Dobro Pozhalovat' v Katsu
4 Festa de Ano Novo
De volta para Katsu, Yuuri começa a se preparar para abrir o restaurante, enquanto Viktor olha para a mensagem na porta primeiro, depois para o estranho vaso que se encontra no canto esquerdo da entrada, antes de entrar. Yuuri o leva até a parte interna do restaurante, onde Makkachin olha com interesse antes de se sentar
“Então, você vai dar uma festa de ano novo?” Viktor pergunta para o rapaz, que dá comida para os poodles antes de voltar para a cozinha.
“Sim. Misteriosamente, eu recebi de volta uma grande quantidade de dinheiro de um entregador, que me disse ser o dinheiro que aparentemente o senhor Orlov, do banco que eu pedi meu empréstimo, roubou de mim.” Yuuri diz, servindo uma xícara de chá para ele. “Eu não entendi direito o que aconteceu. Só sei que acabei ficando com bastante dinheiro de repente, então decidi gastar com ingredientes e festejar o ano novo com meus clientes.”
“Mas não tem problema em oferecer comida de graça?” O russo de cabelos prateados pergunta, curioso em saber os motivos do rapaz a sua frente insistir em fazer isso.
“Bem, não é como seu eu tivesse como gastar todo esse dinheiro.” Yuuri dá de ombros, concentrado em algo que ele está preparando. “Além disso, o entregador me contou que um tal de senhor Nikiforov queria dar para mim o dinheiro que eu havia perdido…”
Yuuri se interrompe pois duas pessoas entram no restaurante, sendo imediatamente recebidas por ele. Uma delas é Mila, que se anima ao ver Viktor ali sentado. Graças a isso, Viktor se vê sem condições de conversar mais com ele e fica se perguntando se deveria falar para ele a verdade. Viktor observa as pessoas ali presentes, falando animadamente umas com as outras, e se pergunta como elas reagiriam se soubessem da verdade. Como Yuuri reagiria se soubesse quem realmente é Viktor Andreievich Nikiforov.
O que ele não percebe é que Yuuri sempre o observava, notando seu estranho silêncio.
~x~
“Senhor.” A recepcionista diz, quando Viktor acaba de entrar no edifício onde ‘trabalha’.
“Sim?” Ele pergunta, se aproximando da mesa dela e a observando estender a carteira dele dentro de um plástico transparente.
“Nenhuma impressão digital estranha foi encontrada, senhor. Apenas as suas foram encontradas.” Ela diz, o fazendo franzir a testa.
“Entendo.” Ele diz, retirando a carteira e a guardando no bolso interno do paletó. “Bom trabalho.”
“Além disso, senhor Lesnoy quer falar com o senhor.” Ela o informa, o fazendo franzir a testa.
Sergey Lesnoy é um dos homens que jurou lealdade ao Pakhan anterior e que atualmente cuida da aquisição de drogas com a máfia italiana. Viktor odeia lidar com drogas e se pudesse, acabaria com esse lado da Bratva instantaneamente. Mas infelizmente ele não pode fazer nada. Não enquanto o controle de tudo está nas mãos de irina, mesmo que ela não de a mínima para isso.
“Diga para ele ir ao meu escritório.” Viktor diz, indo em direção aos elevadores.
Duas horas e meia depois, um homem de baixa estatura, longos cabelos grisalhos, pele enrugada e usando um terno completamente preto entra, se aproximando rapidamente da mesa de Viktor, o olhando com seus olhos verdes escuros.
“Onde está a Pakhan?” Ele pergunta, fazendo Viktor soltar um longo suspiro.
“Ela não está aqui.” Viktor responde, se encostando em sua poltrona e cruzando as pernas, o olhando friamente.
“Tsk.” Sergey Lesnoy coloca as mãos nos bolsos da calça, franzindo a testa para Viktor. “Que desgraça. Um marido que não tem controle sobre sua esposa.”
“Não seria melhor mencionar o fato de que uma organização inteira está no controle de uma mulher incompetente que não quer saber de nada além de torrar o nosso dinheiro para proveito próprio.” Viktor diz, erguendo sua pistola e apontando para ele assim que percebe o movimento brusco do velho que pretendia pegar sua própria arma, o fazendo congelar. “Agora, a que devo a honra de sua visita?”
“Maldito desgraçado.” Lesnoy rosna, chutando a mesa de Viktor, que ergue uma sobrancelha para ele. “Alguém roubou a mercadoria que compramos dos italianos. Milhões de dólares jogados no lixo, por causa da incompetência daqueles malditos.”
Viktor o olha com surpresa, não esperando aquilo.
“Me conte mais, Lesnoy.” Ele diz, abrindo um largo sorriso e se inclinando para frente, apoiando os dois cotovelos na mesa e seu queixo em suas mãos. “Me conte como um carregamento cheio de drogas que deveria estar sobre sua fiscalização foi roubado assim, do nada?”
Ele observa o velho homem a sua frente ficar com o rosto cada vez mais vermelho e pode praticamente ver uma veia saltando da testa dele. Ai meu deus, que hilariante finalmente poder caçoar dele.
“As informações foram apagadas de nossos arquivos.” Lesnoy apenas diz, o surpreendendo.
“Só isso?” Viktor pergunta, começando a dar risada da cara dele.
“Como assim só isso, Nikiforov?!! Você está ficando maluco da cabeça?!!” Lesnoy grita, bastante furioso com o modo debochante de Viktor. “São milhões e milhões de dólares pertencentes a nossa organização que foram usados para comprar uma mercadoria que foi roubada assim, do nada.”
“Eu concordo com você nesse ponto. Por isso já estou planejando investigar como os dados sobre essa tal mercadoria desapareceu do nosso sistema interno.” Viktor diz, digitando algo no laptop dele. “Como o processo deve demorar um pouco, sugiro que volte a fazer seus afazeres caso não tenha mais nada para me informar.”
“Um dia você vai cair, Nikiforov.” Lesnoy se afasta e sai do escritório, batendo a porta com força.
“Que medo!~” Ele debocha, caindo na gargalhada.
Quando ele para de falar, ele respira fundo e faz uma cara séria.
Viktor odeia lidar com drogas. Desde que viu sua mãe se auto destruir depois que eles foram abandonados pelo pai dele, que na época estava tendo um caso com outra mulher. Ou melhor. Ele era casado com essa mulher e estava traindo ela com a mãe dele, que o vendeu para o Pakhan anterior quando ele tinha 8 anos, onde ele começou a ser educado rigorosamente para ser o braço direito de Irina.
Aos 16 anos, recebe a notícia de que sua mãe havia morrido de overdose; Embora o Pakhan tenha se oferecido para ajudar a enterrar ela, Viktor decide que não tem mais nada a ver com ela. Naquele mesmo ano, Viktor mata com um tiro na cabeça o homem que um dia ele chegou a chamar de pai.
Por isso, quando ele soube do que aconteceu com Yuuri, ele não hesitou em usar as informações de Irina para forjar uma compra com a máfia italiana, algo que realmente nunca aconteceu, e doar o dinheiro para o cozinheiro. Mas é claro que ele não esperava que Chaika devolvesse o dinheiro para Yuuri.
“Hmm, e agora, o que eu faço com esse dinheiro todo?” Ele se pergunta, cruzando os braços. “Talvez eu devesse… queimar tudo?”
…
“Vitya, sobre o ano novo…” Irina começa a dizer, fazendo seu marido a olhar seriamente. “Eu tenho um compromisso, então não vou poder estar com você.”
Viktor ergue a sobrancelha para ela, surpreso.
“Muito bem.” Ele diz, voltando a olhar para a tela de seu computador.
~x~
[Noite da véspera de ano novo]
Katsu começa a lotar depois das 10 da noite. Viktor se assusta quando chega no restaurante junto com Makkachin e primeiro sente cheiros diferentes antes de ver diversas pessoas que ele nunca viu antes sentados no chão do restaurante, em grupos. Elas estão comendo pratos diferentes, ou bebendo algo em um copo de plástico, ou conversando entre si.
“Viktor! Makkachin!” Ele escuta Yuuri, que se surpreende ao ver ele e abre um grande sorriso. “Seja bem vindos!”
“Woof!!” Makka late, imediatamente reconhecendo Yuuri.
“Olá, Yuuri!” Viktor diz, sorrindo levemente para o rapaz e lutando para não ficar com o rosto corado. “Tem algum problema em eu ter trazido Makka?”
“Ai meu deus, que fofura!!” Mila exclama, e logo Makkachin se torna o centro das atenções de todo mundo, que dão para ela elogios, carinhos, boas coçadas e pedaços de comida.
“Você pode deixar ela descansar no interior. Tenho certeza de que Vicchan irá adorar ter ela como companhia.” Yuuri diz, rindo das palhaçadas da Poodle, que está adorando toda a atenção recebida.
“Obrigado.” Viktor diz, rindo também.
“Ei, Chef Yuuri! Tem mais desse tal de ‘Amazake? É uma delícia!”
“Saindo!” Yuuri exclama, voltando para a cozinha.
“Ama...zake?” Viktor pergunta, não reconhecendo o nome.
“Segundo Chef Yuuri, é uma espécie de sakê especial servido no ano novo lá no Japão, só que doce, quente e cremoso, além de mal ter álcool. É delicioso.” Mila explica, o surpreendendo ao estender o copo dela com um pouco. “Aqui, beba um pouco.”
Viktor bebe um gole e arregala os olhos, surpreso com o gosto.
“Desculpa a demora!” Yuuri diz, carregando quatro garrafas térmicas e as colocando em cima do balcão. “Se sirvam à vontade!”
“Ei, chef Yuuri! Como se chama mesmo aquela decoração na frente do restaurante?”
“Hm? Você está falando do Kadomatsu? Tipo, três pedaços de bambu de tamanhos diferentes e galhos de pinheiro amarrado?” Yuuri pergunta, sorrindo.
“Isso. Isso.” O cliente que fez a pergunta diz, tentando logo em seguida repetir o nome perfeitamente e não conseguindo. “Para que serve?”
“Segundo a tradição japonesa, o bambu é um símbolo de força e prosperidade e o pinheiro simboliza a vida longa. Além disso, as 3 peças de bambu representam do maior para o menor o céu, a humanidade e a terra.” Yuuri explica, para a surpresa de alguns ali presentes.
Viktor se assusta ao ver Yuuri começando a ficar com o rosto suado, e ele imagina o quando deve ser difícil cuidar de tudo sozinho,
“Chef Yuuri, eu quero Katsudon!”
“Eu quero Oden!”
“Cadê meu Ramen?”
“Saindo!” Yuuri exclama, voltando para a cozinha.
“Ei, Yuuri?” Viktor pergunta, fazendo o cozinheiro o olhar com o rosto inclinado. “Eu… queria muito poder te ajudar.”
“Eh?” Yuuri pergunta, surpreso. “Tem certeza?”
“Sim.” Viktor diz, tirando o paletó, a gravata e seu relógio, as colocando junto com seu cachecol e suas luvas na parte interior do restaurante.
“Muito obrigado, Viktor.” Yuuri diz, sorrindo para ele.
“Err.. claro.” E sob as instruções de Yuuri, ele o ajuda a servir as comidas e bebidas, a encher as garrafas térmicas com Amazake, a servir sobremesas.
O tempo passa tão rápido que eles se assustam ao escutar a contagem regressiva para a virada do ano.
“S Novim Godom!” Eles exclamam, quando chega meia noite.
“Akemashitte omendetou.” Yuuri diz, observando a cena ao lado do russo de cabelos prateados, que o olha com surpresa antes de sorrir para ele. Feliz ano novo, Viktor.
“Feliz ano novo, Yuuri.”
~x~
“Ela está me traindo. Minha própria esposa está me traindo. E eu não posso fazer nada. Nada. Eu…”
“O que você deseja, Viktor?”
“Eu desejo…”
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