Doce Ironia
51 A hora é essa
Notas iniciais
Alyss acordou, incomodada pela luz, e coçou os olhos se sentando na cama. Olhou para o lado e viu Adam dormindo.
– Adam, acorda, temos aula — ela resmungou o cutucando.
– Não, eu estou com sono, vem cá — ele pediu puxando ela para voltar a se deitar.
– Não Adam, temos que ir para escola! Aula, lembra?
– Já está na hora? — ele resmungou se sentando — Alyss são seis e meia! Só temos que acordar as sete!
– Eu não tenho roupa aqui! Temos que passar na minha casa! — ela disse bufando.
– Você pode ir com essa blusa — ele disse apontando para a camisa dele que estava nela.
– Haha, engraçadinho! — ela disse cruzando os braços — Você deveria colocar uma blusa — resmungou ao perceber que ele só estava com a calça de moletom.
– Me de essa então — ele disse sorrindo e empurrando ela para que ficasse por cima da mesma.
– Seu... — ela começou com os olhos semicerrados.
– Bom dia, crianças! — disse a mãe de Adam abrindo a porta e Alyss empurrou Adam de cima dela fazendo-o cair no chão — Desculpa!
– Mãe!
– Eu já disse desculpa! — ela falou constrangida.
– Tudo bem, só estávamos... ahn... conversando — disse Alyss se levantando rapidamente.
– Forma interessante de conversar — ela disse sorrindo e Alyss corou.
– Mãe!
– Tudo bem, tudo bem. Alyss, querida, só queria te avisar que sua mãe deixou umas roupas para você ontem.
– Mas ela não sabia que eu ia dormir aqui — a loira disse confusa.
– Vamos dizer que ela tinha uma leve desconfiança.
– Meu Deus, vocês são terríveis! — disse Adam rindo.
– Aqui, Alyss, sua mãe disse que você iria odiar — ela disse lhe entregando uma mochila e a garota fez uma careta.
– Obrigada, eu acho.
– Eu vou preparar o café — ela disse saindo e fechando a porta do quarto.
Alyss se sentou novamente na cama e pegou as roupas na mochila.
– Ela não fez isso — disse entre dentes.
– O que foi, amor?
– Olha isso — ela disse passando as roupas para ele. Ele analisou a saia e a regata e riu.
– Você vai ficar gostosa com isso.
– Adam! — ela reclamou puxando as roupas de volta.
– Não mais do que com a minha camisa.
– Você é um idiota! — disse lhe jogando uma almofada e saindo do quarto com a mochila e roupas.
Foi até o banheiro do corredor e se lembrou que estava sem toalha.
– Ótimo- resmungou voltando para o quarto e abrindo a porta — Adam, eu preciso de uma toa... Meu Deus, desculpa!
– Alyss! — ele gritou de volta.
– Você não podia ficar de calça não? — ela gritou tapando os olhos.
– Desculpa, espera, vira para lá, e para de reclamar que eu to de cueca! — ela bufou e saiu do quarto ainda tapando os olhos — Toma a toalha!
– Desculpa.
– Tudo bem — ele disse dando um beijo na bochecha dela e voltando a fechar a porta do quarto.
Alyss foi até o banheiro e prendeu o cabelo para tomar banho, a água quente fez com que ela não quisesse sair, mas saiu algum tempo depois e encarou a roupa com uma careta. Se vestiu e saiu do banheiro, voltando para o quarto do Adam e se assegurando de bater na porta antes de entrar.
– Pode entrar, agora estou de calças — ele falou e ela girou os olhos antes de entrar.
– Blusa que é bom nada — ela disse e ele deu de ombros enquanto colocava a blusa.
– Você toma banho muito devagar, eu fui lá embaixo tomei banho, voltei para cá, me vesti e só agora você chegou.
– Não enche.
– Você está bonita — disse ele sorrindo e ela fez uma careta.
– Estou parecendo uma princesinha.
– Você é uma princesinha, minha princesinha — ele a puxou a abraçando e ela sorriu.
– Estamos um casal tão meloso que dá nojo — disse ela se afastando dele e se sentando na cama.
– Eu gosto disso.
– Uaau! Quem é você e o que fez com Adam Cosgrove, O Mulherengo?
– Uma certa sabe-tudo amoleceu o meu coração.
– Eca — ela disse com uma careta.
– Eca o que? Ontem tinha uma certa loirinha fazendo juras de amor.
– Ela estava com muito sono! — disse se fingindo de desentendida.
– Vamos descer — ele disse sorrindo e ela assentiu.
– Você está bonita, Alyss — disse a sra Cosgrove ao ver a menina.
– Obrigada.
– Comam, não precisa ficar com vergonha Alyss, quando você era pequena e vinha para cá você batia no Adam para ficar com mais cookies.
– Ela ainda faz isso — disse Adam dando ombros e Alyss o encarou feio — Ué.
– Eu fiz cookies o suficiente — disse a mulher sorrindo e colocando o prato sobre mesa, Adam pegou um cookie e Alyss lhe deu um tapa o tomando da sua mão.
– Está vendo! — ele acusou apontando para ela que estava com um semblante inocente.
– Eu estou com fome! — ela disse fazendo beicinho.
– Tudo bem — ele disse dando um selinho nela.
Eles comeram, conversaram e riram de histórias constrangedoras que a sra Cosgrove contava de quando os dois eram pequenos.
– Temos que ir — ele falou olhando para o relógio de pulso.
– Obrigada por tudo, sra Cosgrove — disse Alyss a abraçando.
– Volte sempre que quiser — ela sorriu de volta.
– Tchau mãe — disse Adam dando um beijo na bochecha dela e puxando Alyss para o carro.
– Boa aula! — ela gritou da porta e os dois acenaram antes de Adam dar partida no carro.
– Como foi dormir lá em casa? — ele perguntou e ela corou um pouco.
– Legal.
– Legal? Você dorme em cima do peitoral mais desejado do colégio e tudo que tem a dizer é "legal"? Assim eu fico ofendido — ele falou brincando e ela deu de ombros.
– Não se sinta tanto Adam, faz você envelhecer mais rápido.
– Aonde você viu isso?
– Acabei de inventar — ela disse dando ombros e sorrindo.
– Tudo bem, para mim foi o máximo, a melhor noite da minha vida. Poder ficar abraçado com você, sentindo o cheiro de uva no seu cabelo e sentindo sua respiração no meu pescoço, é a melhor coisa que eu poderia querer.
– Você é um amor — ela disse dando um beijo na bochecha dele e ele estacionou o carro.
– Chegamos.
– Está pronto para encarar a todos depois daquela declaração bafônica? — ela perguntou rindo.
– E você? Está pronta para encarar a todos com essa roupa que amostra mais do seu corpo do que um biquíni?
– Pensei que tivesse achado bonita — ela disse com uma careta.
– E achei linda, quando estávamos apenas eu e você no meu quarto, longe do olhar desses idiotas ai da escola.
– Você fica tão lindinho com ciúmes — ela disse apertando as bochechas dele.
– Eu não estou com ciúmes.
– Então por você tudo bem eu usar essas roupas?
– Claro que não! A não ser que seja no meu quarto... Mas não é ciúmes, estou apenas cuidando do que é meu.
– Eu sou sua?
– Uhum, para sempre! — ele disse segurando o rosto dela entre as mãos e a beijando.
– Vamos lá — ela falou saindo do carro — Pronto? — perguntou entrelaçando suas mãos a dele que havia passado o braço pelos ombros dela.
– Eu enfrento o mundo com você.
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