Hamilton, Ian e Natalie estavam surpresos demais para saborear o delicioso sorvete de chocolate, que se derretia na taça. Nellie estava ocupada demais digitando no celular e quando Dan e Amy terminaram de falar, houve um silêncio e o único som que se ouvia era de suas respirações e do digitar dos dedos de Nellie no celular.

— Então quer dizer que nós estamos bonzinhos por causa que tomamos o remédio que a Grace e o Fiske fizeram? — disse Ian — E como o remédio funcionou, minha mãe e Eisenhower se uniram para rouba-lo e modifica-lo a fim de deixar todo o mundo super obedientes?

— É isso aí. — respondeu Dan.

Os três primos se olharam e em seguida soltaram uma gargalhada, que fez com que Dan e Amy ficassem constrangidos.

— Essa foi a história mais absurda que eu já ouvi! — disse Hamilton.

— Mas é verdade! — gritou Amy para que sua voz fosse ouvida. — Por que vocês nos ajudariam se não fosse o Benzarol?

— Nós éramos tão malvados assim? — disse Natalie enxugando os olhos.

— Claro que eram. Quantas vezes vocês nos fizeram de palhaços e riram da nossa cara.

— Oh Amy eu sinto muito por isso! — disse Ian — Não sei por que eu ria de uma criatura tão bela como você. — Isso só fez com que eles continuassem a rir mais, deixando Amy vermelha e constrangida. — Me desculpe.

— Eu sei por que você ria. — disse Dan — Porque você não tinha um remédio controlando seu cérebro, eliminando tudo o que era mau.

— Por que vocês acham que de uma hora para outra começaram a querer ser nossos amigos? — perguntou Amy séria, e foi o suficiente para que todos parassem de rir. — Ian por que de uma hora para outra você começou a falar comigo, até me dando presentes? Hamilton, por que de uma hora para outra você começou a dar uma de irmão para o Dan? Natalie, por que de uma hora para outra você começou a ser simpática com nós dois?

Os três primos ficaram calados sem dizer nada. Eles não sabiam o por que de estarem tão legais e tão próximos de Dan e Amy. De uma hora para outra eles começaram a se importar com eles, e não sabiam explicar o por que disso.

— Vocês tem razão! — disse Ian — Nós estamos drogados.

— Vocês não tomaram nem uma droga. — disse Dan — Se bem que todo remédio é uma droga...

— Eu não acredito que só estou sendo legal por causa de um remédio! — exclamou Natalie.

Os três ficaram sem falar nada só pensando em como suas vidas mudaram nas últimas semanas, e agora eles sabiam o por quê.

— Essas últimas semanas, foram as melhores que passamos com a nossa família. — disse Amy deixando uma lágrima escorrer pela bochecha.

Ian sentou-se ao lado de Amy, e tocou seu rosto enxugando a lágrima.

— O Benzarol fez muito bem a vocês. — disse Dan — Mas também teve uns efeitos colaterais.

— Que efeitos? — perguntou Hamilton.

— Dores de cabeça, desmaiso, dificuldade de raciocínio...

— Meu médico disse que devia ser de resfriado. — disse Natalie — Mas eu não estava nem tossindo!

— Espera — disse Hamilton — como que nós tomamos esse remédio?

— Grace e Fiske contrataram vários informantes. — explicou Dan — Como o médico da Natalie, alguns empregados e funcionários e etc.

— A nossa empregada, a Nayara — disse Ian que estava abraçado com Amy — tentou nos dar o Esquecerol. Ela está do lado de minha mãe.

— Ela traiu Grace e Fiske. — disse Amy — Mas era para as duas terem tomado o Esquecerol.

— Então tem mais traidores. — disse Dan.

— Dan lembra que Grace disse que contou coma ajuda de um clube secreto?

— Lembro. Eles devem ter virado traidores e agora estão ajudando Isabel e Eisenhower!

— Então vamos seguir com o plano? — perguntou Hamilton

— Vocês não estão irritados pelo que acabamos de lhes contar?

— Não. — os três primos disseram em uníssono. — Isso fez de nós pessoas melhores. — disse Ian — E nos fez mais felizes. — acrescentou Hamilton e Natalie concordou.

Os cinco começaram então a conversar sobre o plano das unhas postiças que Hamilton havia sugerido. Estavam tão concentrados na conversa que nem repararam que Nellie havia saído da sala.

Eles esclareceram as dúvidas que tinham sobre o uso das unhas, sobre como iam ser pegos e como deviam fazer para injetar o poderoso Esquecerol II nos seus inimigos. Ian e Natalie prometeram que investigariam e procurariam cada canto de sua enorme casa, para encontrar a munição de unhas que Isabel escondia.

— E quanto aos Starling? — perguntou Natalie — Eles também estão bons que nem a gente?

— Sim. — respondeu Amy — Mas o Benzarol não funcionou em todo mundo, como já dissemos. Além de Isabel e Eisenhower, o Benzarol não funcionou também no Ted.

— O que será que todos eles tem em comum?

— A maldade? — disse Hamilton. — Ted sempre foi o mais briguento dos Starling.

— Nós vamos ficar assim para sempre? — perguntou Natalie.

— Não. — respondeu Dan — Grace disse que os efeitos passariam em até um mês.

— Eu odiaria voltar a ser o Cahill de antes. — disse Ian.

— Na verdade, ser mau está nos genes dos Cahill. — disse Amy.

— Mas vocês não são maus!

—Porque somos só cinquenta por cento Cahill. Nosso pai não era um Cahill.

Eles ficaram um tempinho em silêncio, Dan e Amy pensando nos seus pais já falecidos, em Grace e Fiske, e tentando tomar o que antes era um sorvete de chocolate. Então, eles ouviram um carro se aproximando e quando Hamilton olhou para a janela, viu que era um táxi.

— Vocês trouxeram eles para cá? — perguntou Dan furioso para Ian e Natalie. Os primos responderam que não, que haviam vindo de metrô e ônibus, porque era mais barato que um táxi.

— Dan, onde está a Nellie? — perguntou Amy.

Eles de deram conta de que Nellie tinha saído da sala já há um tempo, e ela sempre estava com o celular na mão digitando.

Notas finais
Onde Nellie estava? E quem estava chegando? Descubra no próximo capítulo!