Doce Missão
5 Feia
Notas iniciais
Irmão idiota e insensível,
Sei que não sou de enviar cartas, mas estou preocupado. Miroku, aparentemente, está no encalço dos malditos assassinos de Braun. Mas tanto eu quanto você sabemos que eles são somente alguns bandidos que foram pagos por alguém para fazer o trabalho sujo. O que me faz pensar quem foi que mandou assassiná-lo.
Sempre passa pela minha mente a possibilidade de ser um vizinho de fronteira, mas nenhum deles, pelo que investiguei, estava tentando obter as terras de Braun. A segunda possibilidade é de que seja alguém de dentro do feudo. E isso é ainda mais preocupante. Pense bem: com uma garota inexperiente no poder, fica mais que fácil para os outros manipularem o feudo.
Essa menina que (ainda não consigo acreditar, juro!) você está protegendo pode estar em perigo. Então, por favor, morra para protegê-la.
General Inuyasha Taisho
O pior de tudo para Sesshoumaru depois de ler uma carta como aquela era admitir que Inuyasha estava certo. As possibilidades que ele levantara foram as mesmas que Sesshoumaru pensara. E isso o preocupava imensamente – Inuyasha podia ser um tolo, mas não era burro.
Sesshoumaru abriu o seu baú de livros e tirou uma folha de pergaminho, uma pena e um pote de tinta.
Inuyasha,
As possibilidades que você apresentou são as mesmas que eu pensei. Eu apostaria na segunda. Esse mordomo daqui, Campile, é realmente duvidoso. Ao que parece, ele continuou cobrando alguns impostos que Braun baniu mesmo depois de sua ordem oficial. Um criado desses não me parece confiável.
Aquele que não se importa nenhum pouco com sua posição no exército,
Sesshoumaru Taisho.
Sesshoumaru encarou a carta curiosamente. Será que Rin também investigaria Inuyasha? Rin estava investigando somente os destinatários, ela não se atrevia a ler as cartas. E ele poderia usar isso ao seu favor facilmente.
Sesshoumaru abriu a carta novamente e escreveu:
P.s.: Encontre aquele seu amigo, Edward Willer, e mande-o vir para Riabelle daqui a um mês. Se ele não quiser vir, convença-o.
Queria ver como Rin lidaria com isso.
Antes de Edward ele estava esperando outro convidado, mas para esse ele também tinha um plano.
Inuyasha desceu do cavalo e seguiu para a casa que era rodeada por muros altos.
Então era ali que estava morando Edward. Apesar de odiar seguir ordens de seu irmão, Inuyasha havia ido chamar o amigo, mas claro que por motivos próprios. O amigo de infância era muito inteligente e também muito astuto, com certeza seria de grande ajuda nas missões do rei, em troca do perdão da igreja Anglicana.
Inuyasha bateu na porta.
- Quem é? – perguntou uma voz depois de alguns instantes.
- Guarda real! Tenho permissão para abrir a porta caso o senhor não coopere!
- Mas... O que vocês querem? – inquiriu Edward do outro lado da porta.
- Por favor, não me faça arrombar essa porta! – disse Inuyasha sorrindo silenciosamente.
- Tudo bem, tudo bem... Dê-me só um segundo...
Silêncio. O primeiro sinal de desconfiança surgiu em Edward Willer quando o tal \"exército\" não se negou a esperar. Naquela época, nada era tão simples.
- Estou ficando impaciente... – respondeu Inuyasha com raiva.
- Só mais um minutinho! Eu estou... Estou me vestindo! -
Inuyasha deu uma bela risada.
- Vai dizer que você estava tomando banho? Ou não está sozinho?
- Não, não... — Edward começou a ficar seriamente nervoso. Agora sim, tinha certeza de que era mesmo o exército real, afinal eles eram exímios em pressionar seus suspeitos.
Mas COMO eles me descobriram? Eu nem sequer saio de casa!
Edward era um aventureiro para sua época. Mesmo com a proibição da Igreja em fazer qualquer tipo de pesquisa ou estudo, ele vinha se dedicando à Astronomia desde que alcançou a maioridade e foi negado a participar da cavalaria real por simular ter uma doença contagiosa. A partir dessa época, passou a viver sozinho em um pequeno terreno doado por seu pai longe de qualquer vizinhança — isso era tudo o que Ed pedia para si. Talvez por isso tenha ficado tão surpreso e assustado ao surgir a iminência de ter sido descoberto.
- Perdão, senhor, por tê-lo feito esperar! Eu me senti envergonhado em receber um nobre de tão alta patente em minha casa do jeito que ela estava! Eu...
- Ah, poupe-me dessas baboseiras! Comporte-se como um homem digno e se ponha de pé!
- Eu devo, senhor? – apesar de Edward ser filho de um nobre ele tinha que se comportar como um plebeu, já que fora acusado pela igreja de bruxaria. Claro que aquilo feria o orgulho de Edward, mas devia aquele comportamento ao pai depois de desonrá-lo.
- É uma ordem! – disse Inuyasha.
Edward se levantou.
- Olhe nos meus olhos!
Silêncio.
- Ed, você não mudou nada!
- O senhor me conhece?
- Não me reconhece? Seu \"maldito\"! – falou Inuyasha tirando o elmo e deixando uma massa de cabelos prateados caírem ao lado do rosto.
Por mais pejorativo que parecesse à primeira vista, essas palavras fizeram muito sentido a Edward.
- Inuyasha? – disse o amigo arregalando os olhos.
- O próprio! (N/a: By: Eduardo)
Depois do \"passeio\" matinal, Sesshoumaru resolveu cortar caminho até seu quarto pela porta que dava em um corredor que ligava a dispensa, cozinha e a sala de armazenagem bélica.
E qual foi sua surpresa ao passar na frente da cozinha e ouvir a gargalhada de Rin misturada às risadas das cozinheiras. Ao que parecia, Rin havia falado algo realmente engraçado.
Sesshoumaru não a entendia muito bem. Ela não tinha uma ama, somente as criadas que sempre estavam prontas para ajudá-la. E ela se relacionava tão bem à criadagem que era difícil acreditar no controle que ela exercia sobre eles.
Sesshoumaru suspirou. E, depois, se recriminou. Ele sempre odiara pessoas que suspiravam, e agora ele mesmo fazia tal comportamento tolo.
Balançou a cabeça de um lado para o outro e seguiu para seu quarto. Deixando para trás Rin e seu riso contagiante.
Rin estava sentada na mureta do terraço que ficava no primeiro andar do castelo. Sesshoumaru lançou um único olha reprovador para ela, olhar esse que ela ignorou com um sorriso quase convencido.
- Quando o próximo candidato irá chegar? – Ela perguntou, balançando as pernas infantilmente – uma ameaça singela.
- Você não acredita que eu lhe direi, não é? – Ela riu gostosamente por causa do comentário dele. Já havia algum tempo que Sesshoumaru a reconhecia como uma adversária digna.
- E quando o senhor irá deixar de ir vistoriar as fronteiras? – Rin perguntou, acenando vagamente para uma criada que lhe trouxe um leque de tecido vermelho.
Sesshoumaru já imaginava que ela desconfiava de seus \"passeios\" matinais, mas não sabia que ela iria confrontá-lo tão abertamente.
- Quando a senhorita se casar.
Ela parou de se abanar bruscamente, lançando um olhar desafiador para ele.
- Já disse que não me casarei sem amor. – ela quase rosnou.
Sesshoumaru olhou para ela com o canto dos olhos. Depois se aproximou dela quase ameaçadoramente.
- E eu já lhe disse que isso é bobagem. – ele falou tão baixinho que ela demorou alguns segundos para entender.
- Um dia o senhor irá se apaixonar e pagará por sua língua.
Sesshoumaru quase sorriu.
- Talvez um dia eu a force a se casar comigo, aí você terá que pagar pela sua. – Até mesmo Sesshoumaru ficou desconcertado com o comentário que fizera. O pensamento que lhe acometera acabara se transformando em palavras que o deixavam em uma situação estupidamente constrangedora.
Para se proteger da mortificação, ele controlou sua expressão e se afastou, entrando novamente no castelo, deixando para trás uma Rin tão ruborizada quanto o leque que a abanava.
- Senhora Rin. – o mordomo Campile disse da porta – Eu vim lhe avisar que o convidado do Senhor Sesshoumaru acabou de chegar.
Rin suspirou pesadamente, massageando as têmporas por causa do cansaço.
- Senhora Rin, — o mordomo começou, aproximando-se da mesa de mogno – se a senhora não gosta das visitas, então só precisa ordenar para que não deixemos esses homens entrar. É completamente egoísta da parte do Lorde Sesshoumaru querer forçar a lady a se casar.
Rin ergueu os olhos e encarou o mordomo com irritação.
- Até dois minutos atrás eu achava que era eu quem ordenava aqui. Estava errada?
- É... É claro que não, minha lady. – gaguejou Campile.
- Bom saber. Então deixe que eu resolvo quem deve ou não deve entrar aqui. – depois de um gesto irritado de Rin, o mordomo saiu apressado.
Rin suspirou mais uma vez, só que agora de confusão. Por que ela havia defendido aquele afetado Taisho?
Paris estava parado ao lado de uma janela do terceiro andar. Sesshoumaru bem sabia que ele quisera ir ali para poder olhar os campos e ter certeza de sua produtividade.
Satisfeito ao ver o campo de trigo ao longe, Paris virou-se para Sesshoumaru.
- Parece ser um ótimo feudo, milorde.
- Está correto, lorde Dare.
Paris Dare era o tipo de homem que emanava sensualidade. Um homem mais atraente e charmoso do que classicamente bonito. Os olhos eram gélidos demais para serem considerados belos, a boca rosada era feminina demais para lhe emprestar masculinidade. No entanto, seu porte elegante e ombros largos, acompanhado de um sorriso sensual, devastavam os corações das pobres debutantes de Londres.
Paris era conhecido pela sua libertinagem. Sempre haviam histórias escandalosas aqui e ali, mas, acima de seu comportamento, estavam sua ganância. O homem era louco para desposar uma jovem herdeira que fizesse suas posses serem ainda maiores.
Sesshoumaru não se agradava nenhum pouco que o lobo Dare se aproximasse de Rin – aquela garota era o tipo de \"ovelha\" que ele adoraria \"morder\". E se agradava ainda menos de entregar a mão dela em casamento para um patife como ele. Rá, Rin e Paris se matariam antes mesmo de ele consumar o casamento. Ela não era o tipo de mulher que suportaria que o marido saísse por ai tendo \"aventuras\".
No entanto, mesmo que soubesse previamente de que se negaria a aceitar tal casamento, Paris havia sido convidado apenas para que Sesshoumaru pudesse testar Rin. Ele queria conhecer bem a personalidade das artimanhas dela para poder sabotá-la quando o próximo candidato aparecesse – Sesshoumaru tinha plena certeza que Edward seria capaz de balançar aquela tola convicção dela de se casar por amor.
- Quando irei conhecer lady Yakamoto?
- Logo, espero. – Sesshoumaru quase suspirou. Sentia-se realmente um tolo em arquitetar planos para um fim que não permitiria acontecer – Mas não gostaria de criar expectativas, lorde Dare. Lady Rin é uma megera. Nenhum homem conseguiu conquistá-la até hoje.
Algo intenso brilhou nos olhos de Paris.
- Terei grande prazer em domar essa fera. – a risada de Paris era divertida e, por mais desconcertante que fosse, fez com que Sesshoumaru também sentisse vontade de rir. Pobre homem...
Seu plano estava se saindo bem. Ele apostaria alguns anos de vida como Rin investigara Paris e chegara a conclusão que a melhor saída era se disfarçar de feia mulher – ele só não sabia como ela conseguiria tal proeza. Ninguém que conhecia Paris conseguia imaginá-lo preso pelo resto de sua vida à uma mulher horrenda.
A ambição de Paris também deve ter aparecido nas investigações de Rin, no entanto, ela a subestimaria. Pois acreditaria que Dare não precisava de dinheiro tão desesperadamente a ponto de se casar com uma mulher que lhe causasse repulsa, ao contrário, os rumores sobre os talentos dele nas finanças eram quase tão grandes quanto sua fama com as mulheres.
No entanto, Sesshoumaru incentivara Paris não com a riqueza dela, mas sim com sua determinação e frieza. Ele bem sabia que o lobo balançaria o rabo como um cachorrinho perante um desafio.
Uma risada escandalosa foi ouvida atrás de Sesshoumaru. Paris inclinou a cabeça para olhar quem fora que soltara a gargalhada, mas Sesshoumaru já sabia quem era. Aquele som o vinha atormentada já fazia algumas semanas.
Ao olhar para trás, Sesshoumaru quase deu um sorriso vitorioso. Lá estava ela, ainda que quase irreconhecível, usando um vestido marrom com remendos cinzas, os cabelos espetados como se ela tivesse resolvido adentrar em um brejo e deixasse a lama secar naturalmente nos cabelos, o rosto sendo o mais assombroso: de alguma forma ela conseguira fazer uma cicatriz horrenda em um lado do rosto. Por um momento ele temeu que ela houvesse desfigurado o próprio rosto para poder afugentar Paris. Mas Sesshoumaru a vira naquela manhã, e aquela cicatriz não parecia ser um corte recente.
O demônio Rin ataca novamente.
- Gostaria de me apresentar o convidado, Lorde Sesshoumaru? – ela pediu, com tom vitorioso, dirigido somente para atingir Sesshoumaru.
Sesshoumaru olhou para Paris. De certo, ele parecia surpreso, mas não com repulsa. Estava... intrigado.
- Esse é o Visconde Dare, senhorita Rin. – Paris deu um passo a frente, estendendo a mão para ela.
- É um prazer conhecê-la, lady Yakamoto. – Ele beijou a mão dela. Rin estava aturdida. Com certeza não era aquela reação que esperava dele. Pensava que lorde Dare faria uma expressão de nojo e daria uma desculpa esfarrapada para fugir do feudo o mais rápido que pudesse. – Sinto-me feliz em conhecer uma beleza como a senhorita.
Rin deu um passo atrás.
- Não troce de mim, lorde Dare. – ela arfou. Será que aquele homem era louco? Ou estava rindo dela descaradamente? – É muita crueldade de sua parte.
Paris pareceu genuinamente surpreso.
- De modo algum, senhorita. Eu não perco tempo fazendo com que outras pessoas se sintam mal... Pelo menos não sempre. – e lançou um sorriso divertido para ela. Por um momento Rin titubeou em sua decisão. Aquele homem era realmente lindo, seu coração batia forte com seu sorriso.
- Eu o expulso daqui se tentar me insultar, lorde. – ela murmurou, tentando pensar com clareza.
- Eu ficaria tentado a dissuadi-la de tal decisão. Pelo menos nós divertiríamos bastante com tudo isso. – Rin deu um passo atrás, assustada. E Sesshoumaru se pôs entre ela e Paris.
- É melhor se comportar, Visconde Dare. Ou serei obrigado a eu mesmo expulsá-lo daqui. E me dissuadir de minha decisão não seria nada divertido.
Paris se afastou de Rin. Dando uma gargalhada sensual.
- Você que acha. Prometo me comportar. – ele entregou o braço para Rin – Vi que você tem um belo jardim. Você aceita passear comigo por ele? Acredito ter visto rosas brancas por lá.
- Não sem um acompanhante. – rosnou Sesshoumaru. Ele não entendia o que havia acontecido com Rin. Ela parecia completamente aturdida, afetada por aquele esperto almofadinha.
- Claro que não, lorde Taisho. Apesar de eu não ter uma boa reputação, ainda tenho a da lady Yakamoto para zelar. Por que o senhor não vem conosco? Acredito que o senhor ficará muito mais tranqüilo vendo você mesmo que manterei minhas garras longe dela.
Rin tentou se afastar de Paris.
- Seu atrevimento é desmedido, Lorde Dare. – ela exclamou.
- Não vejo atrevimento em um passeio pelo jardim. Você não acha, Lorde Taisho? – o olhar de Dare poderia enganar qualquer mulher, mas não a ele. Ao contrário do que Dare dizia, as garras estavam mais que preparadas para agarrarem a pobre e, agora, indefesa Rin.
- Sesshoumaru deve estar fazendo um grande trabalho com o feudo. Ele é notório quanto a esse aspecto. Duque Minoutch que o diga. – Paris falava, olhando uma rosa vermelha com falsa curiosidade.
- Não, não sou eu quem estou gerenciando o feudo. É lady Rin. – Sesshoumaru respondeu, friamente, mantendo-se perto como um lembrete para Paris.
Estava irritado com aquela situação. Por que ele tinha que ficar ali ouvindo aquele rufião flertar com Rin, que, aliás, parecia aceitar seus avanços?
Os olhos de Paris se moveram para observar Rin. E tal olhar foi tão quente que Sesshoumaru sentiu vontade de esmurrá-lo. Depois de Rin, Sesshoumaru foi o alvo se seu olhar. Paris sorriu.
Sesshoumaru não conseguiu compreender aquele sorriso. Era quase... conspirador.
- Senhorita Rin. – Paris falou, de repente – Por que achou que eu estava troçando de você quando falei que a achava bonita?
A raiva se acendeu novamente no peito de Sesshoumaru. Se aquela conversa fiada continuasse naquele ritmo, Paris sairia seriamente ferido daquele feudo.
- O senhor não pode estar falando sério... – Ela argumentou.
Paris se aproximou dela novamente, erguendo a mão para tocar a cicatriz em seu rosto.
Rin se afastou, com medo de que ele notasse que a cicatriz não passava de uma maquiagem bem elaborada – uma criada lhe dissera que usava para afastar os homens quando não os queria.
- Seus olhos são lindos, milady. Nunca vi olhos tão ternamente belos em minha vida. – Rin arfou, atingida pelas palavras doces.
Não! Não! Ela gritou em pensamento. Não era para algo como aquilo acontecer. Não era para se deixar ser abalada por um conquistador qualquer.
Desesperada, olhou para Sesshoumaru, que se aproximou lentamente.
- Você está assustando-a, Lorde Dare. Acho melhor medir suas palavras.
Um sorriso se insinuou nos olhos de Paris. Ele parecia estar realmente se divertindo com algo. Mas nem Rin nem Sesshoumaru entendiam o que era.
Rin, sôfrega, desvencilhou-se deles e continuou a andar pelo jardim. Ela tentava entender o que estava acontecendo de forma frenética. Ao que parecia, Paris Dare não estava intimidado com a feiúra de seu rosto. Por quê? Ela pensara que ele seria orgulhoso demais para aceitar um casamento com uma mulher que não lhe agradasse, então por que continuava assediando ela? Ela não conseguia entender.
Meu dinheiro. Talvez Dare estivesse necessitado de dinheiro e estava se obrigando a suportá-la somente para consegui-lo.
Só poderia ser isso.
Ela sentiu uma mão cálida tocar seu braço.
- Lady Yakamoto. – Lorde Dare chamou. Ela parou e o encarou. Os olhos dele lhe pareciam sinceros, e isso a assustou – Creio que assustei com meu comportamento. Peço que me perdoe, não estou acostumado a estar na presença de damas que me agradam tanto. – Rin abriu a boca, surpresa. Que tolice era aquela? Ele a conhecia a menos de uma hora e já falava como se fosse um tolo apaixonado? – Eu gostaria que a senhorita me desse permissão para cortejá-la.
Completamente atordoada, Rin olhou para Sesshoumaru. Implorando para que ele viesse em seu socorro mais uma vez. Mas Sesshoumaru olhava para algo muito além do jardim, completamente alheio ao que acontecia.
Rin engoliu em seco. Por que estava dependendo de Sesshoumaru? Ela não precisava dele para se defender. Aliás, se o fizesse, estaria perdendo o desafio que havia imposto.
Rin respirou fundo, decidida a resistir ao charme quase latente daquele homem.
Olhou para os lados como se estivesse tentando segurar uma crise de choro. A mão em seu braço se tornou suave, mas firme.
Logo as lágrimas vieram.
- Senhor... Lorde Dare... – ela colocou a mão na frente dos lábios, para impedir que ele visse seus lábios tremerem – Eu não suporto mais essa farsa.
- Não? Que farsa, querida? – a voz dele era mais calma do que ela acharia que seria depois de sua declaração, mas não se deixou abalar.
- Lorde Taisho, milorde, está enganando você. — Rin enxugou as lágrimas com gestos bruscos – Esse feudo está falindo e ele acha que pode se livrar de mim fazendo com que eu me case! – ela soluçou em seu choro – Lorde Taisho é tão cruel com o senhor! Eu não posso mais suportar isso. – E saiu correndo de volta para o castelo. Os ombros sacudidos pelo choro, que na verdade era um riso vitorioso que ela se esforçava para controlar.
Paris a observou se afastar, e se endireitou. Soltou um suspiro de rendição que foi acompanhado por um sorriso. Sorriso esse que se alargou ao notar o quanto Sesshoumaru estava se esforçando para não voar em seu pescoço.
Quem diria que aquela tarde seria tão divertida.
Rin poderia muito bem acordar uma criada para fazer aquilo, mas não era tão cruel. Aliás, não achava que fosse se encontrar com alguém nos corredores enquanto se dirigia para a cozinha atrás de surrupiar alguns pedaços de faisão que deveriam haver sobrado do jantar.
Que tola ilusão, logo ao virar em um corredor, deu de frente com ombros largos.
Assustada, Rin fechou o robe com força, levantando os olhos para encarar olhos verdes.
- Lorde Dare... – arfou. O pânico foi tomando conta de Rin gradativamente. Por causa de seu ato impulsivo acabara de arruinar todo o trabalho que tivera naquele dia. Pois seus cabelos estavam lavados e úmidos em volta de sua face, a maquiagem fora totalmente retirada de seu rosto.
Ela não sabia o que fazer.
Rin sentiu o sangue fugir do rosto enquanto encarava lorde Dare. Ele não estava tendo a reação que esperava que ele tivesse.
- A senhorita ia à cozinha? – ele perguntou gentilmente.
- Não parece surpreso, Lorde Dare. – ela disse, afastando-se dele até ter um espaço razoável entre eles.
- Ao contrário, minha cara, não sabia que havia tanta beleza por baixo daquelas muitas camadas de maquiagem. – Ele sorriu, enquanto se aproximava.
Rin arregalou os olhos.
- Você sabia? – ela perguntou, respirando rápido. Paralisada onde estava.
- Lógico, minha querida. – ele sorriu para ela – Como também sei que estava mentindo quanto ao feudo estar em falência. Sesshoumaru é honrado demais para fazer algo do tipo com quem quer que seja.
- Pode estar enganado.
- Não estou. – ele riu, acariciando o rosto dela com um gesto breve – Eu sou muito bom em decifrar as pessoas. – ele inclinou o rosto, como que para observá-la melhor — A senhorita me tentou, Lady Yakamoto. Mas eu não ousaria tentar seduzi-la. Não gosto de ser dispensado, e seu coração parece já pertencer a outro.
Rin teve um sobressalto.
- A outro? Do que o senhor está falando?
Ele sorriu gentilmente, segurando o rosto dela.
- Logo você saberá, minha cara. – Ela só notou o que ele faria quando sentiu os lábios dele apertando os seus gentilmente. Ele se afastou dela com calma, encarando-a com sensualidade – Eu falava a verdade hoje a tarde, milady. Seus olhos são lindos, e não enganam ninguém.
E, com essas palavras, ele se foi pelo corredor. Deixando uma Rin atordoada para trás. Ele só não sabia se por causa do beijo ou se pensava em suas palavras. Não importava, de qualquer forma. Era uma pena que aqueles olhos desejassem outra pessoa.
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