Do you remember me?
59 Eu te amo
Notas iniciais
Ao abrir os olhos, eu estava novamente na casa de Laxus. No começo, cheguei a acreditar que tudo aquilo fora um pesadelo, porém bastou eu me mexer na cama para sentir cortes arderem por todo meu corpo e alguns pontos latejarem por pancadas. Lágrimas se formaram em meus olhos e com medo, comecei a arrastar meu corpo pela cama, utilizando as poucas forças que tinha naquele momento para gritar pelo nome de Laxus. Eu simplesmente não consegui conter meu desespero.
Meu coração batia rápido pelo medo e angústia quando a porta foi aberta, mas eu paralisei ao ver Laxus na porta, caminhando com dificuldade. Apoiado em Eleonor, ele veio até a cama, abrindo um fraco sorriso ao me ver. Sem entender, olhei aquilo estático, relaxando meu corpo apenas quando ele me puxou e me abraçou.
– Eu estou aqui... eu estou aqui... ninguém mais vai te machucar, eu prometo. – a voz dele estava fraca e rouca. Laxus estava um pouco pálido e tinha olheiras escuras marcadas no rosto. – Me perdoe Freed... Me perdoe! Era meu dever te proteger e por minha causa tudo isso aconteceu.
Laxus me apertou contra seu peito e começou a chorar, afundando o rosto entre meus cabelos. Fragilizado, eu fiz o mesmo, soluçando sem conseguir sequer falar. Senti Eleonor nos abraçar, chegando a soluçar assim como nós. Durante muitos minutos ficamos ali os três abraçados, chorando até sentir alívio por estarmos juntos novamente. Foi um momento difícil, doloroso, mas nos uniu ainda mais a partir daquele momento.
Laxus quebrara uma costela e fez uma cirurgia de emergência para retirar o osso quebrado. Ainda nem começara a se recuperar, pois com o meu sumiço, Eleonor contou que ele não dormiu ou parou quieto um momento sequer. Depois que nosso abraço terminou, começamos a conversar entre nós, enxugando lágrimas. Laxus segurou minha mão o tempo todo e minha situação se tornou ainda mais melancólica ao ver lágrimas banhando aqueles olhos cinzentos. A minha ideia de que Laxus não tinha sentimentos ou que ele não gostava de mim desapareceu. Afinal, eu jamais imaginei que ele fosse capaz de chorar.
Eleonor nos deixou sozinhos para conversarmos melhor enquanto preparava algo para que nós dois pudéssemos comer. A fome passava longe da minha cabeça e barriga naquele momento, porém resolvi ficar quieto quando ela disse que Laxus não comera nada nos dois últimos dias. Suspirando, ele abriu um fraco sorriso para mim, antes de me puxar para seu colo. Seus lábios se uniram aos meus em um beijo rápido, para em seguida ele beijar minha testa. Me sentindo fraco, olhei para os meus braços, vendo vários cortes e hematomas. Demorei cerca de alguns segundos para me lembrar das palavras de Hector, entendendo o que ele quis dizer com “você vai sentir muita dor quando acordar”.
– O que ele fez com você? – Laxus perguntou e eu senti suas mãos apertarem meus braços de leve. Senti os olhos se encherem de lágrimas e apenas o abracei, afundando o rosto em seus ombros.
– Quando você chegou... corremos com você para o hospital. Você estava com vários respingos de sangue pelo corpo. Os médicos te avaliaram e não havia nenhum osso quebrado, mas você estava desidratado e chegou a fazer uma transfusão de sangue. – ele fez uma pausa, antes de levar uma mão até minha nuca, afagando meus cabelos que estavam bem mais curtos. – E-ele te estuprou não é?
As últimas palavras de Laxus saíram engasgadas de sua boca. Eu voltei a chorar, me lembrando de tudo o que passara naquele dia. Eu mal sentia meu corpo direito, já que estava sob o efeito de vários medicamentos, entre eles um coquetel para combater doenças venéreas. Hector não era uma pessoa confiável e por isso Laxus não hesitou em aprovar que eu começasse a tomar aquela medicação.
– E-eu queria mata-lo. É o que ele merece. Ter todos os ossos do corpo quebrados e morrer lentamente.... – ele respondeu, me apertando ainda mais contra seu corpo.
– Por favor Laxus não vá atrás dele. – disse entre soluços, empurrando-o um pouco para poder olhar em seu rosto. Meu coração batia rápido de medo apenas em imaginar o que ele poderia fazer com Laxus. – Aquele homem é um monstro! Por favor me prometa... me prometa que não vai atrás dele. Por favor! – eu levei as mãos até seu rosto, em meio ao meu desespero. – Apenas fique comigo e esqueça ele. Por favor Laxus! Eu te imploro!!
Vi ele fechar os olhos com força, evitando que mais lágrimas escapassem dos seus olhos. Aquele dia foi uma das poucas vezes que eu vi Laxus chorar. Ele era forte, mas eu me tornei uma fraqueza para ele e infelizmente aquela não seria a primeira vez em que eu seria usado contra ele. Encostando a testa na minha, ele sussurrou por diversas vezes as palavras “tudo bem”. Aquilo demorou um pouco para me acalmar, mas logo ele distribuiu beijos por todo meu rosto, antes de acariciar meu rosto ferido.
– Hora de comer meninos!
Eleonor entrou no quarto com uma bandeja, daquelas de café da manhã, com dois pratos de sopa quente. Seus olhos ainda estavam marcados pelas lágrimas que derramara, mas ela tinha um sorriso de alívio no rosto, dando um beijo na minha bochecha e na de Laxus depois de colocar a bandeja sobre meu colo.
– Comam tudo, ok? Os dois estão muito fraquinhos no momento. Quero meus dois garotos fortes!
– Não estou com fome Eleonor. Obrigado – Laxus falou, endireitando o corpo na cama para se sentar melhor.
– Freed, pode fazer algo a respeito disso? – ela disse em tom de brincadeira. Pelo visto, não era apenas eu e Laxus que queria mudar o clima naquela casa.
– Pode deixar. – abri um sorriso para ela, enxugando minhas lágrimas. – Eu faço ele comer.
– Ótimo! Qualquer coisa me chamem, ok? – vou preparar uma vitamina para vocês tomarem depois.
Apenas assenti e ela sorriu, antes de sair do quarto. Pegando um dos pratos, eu me aproximei de Laxus. A fumaça que saía da sopa demonstrava o quanto ela estava quente e por isso soprei um pouco a colher, antes de levar próxima à boca de dele.
– Não estou com fome Freed. Obrigado. – ele deu um sorriso fraco e eu via em seus olhos o quanto ele estava cansado.
– Precisa comer Laxus! Por favor, faça isso por mim.
Ele me olhou por alguns segundos e suspirou, voltando a sorrir. Segurando o prato com uma mão, com a outra ele me puxou para mais perto, antes de levar a boca até a colher e comer o que estava ali. Não pude deixar de sorrir com aquilo, voltando a colocar mais sopa na colher e soprando antes de levar até sua boca.
Muitas coisas ruins tinham acontecido tanto comigo quanto com Laxus. Muita dor física, psicológica, medo, angústia... mas estávamos dispostos a superar. Ficamos um tempo em repouso, apenas conversando, conhecendo um ao outro, fortalecendo um laço de amor que criamos naquele dia.
Sendo a vez dele de me dar sopa na boca, percebi seus olhos me encararem o tempo todo. Demonstrando um lado brincalhão o qual eu não conhecia, ele fazia maldades comigo, virando um pouco de sopa no canto da minha boca e lambendo para limpar. Em minutos eu já estava rindo e ele fazia caretas para me entreter. Quando terminamos de comer, colocou a bandeja com os pratos sobre a escrivaninha, antes de apagar as luzes e se deitar ao meu lado.
Deitado de lado, eu o observei se ajeitar na cama, sentindo o cobertor grosso e pesado ser puxado pelo meu corpo. Arrastando o corpo, Laxus ficou perto de mim, levando o próprio rosto até minhas mãos, demonstrando que queria carinho ao esfrega-lo em meus dedos. Dei uma risada baixa com aquilo, começando a mexer nos seus cabelos e ele sorriu de volta para mim, me fazendo travar ao dizer, pela primeira vez, as palavras mais bonitas que já ouvi na vida.
– Eu te amo Freed Justine.
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