiu no chão e apontou o aço para o pescoço dele.

Os gritos de Lucy chamaram a atenção e o lugar se encheu de dríades e faunos. Ninguém tinha coragem de falar contra um Edmund furioso e com humor assassino. Fuzilando o Tarcãa com os olhos ele pronunciou-se com a voz fria e mortal.

-Não dirá nada! Nem uma palavra a ninguém! Se eu sonhar que contou algo para Rabadash...

-Fará o que? – Uma voz controlada soou atrás de Edmund, ele e Lucy viraram-se para olhar e viram Peter com um olhar gélido.

-Peter, eu... – Edmund começou, preparando-se psicologicamente para o que estava por vir.

-Nem uma palavra Edmund! – Peter disse enjoado. – O que esta havendo aqui? O que estava fazendo com Lucy?

Suas perguntas ficaram sem respostas.

Lucy chorava silenciosamente. Aproximou-se de Edmund e segurou sua mão, olhou para Peter com toda a determinação do mundo e disse sem rodeios.

-Edmund e eu estamos juntos. Faz quase um ano que estamos nos encontrando. Nos amamos e respeitamos um ao outro. E queremos nos casar em breve.

-Sim Peter – Edmund segurou fortemente a mão de Lucy. Sem deboche nem sarcasmo, sua voz soou com toda a verdade e com toda a segurança de um rei. – Eu quero me casar com ela.

Peter olhou incrédulo para sua irmãzinha e depois para Edmund, viu de relance o Tarcãa levantar-se do chão com sua cimitarra em mãos, ele iria abaixar sua espada contra Edmund, mas Peter puxou a sua, erguendo-a e o encarou com os olhos.

-Aqui em meus domínios não permito um combate injusto. E nós narnianos não gostamos de homens que atacam pelas costas. Levante-se e suma daqui.

Coradin rapidamente saiu daquele corredor natural. Foi procurar Rabadash. Ele saberia como resolver aquela provocação. Mataria Edmund e estupraria aquela rainha bárbara.

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Peter chamou o irmão para uma conversa franca em sua sala. Os dois sentaram-se em uma mesa larga, podiam ver seus rostos pálidos e seus sentimentos de raiva e desgosto.

-Como assim você quer se casar? Era isso que queria me contar? – Peter foi direto ao assunto, sem rodeios olhando para o rosto do irmão. Estava sentado de frente para ele numa postura rígida. Digna do Grande Rei.

-Peter, eu estudei as leis de Nárnia e não é proibido casamento consanguíneo na família real. – Edmund disse calmamente olhando Peter nos olhos. Sorriu de forma maldosa. – E alem do mas, eu sei muito bem que você não é tão contra isso. Vi a forma de como olha para Susan.

-Não meta Susan no meio disto! – Peter deu um soco na mesa.

- Pela Juba do Leão Peter, não se ache tão santo assim! –Edmund rugiu. — Sei que não aprova a relação dela com Rabadash e tenho minhas suspeitas sobre isso.

-VOCÊ NÃO SABE DE NADA! – Ele gritou com raiva.

-Sei de muitas coisas majestade! – Edmund disse debochado, de um sorriso malvado ao ver a reação de Peter.

-Não pode se casar, não há um pedido oficial! – Edmund levantou-se e o encarou nos olhos.

-Eu Edmund, o Justo, Rei de Nárnia, Duque do Ermo do Lampião e Conde do Mar Ocidental, Cavaleiro da Nobre Ordem do Leão da Mesa peço a Rainha Lucy, a Destemida em casamento. – Edmund fez o pedido oficial. –Amanha passo aqui para assinarmos o acordo. Quero me casar com Lucy o quanto antes.

-Não posso permitir isso! – Peter exclamou levantando-se e olhando para Edmund que parecia irritado.

-VAI SIM! Ou vou declarar guerra a você! Vai ficar no meio de uma guerra de família e de uma guerra civil! É você que escolhe!

-Não faria isso! – Peter disse olhando espantado para seu irmão.

-Desafie-me e veremos quem ganha e quem perde. – Ele passou as mãos pelo seu cabelo desgrenhado bagunçando-o ainda mais. – Com licença, tenho um campeonato para lutar.

Edmund saiu da sala pisando duro. Por entre os corredores encontrou Susan, esta ao lhe ver foi ao encontro dele e lhe deu um tapa na cara.

Edmund, surpreso, a encarou com raiva passou por ela sem lhe dirigir a palavra e entrou em seu quarto.

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Lucy estava deitada em sua cama. Chorava compulsivamente. Não podia acreditar, não queria acreditar, se provavelmente seria separada de Edmund. Seu amado Edmund. Seu melhor amigo, seu amante, seu companheiro, seu protetor, seu rei e o principal, seu amor.

Batidas suaves foram ouvidas na porta, Lucy mandou quem quer que fosse embora, mas ouviu a porta ser aberta e uma voz doce lhe perguntar de forma surpresa.

-O que aconteceu Lucy?

Ao ver que era Susan, Lucy chorou ainda mais. Susan deitou-se ao lado dela lhe fazendo carinhos displicentes na cabeça. Contou a irmã tudo que ela e Edmund tinham passado, contou de como o amava e de como foram pegos pelo Tarcãa. Susan ouvia tudo horrorizada. Nunca imaginara que aquele fosse o grande segredo de Lucy, não pensava que Edmund pudesse fazer isso com ela.

-Lucy por que fez isso? Por Aslan! Edmund é nosso irmão! – Susan exclamou levantando-se da cama e observando Lucy que se sentava nela.

-Amar é errado? – Lucy perguntou inocentemente a Susan que a olhava perplexa.

-Não! Mas não pode amar desse jeito seu irmão! É um crime! Serão repudiados por todos!

-Não me interessa Susan, o que os outros irão pensar! Amo Edmund de todo o coração! – Lucy falou convicta do que dizia. Olhou para irmã, e a puxou para um abraço. Elas se abraçaram durante alguns minutos, timidamente Lucy perguntou. – Você o ama, quero dizer, ama Rabadash?

Susan não sabia como responder a pergunta e simplesmente por fim disse a verdade.

-Não. – Ela ouviu sua voz sair calma. –Não o amo, nunca o amei.

-Então por que se esforça tanto por ele?

-Por que eu... – Susan não sabia como responder. Rapidamente fugiu do assunto. – Lucy, você tem que estar arrumada para o campeonato. – Sem dizer mais alguma palavra, Susan deixou o quarto dela, sem saber aonde ir ou o que fazer.

Andando pelos corredores sem rumo, encontrou Edmund, escabelado e com uma cara de quem mataria quem cruzasse seu caminho. O encontrou e o deu um tapa na cara por seduzir Lucy, por enganar a todos e por mentir para ela e Peter.

Ele a encarou ferino e sumiu pelos corredores. Ela simplesmente foi para o seu quarto.

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Horas depois, Lucy se encontrava na sacada do salão principal. Estava linda num vestido dourado com detalhes de rosas cor de rosa. A sua coroa prateada, estava em sua cabeça. Ela olhava para noite, meditando os últimos acontecimentos. Sentiu braços fortes a abraçar por trás e sentiu o cheiro de Edmund. Amadeirado e suave, familiar de maneiras estranhas.

Ela girou em seus braços e o olhou nos olhos, seus olhos negros a encaravam amorosos e possessivos. Sorriu, o abraçou e o beijou. Não precisavam manter mais segredo, há essa hora todos de Cair Paravel sabiam, que falassem, ela pensou.

-Foi muito ruim, a conversa com Peter? – Ela perguntou docemente, se afastando e o observando. Seus cabelos negros estavam meio desgrenhados como sempre. Suas roupas eram azuis, sua placa de peito exibia o Leão vermelho de Nárnia e as coroa também prateada, encontrava-se em sua cabeça.

-Ele esta digerindo a idéia do casamento. Lucy, não se preocupe, não vou abandonar você. Nunca. –Pousou a mão no rosto dela carinhosamente. Deu um sorriso malicioso. – Afinal, você é minha.

Ela riu um riso gostoso, o beijou mais uma vez, ficaram naquele momento doce durante alguns minutos até que o Sr. Tunmús os chamou para irem até o estádio, onde ocorreriam os duelos de espada.

Eles andaram um do lado do outro, até chegarem ao pátio de duelos. Calormanos e narnianos usando armaduras e afiando espadas podiam ser visto por todos os lados. Em um dos lados, damas da corte de Nárnia estavam sentadas.

-Devo te dar meu favor Ed? – Lucy perguntou o abraçando e rapidamente o beijando. Alguns os olharam curiosos, outros sem se importar com a cena, personalidades mais velhas os reprovavam pela falta de moral. Lucy afastou-se dele com um sorriso e foi sentar-se com sua irmã.

Susan os encarava, olhou para Peter que a encarava com um semblante triste. Rapidamente olhou para seu lado, Rabadash estava lá, olhava para a cena dos amantes com certo interesse. Olhou para Susan e deu um sorriso falso.

-Vai me dar seu favor, minha linda rainha? – Questionou ela com uma voz sebosa, ela aproximou-se e deu um beijo casto nos lábios, ele levantou-se e foi para a arena de combate.

Cruzou com Edmund e ambos se encararam, passaram um pelo outro, indo para lados opostos. Edmund ficou perto de Peter, em um grande mostrador de pedra que se exibia atrás do pátio.

Os jogos começaram, a primeira luta foi de um calormano e de um fauno. O fauno quase ganhou, perdeu por um corte na perna esquerda. Passou alguns combates e finalmente era a vez do Rei Justo. A próxima luta era de Edmund e por ironia do destino, era contra o Tarcãa Coradin.

Edmund se aproximou com um sorriso maldoso, que prometia muita dor e humilhação por parte dele. Coradin que já o encarava de longe, desde que chegou com Lucy, estava preparado, puxou sua cimitarra e começou a girar em torno de Edmund.

Lucy encarava-os com medo. Medo de que Edmund se machucasse ou que Edmund o matasse e houvesse guerra com a Calormânia.

-Edmund – Ela sussurrou. – Tenha cuidado. Seja forte.

Ambos atacaram um ao outro.

Notas finais
Ninguem acertou quem era, próximo capítulo terá muita emoção. Mas o que acharam deste? Comentem.