Doce Família Cahill
22 Capítulo 22
O cheiro parecia ser de fumaça misturada com algo doce. No começo parecia o cheiro de uma sobremesa, mas eles acharam estranho quando viram a fumaça entrar por debaixo da porta da sala de cinema. Logo a fumaça começou a invadir toda a sala e os quatro começaram a tossir.
— Mas que droga é essa?— disse Natalie tossindo muito.
Todos estavam tossindo, com os olhos lacrimejando, e perceberam que ficava cada vez mais difícil respirar.
— É uma armadilha! — gritou Dan — Alguém soltou essa fumaça de propósito, acho que para nós sairmos da sala!
Assim que Dan acabou de falar, Natalie caiu aos seus pés desmaiada.
— Natalie? — chamou Ian. — Vamos sair daqui!
Assim que ele destrancou e abriu aporta, um dos homens grandalhões que estavam no parque o agarrou e colocou um pano úmido sobre seu nariz e sua boca, e em poucos segundos o corpo todo de Ian amoleceu e ele caiu nos braços do homem. O outro homem que Dan reconheceu como sendo aquele vendedor de sorvete o agarrou e fez a mesma coisa que o outro fizera com Ian. Quando Dan desmaiou, Amy gritou e tentou sair correndo mas foi impedida pela empregada ruiva. Logo Amy também aspirou naquele pano úmido e desmaiou.
— Vamos levar essas gracinhas! — disse Nayara. — Peguem a Natalie também. Ela está lá dentro.
Natalie estava desmaiada no chão da sala de cinema e por pouco, o homem não viu as caixas das unhas postiças que estavam em uma das poltronas. Dan e Amy foram colocados em uma van preta. Nellie e Hamilton estavam na van e se assustaram quando a porta se abriu de repente, e mais ainda quando viram Dan e Amy desmaiados, com seus corpos moles.
— Oh meu Deus! — disse Nellie. — O que vocês fizeram?
— Nada. — respondeu um dos homens grandalhões — Só achamos que eles deveriam dormir um pouquinho. — Com isso os homens fecharam a porta e entraram na van, um no banco do motorista e o outro no banco do passageiro.
— A ruiva! — disse Nellie apontando para Nayara do lado de fora da van. — Ela está vestida como empregada!
— Ela é a empregada dos Kabra! — disse Hamilton — Mas onde está o Ian e a Natalie?
Nesse momento a van deu uma arrancada brusca fazendo Hamilton e Nellie caírem para trás e depois para frente. Nellie segurou Dan enquanto Hamilton segurava Amy.
— Para onde será que estamos indo? — perguntou Hamilton.
— Não sei. — respondeu Nellie — Hei olha. — Nellie apontou para as unhas de Amy, e ela e Hamilton sorriram.
Eles ficaram em silêncio durante parte do percurso, e cerca de meia hora depois, Dan começou a se mexer no colo da Nellie. Em seguida ele abriu os olhos e olhou para Nellie e depois ao redor da van.
— Dan, você está bem? — perguntou Nellie.
Dan se levantou e se sentou ainda meio zonzo. Ele olhou para Nellie, depois para Hamilton, e depois para Amy que ainda estava desmaiada no colo de Hamilton.
— Mas o que estamos fazendo aqui? — disse Dan — Hei o que vocês estão fazendo aqui?
— Eles nos pegaram. — disse Hamilton. — E pegaram vocês também. Não sabemos para onde estão nos levando.
Dan olhou para suas mãos e sorriu.
— Vamos pôr o plano em prática.
Dan tirou do bolso da calça um saquinho plástico onde dentro continha dez unhas postiças com o Esquecerol II.
— Peguei para o caso de precisarmos conter mais de vinte pessoas. Você pode usar.
Hamilton e Nellie sorriram. As unhas eram grandes, portanto Nellie as pegou e colocou em cima das suas próprias unhas pintadas de preto.
— Legal! — disse Hamilton — Nem parece que você está usando. Eu não tenho unhas postiças mas posso ajudar de alguma forma. Posso distrai-los enquanto vocês agem.
— Certo! — disse Dan e nesse momento Amy acordou.
— Amy você está bem? — perguntou Hamilton.
Amy se levantou rápido ao perceber que estava deitada no colo de Hamilton.
— Onde estamos?
— Numa van indo para algum lugar. — disse Nellie.
A van deu uma freada brusca fazendo com que eles se desequilibrassem. Em seguida, eles sentiram a van se inclinar como se estivesse descendo uma ladeira. Alguns minutos depois, a van parou e eles ouviram os dois homens descer e abrir a porta da van.
— Temos que agir discretamente. — cochichou Hamilton — Quanto menos barulho e quanto menos chamarmos atenção para nós mesmos melhor.
Dan, Amy e Nellie assentiram com a cabeça, e os dois homens abriram a porta da van.
— Chegamos suas gracinhas! — disse o homem que se fingira de vendedor. Ele pegou o braço de Amy enquanto o homem grandalhão pegava o de Hamilton e mais dois grandalhões apareceram para buscar Nellie e Dan. — Nada de aprontarem senão...
O homem nem precisou terminar a frase pois, eles já imaginavam o que aconteceria caso eles aprontassem. Ao descer da van, eles perceberam que estavam no estacionamento, e, ao subir as escadas e entrar, se depararam com um corredor. Eles foram conduzidos até uma enorme sala no fim do corredor à esquerda. Nela havia duas mesas e algumas cadeiras, e também duas macas. Parecia uma sala de interrogatório. Os quatro sentaram em volta de uma mesa enquanto dois dos homens grandalhões ficaram na porta os vigiando.
Hamilton piscou para Dan o que significava que poderiam começar a pôr o plano em ação. Hamilton se levantou da cadeira e ficou andando vagarosamente pela sala como se estivesse examinando o local. Então de repente ele pegou a cadeira e a atirou contra os guardas, que conseguiram se desviar. Eles foram para cima de Hamilton e Dan e Nellie foram para cima deles, e os espetaram com a unha do dedo indicador. Durante alguns segundos Hamilton tentava lutar contra eles aplicando golpes de jiu-jitsu, e tentando se livrar da surra mas ele era um contra dois. Então quando Dan e Nellie iam dar outra espetada ou arranhada neles, os dois homens afrouxaram e com dificuldade para respirar, caíram ao lado de Hamilton.
— Deu certo! — disse Amy — Funciona mesmo!
Então a porta se abriu e uma mulher entrou na sala. Isabel Kabra.
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